domingo, 15 de fevereiro de 2009

Mais um certame


Não faço mais cultos à degradação
Apesar de patrono da transgressão
Não visto mais lutos por simples nãos
Não digo verdades, não digo não.

Mesmo que doa, sempre a mentira
Mesmo quem doa, sempre se omite
A pedra que voa e quem a atira
Quem não perdoa na verdade admite.

A bem da verdade não sei quem sou
A bem da verdade, enfim a guerra
Além da cidade que aqui estou
Espero colaborar com minha pá de terra.

E me verá em breve creia
No meu posto, o meu patamar
Será só mais uma, serás alheia
e verás insatisfeita eu regozijar.

Mais uma para as minhas conquistas
Você sabe que tenho tudo que quero
Você só venceu uma batalha na vida
Eu venço todas que entro.
E espero.

Morarei aí bem pertinho
Passarei em mais um certame
Tudo no seu desalinho
Tudo tão pusilânime...

E não é por ti a força que encontro
Você me ensinou amar certos tédios
Ficarei feliz com o meu reencontro
Com o seu habitat, com as ruas e os prédios.

E a gargalhada é inevitável.
E o gozo é previsível.
Sua estabilidade será tão instável.
Seu estágio será tão terrível.

Finalizo, depois de muitas análises
Me regozijo como quem se recupera
Sei que na vida passamos por fases
Mas espero colaborar com minha pá de terra.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Resto


O que aconteceu com o escudo içado?
Fui pego despreparado em meio ao embate
Acordo suado em meio a um alarde
Que não se dissipa, ao contrário, só arde.

O gosto já não é tão intenso
Tenho tudo que antes, mas sem desempenho
Queria saber se sentes o mesmo
Sentes um descontentamento?

Até a clausura faz falta
Os embates, a tortura
A vida longínqua, a amargura
A vida noturna compartilhada.

Não é só o prazer por si
Se bem que viveria bem deste modo
Não foi bem isso que escolhi
Mas estou fazendo como posso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Confissão e Beijos


Hoje poderia te amar completamente, fielmente, sem me enganar;
Poderia beijar-te sem culpa, sem medo,
Deixar o amor transbordar, aquecer, chegar a causar dor, quando as duas almas fugirem do corpo num beijo libertador.

Em minutos poderíamos chorar, se entregar aos beijos com ardor, com o afã de amar e enfim dormir, acordar com o amor, pulsar como as veias do corpo com a missão de levar o sangue efervescente e apaixonado a impulsionar o coração dos dois.

Trêmulo será quando encontrar a sua mão na escuridão da noite, estremecer, empalidecer de emoção, no verdadeiro sentimento onde não há segunda intenção.

Sinta o vento tocar seus cabelos, acariciar sua face, invadir seu corpo em um só respirar. Assim é meu sentimento, puro, abstrato, singular.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Até para se fazer o errado existe uma maneira certa de se fazer


Ela queria a liberdade
Mas não sabia como proceder
Restava a mediocridade
Pena não dizer

A Primavera trouxe a ela
Dias de solidão
Transformou a meiga donzela
Em vítima da situação

Em todo o mal tem-se uma conquista
Um mérito uma lição
Apesar da vida promíscua
Aliviava seu coração

Queria gozar sua nova vida
Que antes talvez não fora quase tanto
Queria recuperar a parte perdida
Que fora deixada num canto

Um deslumbramento que será fugaz
Mas ela precisa dar de cara no muro
Ela acha ter achado a paz
Mas a procura de um modo obscuro

Ela é orfã dos bons amores
Senti tanto dó dela
Imagino que sentiu muitas dores
Quando caiu algo no braço dela

Um sono tão tranquilo
Interrompido por um objeto que cai
Um sentimento desconhecido
Como a esperança que se esvai

Ela só queria liberdade sexual
Ele só queria uma cúmplice
Tudo caminha mal e mal
E o caso ainda está sub judice

Ela não sabe o que é o amor
Pois nunca o teve
Ele não sabe o que é ter dor
Pois ninguém o deteve

Ela alivia suas noites alheia
Ele se esbalda de sexo e fogo
Ela caiu numa teia
Ele coloca outras no jogo

Até para se fazer o errado existe uma maneira certa de se fazer
E se quiser fazer algo de errado me convide
Até para se morrer existe uma maneira nobre de se cometer
E se quiser algo nobre
Incite-me.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Relato em vão


Os relógios foram quebrados,
A alma é de gesso,
Os ponteiros parados,
O mundo do avesso.

Inerte, sem trauma, sem trama,
Um filme em preto e branco,
Um coração de porcelana,
Jogado num canto, sujo de lama.

Nem todas merecem afeto,
Procuram amores em frascos de vidro,
E eu aqui no meu mundo secreto,
Guardo seus nomes com meus comprimidos.

Chovem venturas em gotas de chuva,
Enquanto isso os dias se vão,
Segure minha mão com sua mão-de-luva,
Não deixe-me cair nesse vão.

Em vão peço sua ajuda,
Nada muda, “não é nada não”,
Sua vida é assim uma fuga,
E a minha pela sua é prisão

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Procura de ti


Sentei-me no banco da praça para olhar a rainha viver,
Espionar seu jeito de ser,
Por entre esse odor de fumaça,
Que sai quando sentes perder o amor não importa o que faça.

Que em poucos goles eu vi quanta beleza que não conhecia,
Conversava comigo, sorria,
Esquecendo a melancolia de ti;
Cachos castanhos, pele macia,
Que hoje percebi que perdi.

Quero te ver nessa luz ofuscante que sai das janelas do prédio,
Onde sei que estás nesse instante,
Sentindo, como eu, tanto tédio.
Na sacada, observava ofegante,
Procurando a solução, o remédio.

Por muitas vezes revoltei-me no escuro da noite, esquecendo minha vida;
Meu amor se tornara obscuro por perder a ilusão já perdida,
Mas encontrei quem agora eu procuro,
Nas alturas, a mulher da minha vida.

Sentei-me nesse banco vazio para encontrar a garota que amo,
O vento me acolhe tão frio, e eu grito, choro e te chamo,
Mas da sacada não sei se me viu,
Mas pude encontrá-la chorando.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Quando Conversamos


Queria conseguir amar alguém.
Perder-me em um segundo a te espreitar.
Desmaiar em um pensamento de tê-la em minutos.
Conseguir respirar-te.

Senti-me volátil perdido por sua presença,
Afastado do presente levado a um futuro inexistente;
O batimento cardíaco lento, parado, inconstante,
Como se tudo voltasse a ser como antes.

Meu sonho sem definição
Não retrata sua beleza completa,
Vejo-a como uma sombra,
Um vulto na rua deserta,
Nas curvas negras da alma,
Na lua negra secreta.

Quando voltei para o meu corpo,
Afastando-me do seu em meu sonho,
Senti-me meio morto,
Absorto, sozinho e estranho,
Querendo me ver em seus olhos
Como quando conversamos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pessoa Comum

Em itálico (*) trecho de Fernando Pessoa - Autopsicografia

Não sei o que é isto, não sei quem é este,
Não sei se o que falo tem fundamento,
Não passo um momento pensando nos outros
Porque para esses outros não importa o que eu penso.

Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto com a imaginação.
Não uso o coração. *


Não sei quantos dias fomos nós dois,
A dois dias atrás nem sei quem eu fui,
O tempo passou, o dia se foi,
O sol já se pôs, se foi nossa luz.

Se foi só carinho que exalava perfume,
Não sei dizer com as palavras corretas,
Não havia pecado, não havia ciúme,
Mas as ruas da alma estavam desertas.

Sou sim um fingidor,
Melhor ser alguém que finge a for
Do que sofrer por revelar a dor que deveras sinto.

E ainda dizem que minto.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Insônia (Daniela)


Ontem até pensei nela de novo,
Tenho uns achaques de vez em quando,
De que não queria pensar nela daquela forma...
...Mas fazer o quê? É Daniela.

Se tudo se transforma e tem um quase no meio;
Se a visse tentaria o golpe inevitável,
Mesmo se se consumasse sem esforço algum.

Se fosse por força de um desatino?
E às vezes se não é o destino, um desatino consuma o improvável.

Não é por volúpia,
Mas há um quebranto irresistível feito Narciso e espelhos de água,
Em um sentimento mais oscilante que velas ao vento.
Tão instável quanto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A Face Rubra da Infância


Se ela soubesse o quanto faz falta pra mim choraria sem pudor, sem enrubescer,
Sem temer o descaso que supunha viesse de mim.

Acredito que pago pensando nela todas as paixões, e amores, sim, amores atribuídos a mim que foram deixados de lado sem reflexão, compaixão, nada enfim.

Mas não é possível, penso ser indelével;
Meu coração maleável entra ano, sai ano, com a mesma idéia, a pessoa instável sendo meus planos, sendo parte do meu cotidiano. Inseparável.

Lembro de tudo, da forma da conquista, das letras, do dia seguinte, do primeiro ano de dor, do segundo ainda maior, da suposta reconquista, do fracasso avassalador, da perda da confiança, da lembrança, da distância, da tentativa vã, da ignorância...

... Saudades da face rubra da infância.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sonhos (A carta)


Com o coração que se abrasa pelo fogo inocente do amor,
Cada vez que a vejo é iminente o torpor,
Suas faces ruborizadas com o rubro da infância,
São lembranças, seus beijos, seu rosto de flor.

Que magia que detém para deter os meus sentidos?
Minha cabeça só tem espaço para reter os seus sorrisos.
Em meus sonhos acordados vejo você. Sonhos escassos.
Meus sentimentos estes vastos,
Perto de ti ficam perdidos.

Sua presença enche o espaço, afasta-me da existência,
Demonstra-me outra pessoa com a face rubra da infância,
O coração fica confuso queimando de pura inocência
De um querer-te eternamente; egoísmo, pura ganância.

Estou preso entre as grades do teu corpo virginal incólume,
Sequioso de paixão, faminto de amor frente ao ágape,
É-me salutar tê-la sempre em meus olhos,
Pois meu querer de querer-te é tão ávido.

Não culpo o seu desconhecer de um amor tão retumbante,
Não vejo como isso desvanecer num só instante,
A tua chama frente à minha é uma flama,
Como seu sentimento é inexistente, pouco ou inconstante.

Mas espero seu sentimento pequeno amadurecer
Como um fruto no ponto exato de se consumir,
Sua flama incendiar-se e aquecer
E descansar com o afã de amar e enfim dormir.

Feliz


Sabe, fico pensando nas coisas que sofri;
Sobre o que aconteceu.
Em breve não estaremos mais aqui,
Daí tudo morreu.

Não quero gastar minhas horas pensando,
Tripudiando, me desgastando.
É tão nefasto.
Quero começar realizando, acontecendo, me deslumbrando.
Eu me refaço.

Serei feliz o dia que minha poesia percorra toda a vizinhança,
Que leia cada criança e senhora com sacola de pão.
Aí sim, farei a festança, e virá a mudança, serei a criança,
Sem mais se não.

O dia em que eu volte a viver, fazer ciranda com amigos e comprar o meu pão.
Espero poder te rever, meu cachorro Panda comigo na estrada de chão.

Não vou mais padecer seu não querer, seu achei outro, seu novo mundo.
Serei tudo o que sempre quis.
Não vou mais sofrer por te dizer que não sou louco, tampouco imundo.
Serei Feliz.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Supernova


Em que consiste esse ser supérfluo que supera tudo o que existe?
Ao passo que o tempo passa tudo se aprimora, sofre ou degrada, e a única certeza é um futuro triste?

O amor é como uma supernova, quando, de fato, se corresponde mutuamente.
Quando é singular intumesce, incendeia, incomoda, renova, mas se deixa latente.

Sou incomodado, pois fui derrotado pela superficialidade que a idade nos traz.
Quando uma pessoa se mostra com idéias opostas não há quem goste do que se faz.

O amor entra em chamas, mas depois se apaga como uma vela no vento,
É um barco sem leme que não vai pra frente,
Pois as velas se rasgam no primeiro mau tempo.

Em que consiste esse ser supernova que não se renova, ao contrário, só falha?
Espero encontrar-te em noites melhores e que nosso amor não retorne a ser fogo de palha.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Guardião


Passo o dia inteiro com o escudo içado
O ferrão agudo
O protetorado
Feminino mundo.

Tento protegê-la mas lâminas de aço
Ela é tão meiga
Se simples abraço
Corto suas veias.

Tenho um castelo em que guardo almas
Ela é mais uma
Nenhuma é tão calma
Haverão muitas.

Só dou abrigo, e as almas procuram
Mas depois me abandonam
Quem as entende
Amanhã retornam.

Minha espada é um carinho sutil de afago
Que posto em sua testa
Meu amor feito dor é um estrago
Que Ama e detesta.

Promovo-lhe a guerra e o disparate
Mesmo assim abre fogo em minha cara
Corre pra cima do embate
A guerra não pára.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Papel


Uma folha de papel voa no vento
E meu sentimento é como ele que voa
Há mais sentimento num papel ao léu
Que em pensamentos no céu.

Longe, no mar que ainda não vi
Vejo pequeninos barcos de papel
Sinto o gosto do mar, do sal
Sinto meu barco ao léu.

O céu é azul feito um papel
Não como aquele que voa no vento
Há mais sentimento voando no céu
Que pensamentos perdidos ao léu.

O mar é azul feito um papel
Não como os barcos que vi no meu mar
É sim desse azul que é feito o seu céu
Que tem pensamento e papel pelo ar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Sombra da Dúvida


Já tive tempos de não sei o quê
Já fui parar não sei aonde
Me sinto como não sei dizer
Já fiz coisas que nem sei como

Ando assim meio sei lá
Criando tipos que não sei dizer
Ignorando tanto blá-blá-blá
E me tornando como vai saber

Estou sempre nos por aís
Apostando sempre nos pode ser
Amigo da onça mas e daí?
A vida é assim que se vai fazer?

Crendo em coisas não menos óbvias
Tendo atitudes normais, inócuas
Vivendo sempre à sombra da dúvida
Conformando com rotinas estúpidas

Talvez não tenha dito o que quis dizer
Talvez não tenha escrito o necessário
Não acredito que eu vá saber
Então fica o dito pelo não dito

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quero Ver


Eu queria ver seu sorriso em um dia nublado
Queria ver seu beijo apaixonado ao sol do meio-dia
Queria ver sua dança ao som de um som quebrado
Queria ver se frente a morte restaria sua ironia.

Quero ver se apaixonada ainda resta traição
Se frente a sua mãe demonstra leviandade
Parando o coração, você sentir qualquer paixão
E sozinha neste mundo, amar alguém de verdade.

Quero ver se morando longe alguém a leva pra casa
Quero ver você sonhar com insônia a noite inteira
Quero ver você voar com apenas uma asa
Quero ver fazer pedido sem cair nenhuma estrela.

Ver você ignorar alguém de costas pra ti
Ver você chorar quando acabarem suas lágrimas
Ver você chorar quando todo o mundo ri
Confidenciar em seu diário quando acabarem suas páginas.

Quando quiser voltar atrás e você já se perdeu
Quer um novo caminho, mas outra estrada não há
Sentir saudade de alguém e esse alguém sou eu
Quando lembrar então de mim, eu não estarei lá.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Uma Visão

• Excertos de Jorge Mautner ( * ) extraídos da obra “A mitologia do Kaos”

O sexo é o amor e tem que existir. *
Sei que se te visse num campo ermo não iria resistir
Faria o amor prevalecer
Faria bem ali.

Esses dias atrás me perdi em uma visão de você quando te observava
Você sobre mim, envolto em ti só os lençóis em suas pernas e a luz lunar azulada.

Você sobre mim com sua dança,
E a dança é o movimento de tudo*
A dança a qual não se cansa
De um ritmo forte e mudo.

Tão magra e pálida sob o sol da noite encantada
Eu guiava sua dança com as mãos na cintura fina e tão cálida
Apoiavas as mãos em meu peito suado e viril
E fechavas os olhos em um transe louco e febril.

Nossos corpos deslizam no suor que o fato extrai.
E o suor é o cimento da carne*.
Somos um só corpo, bicolor, mas somos iguais
Envoltos, sob o manto lunar que protege todos nós.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Faxina


Hoje começa a faxina
Não é bom tudo de novo?
Digo, tudo novo!
Acabou-se a rotina
Pelo menos renovo

Preciso livrar-me de tantos objetos
Preciso livrar-me de outros abjetos
Preciso esquecer-me que já fui um destes...
Preciso acordar amanhã e esquecer-te...

Não como esquece-se um livro
Num banco de praça ou num bar
Mas como uma ave que livro
Ou como uma mãe ao ver filho acampar...

Mas aqui findo-me breve
Digo, findo isto aqui agora...
Não há razão de alarde...
Muito menos por que de demora

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Qualquer proposição seria mero despropósito


Qualquer proposição seria mero despropósito
É pura volúpia mesmo
Sem propósito.

Se tudo desandasse sem freios nas rodas
Feito trem esquivo do trilho
Feio como mãe sem filho.

Qualquer achaque é dose sem remédio
O remédio seria uma dose de conhaque
Para curar tédio.

Sempre tento me convencer que tenho de tê-la
Mesmo não tendo nenhum tento
Mas o intento é o que vale
Mesmo não tendo vale.

Tudo o que ronda é deletério e incomoda
E me incomodo com tudo aquilo que me ronda
Mesmo sendo a sombra inerte que sobra
Não confio no que incomoda.

Na verdade falo tudo sem crédito
Não acredito em quem começa falando na verdade
Seria ou será um joguete do óbvio
Pois qualquer proposição seria mero despropósito.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Traços e tormentos


Tem gente que não dá pra olhar muito tempo
Pois se pode incorrer em tormento
Repara-se no alinhamento dos traços
Perde-se em um só momento.

Encare face a face se puder
Eu não pediria tal coisa
Quem perde-se a observar mulher
Pede para perder.

Ganha nos argumentos
Sofre nas teimosias
Mas se se coloca alma em jogo
Derrotado seria.

Lança um olhar de desejo
Avança sobre o objeto, destemida,
Une forças contra o possível beijo
Resta possuí-la.

Anima-se com a utopia
Sofre com novos intentos
Acorda pra ver o dia
Esquece os tormentos.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Talvez seja


Talvez seja hora de se arrastar
Que nem se deixar levar
Não se arrastar por outros
Mas devastar

Talvez seja hora de detonar
Com os explosivos nos preceitos
Talvez seja hora de arrasar
Sem distintivos no peito

Talvez seja hora de não mais talvez
Quem sabe seja isso
Talvez seja hora de não mais te ver
Talvez seja omisso

Talvez acabe de vez de me julgar
Talvez pare com esses desejos
Talvez pare de vez de te ligar
Talvez possa viver sem teus beijos

Talvez amargue o dissabor de não mais
Talvez nunca mais te veja
Talvez possa ser isso ou algo mais
Talvez não seja isso ou talvez seja...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Parece pouco


O amor bate em nossas costas
Com seu açoite esgarçante
A dor não importa
A noite é gigante

Senti a dor aguda na alma
Corri no seu encalço
A noite ferida de trauma
Um passo em falso

Agonia e aflição e loucura
Misturados com chuva forte
Histeria negação e tortura
A mistura da morte

Parece pouco mas não se se é quase louco
Não se brinca com o desconhecido
Parece louco mas aumente mais um pouco
Aí sim tens a porção do perigo

Parece pouco mas não se se é quase louco...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

É com máscaras que conhecemos as pessoas


É com máscaras que conhecemos as pessoas
Mas um dia elas caem
As máscaras e as pessoas
É sem máscaras que reconhecemos as pessoas
Mesmo de madrugada.

Não há lógica, nem métrica, nem nexo
Nem desabafo
Nem mágica, nem estética, nem sexo
Eu acho.

Quase como achar agulha num palheiro
Mas a gente brinca e pula nas palhas
A gente brinca e pula o dia inteiro
Acha mesmo. Não há falha.

É com máscaras que conhecemos as pessoas
Mas são tantas alegorias
E sem máscaras reconhecemos as pessoas
Nem tantas alegrias

Dou uma pausa por agora
Mas não acaba
Às vezes demora
Mas não é nada.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Por que não consigo?


Por que não consigo dizer que quero tê-la?
Por que não vês que quero amar-te?
O que eu faço para convencê-la de que não consigo ficar mais um dia sem beijar-te?

Por que não consigo me expressar quando te vejo?
Por que te desejo dessa forma, desse jeito?
Por que não consigo te dizer que quero um beijo?
Por que não consigo te explicar o que eu desejo?

É tanto que quero de você, mas não posso explicar,
Só te amando saberias o que sinto,
Sentirias o que eu quero ao te beijar,
Saberias com meu beijo que não minto.

Por que não consigo parar de te olhar?
Quero tê-la mais que segundos de seus beijos,
Quero tê-la do momento em que acordar
Até o momento em que dormir com seus segredos.

Quero sentir, ao te beijar, seu respirar;
No silêncio, ouvir bater seu coração,
Por favor, me dê uma chance de te amar,
Por favor, acredite em mim, não diga não.

sábado, 22 de novembro de 2008

Acordar


Um copo de conhaque é o remédio
Para remediar a situação insuportável,
Para despetalar docemente a flor do tédio,
Para tornar a condição mais razoável.

Mas não, nada muda, tudo é igual,
Nada desvanece o sentimento de estar deslocado,
É simples assim, é sim natural,
No momento em que se vê acordado.

Queria virar a mesa do mundo,
Chutar tudo para o alto,
Entrar em um sono profundo,
Acordar feliz em meu quarto.

Fechar os olhos para dormir,
Esquecer de toda essa gente,
Acordar, começar a sorrir,
Com o mundo feliz, diferente.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sofrer & viver


Nenhuma dor para me inspirar,
Nem consciência do existir,
Sem ar pra respirar,
Sem motivo pra fugir.

Nenhum romance para lembrar,
Só esperar o que está por vir,
Sem ar, sem ar...
Cem motivos para sorrir.

Sofrer é saber que está vivendo,
Sentir a vida pulsando,
Passando correndo,
Pulando.

O difícil é saber tudo tão longe,
Sem discussão dos tormentos,
Pergunto-me sempre “onde?”,
E o que ouço são só ventos.

Viver é saber que estás crescendo,
Sentir a vida pulsando,
Passando correndo,
Pulando.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Canto ao Pranto da Chuva


Caiu o pranto desesperado da chuva,
E um soluçar desesperador,
Como um canto resignado ao acaso,
Em um canto do corredor.

Tem telhado, mas vazam gotas no lugar inóspito,
Gotas gélidas de lembranças atrozes.
Tem telhado, mas vazam gotas no lugar, repito;
E à noite o farfalhar de vozes.

Na calçada, à tarde, a chuva cai que arde,
Três pessoas, que não eu, discutem em minha mente,
Na calada da noite o sono ataca, covarde.
Tarde da noite o mundo é inconsciente.

Cai o pranto desesperado,
Chovem gotas sobre o teto furado,
Escorrem lágrimas pelo telhado
Em um dia nublado.

Alguém te persegue, você corre,
E o vento sopra desesperador,
Se não consegue você morre
Em um canto do corredor.

Seus sonhos são ilusões perturbadoras,
Mas é notável a grandiloqüência dos fatos,
As noites são consoladoras,
Os dias inexatos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Flores no cabelo


Não sei se já relatei quando a vi com flores no cabelo,
Pelo que sei queria amá-la, mas não sei como fazê-lo.
Um dia a mais, sem dia a menos, o dia vai lento.

Por brincar tanto de beijar acho que a amo,
Tem um mês que te vi, chego a pensar que faz um ano,
Tentei te aprisionar e acabei me aprisionando.

Sinto falta da sua elegância, dos seus lábios, seu aroma,
Entrei num sonho um dia à tarde, acordei, por ti em coma.
Talvez não haja mais ninguém, só você à minha volta.

Eu queria agora amá-la, mas não sei como fazê-lo,
Vou fazer as minhas malas, quem sabe possa vê-la,
Não consigo mais não tê-la, isso tudo é pesadelo,
Mas amei desde que a vi com aquelas flores no cabelo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Clarice


Estou sonâmbulo e vivo acordado,... E como vivo!
Abate-se uma amargura que traz feiúra a cara,
Faz três ontens que se repetem no hoje.
A amargura não se dissipara.

Primeiro dia do mês e ainda não chegou minha vez!
Sei que o dia passa mal e mal,
Algum amigo meu aniversaria hoje, mas não sei qual.

Dia dos namorados passou e eu como sempre abandonado,
Sonâmbulo, vivo “e como vivo!” e acordado...
... Estou tão acordado que quando durmo ouço o som ligado ao lado.

Não sei se amanhã é sexta ou se é sábado,
Não estou ébrio, estou meio acabado.

Hoje a lua é redonda e brilha e como!
Comê-la-ei tanto que diminuirá no decorrer da semana.
Ando sonâmbulo tanto que fico até tonto,
Agora sei do que Clarice estava falando.

Coitadinha, era sonâmbula e viva e acordada até dormindo,
Andava pela cozinha e sozinha olhando o mundo do vidro.
Ou vive-se bem e dorme-se bem e sê normal,
Ou dorme-se mal, vive-se mal, mas conhece-se de tudo e coisa e tal.

Hoje olhando essa lua imaginei que ela sorrisse,
Andando sozinho na rua, sonâmbulando, pensando em Clarice.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Contraposição


Um sobe e desce descomunal
Como se nada acontecesse,
Como se fosse normal
Tanto sobe e desce como esse.

Altos e baixos; prédios e casas.
E como nada muda ou mudasse
Joguei cartas.

Nem sorte, nem nada,
Um sobe e desce de escada;
Antes tudo mudava,
Agora só muda a palavra.

Tudo vai, não volta,
Mas sobe-se e desce-se no caminho,
Abre-se e fecham-se portas,
Mas ainda resta porta e caminho.

Tudo dá certo no fim,
Mas se é fim, porque há razão se dar certo?
Isso não é certo pra mim
“Se não deu certo é porque não chegou o fim”.

No fim nada importa.
É um sobe e desce nessa vida,
Se fecha-se a porta,
Não haverá mais saída.

Vai e não volta, um sobe e desce descomunal,
No fim nada importa,
Como se fosse normal
Tanto sobe e desce,
Bom e mau.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A ventura


Eu e meus pensamentos incertos, confusos.
Pensamentos são tormentos, são como os dias. Lentos, lentos.
A solidão é necessidade da alma,
Tal qual a dor é a certeza do amor.
O dia vai lento. A noite é uma flor.

A estrada é poeirenta, mas a ventura é olente,
Parece nostalgia, mas já é novembro,
Dos sonhos que tive, nenhum eu me lembro.

Se existiu amor, não posso sentir. Se se sentia, já faz muito tempo.
O tempo passou,... Outubro, novembro.

Claustrofobia, isso aqui não é vida!
Trancou-me sozinho no esquecimento,
Enfim chega o fim. Dezembro,... Dezembro!

Cem quilômetros da incerteza pungente,
Sem inocência, sem rosto rubro.
Cento e cinqüenta e três dias para trinta e um de outubro.

Eu e meus pensamentos levados por ventos para longe daqui,
Lugares distantes em poucos instantes.
Mas nada como antes.

O coração pulsa pedindo solidão,
Em um pulsar desvairado de amor,
O futuro incerto, bem certo só dor... Dor e mais dor.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ela não olha pra trás


Ela não olha pra trás,
Para ela passado não há.
Ela não olha pra trás,
Pois passos não voltam mais.

Gosto como arruma o cabelo,
Gosto simplesmente de vê-lo,
Admiro todo o seu corpo,
Que sei nunca vou tê-lo.

Mas ela não olha pra trás,
Não olha de jeito nenhum,
Mesmo quando eu fico pra trás,
Ela não olha pra mim.

De longe a vejo arrumando o cabelo,
Este que sei, não vou tê-lo,
Exibindo seu corpo pequeno
Que mais longe, sei não vou vê-lo,
Os passos não voltam mais,
E ela não olha pra trás.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A dúvida da primeira vista.


Meu coração ainda me trai,
Julgava-o incapaz de inquietar-se novamente,
Último amor então se esvai,
Mas não sai a dor pungente.

E não se quebra a dor tão fácil,
A lembrança fica, ela não some,
O amor não é volátil,
Nada se evola ou se consome.

Fica a dúvida da primeira vista,
Não sei julgar pela impressão,
A não ser que se persista,
Ou a não ser que não.

O corpo todo responde a esse impulso,
Mas não se altera o pulso da vida,
A alma empalidece, desce o sangue no pulso,
E cresce a viva ferida.

Uma palavra resolveria tudo,
Mas que saia de ti, do fundo da alma,
Eu com você fico mudo,
E se não mudo é porque falta calma.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

31 de outubro


O fim do mês de outubro tende a ser confuso,
Entra novembro e me lembro de tudo.
O dia das bruxas é o dia mais duro,
Foi o fim de tudo, mas não é o fim do mundo.

Se eu sou um eterno insatisfeito,
Não faço um inferno na vida dos outros,
Nunca enxerguei seus defeitos,
E deixei os desejos soltos.

Não trancafiei seus sorrisos,
Ora indecisos, e preciso deles,
No inferno um ataque de risos
Da minha angústia de todos os meses.

Pintando palavras na frente da tela,
Mandando mensagens para uma face opaca,
Luzes apagadas e luzes de velas,
Iluminam seu rosto, sua vida, mais nada.

Agora os sonhos são mornos como o chuveiro,
A loucura passou como as flores são murchas,
O ano vai tombando em um despenhadeiro,
Mas as dores são duras no dia das bruxas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O que preciso...


Preciso de um banho de praia
De água gelada
Preciso de um banco na praça
E vento na cara

Preciso confiar em alguém
Mesmo que em mim mesmo
Preciso chegar além
Mesmo que seja a esmo

Preciso de um banho de chuva
Preciso de um amor primeiro
Não preciso de guarda-chuva
Muito menos de muito dinheiro

Preciso de mãos dadas
Preciso de caminhada
Não precisam muitas palavras
Não falta mais quase nada

Preciso andar sozinho
E areia entre os dedos
Preciso fazer caminho
E dizer adeus para os medos

Sem dizer um adeus
Obsessões para trás
Sozinho e com Deus
Em busca da paz

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


"Gostaria que apostasse em quem te ronda,
mesmo sendo apenas uma sombra do que podes desejar
Gostaria que abrisse seus braços e se deixasse levar como numa loucura de amar improvável...
Saudável como ondas do mar..."

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Destroços


Sei o quanto posso ferí-la
Mas amar não sei se posso
Sei que se amar só vou destruí-la
Depois não amarei destroços

A culpa é vã, o pecado capital, a dor é triste!
O momento profano
O ardor natural
O sofrimento inexiste.

Um simulacro de vida
Um sepulcro vilipendiado
É o coração em carne viva quando é abandonado.

A carne perfeita, cor-de-lua-cheia
Que tange a minha toda
E penetra nas veias.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Planador de Passageiros


É desculpa pra analfabeto...
É desculpa pra analfabeto...
O negócio já começou.
O negócio já começou.

É planador.
É planador.
Incrível queda livre.
É plena dor.
É plena dor.
Indescritível.

Sustentou-se em nuvens voláteis.
Agora aguenta as pontas.
Sabe-se os últimos dias.
O que me contas?

Mais cedo ou mais tarde viria.
Sabe-se-lhes na boca do leão.
Bem que mo diziam.
Se bem que uns diziam que não.

É planador de passageiros.
E ainda falta vento.
Sem motor ou paraquedas.
Mau tempo.

Sem rebocador.
Sem rebocar dor.
É plena dor.
É plana a dor.

Deve-se desculpas pr'os analfabetos.
Por não lhos terem aberto os olhos.
Por eles não serem os prediletos.
Por lhes furarem os olhos pelas costas.

Pelo voto de cabresto.
Por quem não presta.
Pelo julgo do incesto.
Pela catequese.

Planador cabe só um.
Aqui tem gente demais.
Queda livre em comum.
E ainda vem mais.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Poema do Desacordo Ortográfico


Não tenho mais idéia
Nem existe ato heróico
Muito menos assembléias
Eles não vêem mais paranóicos

Feiúra já não existe
É a nova cara do Brasil
Amazônia ainda resiste
Mas a jibóia se aboliu

Eles não crêem mais na gente
Eles não lêem mais artigos
Eles parecem bem contentes
Mas e você aí amigo?

Não sei se vou ou vou na boa
Só sei que não levanto mais meus vôos
E que de barco ou de canoa
Não me acometo mais de enjôos

Estão extinguindo mesmo com tudo
Lingüiças, sagüis e pingüins...
A qualquer hora muda-se o mundo
E ao invés de por tiram os pingos dos is

O que era constante não é mais freqüente
Mesmo assim se acostuma
Ainda mais se inteligente
O brasileiro se apruma

Mas agora é vida nova
É pegar a autoestrada
Ou até mesmo o paraquedas
Mas primeiro a autoescola
Acrescentar algumas letras
O dicionário está na moda
Não está achando uma boa ideia?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Aquele que seguia sombras


Já não é mais aquele que seguia sombras
Nem companhias boas de beber vinho
Já não é mais desses de residir penumbras
Nem faz mais daquelas de investir sozinho

Não chega mais ao raiar do dia
Não é mais amigo das incertezas
Não chega perto de onde antes ia
Não procura em tudo toda a beleza

Ele é o transgressor das gerações
Todos passam, ele permanece
Ele é o gerador das transgressões
Ele falha, mas não recrudesce

Talvez inove de quando em quando
Mas não mais aquele de iludir o mundo
O tempo passa e ele vai passando
Não se sente mais o que é no fundo

Não mais comícios, beijos e praças
Não faz mais nada que antes fazia
Não vê sorrisos, não vê mais graça
Fugiu a alma que aqui jazia

Age como antes só de quando em vez
Foge quase sempre quando é muito sério
Vive muito tempo quando muito um mês
Se mais que isso já é deletério

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A Raposa Felpuda


Ele é o lobo em pele de cordeiro
A raposa felpuda
Tem pontaria certeira de arqueiro
Ávida e astuta

Sente a ponta da flecha na carne
Remexa na brasa
Sinta a vida escorrer em seu cerne
O fio da navalha

Tem as garras das aves de rapina
Sobrevoa bem alto
Um visão mais nobre do que se imagina
Agarra de assalto

Ele é o lobo vestido em casaca de cordeiro
Que matou para vestir-se
Ela é a flecha morteira e certeira do arqueiro
Que insiste em ferir-me

Tem dom de sobra e só não dobra quem não quer
É força bruta
Tem som de cobra e não se cobra por mulher
Dá o tom da luta

Apesar de lobo sabe o jogo e a presa estuda
Veste-se carneiro prepara as presas bem agudas
Mas o lobo é bobo não sabe o quanto ela o escruta
É fiel do arqueiro e não se brinca com a raposa astuta

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

21:40

Excerto de "Velhos Invernos e Dias de Diamantes"

Pude sentir sua presença no ar,
Pude pagar cada palavra que disse,
Não sabes, nem sei o que é amar,
Mas não pedi que você conseguisse
Ou tentasse só me beijar
Pra não viver essa vida tão triste.

Eu viajo até sua casa,
Posso te ver inquieta infeliz
De madrugada, no sofá de sua sala,
Assistindo para se distrair.
Se tentar ainda ouço sua fala,
Mas não consigo vê-la sorrir.

Se pudesse nunca mais te veria,
Se pudesse eu corria de volta,
Mas não sei se eu te faria compreender essa minha revolta.
E será que você sofreria ao ver o amor sair pela porta?

Você não poderá me esquecer
Com um livro, uma carta, um cd,
Em tudo sempre vais ver
A mim como eu vejo você.

Mas não vai me procurar
Porque não quer dar o braço a torcer,
Mas um dia você vai se cansar
Se cansar de tanto sofrer
De tanto sofrer por amar
Amar como eu amo você.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Volátil (poema feito noise)



Maconha, marijuana, Cannabis, sensimilla
Papoula, cachaça, absinto, losna e artemísia

Cicuta, cigarro, cianoreto...
Éter...
Volátil e perfeito...
Etéreo
Já sob efeito...

Maconha, marijuana, Cannabis, sensimilla
Papoula, cachaça, absinto, losna e artemísia

Sexo, unha, limpeza e prazer
Café, trabalho, comida e morrer

Disputa, troféu, jogo e derrota
Come, dorme, acorda e nem nota

Fumaça de carro, cigarro e batalha
Cigarras no ouvido
Cigarras, cigarras...

Maconha, marijuana, Cannabis, sensimilla
Papoula, cachaça, absinto, losna e artemísia

Dorflex, anador e corda no pescoço
Alivia a dor, ali vem a dor, alicia a dor como reforço

Diazepam, Diazepam
Essa gente tão pagã
Diazepam, Diazepam
Não existe vida sã

Maconha, marijuana, Cannabis, sensimilla
Papoula, cachaça, absinto, losna e artemísia

Esse poema é feito noise...
Esse poema é feito noise...

Vida Sensitiva


Um feixe de luz
Escapa por entre os galhos
Provando que a vida reluz
Faz piscar os olhos

Um átimo
Perplexo
No espelho d'água
Reflexo

Um peixe salta
Rasga o véu d'água
Invade o espaço alheio, peralta
Naufraga

As imagens são nítidas
Entre luz e sombra
Vida sensitiva
Já não mais assombra

Já não mais a sombra...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dias Inteiros

Dedicado a José Afonso Alberton

Hoje estou aqui lembrando seus olhos verdadeiros,
Seu jeito de não me incomode,
Seu tempo em tantos cinzeiros.

Seus lábios têm sabor de licor. Campari rubro.
Em seu copo olha um mundo torto,
Se eu olhar eu descubro.

Nosso mundo é profundo de vozes como um rádio noturno,
Sei que há mais que fumaça entre nós.
Nosso mundo é soturno.

Seus pensamentos vão e voltam-se contra seus ideais,
Procurou tanto que achou alegria
Em dias normais.

É hipocrisia dizer que tudo foi contra nós,
Contra você em sua vida,
E comigo logo após.

No entanto nos achamos solitários na metrópole dos sonhos,
Nos perdemos de todos.
E dias estranhos.

Ontem eu estava aqui comigo mesmo, lembrando seus olhos verdes verdadeiros,
Seu jeito de não me incomode,
Nossos dias inteiros.