sexta-feira, 10 de julho de 2009

Meiga


Um simples abraço apertado
Um beijo louco, tresloucado
O desejo vívido percebido
Um momento único revivido.

Uma sensação de insensatez
Mas em prol da ação, da rubra tez
É sem razão, como toda vez
É sem noção. Primeira vez.

Um ágape docemente fornecido
Quisera antes tê-la percebido
Não a teria maltratado, enfim traído
Mas o mundo continua colorido.

É sem razão dizer que o mundo está perdido
Nem o amor ainda nele contido
Os sentimentos mais profundos escondidos
O prazer, em suma, a paixão, o fogo, a libido.

Ela é tão meiga, pura e suave
Eu sempre intenso, frêmito, grave
Ela é manteiga, é a cura, é a chave
Eu sou tão denso, de rapina, uma ave.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ruiva


Um frio aconchegante
Um olhar que não diz tudo
Um perfume inebriante
De incenso lá no fundo.

Um aroma de mulher
Um perfume adocicado
Um sentimento qualquer
logo logo transformado.

Um vinho contra o frio
Um beijo muda tudo
Emoção vão como um rio
Lábios quentes, rubros.

A noite é fria e pungente
O vento sopra, uiva
Mas aqui dentro fica quente
Ao lado da moça ruiva.

Os cabelos, envolvente
Os lábios, aroma, tudo
Tudo envolto na gente
Como num mundo perfeito e rubro.

Um começo incandescente
Pra quem queria um cinema-mudo
Uma proposta inicial inocente
Uma mudança final em segundos.

Ainda lembro a pele macia
O rosto rubro, os lábios dela
Os cabelos da cor da magia
Uma ruiva meiga e bela.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Um dia...


É bem assim
De grão em grão
Um sim, um não
Melhor pra mim.

Foi sem querer
Foi sem saber
Foi escalando
Pra de cima ver.

Um dia sim
Um dia ali
Sem projeções
Nem me perdi.

O turbilhão
Ficou pra trás
Agora paz
Sem pretensão.

Com paciência
Com compreensão
Sem ilusão
Mas consciência
De pés no chão.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Porcos


A injúria
A calúnia
A difamação
Você é o centro do alvo
A perseguição
Quem manda usar salto?

Conviver com isso
É nada fácil
Mas a vida é do avesso
Não dá pra ser frágil.

O prego que se destaca
Certamente é martelado
Atiram-me estacas
De todos os lados.

O preço de quem com porcos anda
Respinga no nome
A sujeira é deles
Mas farelo se come.

Enojo-me da lei que os protege
Pois temos que ser como Jesus
Que a outra face oferece?

Mas não chafurdo a lama deles
Mesmo que me atentem
Ou até mesmo detestem
Não passam todos de reles
Já eu sigo em frente.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Irrisória


Fui no encalço de dias melhores
Vi que revivi dias maravilhosos
Sabe aqueles que se tem saudade
Aqueles de quinze anos de idade.

Não que se passasse todos os medos
Nem que se afugentasse todos os fantasmas
Mas a gente esconde num cofre os segredos
E aos outros a gente disfarça.

Enquanto isso uns disfarçam com o sexo
Sem amor, infiéis a si mesmos
Todo o trauma guardado no plexo
Prisioneiros cativos de si mesmo.

Não que eu não levante mais a bandeira da transgressão...
Contudo se voluntário é que é satisfatório
Se inconsciente, é ser usado, e de mão em mão
Não passa de um objeto descartável e irrisório.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O instante


É
Não fui recíproco
Fui omisso em diversos aspectos
Admito.

Pois é
Poderia ter sido o começo
Apesar de estar tudo do avesso
Conflitos.

De pé
Segue o rito
Mantem-se a pose convicto
Saio invicto.

Com fé
Não poderia mentir
Fui infiel aos meus ideais
Poderia insistir?

A pé
Andei percalços lascados
Fiz alianças falsificadas
Por caminhos descalço.

Não é?
Não me sabia apaixonado
Acordei a tempo de um casamento
Certo ou errado?

Até!
Vivia cegamente mas me lembro
Cada momento ofegante e extasiante
Os dias radiantes e as noites frias
Num instante.


fotografia: Orla Bardot, estátua de Brigitte Bardot (Búzios/RJ)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Sexdigital


Na internet era o tal,
Até falso nome usava;
Seria um puto em Portugal,
Mas ninguém ligava.

Do que lhe adiantava a avidez dos dedos
Se não metia a cara?
Escondia segredos e medos,
Nem câmera ousava.

Era um descarado, um desavergonhado;
Ora rico, político, esnobe;
Tinha um intelecto privilegiado,
Um virgem ridículo aos dezenove.

Nas madrugadas trabalhava,
Mas não fazia mal,
No teclado se virava,
Era um sexdigital.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Rochedos

[foto por: Alessandro Vargas, praia de Caiobá/PR]


Já havia tempos que não prestava tributos à donzela antiga,
Andava por aí mendigando sentimentos fracos,
Sentiu o vento despertando-o a seguir sua trilha,
Pegou seu rumo, sua armadura, reforçou seus braços.

Não mais o mesmo que ostentava estandartes foscos,
Nem mais ou menos do que aquilo que antes fora,
Ao menos não vive mais reminiscências de sonhos toscos,
E tudo aquilo que eram excrescências deixou de fora.

Sem mais holofotes que só ofuscam o próprio brilho,
Tal qual a lua faz com suas estrelas,
Tal qual um trem que enfim percorreu seu trilho,
E como cometas muitas vias ei de sabê-las.

O castelo é longínquo e tem muitas ondas em meio a rochedos;
A minha nova donzela espera ofegante o desfecho tórrido,
Preciso livrar-me de alguns desafetos, seixos e medos,
Serás a minha noiva, meu sonhos que livram-me de dias tão sórdidos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Embate ou Natasha

"Retrato de la Señora Natasha Gelman (Portrait of Mrs. Natasha Gelman)" por Diego Rivera


Cada dia um novo êxtase
Meu anjo tem olhos castanhos
O frenesi toma-me conta
Os dias já não são mais estranhos

Entrarei pela porta da frente
Não há como me barrarem
Quem pode, controla mentes
Quem não pode come migalhas

Tentativas vãs de insulto
Não afligem minhas armaduras
Intactas contra os estúpidos
Tem que ter muita bala na agulha

Sou muito mais que diplomacia
Tenho as palavras abençoadas
Venho acompanhado de magia
Não tenho medo de nada!

Nada que possa fazer
Vai impedir o que está por vir
Estou indo pegar o que meu
E não são imbecis que vão impedir

Mas é como diz o ditado
Tem que cohecer bem a trama
Respeitar a dama na mesa
Aproveitar a prostituta na cama

Amo o debate quem não o sabe
O embate é meu grande forte
Não aconselho ninguém a encarar-me
Mas se quiser tentar boa sorte.

domingo, 26 de abril de 2009

Feliz

Uma mentirinha bem sutil
Pra levantar o seu ego
Só com você eu sou feliz
Só com você eu faço sexo

Só com você eu sei sonhar
Só com você eu sei viver
Se não fosse eu me afastar
Não estaria com você

Um momento feliz de afago
Conheço por dentro e por fora
Conheço de todos os lados
Nada ficou de fora

Nada ficou por fazer
Nada restou acabado
Tudo por acontecer
Ainda não fui derrotado.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um Olhar Ao Horizonte


Nesta vaga folha de papel branca
É tão difícil imaginar a vida
Esta de tijolos alaranjados construída
Como uma canção de amor bem franca.

Tive de dar uma volta no pátio
Tomar água, olhando pela porta de vidro
Lembrando os passos perdidos
E dos segredos mantidos, intactos.

É realmente o velho caminho de chão batido
Que do alto o verde se eleva
Que de entre as pedras que nasce a relva,
No alto da montanha espelhada ao vidro.

É a procura do inacessível contentamento
O mergulho na espessa onda de ar
Que entra leve pelas frestas a dissipar
A tristeza que é carona do vento.

Sentar dissimulando pensamentos
Que se nascem, nasceram do nada
Um nada que aguarda à beira da estrada
Estrada errada que confunde sentimentos.

Mas pela última vez quero meu nada
Pois esse espectro que se aproxima é a escuridão
Mas antes do entardecer a conclusão
Que a felicidade é como chuva na calçada.

E continuo sobrevoando bem com calma
Observando atentamente essa beleza
Em minha vida só encanto, só pureza
Para que viva muitos anos minha alma.

domingo, 19 de abril de 2009

Segue o Rito


Tudo volta ao normal
O sexo sadio habitual
O frenesi, o ritual
O suór do corpo do sal.

A priori ainda se resiste
Mas a gente supera em prol da ação
À razão a gente se omite
É assim que nasce a paixão.

O corpo enrijece afinal é humano
As ações são medidas faz parte do plano
O corpo se entrega o corpo é mundano
O corpo entregue por debaixo do pano

A boca encontra sua fonte da vida
E dá vida ao momento traz alento à carne
Outra boca de encontro à viva ferida
A língua de encontro à seiva no cerne

Sinta o licor por ti preparado
Elaborado no âmago dos seus lábios
Esse por ti tantas vezes provado
Que sugo seu néctar até restar acabado

A ação é torpe e a causa é vã
Beijo as maçãs dos seios à mostra
A paixão existe e agora é o afã
Traição, pecado como se gosta

O sabor das suas coxas e virilhas
O torpor da minha língua em sua pele
Suavemente sigo suas trilhas
Pra chegarmos ao prazer que revelas

Enfim se prosta ao chão pra mim de costas
Ajoelha-se como adorando o invisível
Te agarro pelos cabelos como sei que gosta
E lhe mostro um lado meu não tão sensível.

Os sussuros ficam altos viram gritos
Eu me coloco inteiramente em sua ferida
E bruscamente, velozmente segue o rito
E enfim tu bebes loucamente o mel da vida.

Coisas


Coisas que não sei perder:


A forma;
A pose,
A posição.


Coisas que sem não sei viver:

O poder;
A vitória;
A paixão.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Protelar


Por que não protelar?
Só mais um pouco...
Só pra te mostrar
Que eu tudo posso.

É.
Aprende-se até mesmo comigo.
Mesmo que não aprendo tanto contigo.
Nem perdi a fé.
Tampouco consigo.

Há de um dia adiar.
E mais uma vez, e mais uma vez...
Só não pode falhar.
Quem sabe um mês.

Sou eu contra você.
E o disparate.
Quem vai vencer?
Cheque-mate.

Perco tudo mas não a batalha.
Trago a arma já armada.
Não falha.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Fé Cega


Isso explica muita coisa tola
Certas mensagens subliminares
Faz-me sentir satisfeito agora
Faz-me sentido respirar novos ares

Dou conta enfim que não sou mais o réu
Dou conta de que era como eu achava
Um pouco menos do que parecia
Mas um pouco mais do que aparentava

Continuo aqui fiel transgressor
E as gerações hão de passar
Acostumado com a perda e com a dor
Que muitos também hão de provar

Olha, surpreendo-me ainda, acredite
Com a utopia que existe no mundo
Com o paradoxo do dia a dia
Da solidão esse abismo profundo

Gerando transgressões contínuas
Percebendo as contradições
Rindo das ilusões ridículas
Acostumando-me com as traições

Não mais me iludo com tanto "eu te amo"
Não mais me comovo com tantos choros
Não mais me entrego nem mais reclamo
Não mais me mato tampouco morro.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Poema a Hale-Bopp


Eu te vi Hale-Bopp
Prazer em ter visto
Até o confundi a priori
Mas lembrarei enquanto existo

Fiz essa canção pro Hale-Bopp
Dá até um som legal
Ele parecia ser tão pop
Mas era só espacial

Enquanto eu via o Hale-Bopp
Eu jogava handebol
Desculpa se pareci um pouco esnobe
Mas sou assim é natural

Na passagem do Hale-Bopp
Muita gente se matou
Procuravam o Heaven's Gate
Não sei se alguém achou

De dia eu via o Hale-Bopp
E a molecada na quadra
Ele em cima tão nobre
Com sua cara apressada

Dedico isso ao Hale-Bopp
Mesmo que o fitei tão pouco
Não sei se isso a alguém comove
Como não sei se o verei de novo.

domingo, 5 de abril de 2009

O Nome


Certa feita ele perdeu o nome
Já não era mesmo um homem perfeito
Andava por aí gritando com megafone
Poesias apesar de homem feito

Deixou de lado vilipêndios e mesmices tolas
Agora não mais de achaques e pormenores
Guardou num canto seu compêndio de chacotas bobas
Fez da trincheira um canteiro de paz e de flores

Não fora mesmo algo tão regular
Era só um só fora da parte
Andava a esmo sem por quê nem par
E assim ia por toda a parte

Mas certa feita de novo de certo modo
Encontrou na cômoda o nome perdido
Sentiu um incômodo mas foi de encontro
Retomou seu nome e renome antigos

Tornou-se agora um homem mais forte
O mesmo de sempre que não mais a esmo
Largou de mão esse crer em sorte
Agora é daqueles que fazem mesmo

terça-feira, 31 de março de 2009

O óbvio


O desmazelo se desfacela
Os traços voltam à face
O jeito volta ao que era
Agora sei o que passaste.

Acho que passei por lugar-comum
Enfim nem sei onde estive
Por um momento perdi o rumo
Contudo ali adiante detive-me.

Mas é como se se acabasse o encanto
Como disse-me acabou a magia
A magia acaba-se com o pranto
E substitui-se por alegria.

O óbvio é ser notório
Só existe um assim
E sempre que se aperceber de mim
Saiba que sou eu quem está ali.

A cor volta aos lábios
O vermelho rubro de desejos
Como já disse lábios são sábios
E sabem recomeçar desde o começo.

O óbvio se torna notório
Acabou-se tudo de todo
O notório é obrigatório
Vira-se a mesa do jogo.

O importante de tudo isso
É saber recomeçar
Mesmo quando fazem-me mudo
Mesmo quando me fazem mudar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Hoje


Se pudesse querer uma coisa
Entre mil coisas que pudesse querer
Podia dizer no dia de hoje
Por favor venha me ver.

Não é possível que toda a liberdade
Ou pelo menos o que você chama
Vale mais que a felicidade
De ter alguém que certamente te ama.

Desejo-lhe um beijo na sua alma
Um sentimento de brisa na pele
Um futuro sem trama nem trauma
Um passado não mais como aquele.

Pode ser enfim que eu desista
Como um barco sem cais nem farol
Deixarei de seguir as suas pistas
Quem sabe assim tenha um dia de sol

quarta-feira, 25 de março de 2009

Todas as Coincidências


Todos os diagnósticos não querem me poupar
As pontes insistem em rachar
Nem sempre sob meus pés
Melhor nem falar

Todas as coincidências são sem par
À iminência de um desabar
Uns creem que vou ceder
Mas não antes de muitos levar

Aprendi assim no meio da tempestade
Entre relâmpagos e trovões claridade
Nada muito ruim
Superioridade

Mesmo assim dou a razão a quem merece
Foram noites de apreensão e prisões ao que parece
Foram agressões e digressões ocultas
Mas um dia aparece

Não temo a seta que voa de dia...
Posto que flechas já tenho lançado
Lancei mão dos tremores passados
Continuo com o escudo içado

Levanto o aguilhão hirto e escarlate
Aguente o ferrão brusco e ultimato
Dos meses passados só tivemos embate
Chega de planos em breve te...

Busco.

domingo, 22 de março de 2009

Daqui Pra Frente

Letra e música: Alessandro Vargas/ Cleo Toledo

Só de pensar o que fazer quando o dia amanhecer
O sol da esperança a me dizer
Que eu posso ser tudo aquilo que eu não soube ver...

Sonhei que um dia iria acontecer...

Bem assim, tudo bem pra mim, decidi...
Vou até o fim!

Foi o tempo de chorar, agora é tempo de sorrir,
Não vou mais pensar,
Daqui pra frente é só agir!

terça-feira, 17 de março de 2009

Decadência...


É decadência sim...
Por que fui ver sua fotos?
Por que ouvir as mesmas músicas?
Precisava ouvi-la...
Mesmo que em desaforos ríspidos...

Que delícia sua voz...
A tenra doçura da infância...
A aparência melindrosa fingida de atroz...
Muita distância.

Não me importa a ignorância.
Não me importa a distância.
Só queria dizer-te atualmente...
Que viveria ao teu lado eternamente.

Que tudo o mais que faço
Serve apenas pra chegar ao teu encalço...
E que todo o dia me refaço
E o faço como posso.

Toda decadência por ti é perdoada
E cada quilômetro percorrido foi bem gasto
E cada gasto que tive foi bem pago
Se pensar na recompensa de teus braços.

Jamais esquecerei que me esperavas
Jamais me esquecerei quando me abraçavas
Jamais esquecerei suas palavras
Jamais me esquecerei quando calavas.

E a saudade sem par de dormir abraçados
Os dedos colados, as mãos entrelaçadas
As falas desencontradas sem nexo sem nada
As minhas risadas e você se irritava.

Hoje imagino como deva ser pra você me ignorar
Como deve se proceder pra esquecer alguém completamente?
Talvez amar realmente seja só falar sem nem pensar
Parece-me algo de quem não sabe exatamente o que se sente.

Parece-me que aquela tarde foi premonição.
Como uma despedida parece que foi.
Uma tarde de amor a sós, nós dois.
Uma tarde pra ficar no coração.

domingo, 15 de março de 2009

As Flechas


Eu sou o que eu fiz
Posso não ser o que eu quis
Mas ainda a construção.

Sempre fiz o que bem quis
E acredite sou feliz
Mesmo que agora não.

São tantos labirintos
Sinto-me um tanto esquisito
Esqueci de deixar migalhas...

Falam de mim tantos mitos
Em alguns até acredito
Mas quem não comete falhas?

Acho que fiz escolhas erradas
Mas não acredito em fim da estrada
Sempre existe uma porta entreaberta.

As palavras foram atiradas
As flechas já foram lançadas
Agora é esperar e ver em quem acerta.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Missão


O trabalho de uma vida inteira
Pra constrangir
Pra vê-la reagir
Perco noites na missão.

O estratagema
E você nas algemas
Em pouco tempo a possuo
Por mim sem problema.

Talvez sem razão
Só pra ver reação
Só pra ter a noção
Que perdeste seu chão

Estaremos em pé
Num bar num café
Cuide suas costas
Aposte na fé

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Mais um certame


Não faço mais cultos à degradação
Apesar de patrono da transgressão
Não visto mais lutos por simples nãos
Não digo verdades, não digo não.

Mesmo que doa, sempre a mentira
Mesmo quem doa, sempre se omite
A pedra que voa e quem a atira
Quem não perdoa na verdade admite.

A bem da verdade não sei quem sou
A bem da verdade, enfim a guerra
Além da cidade que aqui estou
Espero colaborar com minha pá de terra.

E me verá em breve creia
No meu posto, o meu patamar
Será só mais uma, serás alheia
e verás insatisfeita eu regozijar.

Mais uma para as minhas conquistas
Você sabe que tenho tudo que quero
Você só venceu uma batalha na vida
Eu venço todas que entro.
E espero.

Morarei aí bem pertinho
Passarei em mais um certame
Tudo no seu desalinho
Tudo tão pusilânime...

E não é por ti a força que encontro
Você me ensinou amar certos tédios
Ficarei feliz com o meu reencontro
Com o seu habitat, com as ruas e os prédios.

E a gargalhada é inevitável.
E o gozo é previsível.
Sua estabilidade será tão instável.
Seu estágio será tão terrível.

Finalizo, depois de muitas análises
Me regozijo como quem se recupera
Sei que na vida passamos por fases
Mas espero colaborar com minha pá de terra.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Resto


O que aconteceu com o escudo içado?
Fui pego despreparado em meio ao embate
Acordo suado em meio a um alarde
Que não se dissipa, ao contrário, só arde.

O gosto já não é tão intenso
Tenho tudo que antes, mas sem desempenho
Queria saber se sentes o mesmo
Sentes um descontentamento?

Até a clausura faz falta
Os embates, a tortura
A vida longínqua, a amargura
A vida noturna compartilhada.

Não é só o prazer por si
Se bem que viveria bem deste modo
Não foi bem isso que escolhi
Mas estou fazendo como posso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Confissão e Beijos


Hoje poderia te amar completamente, fielmente, sem me enganar;
Poderia beijar-te sem culpa, sem medo,
Deixar o amor transbordar, aquecer, chegar a causar dor, quando as duas almas fugirem do corpo num beijo libertador.

Em minutos poderíamos chorar, se entregar aos beijos com ardor, com o afã de amar e enfim dormir, acordar com o amor, pulsar como as veias do corpo com a missão de levar o sangue efervescente e apaixonado a impulsionar o coração dos dois.

Trêmulo será quando encontrar a sua mão na escuridão da noite, estremecer, empalidecer de emoção, no verdadeiro sentimento onde não há segunda intenção.

Sinta o vento tocar seus cabelos, acariciar sua face, invadir seu corpo em um só respirar. Assim é meu sentimento, puro, abstrato, singular.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Até para se fazer o errado existe uma maneira certa de se fazer


Ela queria a liberdade
Mas não sabia como proceder
Restava a mediocridade
Pena não dizer

A Primavera trouxe a ela
Dias de solidão
Transformou a meiga donzela
Em vítima da situação

Em todo o mal tem-se uma conquista
Um mérito uma lição
Apesar da vida promíscua
Aliviava seu coração

Queria gozar sua nova vida
Que antes talvez não fora quase tanto
Queria recuperar a parte perdida
Que fora deixada num canto

Um deslumbramento que será fugaz
Mas ela precisa dar de cara no muro
Ela acha ter achado a paz
Mas a procura de um modo obscuro

Ela é orfã dos bons amores
Senti tanto dó dela
Imagino que sentiu muitas dores
Quando caiu algo no braço dela

Um sono tão tranquilo
Interrompido por um objeto que cai
Um sentimento desconhecido
Como a esperança que se esvai

Ela só queria liberdade sexual
Ele só queria uma cúmplice
Tudo caminha mal e mal
E o caso ainda está sub judice

Ela não sabe o que é o amor
Pois nunca o teve
Ele não sabe o que é ter dor
Pois ninguém o deteve

Ela alivia suas noites alheia
Ele se esbalda de sexo e fogo
Ela caiu numa teia
Ele coloca outras no jogo

Até para se fazer o errado existe uma maneira certa de se fazer
E se quiser fazer algo de errado me convide
Até para se morrer existe uma maneira nobre de se cometer
E se quiser algo nobre
Incite-me.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Relato em vão


Os relógios foram quebrados,
A alma é de gesso,
Os ponteiros parados,
O mundo do avesso.

Inerte, sem trauma, sem trama,
Um filme em preto e branco,
Um coração de porcelana,
Jogado num canto, sujo de lama.

Nem todas merecem afeto,
Procuram amores em frascos de vidro,
E eu aqui no meu mundo secreto,
Guardo seus nomes com meus comprimidos.

Chovem venturas em gotas de chuva,
Enquanto isso os dias se vão,
Segure minha mão com sua mão-de-luva,
Não deixe-me cair nesse vão.

Em vão peço sua ajuda,
Nada muda, “não é nada não”,
Sua vida é assim uma fuga,
E a minha pela sua é prisão

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Procura de ti


Sentei-me no banco da praça para olhar a rainha viver,
Espionar seu jeito de ser,
Por entre esse odor de fumaça,
Que sai quando sentes perder o amor não importa o que faça.

Que em poucos goles eu vi quanta beleza que não conhecia,
Conversava comigo, sorria,
Esquecendo a melancolia de ti;
Cachos castanhos, pele macia,
Que hoje percebi que perdi.

Quero te ver nessa luz ofuscante que sai das janelas do prédio,
Onde sei que estás nesse instante,
Sentindo, como eu, tanto tédio.
Na sacada, observava ofegante,
Procurando a solução, o remédio.

Por muitas vezes revoltei-me no escuro da noite, esquecendo minha vida;
Meu amor se tornara obscuro por perder a ilusão já perdida,
Mas encontrei quem agora eu procuro,
Nas alturas, a mulher da minha vida.

Sentei-me nesse banco vazio para encontrar a garota que amo,
O vento me acolhe tão frio, e eu grito, choro e te chamo,
Mas da sacada não sei se me viu,
Mas pude encontrá-la chorando.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Quando Conversamos


Queria conseguir amar alguém.
Perder-me em um segundo a te espreitar.
Desmaiar em um pensamento de tê-la em minutos.
Conseguir respirar-te.

Senti-me volátil perdido por sua presença,
Afastado do presente levado a um futuro inexistente;
O batimento cardíaco lento, parado, inconstante,
Como se tudo voltasse a ser como antes.

Meu sonho sem definição
Não retrata sua beleza completa,
Vejo-a como uma sombra,
Um vulto na rua deserta,
Nas curvas negras da alma,
Na lua negra secreta.

Quando voltei para o meu corpo,
Afastando-me do seu em meu sonho,
Senti-me meio morto,
Absorto, sozinho e estranho,
Querendo me ver em seus olhos
Como quando conversamos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pessoa Comum

Em itálico (*) trecho de Fernando Pessoa - Autopsicografia

Não sei o que é isto, não sei quem é este,
Não sei se o que falo tem fundamento,
Não passo um momento pensando nos outros
Porque para esses outros não importa o que eu penso.

Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto com a imaginação.
Não uso o coração. *


Não sei quantos dias fomos nós dois,
A dois dias atrás nem sei quem eu fui,
O tempo passou, o dia se foi,
O sol já se pôs, se foi nossa luz.

Se foi só carinho que exalava perfume,
Não sei dizer com as palavras corretas,
Não havia pecado, não havia ciúme,
Mas as ruas da alma estavam desertas.

Sou sim um fingidor,
Melhor ser alguém que finge a for
Do que sofrer por revelar a dor que deveras sinto.

E ainda dizem que minto.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Insônia (Daniela)


Ontem até pensei nela de novo,
Tenho uns achaques de vez em quando,
De que não queria pensar nela daquela forma...
...Mas fazer o quê? É Daniela.

Se tudo se transforma e tem um quase no meio;
Se a visse tentaria o golpe inevitável,
Mesmo se se consumasse sem esforço algum.

Se fosse por força de um desatino?
E às vezes se não é o destino, um desatino consuma o improvável.

Não é por volúpia,
Mas há um quebranto irresistível feito Narciso e espelhos de água,
Em um sentimento mais oscilante que velas ao vento.
Tão instável quanto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A Face Rubra da Infância


Se ela soubesse o quanto faz falta pra mim choraria sem pudor, sem enrubescer,
Sem temer o descaso que supunha viesse de mim.

Acredito que pago pensando nela todas as paixões, e amores, sim, amores atribuídos a mim que foram deixados de lado sem reflexão, compaixão, nada enfim.

Mas não é possível, penso ser indelével;
Meu coração maleável entra ano, sai ano, com a mesma idéia, a pessoa instável sendo meus planos, sendo parte do meu cotidiano. Inseparável.

Lembro de tudo, da forma da conquista, das letras, do dia seguinte, do primeiro ano de dor, do segundo ainda maior, da suposta reconquista, do fracasso avassalador, da perda da confiança, da lembrança, da distância, da tentativa vã, da ignorância...

... Saudades da face rubra da infância.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sonhos (A carta)


Com o coração que se abrasa pelo fogo inocente do amor,
Cada vez que a vejo é iminente o torpor,
Suas faces ruborizadas com o rubro da infância,
São lembranças, seus beijos, seu rosto de flor.

Que magia que detém para deter os meus sentidos?
Minha cabeça só tem espaço para reter os seus sorrisos.
Em meus sonhos acordados vejo você. Sonhos escassos.
Meus sentimentos estes vastos,
Perto de ti ficam perdidos.

Sua presença enche o espaço, afasta-me da existência,
Demonstra-me outra pessoa com a face rubra da infância,
O coração fica confuso queimando de pura inocência
De um querer-te eternamente; egoísmo, pura ganância.

Estou preso entre as grades do teu corpo virginal incólume,
Sequioso de paixão, faminto de amor frente ao ágape,
É-me salutar tê-la sempre em meus olhos,
Pois meu querer de querer-te é tão ávido.

Não culpo o seu desconhecer de um amor tão retumbante,
Não vejo como isso desvanecer num só instante,
A tua chama frente à minha é uma flama,
Como seu sentimento é inexistente, pouco ou inconstante.

Mas espero seu sentimento pequeno amadurecer
Como um fruto no ponto exato de se consumir,
Sua flama incendiar-se e aquecer
E descansar com o afã de amar e enfim dormir.

Feliz


Sabe, fico pensando nas coisas que sofri;
Sobre o que aconteceu.
Em breve não estaremos mais aqui,
Daí tudo morreu.

Não quero gastar minhas horas pensando,
Tripudiando, me desgastando.
É tão nefasto.
Quero começar realizando, acontecendo, me deslumbrando.
Eu me refaço.

Serei feliz o dia que minha poesia percorra toda a vizinhança,
Que leia cada criança e senhora com sacola de pão.
Aí sim, farei a festança, e virá a mudança, serei a criança,
Sem mais se não.

O dia em que eu volte a viver, fazer ciranda com amigos e comprar o meu pão.
Espero poder te rever, meu cachorro Panda comigo na estrada de chão.

Não vou mais padecer seu não querer, seu achei outro, seu novo mundo.
Serei tudo o que sempre quis.
Não vou mais sofrer por te dizer que não sou louco, tampouco imundo.
Serei Feliz.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Supernova


Em que consiste esse ser supérfluo que supera tudo o que existe?
Ao passo que o tempo passa tudo se aprimora, sofre ou degrada, e a única certeza é um futuro triste?

O amor é como uma supernova, quando, de fato, se corresponde mutuamente.
Quando é singular intumesce, incendeia, incomoda, renova, mas se deixa latente.

Sou incomodado, pois fui derrotado pela superficialidade que a idade nos traz.
Quando uma pessoa se mostra com idéias opostas não há quem goste do que se faz.

O amor entra em chamas, mas depois se apaga como uma vela no vento,
É um barco sem leme que não vai pra frente,
Pois as velas se rasgam no primeiro mau tempo.

Em que consiste esse ser supernova que não se renova, ao contrário, só falha?
Espero encontrar-te em noites melhores e que nosso amor não retorne a ser fogo de palha.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Guardião


Passo o dia inteiro com o escudo içado
O ferrão agudo
O protetorado
Feminino mundo.

Tento protegê-la mas lâminas de aço
Ela é tão meiga
Se simples abraço
Corto suas veias.

Tenho um castelo em que guardo almas
Ela é mais uma
Nenhuma é tão calma
Haverão muitas.

Só dou abrigo, e as almas procuram
Mas depois me abandonam
Quem as entende
Amanhã retornam.

Minha espada é um carinho sutil de afago
Que posto em sua testa
Meu amor feito dor é um estrago
Que Ama e detesta.

Promovo-lhe a guerra e o disparate
Mesmo assim abre fogo em minha cara
Corre pra cima do embate
A guerra não pára.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Papel


Uma folha de papel voa no vento
E meu sentimento é como ele que voa
Há mais sentimento num papel ao léu
Que em pensamentos no céu.

Longe, no mar que ainda não vi
Vejo pequeninos barcos de papel
Sinto o gosto do mar, do sal
Sinto meu barco ao léu.

O céu é azul feito um papel
Não como aquele que voa no vento
Há mais sentimento voando no céu
Que pensamentos perdidos ao léu.

O mar é azul feito um papel
Não como os barcos que vi no meu mar
É sim desse azul que é feito o seu céu
Que tem pensamento e papel pelo ar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Sombra da Dúvida


Já tive tempos de não sei o quê
Já fui parar não sei aonde
Me sinto como não sei dizer
Já fiz coisas que nem sei como

Ando assim meio sei lá
Criando tipos que não sei dizer
Ignorando tanto blá-blá-blá
E me tornando como vai saber

Estou sempre nos por aís
Apostando sempre nos pode ser
Amigo da onça mas e daí?
A vida é assim que se vai fazer?

Crendo em coisas não menos óbvias
Tendo atitudes normais, inócuas
Vivendo sempre à sombra da dúvida
Conformando com rotinas estúpidas

Talvez não tenha dito o que quis dizer
Talvez não tenha escrito o necessário
Não acredito que eu vá saber
Então fica o dito pelo não dito

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quero Ver


Eu queria ver seu sorriso em um dia nublado
Queria ver seu beijo apaixonado ao sol do meio-dia
Queria ver sua dança ao som de um som quebrado
Queria ver se frente a morte restaria sua ironia.

Quero ver se apaixonada ainda resta traição
Se frente a sua mãe demonstra leviandade
Parando o coração, você sentir qualquer paixão
E sozinha neste mundo, amar alguém de verdade.

Quero ver se morando longe alguém a leva pra casa
Quero ver você sonhar com insônia a noite inteira
Quero ver você voar com apenas uma asa
Quero ver fazer pedido sem cair nenhuma estrela.

Ver você ignorar alguém de costas pra ti
Ver você chorar quando acabarem suas lágrimas
Ver você chorar quando todo o mundo ri
Confidenciar em seu diário quando acabarem suas páginas.

Quando quiser voltar atrás e você já se perdeu
Quer um novo caminho, mas outra estrada não há
Sentir saudade de alguém e esse alguém sou eu
Quando lembrar então de mim, eu não estarei lá.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Uma Visão

• Excertos de Jorge Mautner ( * ) extraídos da obra “A mitologia do Kaos”

O sexo é o amor e tem que existir. *
Sei que se te visse num campo ermo não iria resistir
Faria o amor prevalecer
Faria bem ali.

Esses dias atrás me perdi em uma visão de você quando te observava
Você sobre mim, envolto em ti só os lençóis em suas pernas e a luz lunar azulada.

Você sobre mim com sua dança,
E a dança é o movimento de tudo*
A dança a qual não se cansa
De um ritmo forte e mudo.

Tão magra e pálida sob o sol da noite encantada
Eu guiava sua dança com as mãos na cintura fina e tão cálida
Apoiavas as mãos em meu peito suado e viril
E fechavas os olhos em um transe louco e febril.

Nossos corpos deslizam no suor que o fato extrai.
E o suor é o cimento da carne*.
Somos um só corpo, bicolor, mas somos iguais
Envoltos, sob o manto lunar que protege todos nós.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Faxina


Hoje começa a faxina
Não é bom tudo de novo?
Digo, tudo novo!
Acabou-se a rotina
Pelo menos renovo

Preciso livrar-me de tantos objetos
Preciso livrar-me de outros abjetos
Preciso esquecer-me que já fui um destes...
Preciso acordar amanhã e esquecer-te...

Não como esquece-se um livro
Num banco de praça ou num bar
Mas como uma ave que livro
Ou como uma mãe ao ver filho acampar...

Mas aqui findo-me breve
Digo, findo isto aqui agora...
Não há razão de alarde...
Muito menos por que de demora

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Qualquer proposição seria mero despropósito


Qualquer proposição seria mero despropósito
É pura volúpia mesmo
Sem propósito.

Se tudo desandasse sem freios nas rodas
Feito trem esquivo do trilho
Feio como mãe sem filho.

Qualquer achaque é dose sem remédio
O remédio seria uma dose de conhaque
Para curar tédio.

Sempre tento me convencer que tenho de tê-la
Mesmo não tendo nenhum tento
Mas o intento é o que vale
Mesmo não tendo vale.

Tudo o que ronda é deletério e incomoda
E me incomodo com tudo aquilo que me ronda
Mesmo sendo a sombra inerte que sobra
Não confio no que incomoda.

Na verdade falo tudo sem crédito
Não acredito em quem começa falando na verdade
Seria ou será um joguete do óbvio
Pois qualquer proposição seria mero despropósito.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Traços e tormentos


Tem gente que não dá pra olhar muito tempo
Pois se pode incorrer em tormento
Repara-se no alinhamento dos traços
Perde-se em um só momento.

Encare face a face se puder
Eu não pediria tal coisa
Quem perde-se a observar mulher
Pede para perder.

Ganha nos argumentos
Sofre nas teimosias
Mas se se coloca alma em jogo
Derrotado seria.

Lança um olhar de desejo
Avança sobre o objeto, destemida,
Une forças contra o possível beijo
Resta possuí-la.

Anima-se com a utopia
Sofre com novos intentos
Acorda pra ver o dia
Esquece os tormentos.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Talvez seja


Talvez seja hora de se arrastar
Que nem se deixar levar
Não se arrastar por outros
Mas devastar

Talvez seja hora de detonar
Com os explosivos nos preceitos
Talvez seja hora de arrasar
Sem distintivos no peito

Talvez seja hora de não mais talvez
Quem sabe seja isso
Talvez seja hora de não mais te ver
Talvez seja omisso

Talvez acabe de vez de me julgar
Talvez pare com esses desejos
Talvez pare de vez de te ligar
Talvez possa viver sem teus beijos

Talvez amargue o dissabor de não mais
Talvez nunca mais te veja
Talvez possa ser isso ou algo mais
Talvez não seja isso ou talvez seja...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Parece pouco


O amor bate em nossas costas
Com seu açoite esgarçante
A dor não importa
A noite é gigante

Senti a dor aguda na alma
Corri no seu encalço
A noite ferida de trauma
Um passo em falso

Agonia e aflição e loucura
Misturados com chuva forte
Histeria negação e tortura
A mistura da morte

Parece pouco mas não se se é quase louco
Não se brinca com o desconhecido
Parece louco mas aumente mais um pouco
Aí sim tens a porção do perigo

Parece pouco mas não se se é quase louco...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

É com máscaras que conhecemos as pessoas


É com máscaras que conhecemos as pessoas
Mas um dia elas caem
As máscaras e as pessoas
É sem máscaras que reconhecemos as pessoas
Mesmo de madrugada.

Não há lógica, nem métrica, nem nexo
Nem desabafo
Nem mágica, nem estética, nem sexo
Eu acho.

Quase como achar agulha num palheiro
Mas a gente brinca e pula nas palhas
A gente brinca e pula o dia inteiro
Acha mesmo. Não há falha.

É com máscaras que conhecemos as pessoas
Mas são tantas alegorias
E sem máscaras reconhecemos as pessoas
Nem tantas alegrias

Dou uma pausa por agora
Mas não acaba
Às vezes demora
Mas não é nada.