terça-feira, 31 de julho de 2012

Tênue

Vivendo numa plataforma aérea, suspensa por linhas finas
Numa penumbra de neblina etérea
E overdoses de adrenalina.

Na mesosfera vejo um mundo opaco
E já é tão tosco como antes era
É tudo tênue nauseabundo e fraco
É o vil covil da esfomeada fera.




(...)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Eu já te conheci

Eu já te conheci há uns anos atrás
Hoje olho a vidraça e nem sei do que lembro mais

Eu achei que te conhecesse há uns dez ou quinze minutos
O que ocorre é que me enganei. É bem assim. Resoluto.

Um dia eu te conhecia, mas o dia passou, a noite chegou.
Não cabia mais nenhuma pergunta. Mas por que será que acabou?

Eu te conheci como se conhece um colega. Num boteco, no botequim
A vida é assim, perde-se o foco. É bem assim. É bem assim.

Quem te apresentou para mim quando achei que te conheci?
Ou passou pela frente do meu jardim diante de mim?
Ou na porta do meu trabalho e ao ver seus olhos sorri
O que importa nesse momento é que quase te conheci.




...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Etéreo

As horas passam numa volatilidade estupenda
E sinto uma tremenda vontade de concretude
Sinto-me um tanto quanto estrangeiro
E não há absoluta certeza que mude.

Sinto fora do eixo, do nicho,um oposto
E é tão etéreo, impalpável
Acordo do sonho como um soco no rosto
E o sentimento é inigualável.

No mesmo quarto em que acordo sonhando
Acordado vejo o rosto encantado e real
Some o fardo que antes me pressionando
E sobra gosto de desejo carnal.

São os mesmos encartes de ontem
E estampadas as palavras sagradas
E mesmo que nunca lembrem
Serão como tatuagens gravadas.

Sempre sobra seu gosto nos lábios
E as venturas alegres de sempre
Quero a ternura dos seus abraços
E o medo a gelar-nos por dentro.




...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Casa



















Casa com ela
É uma casa muito mais bela
Case com ela
E nunca mais fique naquela.

Maravilhosa
Como o amor exposto em tela
Deliciosa
Sensação de estar com ela.

Macia
Como se tivesse pele a lua
Sorria
Pra te ver a alma nua.

Dentro de ti
É que encontro parte de mim
Fora de ti
É solidão sem ponto nem fim.

Casa com ela
É a alma exposta ao prazer
Case com ela
É o que minha alma vive a dizer.



***

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Diapasão

‎"Não precisa falar, nem saber de mim, e até pra morrer você tem que existir." (Otto)



Ninguém parece vibrar no seu diapasão
E a canção lá fora é tão alheia como se não existisse
E se por um momento sumisse seria como fumaça que subisse
E ninguém sequer percebesse ou houvesse razão.

E não há que julgar como alheios ou alienados
Você anda de um lado pro outro sem chão
Até então você via caminho onde ninguém havia trilhado
Mas perdeu-se na sua trilha que era só ilusão.

Não sei se compensa levar uma vida onde nunca se sabe
E definitivamente às vezes o melhor a fazer é morrer
Que carregar no peito um tal de amor que quer reaver
E tentar viver esse falso amor antes mesmo que acabe.

São só conselhos aos tolos aos bobos aos enamorados
Mas conselho não se vende ou empresta e ninguém se importa
Mais vale solidão ausência do que desamor ao seu lado
Porque mais cedo ou mais tarde a covardia e abandono bate a sua porta.

E pensando bem por esse diapasão não senti nada novamente
E o diabo sussurra qualquer asneira olhando de soslaio
Contudo é bom nos encontrarmos assim frente a frente
É só uma prova que mesmo no meio do fogo cruzado inevitavelmente ileso saio.



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sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Lago

Atiram pedras em meu lago límpido e enorme
Levantando lodo lama e todas as incertezas
Não sabem o monstro que por sorte dorme
Mas num ímpeto levanta-se das profundezas.

Há muito que andava pelo vale da sombra da morte
E escorregando por seu despenhadeiro
E no intuito de arrastar muitos com braço forte
Foi que preferiu pular primeiro.

Sou acostumado a lidar com víboras e serpentes manipuladoras
de línguas afiadas e veneno mortal
Contudo tenho espadas que cortam almas e vísceras
E depois as enterro no meu quintal.

Mil cavaleiros malfeitores são como o ódio em meu olho
E no final do túnel o aguarda uma criatura de terno
Aquele que mata e fere de morte quem bem eu escolho
E o encaminha pra porta que abriste do teu inferno.

Você sem saber preparou para si uma cama de escorpiões
Agora tem olhos sobre você como chamas ardentes
Nesse mundo ninguém sabe ao certo quem são os vilões
E o ferrões são como em sua pele mil brasas quentes.

Não aceito meu nome na boca de ímpios impuros
Em cada escuro haverá um medo sobressalente
Toda a revolta só exalta de mim um lado obscuro
Que sinceramente não sei se é bom encontrar em sua frente.]



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terça-feira, 29 de maio de 2012

Acordes

Tem acordes de violão por entre as árvores
E flutuando desço de lá das estrelas
Num jardim florido você espera em meio às flores
E de tanta beleza meus olhos brilham e só querem vê-la.

E certamente sem conhecer, na eternidade já te conhecia
E certamente a lua pintou a sua cor numa noite tardia
E enquanto dormia os feixes de luz a iluminavam
E fez da sua pele perfeita tão branca e macia.

E a pequena que brinca descalça por entre as flores
Com seu sorriso trazendo o sol da alegria por onde passa
É hoje a mulher que merece os melhores amores
E conquistá-la a cada dia é o menor que se faça.

O encontro com seu beijo é mais que um desejo de alma
Transforma o mundo todo num lugar mais seguro
Com você o amor é palpável e enche o peito de calma
E mostra que enfim encontrei o que há tempos procuro.

Mil sensações me acometem quando dentro de ti
E só estando em você descubro parte do que há em mim
E nesse momento ao imaginar seu sorriso, de alegria sorri
E o amor só aumenta e é sempre mais forte, infinito, sem fim.




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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Virá

"Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará." Hc. 2:3



















Quando tudo parecer calmo eu apareço
Estou perscrutando seus passos ruidosos
E com um átimo de segundo desapareço
Acham então que são assim tão cuidadosos?

Dentro da noite e a obscuridade toda em volta
Sou eu mesmo quem não bate a sua porta
Quando menos espera estou atrás do guarda-roupa
E a te esperar naquela sombra lá de fora.

Tenho olhos a espreitar os seus caminhos
Na garagem, no quintal, estacionamento
Tenho a visão que enxerga o desalinho
Muito em breve é chegado seu momento.

Não tem perdão e não tem misericórdia
Não tem piedade, é verdade, é a missão
Há muitos anos convivendo com a discórdia
E te poupar do sofrimento? Agora não.

É preciso sentir o sangue pulsar veemente
Pra isso é preciso fazer escorrer por todo seu corpo
Mas é uma dor que na hora pungente porém não se sente
E ninguém mais escuta seus gritos pois ele está morto.

Eis que Ele virá como um ladrão na noite
Posso antecipar bastante essa vinda na sua vida
Cuide seus passos é chegada a hora da sorte
Quem sabe a roleta não acabe parando na pedra escolhida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Sonâmbulo

"Que é bom desconfiar dos "bons" elementos." (Céu)


Ando meio sonâmbulo por esses tempos
Talvez por conta de contratempos
Ora me pego acordado e dormindo e tenso
E é nessa hora que todo relógio parece imenso.

E o pior é que é só início, parece o preâmbulo
E perambulo feito um pêndulo noite adentro
Revisto-me de todos os defeitos acerca de mim
E sinceramente sigo acordado e vivo sonâmbulo.

E a toda hora acorda dormindo com o celular
Mas se quanto a tudo ninguém liga e ninguém vai ligar
A mesma hora de ontem se repete sem parar
Mas um dia o tempo para e se nao para vou parar de tentar.

E tem gente sinceramente que não devia sequer existir
Mas posso fazer minha parte, afinal estou por aqui
Sei cada passo que dá e que caminho que irei seguir
Espero do fundo da alma ver o momento quando a dor for sentir.

O medo não existe pra mim e há muito tempo devia saber
Mesmo sonâmbulo acordado sei a hora certa e como fazer
Faço a tristeza acabar ou começar é questão de querer
Afinal desde cedo aprendi o que deve viver e o que deve morrer.

***

"Numa espécie de limbo
O sonâmbulo anda feito pêndulo
Ora pende dormindo, ora pende contra o tempo
E faz deste inimigo, atrasado, correndo
Justifica um vazio interno, imenso
Fugas mentais ocupam os pensamentos
E se torna incapaz de ocupar a si mesmo..."

(Céu - Sonâmbulo)

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Princesa

O momento é esperado com ansiedade
Porém só presença não me dá saciedade
Apesar da presença ser parte da química
Em sua boca saio da realidade.

É feliz saber que pode ser minha
É como um presente de Deus pra uma alma sozinha
Talvez não merecedor de relíquia tão linda
Mas esse é o momento pra compartilhar sua vida.

Nem mais obstáculos que antes haviam
Nem perigo nem nada está chegando o dia
Vamos resplandecer e mostrar pra cidade
Toda a magia que quando juntos irradia.

É na verdade sem dúvida uma princesa em minha vida
E sou só um comum eleito com seu amor
Mas juntos somos um e não existe dor nem ferida
E ainda é só início e nossa chama tem muito calor.


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sábado, 28 de abril de 2012

Sua Pele

Desejo sua pele, sua pele na minha, noite e dia, sua pele na minha
Insensatez, incensos, sua tez, e a insensatez, e a insensatez...

Preciso te amar, amar, suspirar, respirar seu momento, sem parar, nem pensar...
E no nosso canto, no nosso encontro, encontro sua alma e viramos um só.

É desejo de pele, é tremer de desejo, é o mergulho nos beijos, é bem mais que segredo.
É um encanto profundo, um encantamento de tudo, e em poucos segundos, muda meu mundo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Dádiva

(A fotografia abaixo é obra do fotógrafo espanhol Mariano Vargas)

A dádiva que me vem hoje tão lívida
É da dívida e jugo recebida de outrora
A pálida cara tão esquálida hoje vívida
Cobra a dívida de jogo com juros e agora.

Mesmo com erros e profanação e todos os defeitos
Queria ele do mesmo jeito
Sabia ela que nada muda não tem conserto
E só por ele batia o amor no fundo do peito.

E em meio a tantos contratempos que só ampliam o amor por ela
Passam os dias mas não passa o delírio constante
É impossível deixar de amá-la e a cada dia se torna mais bela
E o amor que era inconstante a cada instante é mais forte que antes.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sequiosa

Anseio por sua boca quente
Envolvendo-me completamente
Passeio o dedo por entre seus dentes
Em seu lábio frêmito ardente.

E os seus lábios tem sede do corpo
E o meu sequioso e absorto
Envolvido completamente
Num transe de pleno conforto.

E com as mãos dentro de seus cabelos
Acompanho do seu lábio o passeio
Minha boca já beija seu seio
Estamos um no outro, no meio.

E dessa vez você veio sedenta
De longe quase não se aguenta
Sou a fonte que te alimenta
E me suga de forma violenta.

Faz o mel escorrer por seus lábios
Em sua língua como o mel necessário
Engole tudo de mim chega ao ápice
Somos a perfeita união dos contrários.

E quando deito sobre ti, beijo as costas
Exatamente como sei que tu gostas
No nosso jogo não há perdedor nem apostas
E nosso prêmio são as delícias propostas.

Mais uma vez virá a mim sequiosa
De joelhos ou deitada e tão louca
Sorvendo da fonte infinita que jorra
O leite e o mel que anseia sua boca.



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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Seja infinito

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, que, para ouvi-Ias, muita vez desperto e abro as janelas, pálido de espanto..."

Olavo Bilac


Num só segundo toda euforia me faz sentido
Num só minuto completa-me e enche de paz o mundo
É tão profundo e feliz o tempo que estás comigo
Que eu acredito quando ausente que estou contigo.

E o mundo tosco se enche de cores, é tão bonito!
Minhas retinas se abrem se enchem de um colorido
E somem as dores, no chão vejo flores por onde caminho
A grama é mais verde, o céu mais azul, o amor infinito.

E peço a Deus toda noite que em ti seja mais amplo
O amor que por mim enfim vai brotar sem notar feito avencas
Meus sonhos são seus, as noites intensas seu corpo é meu templo
E deixo pra trás o passado de traumas, dor, desavenças.

Cada lágrima em ti que um dia caiu virará um sorriso
Cada pranto guardado que vem do passado será pago com beijo
Se um dia já teve um amor como brisa hoje será infinito
E tudo transbordará e se converterá em amor e desejo.

Minha vida existe só pra cultivar esse amor tão bonito
E eu nasci pra realizar tudo que você deseja
A partir de agora o que vier de dentro que seja infinito
E sejamos um, completos, amantes, pra sempre. Assim seja.


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"Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Olavo Bilac

***

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Velociraptor

Sou a máquina, o velociraptor
Na minha era o gladiador
No peito franco pulsa um trator
Pode chamar de digladiador.

Em cima do santo franco atirador
Disparo-lhe o tiro causo-lhe dor
Estou amoitado sou um predador
Usando as folhas como um cobertor.

E uso as aves como meu monomotor
Tem gosto de sangue meu suor meu sabor
E uso seu sangue pra abastecer meu motor
Mas o que motiva e impulsiona é a dor.

Sou o tirano vilão e sem cor
Pardo como os gatos a rugir de torpor
Nas madrugadas sou aliciador
De gato a leão mau destruidor.



(***)

sábado, 31 de dezembro de 2011

A Escalada


Deixar um amor para trás é como arrancar o próprio braço, já disse meu pai; mas quando é necessário é preciso extrair esse mal. Ou o amor vira uma metástase e fatalmente o matará.

O ano se acaba e com ele acabam-se inúmeras quimeras que queimo com as velas acesas em homenagem ao novo ano. Deixo fluir um incenso emanando a paz que tanto anseio.

Quero estar em seu seio feito o nascituro que mal conhece o seu meio. Sugo-lhe a seiva elaborada com todas as forças para livrar-me das velhas amarras. Quantos grilhões lhe atrofiam e impedem seus passos e adiante existe uma escada.

A escalada é longa, meu chapa, e a montanha mais alta.

Primeiro conclui-se a etapa depois leva a cara ao tapa, como todo ano, com força firme e exata.

Não mais o mesmo, não mais decerto, mas bem mais de perto, achego e olho sua cara, nesse momento uma frase não para:

A vida não para, meu amigo, por nada.


(***)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Impensável

* Fotografia: Lilya Corneli

Nossos caminhos não se cruzaram por acaso,
Nossos olhares não se fitaram sem propósito,
Nossos lábios não se tocaram sem vontade,
Apaixonar-se por ti foi um resultado mais que óbvio.

E fizemos o impensável numa noite maravilhosa
E o amor se fez inacreditável
Nossos corpos se entregaram num delírio incansável
e o inimaginável se misturava ao impossível.



(***)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma Chance

* Fotografia: Lilya Corneli

É um mar que nunca naveguei
É um campo florido o sorriso
É um caminho por onde nem sei
É um caminho que mais que preciso.

E não é como perdido sem rumo
É um passo bem mais que absurdo
Daqueles que mudam seu mundo
É intenso é real e profundo.

Daqueles que não se pode prever
É o que vem do nada e com tudo
Muda o modo como você sabe ver
Muda o modo como você vê o mundo.

Chamo de amor sem medo ou receio
Na tormenta intensa dos beijos
No furação estamos no meio
A transbordar de tantos desejos.

Mesmo perdendo a primeira batalha
Não perco a segunda chance
E quando o amor volta não falha
Não se pode perder mais o lance.

Num corpo macio e branco eu repouso
Fiz desse corpo minha morada
Podem dizer és louco mas ouso
Em fazer-te minha namorada
E pra sempre talvez mais um pouco
Será por mim muito amada.


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Antes amantes


Aqui estou novamente eu insone
Segurando meu telefone
Pensando o tempo todo em seu nome
Sonhando um dia em ser o seu homem.

E toda noite sonhando contigo
Aprendi a gostar do perigo
Até quando seremos amigos?
Apesar de que é bom, eu não ligo.

E em meus sonhos já somos amantes
E minha vida nunca mais como antes
Não sei se só delirantes
Ou o amor puro de dois infantes.

E imagino sua pele envolta só com a veste da lua
Imaginando você comigo linda, nua
Sussurrando em meus ouvidos "sou só sua"
E eu a gritar meu amor pela rua.


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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lugar Comum

Aprendi a ser franco com o passar do tempo
E quanto mais fraco é que mais aprendo
Às vezes a mim mesmo então me surpreendo
E o que faz mal já não mais apreendo.

Sagacidade e tal já é senso comum
Minhas abstrações não são viagens vãs
Mesmo não sendo mais lugar-comum
Tenho por aí mais de um milhão de afãs.

E apesar de lendo vivendo e aprendendo
E apesar de lento creia estou correndo
E o passar do tempo vai me deixando crendo
Que sem pesar nenhum sigo só crescendo.

E digo sempre hoje sou bem mais franco
E mesmo fraco ora cansado ou manco
Eu só aprendo quando for forte e tanto
O duro impacto é o que faz o avanço.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A poesia acabou

A poesia acabou
Não tem maldito cristal quebrado
Mas o navio afundou
E o que foi dito o que foi falado
Nem sequela deixou.

E com ela ficou
Meu sorriso há muito amarrado
Mas a vela apagou
E no escuro ficamos ilhados
Tanto é que acabou.

Aonde é que ficou
As venturas estando ao seu lado?
Sabe o que é que restou?
O seu olhar soturno apagado
Que a minha vista cansou.


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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Afamadas Glórias

A imagem abaixo é a obra de Van Gogh "Campo de Trigo com Corvos" (1890)

Podiam por bem chamá-lo pícaro
Eis que tinha a brochura em mãos
Da desmazelada estória de sua vida
A de um bucéfalo rude alazão.

Já não compunha mais o tino de outrora
Eis que agora a bela virginal em chamas
O que era incólume agora o punho assanha
E o que foi história agora afamadas glórias.

E num dia desses foi deitar-se ao trigo
A emaranhar-se de esvaí-la em sangue
Animal silvestre não temeu perigo
Agora à lama como um crustáceo ao mangue.

Jamais recebeu como desterro o vil desprezo
E é destro na arte da defesa e jamais pego
O algoz que o alvejou o creu na certa indefeso
mas no fundo da traquitana enclausurado se viu preso.

Saiu de fraque e jamais fraco a ajuntar-se à torcida
E hoje clama sempre aos brados quem é o rei da sua vida
O povo exalta ama eleva e o leva aos braços pela avenida
Tantos abraços lenços laços é sinal que a guerra está mais que vencida.


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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Aves, Naves e Naus


Desprovido daquela sanha lancinante
Mas a sagacidade constante
Tem coisa pungente na gente
Assanha o medo e a mente.

Tal e qual a ave adora as alturas
Aviadora sendo ela própria a nave
Uma nau no Triângulo das Bermudas
A ave nave navega em águas turvas.

Dentro das entranhas profundas criaturas
E estranhas aparições simulando conjecturações
Em meio a digressões de imagens às escuras
E as escunas afundado nas espumas.

E a afanar uma glória tépida mar adentro
Sem afogar nas águas gélidas tenebroso
É sentir-se tal qual a urze o rododendro
E degustar do próprio mel mau venenoso.

Segregar os elos pra elucidar os dias plúmbeos
Como furacões de destruições helicoidais
Não existem mais dias normais não existe paz
E tanto faz se o amor jogou-se do cais ao mar.

Foi defenestrado o que antes fora tão digladiado
E há muito soterrado e o vil soldado sofismado
E turvam fontes quebram pontes lama e barro
Naves e aves. Naus aos montes. Naufragado.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

É Por Ti

A arte abaixo é obra da pintora gaúcha Regina Schwingel (reginajschwingel.blogspot.com)

Você merece todas as poesias e poemas que ainda nem fiz
É por ti todos os sonetos odes e óperas da idade média
Todas as melhores orquestras do mundo tocariam pra te ver feliz
E se por nada você sorrisse eu comporia a melhor comédia.

E eu nasceria em todos os séculos e séculos até conquistá-la
E em todas as suas vidas eu gostaria de poder contemplar-te
Duelaria com seu prometido mesmo ferido pra poder levá-la
E fugiria à noite contigo no meu cavalo para qualquer parte.

E seria o criminoso mais destemido para protegê-la
Ou nas tabernas tocaria piano para vê-la dançando
Melhor seria morrer que viver sem sequer conhecê-la
Mesmo assim eu a criaria para amá-la sonhando.


A arte acima é a obra "Colhendo Flores" da pintora gaúcha Regina Schwingel
reginajschwingel.blogspot.com

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Monitores


Fui comprar um cigarro e nunca mais voltei
Cansei de estar sentado na frente do monitor
O computador que monitora sua vida é sua grei
E todos meus amigos não me sabem, e não os sei.

Diante de toda revolta a passear de bicicleta
Às três e meia da manhã onde já não tem mais ninguém no Face
A propósito fica uma neurótica, invisível, on line, discreta
Sentindo um profundo vazio, invisível como sua vida, na certa.

E afinal o que você compartilha com todos os seus monitores
Que dia e noite perscrutam sua vida, são eles os seus seguidores?
Se cuidar da vida dos outros virou a rotina da noite
Nossa missão só será abortada em falhando os computadores.

Carregando uma bola de ferro amarrada ao seu calcanhar
Conectado por inúmeros cabos armazenando vírus da mídia
Você acha que é o grão-mestre na arte de comunicar
Mas por dentro já foi dominado por vazio, tristeza e acídia.

E não pense que essa minha postura é vintage, cult, retrô
Simplesmente não se manipula pessoas como um robô
Se deixar levar pelo engodo da frivolidade, do google,pornô
É achar que desafia o mundo que não conhece além do vitrô.


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(Poema gentilmente publicado pelos amigos do site Olhar Direto em 24/10/2011)
http://migre.me/5ZCuX

Sem Rumo


Pegar o rumo sem destino
Saindo ainda no escuro
É viagem desatinada sem prumo
É família junto e amigos.

Lembro da carroceria e do vento
Como é bom ser menino!
E menino digo criança
Um tempo sem dor nem lamento
E se tinha, francamente, não lembro.

Deitar em sacos de arroz
Viajar contemplar as estrelas
Numa viagem intensa e veloz
Tanto é que já chegamos aqui...

Minha viagem tem cachoeiras
E salto de olhos abertos
Mergulho na vastidão verde das folhas
Quem disse que nunca dá certo?

O medo é um freio pra tudo
E é sem rumo que o mundo se move
A gente até tem certezas no fundo
Mas as correntezas do rio são enormes.

. . .

sábado, 22 de outubro de 2011

Atonal


Gosto é da rima despropositada
E quando a vida é desatinada
Tudo combina com nada.

O nada combina com tudo
O nada é nada é tão mudo
E daí se rio do surdo-mudo
O mundo é assim e eu não mudo.

O peso do corpo na corda bamba
O peso do corpo com a corda no pescoço
Que cai da cadeira de balanço
A queda é branda num poço.

Não tem essa de política
A vida é tão paralítica
Quando pensa de uma forma analítica
Tudo é só uma questão de estatística.

E pra cada celenterado sentado ao seu lado
Existem uma centena de invertebrados
Exigindo seu sagrado trocado
E torrando centavo a centavo.

E não é querer ser igual
Ser diferente não é normal
O mundo é mesmo atonal
E só destoa o igual do igual.


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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cálida

A imagem abaixo é a obra "As três idades do homem" (1512) do pintor renascentista Ticiano do século XVI.


O que é meu e seu é só nosso mundo
Ninguém pode entrar e ninguém saberá

E cada segundo é um mistério profundo
Que não há como entrar e saída não há.

E no labirinto de nossos desejos
percorremos os corredores milhares de vezes

O nosso suicídio é o gatilho dos beijos
E podemos amar por meses e meses.

E numa mistura de amor selvagem
Algo como morrer em sacrifício

Onde seu corpo é a melhor passagem
E morrer de amor é bem mais que um ofício.

Beber o vinho da sua boca cálida
É embriagar-se do mel dos anjos

Habitar a vivenda de sua carne pálida
É de prazer ser levado à morada de Tânatos.



A imagem acima é obra do pintor Hans Baldung (1510).
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Brisa de Outubro

O meu querer é não querendo
Porém tão intenso e imenso por dentro
Que acaba acontecendo.

O meu querer é mais que vivendo
E quando penso em alguém já sinto chegando
Sinto o mesmo momento como se estivesse já vendo.

E mesmo sem conhecendo
Já imerso nos olhos posso ver a palpitação e o corpo tremendo
Quando menos já amanhecendo.

E por mais que pareça impuro ameno sutil tão pequeno
O meu sentimento é maduro sereno como uma brisa de outubro
Soprando em novembro.

Mesmo sem conhecê-la já espero no vento de braços abertos há muitos anos atrás
Ou num futuro propínquo
Já sinto os abraços os beijos e afagos que virão ou vieram num momento longínquo.


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sábado, 15 de outubro de 2011

Inconclusivo



Quanto mais a loucura invade minha sensatez
Tenho uns achaques de quase que
E quando o raciocínio volta de quando em vez
Sinto dentro de mim uma falta de.

E quero terminar sem reticências
Sem ponto nem traço nem travessões
Vou ser inconclusivo como sempre faço
E termino com portanto, ademais...
Simples, sem rima.

E por ora, quero dizer, outrossim
Não tenho muitos caminhos a seguir
Todavia, contudo, entretanto e enfim
Destarte não sei onde ir.

E minha obsolescência é bem mais que literal
Nas adjacências já questionam minha moral
Mas um dia tu serás tal e qual
Só aguarde e verá ponto final.



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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu sou o Monte Everest


Nascido das intempéries
Da força das tempestades
Moldado por desgastes em série
E inúmeras adversidades.

Quem ousa chegar no topo
Pode morrer ao tentar descer
Os poucos que chegam no cimo
Não gostam do que vão ver.

E todas as trilhas são traiçoeiras
Umas beiram ao precipício
De perto só ribanceiras
De longe algo mais que difícil.

Ousar desvendar é loucura
Onde muita gente já pereceu
Dá vertigem, viagem, tontura
E quando menos percebe perdeu.

E dentro de seus limites
Há quem veja beleza
Há quem ainda se arrisque
Mesmo com o frio e rudeza.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Marcas

Mesmo as lágrimas em seus olhos não tiram a beleza do seu olhar
Nem mesmo as marcas que ficaram da tristeza não tiram a pureza de querer amar...

Um segundo sequer sem vê-la é um minuto a se afogar
E o oceano disso tudo é nada mais que seu olhar.

E quando sei que não está perto é como se soterrado por mim mesmo
Uma tonelada de terra e lodo bem acima do teto
Quero falar contigo e se não a vejo mais do que morro
E quando acordo nem o inferno é pior que isso tudo.


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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Os Frutos Podres do Descaso

É interessante como se tem visto na mídia a incompreensão geral de todos no que tange àquela criança que efetuou um disparo contra sua professora e em seguida tirou sua própria vida. Nem psicólogos, nem jornalistas, ou políticos (estes já quase nunca manifestam opinião sobre nada), nem sociólogos ou qualquer outro profissional levanta uma possível razão para a atitude daquela criança tranquila, de dez anos de idade, com boas notas e, aparentemente, com uma boa família. A verdade é que o Brasil tem tapado os olhos para as pessoas, enquanto pessoas. O descaso predominante e constante está ocasionando essa onda de fatos atípicos e tipicamente bárbaros.

E o Brasil é o país do faz de conta. Faz de conta que se importa com as pessoas, faz de conta que vai resolver a situação, faz de conta que as entidades são sérias. Pouco se passou do caso do ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, que assassinou treze crianças em uma escola do Rio de Janeiro, e já ninguém falou mais nada acerca do caso, mesmo tendo sido um fato extremamente bárbaro e atípico em nosso país. Esse aluno, conhecido pelo seu jeito diferente, solitário e anti-social, mesmo os colegas, vizinhos e ex-professores, sabendo de tal situação, nada fizeram para tentar integrá-lo à sociedade, e tampouco se aperceberam de que o mesmo encontrava-se com algum distúrbio psicológico, apesar dos indícios mais que aparentes.

Essa criança que efetuou o disparo, não somente é mais uma vítima de Wellington Menezes, como é uma vítima da sociedade, uma vez que apesar de bom aluno, obediente aos pais, com boas notas, não teve seu reconhecimento por parte, nem da escola, nem dos professores e muito menos do governo, que não dá a mínima para o mérito particular das pessoas e prefere, em todas as esferas, favorecer parentes, amigos e outros indicados. É vítima de Wellington, uma vez que a barbárie ficou registrada em seu sub-consciente, e acreditou, que tal como este, poderia resolver seus problemas os eliminando brutalmente; tanto é verdade tal fato, que efetuou o disparo contra sua própria cabeça em uma escadaria, exatamente como morreu seu mártir Wellington Menezes, alguém se lembra?

Os brasileiros em sua maioria já sofreram, sofrem ou sofrerão algum tipo de transtorno psicológico, e quando ocorre algum incidente dessas proporções, o governo nada faz no sentido de amenizar toda a tensão gerada em toda a sociedade. As crianças são obrigadas a ir para a escola sob a condição de estado de guerra, com o perigo das balas perdidas, da violência policial, do bullying, do desvio das verbas da educação, saúde, transportes; e mesmo assim não recebem a atenção e carinho necessários para tornar-se bons cidadãos, e mesmo assim a maioria se torna, graças a Deus.

Realmente a culpa nessa tragédia toda não pode ser extendida aos pais dessa criança, mas sim ao sistema em que estamos inseridos. Enquanto o governo e a sociedade toda não se pautar na meritocracia, começando a valorizar seus cidadãos, inclusive os pequeninos; estimulando os talentos individuais, observando as personalidades intimistas, remunerando seus profissionais com dignidade, cada vez mais seremos obrigados a assitir o caos e a barbárie se espalhar por esse país como uma doença incurável e altamente contagiosa.

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Artigo publicado pelo site Olhar Direto em 29/09/2011:

http://migre.me/5Otsh

Desde já profundos agradecimentos!

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bem mais

Hoje vejo sua face tenra, quase que infantil
Não sei se ainda se lembra
Do início sutil, pueril.

Em imagens antigas na rede
Vejo seus sorrisos sinceros
Nem parece que estava tão perto
Nem imaginas o quanto lamento.

A pele branca de maciez, aliás, mais do que isso
Combinava com sua tez, aliança, anel, compromisso.

E combinava sua palidez, com noite, festa, calor...
A rodar só nós dois, só nós três...
E depois só paixão, fogo, amor.

Bem mais que sorrisos, beijinhos, carícias, vestido...
Jantar, noite, velas, pedidos, suspiros, delícias, libido,
Tesão, emoção, chuva... Ela.



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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um desejo além

Às vezes penso: não é simplesmente um prazer, um desejo além,
Mas sim são pessoas que se entregam totalmente pra nos fazer um bem.

E é um desprendimento único
Mesmo sem prazer recíproco
Um consentimento mútuo
Sem sentimento nítido.

Manancial dos prazeres
Ágape de seduções
Que mil mulheres
Jamais causariam.

Em foco o jogo
Que é seu corpo todo
O prazer em dobro
E por dentro o fogo.


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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Idólatra

Transformei-me no idólatra da sua pele
E quero habitar no seu corpo todo dia
Deixar pra trás toda a razão
E sentido que fez as coisas até então.

Às vezes quero parar de navegar sua boca
Pois o desejo me consome até a alma
Com você a razão perde a razão de ser
E a loucura vem chegando mansa e calma.

E se Deus me concedesse o presente da sua presença
Seria pelo dó de ter perdido aquele outro
E apesar da semelhança a diferença
Ele sempre nos concede o bom, o novo.


...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A causadora

Sabe, pensar que foi tempo perdido é admitir
Bem mais que um erro...
É crer que o que foi vivido não valeu a pena.

E aquilo que nos faz sentido já não faz mesmo...
Mas não sou desses que acham que a vida é uma noite apenas.

E não troco aquilo de ontem por nada, nada
E o pior é que quando falo isso não me levam à sério...

E o que fiz com sua cara nunca foi piada
Mas um simples teste que sempre faço pra saber se quero.

Mesmo parecendo perante todos mais um incompreendido
Faz muito tempo que já convivo com essa imagem tola
E acredite que já superei coisa pior que isso
Mas não se julgue ser tão importante ou ser a causadora.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

É no outro que a gente se encontra

É conversando contigo que me defino
É no outro que a gente se sabe
Uma boa conversa depois de um fino
Uma dose de vinho antes que o dia acabe.

E é no outro que a gente se encontra
E vai deglutindo toda a solução
A cada palavra a gente se espanta
Ao ver que no outro se encontra a razão.

Mesmo o outro sendo um espelho
Não ao contrário mas exato e perfeito
Reflete a vivência o melhor conselho
Como se num segundo desvanecesse o defeito.





(...)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ponto Oblíquo

Não sinto-me à vontade com esse amor descomedido
Não quero a responsabilidade da felicidade de um alguém
Não posso ser assim, isso não faz nenhum sentido
Não quero ter que magoar, e sem amar sei viver bem.

É tão difícil não ter a posse ou ser dono de outra pessoa?
Não é mais fácil libertar-se e viver só numa boa?
Se a amizade é o que perdura e durará a vida toda
Por que então se insistir num sentimento que magoa?

E lembro desde a infância desses romances mal sucedidos
Talvez seja por isso que criei esse ponto oblíquo
Se busco em minha lembrança só vejo um garoto perdido
Mesmo assim foram felizes todos aqueles caminhos ambíguos.


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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Heresias

Não posso hesitar e dizer que não foi bom
Até por que sem o que inexiste confusão
Onde estiver o imbróglio o disparate e a emoção
Lá estaremos a entoar nossa canção.

E não vem dizer que não lhe apraz tais iguarias
E não me julgue entre os seus má companhia
Não faço parte desta pura vilania
E o que disser a partir de agora é heresia.

E posso dizer das cicatrizes em meu coração
E tinha o seu nome mas raspei com meu velho facão
Como se faz num pé de carvalho com o nome de amantes
Mas já não mais somos os adolescentes que éramos antes.



(...)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A cereja do bolo


A dor que lhe promovo tem a cor do meu consolo
O dolo da reprimenda é a benesse de meu esforço
Os açoites que acredita receber são parte do bônus
E o choro de todas as noites é nada mais
Que a cereja do bolo.

E lancei todos meus fardos como dardos envenenados
E rolam por todos os lados meus dados que foram jogados
Acredito que o perigo de tudo é o fascínio que tenho ao seu lado
E não acredito nesse clichê dos malditos cristais quebrados.

(...)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Bem mais que a verdade

Nem sempre a atitude traduz a verdade
Nem sempre é verdade aquilo que ilude
À luz da verdade há coisa que mude
E há muita mentira que deixa saudade.

Por mais ledo engano que se deixe envolver
Mais vale um bom plano que um concreto viver
Todo o cotidiano é melhor com você
E agradeço as mentiras que tão bem faz crescer.

E quanta felicidade veio daqueles momentos
Mesmo a frivolidade não matou sentimentos
Hoje faz falta, mesmo assim sem lamentos
E as palavras já ditas foram lançadas ao vento.

E o que foi vivido é bem mais que verdade
E passa-se o tempo e não passa a vontade
Mesmo as mentiras de felicidade
Só trouxeram a certeza que deixou saudade.

Mas cuide que acabe antes que acabe-se tudo
E periga acabar antes do fim do jogo
E mesmo a verdade que deixa-me mudo
Se torna mentira antes do fim do mundo.



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quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Nem sempre estamos à altura daquilo que somos"


Nem sempre estamos à altura daquilo que somos
Nem sempre homens, nem sempre humanos
Nem sempre metas, nem sempre planos.

E às vezes a beleza desgasta mais que enfeita
Ora devasta, ora perfeita
Ora devassa, agora deleita.

E a vida se trata que nem prostituta
Quando paga, se deita
Se vacila, te expulsa.

E o que tenho por ela é bem mais que ojeriza
É horror, é aversão
Mas diversão se precisa.

E quando penso na vida, é que nem meretriz
Parece uma louca, se finge de atriz
E é por um triz, como sempre se quis.


*

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Você é uma unanimidade?

O ataque é a melhor defesa
E não se faça de indefesa
Predador se fazendo de presa
Aprendi contigo não esqueça.

E percorre por toda a cidade
Exalando sua toxicidade
Você é uma unanimidade?
Nem todo mundo é unanimidade.

E já perguntaram pra mim
Cadê sua humanidade?
Tão longe tão perto do fim
Pra quê simular sanidade?

E não há tempo pra sobras
Ou sensações só carnívoras
Isso aqui é um criame de cobras
Não é de hoje que lido com víboras.

E sei por onde elas andam
E saem de soslaio sorrateiras
Algumas ainda rastejam
Sempre serão traiçoeiras.

E falando em realidade
Sem misturar amor com paixão
Pergunto, És unanimidade?
Respondo, acredito que não.



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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mística

O amor essa criatura mística
Não se sabe se por convivência ou conivência
Ou por alguma destreza artística
Da falta de consciência.

Um sonho que ataca no sono
Dos incautos, dos desvalidos
Uma corda no pescoço do dono
Um joguete dos vis, dos perdidos.

Manifesta-se avidamente
Tente entender isso se podes
Acaba-se lentamente
Como aqueles espíritos pobres.

Venha falar-me de amor
Esse mesmo dito à exaustão
Uma torrente de dissabor
Que dispara em seu coração.

Sente a mística da inconsciência?
Sentiu o medo, dor, desespero?
Valeu a experiência
Chora quem riu primeiro.


* * *

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não mais

Se me perguntassem como passei ou andei desde anteontem
Direi que já não sei ou já não sou uma hecatombe
E toda a nostalgia é tão clichê, é tão post-mortem,
Mas não é o epitáfio ou um pedido a que se importem.

É melhor ser neutro, plúmbeo, inoperante como agora
Do que aquela rispidez e sensação desoladora
Tudo ainda sob o efeito daquela mazela de outrora
E hoje uivam como os ventos na minha janela lá fora.

Todas as palavras que faltavam encontrei na garrafa de vodca
E há quem aquiesceu mas não esqueceu e não mais importa
E ainda há quem se aqueceu com meu calor e isso conforta
O que antes era só eu hoje reflete uma paixão natimorta.

Não mais completo um sentimento sem o saber
Não mais repito um só alento sem sequer o prever
Nada mais nasce sem minha ordens é o que mais sei fazer
Pois com as ervas daninhas do meu jardim aprendi conviver.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bem antes

"...E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro, sozinhos."


Inviável a luta constante
E num instante escapa de todo
Nem lua, nem nada de antes
É notório que foi mais um jogo.

Tingia o chão de uma luz ofuscante
E cintilante por onde passava
Mas é inviável a luta constante
A paixão enfim declinava.

Como não pude aprender
E há anos aquela face esbranquiçada
Quando um farol veio nos surpreender
Era só maquiagem, mais nada.


*Trecho entre aspas - (Resposta ao Tempo - Nana Caymmi)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Viva Positivamente

Nem as doses de cocaína que a Coca-cola me dá semanalmente
Nem as alegrias que proporciona a Tela-quente
Nem a dopamina anestesiando toda a mente
Nem o Stand-up sem platéia lá na frente.

Nem a pujança provinciana que sobre a gente emana
E o orgulho estapafúrdio da reles insana
A filosofia delinquente de uma prostituta em coma
É tudo aquilo que nesse feudo a plebe clama.

Ter um renome ou sobrenome conhecido entre uns cem
É muito mais que desprezo, meu amor, é o pior que tem
Ser o melhor entre mil apedeutas não te cai assim tão bem
Mas não espero muito mais de quem se acha alguém.

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sábado, 28 de maio de 2011

Relíquias

E lá vai aquele Alessandro
Tão parnasiano,
enfocado em seus planos,
Mesclando-se em panos,
Emaranhando-se em seus meandros,
Nem mais tão malandro...

E vai encontrando oligofrênicos
Outros neurastênicos como ele
Em seus chapéus de neoprene
Sem mais frêmito cômico
Ora uma ânsia de vômito
Mas nem isso ele teme.

E a mídia criando jograis
A cultura ficando pra trás
Nem tocar violão eu sei mais
E tão-pouco os artistas atuais.

E lá vão aqueles palhaços
Se vestindo de retalhos, uns trapos
Nem são chiques, nem hippies, um saco!
Resgatando o pior que há de fato.

E referem-se à velha guarda
Que já está muito mais que acabada
Como se fosse uma relíquia enterrada
E um clichê que nada mais é do que nada.


...

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Voz


Aos solavancos de um trem matreiro
Sem devaneios de algum apedeuta
Sinto vindo do mato um bom cheiro
O ninho de fato é o melhor terapeuta.

O trem ele mesmo não existe
É o balanço de ninar tão sonhado
O sono é real e persiste
É o mundo dos olhos fechados.

E mistura-se ao som da chuva
E dos trovões e dos sons de vozes
A voz da minha mãe ainda tão jovem
Que reverbera por deitado em seu colo.

E o aconchego é quente e relaxante
As conversas são o pano de fundo
Quem me dera a calma de antes
Quem me dera aquele sono profundo.

A viagem é longa e a infância disfarça
A lembrança existe mesmo que pouca
E não há tormenta que isso desfaça
Da voz em meus sonhos tão jovem tão rouca.


(***)