segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Flebotomia


















Nas suas veias
Corre o mal
Envolto em teias
Abissal.

Lacera e corta
Flor de cactus
É natimorta
Como num pacto.

Veias azuis
Fez-se a sangria
Feixes  de luz
Flebotomia.

O cataclismo
A catacrese
Seu aforismo
Sua catequese.

Como uma aranha
Em suas teias
Garganta arranha
Barganha feita.

Na sua lápide
Nenhuma lágrima
Frio de mármore
Póstumas lástimas.

Nas suas veias
Sangria desatada
Esvaindo em gretas
Alma ensanguentada
Nas suas gavetas
Sortes não lançadas
Foi como um cometa
Passou, brilhou, mais nada.


***

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Coisas Suas


















Suas coxas são como colchas
De ternura, carinho e afago
Suas pernas são sempre ternas
E em meio a elas me sinto abrigado.

Seus cabelos são sempre belos
Mesmo quando não os tenho por perto
Seus braços são mais que abraços
São o aconchego do mundo decerto.

Sua face é sempre tão afável
E sempre branca como a lua rainha
Seu amor é sempre tão amável
Mesmo que não meu, e tu não mais minha.

Saudade sua é sempre saudável
Pois vejo que um dia fui feliz e agradeço
Sua graça é sempre muito agradável
E sei que me amas mesmo se não mereço.

Seu corpo é da cor do desejo
E envolvo meus beijos por ele todo
Nossos lábios estão por todos os lados
Tem nossos segredos nossos sonhos e medos.

Suas costas nuas; são só coisas suas
E nada se muda, no fundo, não mesmo
Tem nossos beijos no clarão da lua
E vejo por dentro ainda aceso o desejo.

O que não é banal nunca é igual
E o que é tosco cansa, enjoa, perde a graça
Um amor só existe se for descomunal
E um amor não morre não importa o que faça.

...


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Gosto de Ti

Gosto da forma como me olha
Gosto da maneira como se porta
Gosto da forma como me toca
Gosto da maneira com que se importa.

Gosto quando parece desinteressada
Gosto da forma como diz nada
Gosto por ser fiel, dedicada
Gosto da sua fala sempre pausada.

Gosto da nossa total discrição
Gosto de ti, mesmo parecendo que não.
Gosto da sua ternura sem fim...
Gosto da forma como gosta de mim.

Gosto do gosto quando me beija com gosto
Gosto do torpor que causa em meu corpo
Gosto da maneira que diz que me adora
Gosto por esperar por mim toda hora.





(...)

"You're not right in the head, and nor am I, and this why...
This is why I like you... I like you... I like you..."

(Morrissey)



Um ou Outro Dia...

Um dia está na festa
Outro dia nada resta.
Um dia de conquista
Outro dia sai da pista.
Um dia tu socorres
Outro dia tu quem morres.

Tem noites de consolo
Tem noites só de choro.
Tem noites de abandono
Tem noites só de sono.
Tem noites de prazer
Tem noites de morrer.

Vou levar pra ti as flores
Mesmo quando tu te fores
Vou guardar por ti o amor
Não importa aonde for
Passe o tempo que passar
Por ti sempre vou esperar.



***

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Arquivado




















Contra todos e contra ninguém...
Um por todos e todos contra mim.
Correndo e vivendo a bem mais de cem.
Mas não vão me alcançar. Não verão o meu fim.

Meu crime é perfeito, meu plano infalível
Tente achar um defeito no meu jeito incomum
Tenho cartas na manga, e uma astúcia incrível
Não sou nenhum apedeuta, não sou lugar-comum.

Sempre terei a carta do jogo.
Tenho um cheque-mate, muito bem engendrado.
Tenho mais que artimanhas, em minhas mãos tenho fogo.
E tudo ao final, sempre morto e arquivado.

Tenho minha biografia ao alcance das mãos
Sem mancha, sem mácula, e os dias normais
Vou caminhando com minha sombra e a razão
Sou blindado a perseguição e lides judiciais.

Estou no encalço do topo e já falta tão pouco
E lá de cima minha mira é certeira
Qualquer um temeria um cão louco e solto
Que não pouparia suas balas pra uma presa ligeira.

E vou te caçar como animal leviano
Que leve mil anos mas esse é meu plano
Seu tempo é bem curto, e o tempo passando
E vai se aperceber o quanto isso é insano.

Um inferno achegando
Um inferno achegando
Tudo preparado como sempre mereceu
Tem carruagem de fogo já te esperando
Mas dessa vez não vai levá-la pro céu.


<<>>



"...alguém sempre levanta e me faz essa pergunta: Por que você escolheu escrever sobre assuntos tão medonhos? Eu geralmente respondo essa com uma outra pergunta: Por que você acha que eu tenho escolha?"


(Stephen King)


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ossos do Ofício

Você está caminhando
Na linha do precipício
No início parece difícil
Mas não há saída pra isso.
Basta esperar. Ossos do ofício.

Você desmontou aquele jogo todo
Alguém acreditou no seu engodo?
Alguém engoliu o seu choro?

Por vezes pareceu tão menina
Mas na verdade é apenas cretina
Quando foi que a puseram lá em cima?
Seu lugar não é lá em cima.

A qual casta acha que pertences?
Mistura-se aos bichos mais peçonhentos
Qual seu nicho que não um covil fedorento
És um animal vil e violento.

Sei que há criaturas das trevas
Que se encarregam das almas malévolas
Estão no seu encalço por mágoas decrépitas
Mesmo que em seu mundo são todas indébitas.

Acha que tens o posto de elite
Enquanto caminha sobre dinamites
Com salto agulha e passos de fogo
Não sabe mesmo jogar esse jogo.

Acha mesmo que no fim teve sorte?
De que adiante essa pose, esse porte.
Deixa de ser idiota.
No fim para todos é morte.
No fim é só ossos e morte.



terça-feira, 27 de agosto de 2013

Axiomas

Toda a necrose dos seus tabus.
Fede. É fétido. Tem urubus.

Não vale metade do mundo seu sonho imundo
Seu mundo nem existe a olho nu.

Chegue mais perto e vê que decerto já é lamaçal
Mas é nada mais que espelho e o que há dentro dele é sua alma mortal.

Seus axiomas já não refletem o que não seja imoral
O que sobra de ti, senão um ser abjeto vil e carnal.

Suas rugas já se mostram todas e seu aspecto já não é mais pueril
Sinto dentro de ti só as rusgas, e aquela podridão purulenta e hostil.

Nada mais sobra senão seu aspecto asqueroso de cobra
E de sobra ainda leva a afamada má índole grave e sonora.

Sei que você vale somente os carros, e roupas e brincos que sempre te compram
Sei que és trivial e estás na boca da sociedade toda
Mas quem por dentro já é podre, almas iguais um dia se encontram
E de ti, tens por aí, a fama de meretriz, adúltera e louca.



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quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Dia Em Que Eles Não Se Conheceram

No dia em que eles não se conheceram, ele pareceu tímido, ela pareceu metida.

Olharam até de soslaio, não se casaram, nem se apaixonaram.

E cada um seguiu com sua vida.

Fim.


***

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Enredo

Aproveite uma tarde ensolarada.
Inebrie-se com a brisa amena e amistosa.
Nada é tão importante. Mais nada...
Que uma gargalhada franca e gostosa.

A filosofia de um picolé de fruta está mais correta que muita literatura.

Mergulhe na água gelada. Refrigere sua alma enclausurada
No corpo e na vida cansada... Nada melhor que alma lavada.

Fuja de lavar roupa suja.
Muito da água que sai é inútil e impura.
Revista-se do novo e assuma... Uma nova bandeira e uma nova postura!

Pra quê se armar se a guerra acabou...
Por quê maremoto se é só água de aquário.
Troque suas fechaduras, não existe mais monstro debaixo da cama ou dentro do armário.

Fuja! Mas de ousadia e não mais de medo
Mostre ao remorso, dor, covardia
Que da sua vida és protagonista e autor do enredo.


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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Balada do Amor Covarde - Apenas Mais Uma (Das suas)

"Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, deixo assim ficar subentendido."
Nunca foi amor e nunca será
Se é amar não precisa ocultar
As mesmas frases tolas que alguém vai acreditar
E mais uma vez não vai parar em algum lugar.

Essa é a balada do amor covarde
E quando se der conta será tarde
Não houve razão de tanto alarde
Contudo não sei viver assim pela metade.

"Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby, a beleza é mesmo tão fugaz!"

É mesmo assim tão bela quanto sagaz
Tem uma beleza secreta em desmazelos
Tem segredos mas são ocultos, é tenaz
 E volta sempre a acreditar no mesmo enredo.

Não seria fácil voltar a olhar nos mesmos olhos
Tantos sonhos e promessas falsas
Sonhos falsos e promessas lindas
E escondidas sob um fundo falso.

Lembro ainda das manhãs felizes
E felicidade é sempre por um triz
E felicidades deixam cicatrizes
Mas serei feliz, ainda serei feliz.

<>

terça-feira, 9 de julho de 2013

Não Foi De Todo Mal

Hoje acordei recordando
Sem melancolia, mágoa ou rancor
Dos momentos bons que passamos
Sem nostalgia e sem dor.

Lembrei do sabor dos seus beijos
Com chocolate envolvendo meus lábios
Lembrei do calor, dos desejos
Lembrei do que foi necessário.

Sei que fez a sua parte
Ninguém assume um risco sozinho
Como também sei do meu disparate
Mas não se explica do amor, o desalinho.

Sei o quanto insistiu
Fez acontecer, fez valer a pena
Foi intensa e se permitiu
E soube o momento de sair de cena.

Guardo as melhores lembranças
Do seu sorriso, da sua amizade
Dos encontros, da nossa esperança
Da sua coragem, sua cumplicidade
Vejo em ti uma eterna criança
Que está em busca da felicidade.

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terça-feira, 18 de junho de 2013

Bullet In The Butterfly

Pensamentos não mudam o mundo
Se não saem da sua cabeça
Movimente-se a cada segundo
Antes que enlouqueça!

Comande o seu relógio
Pare o tempo antes que morra
Distúrbio é muito lógico
Ainda há tempo, enfrente, corra!

E é tão bom já não sentir mais nada
É como se fosse uma visão passada
Passa a minha frente disfarçada
E vejo o quanta estás mal e acabada.

Pensamentos não mudam o mundo
Se não saem da sua cabeça
Confie sempre desconfiando de tudo
Antes que pereça.

Hoje olho pra trás e o passado não diz nada
E tudo quanto acontece a volta é mero fruto do acaso
Estou bem com a consciência, muito limpo, não fiz nada
E sei muito bem que o tempo é generoso, mas não no seu caso.



(...)


sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Bala da Vez

Ele podia matar um de vocês
Com sorte mataria até os dois
Provar quem é a bola da vez
E resolveria os detalhes só depois.

Mostrar que também tem sangue na veia
Mostrar que não se faz isso com um ser humano
Provar que não se brinca com a dor alheia
Afinal já sabe bem o que estou falando.

Passaria horas com a bala entre os dedos
Observando o brilho fosco que ela tem
A mesma bala pra perfurar tantos segredos
E aniquilar de uma vez por todas o mal também.

Vai por um fim nos sorrisinhos falsos todos
E calar a zombaria desses tolos
Põe uma bala na cabeça desse amor
Não espere que apodreça os seus miolos.

Tem o seu nome gravado na bala fosca
Tem um endereço pra você de chama e dores
Você será uma iguaria para moscas
E um inferno reservado aonde fores.

Cansado da traição, sua prostituta!
E quanta luta pra manter, não se respeita
Também morre quem debate, quem reluta
A bala da vez agora é sua, aproveita!



***


domingo, 9 de junho de 2013

Ao Seu Lado

Sua voz me afaga mesmo quando diz nada
Sinto-me amado mesmo não estando ao seu lado
Preciso do seu apreço ainda mais quando não mereço
E em todo e qualquer abraço o seu é o mais confortável.

Perco-me na sua beleza e tanto maior é o seu caráter
Não somos iguais e aí está a certeza de querer sempre mais
É muito mais que desejo mas sinto sua vida quando inserido em seu beijo
E entramos na alma um do outro e somos o espelho que reflete essa paz.


(...)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lida

A vida é linda mas também é lida.
O tempo corre, ele nem sempre para.
Posso dizer que estou melhor ainda
Enfrentei mau tempo e chuva na cara.

Não sei por que caminhos tu andavas

Não sei por que me demorei em seu encalço
Não sei por que me perdi em desalinhos
E em muito espinho foi que corri descalço.



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Perfume

“Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.” 

―Gabriel García Marquez



O perfume que paira no ar
Certamente vai trazer lembrança
Isso demora pra se dissipar
Demora mais que a esperança.

E as lembranças são motivadoras
Como uma luz na face num quarto escuro
Com memórias aterradoras
Logo enterradas num iminente futuro.

Se pensa em mim, logo existo em você
Não se sai da mente assim só por querer
Eu era uma dúvida, então fazer o quê
Hoje a certeza de nunca mais ser.

Não é questão de jogar a toalha
A bem da verdade não há nem questão
Chegada a hora de lançar mão à navalha
Afinal sem sangue, sem revolução.

E quando disseres diante do espelho
Sou bela como uma tela em uma moldura velha num antiquário
Nunca se esqueça que esse mesmo espelho
A realidade reflete sempre ao contrário.


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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fora do Jogo

"Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer; aquela aliança, você pode empenhar ou derreter..."  (Chico Buarque)


Ela não é de verdade, ela é de plástico
Amores de verdade não a satisfaz
Amores usados saem mais barato
Mas quem paga é ele, então tanto faz.

Está exposta nas vitrines todas
Quis sair bem na foto, faz as sociais
Mas o seu estilo é tão fora de moda
Suas notícias fúteis não interessam mais.

Está fora do jogo, há porém o jugo
E todos aqui sabem muito bem de tudo
Ninguém poderá nunca salvar o seu mundo
Que está naufragando, vai chegar ao fundo.

Manipuladora, as mesmas frases falsas
Usa como um joguete quem cair na teia
Já sabem traidora e vilã sem causa
É marionete, suja, impura, feia.

Mas quis assim o destino fazê-la sem sentido
Sem prumo, nem rumo, condenada ao fogo
Sem tino, largada, usada e sem marido
Qual será o desfecho do seu sujo jogo?

E de tudo aquilo que foi dito um dia
Posso dizer sem trauma e nenhum receio
Desejo o dobro de toda a hipocrisia
E do fundo da alma pra sempre te odeio!


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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Epifania

Gosto quando vem com gosto
Gosto quando faz esforço
Gosto tanto do seu rosto
Que brilha mais que o sol de agosto.

Mais feliz que o céu azul de maio
Mais intenso que esse azul profundo
Sua beleza tem o furor de um raio
E os seus olhos portal de um novo mundo.

E esse amor vem como epifania
E apesar que ainda somos bons amigos
Veio amenizar minha sociopatia
Sem pesar ou dores de traumas antigos.

...



terça-feira, 30 de abril de 2013

Positivamente

E a vida sempre dará um jeito de surpreender positivamente
Basta empreender bastante
Tem gente sincera adiante
Tem gente melhor que antes.

E as energias já renovadas
As pilhas velhas trocadas
No caminho sobram risadas
Não estamos nem na metade da estrada.

Nosso caminho é de sombras ao sol
Nosso caminho é o caminho do riso
Nosso caminho é o luar o farol
Nosso caminho é o caminho onde piso.

Vamos amanhecer mil vezes sorrindo
Um nos braços do outro felizes
Observar o dia esvaindo
E o pôr do sol em todas suas matizes.

Vamos fazer da chuva a canção
E aproveitar as nuanças das estações
Vou tocar pra você violão
E unir de vez nossos dois corações.



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terça-feira, 23 de abril de 2013

Diferente

Tão maravilhosamente intelectual
Tão visceral
A consolidação de um idealismo anormal
Atemporal.

Adveio de todos os séculos
Sobrevive do ar fresco ao intelecto
De Saint-Germain tem o vigor, o aspecto
Ignora o burlesco, o infecto.

A inteligência sobre-humana à frente
A decência, a consciência inerente
A prudência, e saber-se prudente
Maravilhosamente, por Deus, diferente.

Não confunde-se entre tantos iguais
Sobrepuja sobre os outros, normais
Um teórico e pragmático sagaz
Taciturno nesse mundo fugaz.


(...)


quinta-feira, 21 de março de 2013

Os Cães

“Não há dúvida, o cão é fiel. E por isso devemos tomá-lo como exemplo. No fundo, é fiel ao homem, não ao cão.” 

(Karl Kraus)



Ladram os cães porém sorridentes
Basta um aceno e esconde-se os dentes
Não é tão ameno o perigo latente
Porém é volúvel tal e qual a sua mente.

Diz-se do cão que ladra, não morde
Tente a sorte, descubra-o então
O cão silente é perigo de morte
E o cão que ladra é o ladrão.

Então o perigo é latente 
E o cão é nada mais que ladrão
O cão do ladrão é silente
Senão entrega o vilão.

E o cão que arma-se os dentes
Rosna amarrado ao ladrão
Periga aproximar-se imprudente
E acostar-se do fogo do cão.

E o diabo esse cão amarrado
Ora em pele de cordeiro, porém lobo vilão
Só ataca quem esteja ao seu lado
Mas é sorrateiro, não é bobo, não é não.

Enfim vem o cão solto e sem dono
Amigo dos homens, inimigo dos seus
Sempre à mercê de um provável abandono
Dos homens, dos cães, do diabo e de Deus.


***



segunda-feira, 11 de março de 2013

Sua Presença

"A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído."

(Santo Agostinho)



Posso sentir sua presença
Nos departamentos, nas filas de bancos
Posso senti-la mesmo na ausência
Os passos lentos em seus tamancos.

Ainda me pego pensando na gente
Eu sei, é bem diferente
Mas no fundo a gente se entende
No fundo, a gente bem que se entende.

Mas não tem nada de saudosismo
Conheço bem esses seus afãs
Tem muito de conformismo
És diversa como seus Scarpins
.
Não é nenhuma sentença
Nem nenhum tipo de conformismo
Porém sei que sua presença
Passa por mim bem perto do abismo.

(...)


domingo, 10 de março de 2013

Pode Vir

Sim.
A polícia está atrás de mim.
Sim.
Afinal não é tão ruim assim
Tem gente que engendra de algum modo seu fim.

Mas pode vir.
Põe cinquenta cães armados no meu encalço
Vou ressurgir
Como um ladrão sem passado no seu armário.

E não há nada que me prenda
Nada que me isole
Nada que me renda
Nada que me molde.

Prefiro o alvo em movimento
Não ataco pelas costas
Sou o arauto do tormento
Mas eu sei que disso gostas.

A vida inteira perseguida
Trancafiada na masmorra
O que foi a sua vida?
É melhor então que morra.

As sirenes na persiana
Pintam meu rosto de azul e vermelho
Não tenho medo, ninguém me chama
Olho meu rosto apático no espelho.

Como um gato lépido no teto
Que despenca do alto ao chão
Caio sempre firme e ereto
E saio disposto à missão.

<<>>

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ervas Daninhas

É incrível a facilidade como ele se esquiva
São anos e anos livre das flechas que tanto nos crivam
Ainda caminha no caminho de ervas daninhas que sempre cultivas
Mas mal sabem eles que a cada tentativa só nos deixam mais vivo.

Malgrado o desejo, o intento e a sina de estar sempre acima
E meus olhos já fartos não cansam de ver o que fica pra trás
E são tantas coisas que vão se afastando atrás na neblina
E eu nunca paro, pois sei que adiante é bem melhor que lá atrás.

Porém, precisava aprender enquanto vivo que nem sempre o fim é o fim de tudo
Precisava acreditar, esperar mais, vivenciar as voltas do mundo
E quem sabe um dia possa crer bem lá no fundo
Que ainda posso viver o que pareceu um sonho de um sono profundo.


(...)


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Repartição

"Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome." 

Salmos 23:3




Cada um de nós imersos em uma solidão necessária
Sozinhos numa sala clara e refrigerada
Uma alegria precária.
Um sentimento de nada.

Dentro da repartição sem emoção no coração
Talvez como se se colasse as partes fragmentadas
Com durex, com cola, com pauta, com reunião...
Com café na copa, com falsas risadas.

Um momento ameno, isso é paz? Já faz tanto tempo
Essa calmaria infernal vai apaziguando meus nervos
Vamos crescendo, mais ou menos, sofrendo por dentro
No fundo, no fundo é o descontentamento.

Nem o ar condicionado refrigera minha alma
E alma na verdade é um anagrama de lama
A loucura vai saindo com calma
Vou num minuto da maca pra cama.

Dentro da repartição só o coração partido colado com adesivo
Mas é pra sofrer, não é por isso que vivo?
Não é esse o sentido de tudo?
Calados, falados, parados à mercê no mundo.

O dia é ameno, pachorrento, está entendendo?
Procuro ainda aquela adrenalina por dentro
Mesmo que o ano já nasça morrendo
Senti falta do seu doce veneno.




sábado, 19 de janeiro de 2013

O Senhor da Guerra

"Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz." 

Eclesiastes 3:8


Dentro da beligerância a sutileza
Em meus lençóis mil carícias guardadas
Enfrento a arrogância com bastante aspereza
Mas em cima da cama somos almas grudadas.

Não tem nexo suas palavras afoitas
Mesmo assim sua boca é abrigo
O sexo quando aqui tu pernoitas
Somente é a prova de que somos amigos.

Quer mais afago que nossas noites tão ternas
Quer mais prova que esvair-me por ti (e em ti)
Sou um mago quando em meio a suas pernas
Sou um fraco quando a vejo sorrir.

E me conheceste de forma tão outra
Hoje sou o maestro, o senhor, sim, da guerra
Me e se revelaste de maneira tão louca
E cobriu nossos corpos com lama, com terra.

Arrasto-te pro meu covil longínquo, mas nobre
E devoro cada milimetro da sua pele com fome
Sinto em ti um sentimento tão pobre
Mesmo assim só preciso de ti. Sou um homem.

Quero morrer, esgotar-me em seu corpo
Quero perder sem saber sequer como
Quero beber de ti e alimentar-te de mim
Quero possuir sua alma, sem precisar ser seu dono.


"Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora."
 

Eclesiastes 3:5-6


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Estará Vivo

"Portanto darei suas mulheres a outros, e os seus campos a novos possuidores; porque desde o menor até ao maior, cada um deles se dá à avareza; desde o profeta até ao sacerdote, cada um deles usa de falsidade." 


Jeremias 8:10

Pode se achar na segurança do seu castelo
E nos arredores da sua morada
Vem como sombras por sobre os muros
Vem como chuva pela calçada.

Provará do engano que tanto proveu

Provará o sentido de estar cativo
O desejo em ti que ainda não morreu
Provo com sangue que estará vivo.


"Porventura envergonham-se de cometerem abominação? Não; de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo em que eu os visitar, diz o SENHOR."


Espalharei por todos o seu lamaçal

Ou se era amor, ou se era nada
É seu nome enfim que vai bem mal e mal
E não tem troféu nem sequer espada.

Não existe essa de que venha o próximo

Não somos destes que se deixa assim
Se prefere a guerra, para mim está ótimo
Quem sabe enfim só se adianta o fim.

"Espera-se a paz, mas não há bem; o tempo da cura, e eis o terror."



"E encurvam a língua como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em malícia..."

(...) 




 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Iguais

Sinto falta de você
As noites quentes que passamos
Nossas conversas nada a ver
Os bons momentos, nossos planos.

Rodamos a cidade sem parar
E vimos as luzes no horizonte
Nunca paramos de beijar
Provamos do amor mesmo de longe.

Fico pensando como estás
Se pensa em mim em algum momento
Sei que já ficou pra trás
Mas sentimento é sentimento.

Toda vez que ia embora
Sei que seguia meus caminhos
Até sumir na noite afora
Naquela estrada, tão sozinho.

Podia ter lutado um pouco mais
Ter seguido seus conselhos
Ter viajado, ido atrás
Afinal éramos iguais.

...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Amar é o inferno!

Amar ou armar?
Seja só o brinquedo e fica a dica
Passatempo pro tempo passar
Não é mentira. Só é bobo quem acredita.

Jogos de armar em noites frias
E muitas palavras pelo ar
Corpos envoltos na magia
Como neblina a dissipar.

E aventuras, adrenalina
Um jogo de pega-esconde sem parar
E quando abaixa a dopamina
Logo a febre vai passar.



(...)




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Viva o Momento!

"A melhor forma de esquecer é dar tempo ao tempo. A melhor forma de curar o vício é no início."

Titãs.

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Um algo de disparate no ar
Uma lágrima que não quer rolar
Presa às margens dos olhos
A cidade ficando pra trás.

O que mais ficou para trás?
Lembranças insistem assombrar
Essa solidão nem um pouco me apraz
Vontade de fugir, te abraçar.

E o bom mesmo de apaixonar-se
É só a boa fase, o início
Por isso viva o momento
Antes que se torne difícil.

(...)



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Adeus, Velho Mundo

Vem aí uma bateria de ondas desafiadoras
Uma tal seta que voa de dia e serpentes manipuladoras
Uma torrente de sonos profundos com clarão da luz a explodir
Um levante como nascente na mente que virá a eclodir.

Dois mundos nauseabundos à iminência de se chocar
Um alarido oculto, rotundo, como se ninguém pudesse falar
"Acenda uma vela aos pecadores, e lance o mundo às chamas" *
O farol quebrado para os navegadores desafiadores no lodo e na lama.

Assustará os terrores noturnos, e os tremores da beligerância
Nada aplaca os servidores soturnos sob o mando da ignorância
Enquanto multidões rastejam por ímpeto, como insetos, pelo descalabro
Inflama a corrente dos tolos insuflados, ineptos, para o candelabro.

É um preço irrelevante a ser pago pela voluntária disfunção cerebral
É o mesmo instante que se encerra, como a extinção de qualquer animal
"Nada é tão fatigante como a indecisão e nada é tão fútil." **
Fora deixado mil livros na estante, mas agora são livres. É inútil.

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Citações:

* Bryan Warner
** Bertrand Russel


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Catalepsia

Obra em pintura: "Cavaleiro da Morte" de Guilherme de Faria 
http://pinturadeguilhermedefaria.blogspot.com.br


























Vou convidá-la para uma catalepsia
Para sentir-se como eu. Estrangeiro
Para sentir a catarse. A aplasia.
Que faço sentir o ano inteiro.

Fiz da pena um bisturi afiado
E uso sangue morto no meu tinteiro
Sou o profeta que fala calado
Agora escrevo no seu corpo inteiro.

Sua insatisfação é vil, tumoral
E com meu pacto, meu afã, meu ardil é que jogo.
O coração e o sistema nervoso central
É o post factum, post mortem, é o diabo Ipsis litteris, réprobo.

E hoje é dia de letargia animada
À base daquele velho som setentista
Hoje é dia de anestesia localizada
Hoje é dia de ir ao dentista.

Quando adentra pela porta da sala
Está ali no sãguão, só, fumando
O seu conviva, tal e qual mestre-sala
Como anfitrião não o deixe esperando.

E terão uma conversa afiada
Que vai durar uma cara
Temos a eternidade a gastá-la
Mas a fumaça não se dissipara
Mas é como armadilha montada:
Um passo em falso e dispara.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Nunca Mais Eu Quero Alguém Como Você



















Nunca mais eu quero alguém como você
Não quero cópias, nem parecidas ou substitutas
Não quero nada que não sei se posso ter

Não quero dias de agonia, espera e luta.

Quero arquivar o seu sorriso na memória
E os seus abraços que me deixaram assim cativo
Nunca mais beijarei alguém na minha história
Como da forma que a beijei enquanto vivo.

Nem mais entrega como aquela, corpo e alma
Só pra sentir nós dois afoitos, surreal
Quero a brisa da rotina, mansa e calma
Nada será depois de ti, jamais igual.

Não mais o beijos de frescor, belas manhãs
Não mais a cor do entardecer a recordá-los
A vontade imensa e o sonhos de amanhãs
Começa agora como uma aurora a esfacelá-los.

Nunca mais quero alguém assim tão encantadora
De querer falar por muitas horas ao telefone
Nem mais espero promessas loucas, sonhadora
E só não quero porque não quero que me abandone.

Não quero presentes, nem lembranças de ninguém
Se por ventura trazer resquícios de algo seu
Nem perfumes, nem amores, vivo bem.
De aventuras, sonhos, dores. Enfim já deu.

Não quero outros trejeitos de ajeitar cabelos
Nem que tire um pé do calçado quando tensa
Não quero ver segurar as mãos, os finos dedos
E nem ver um outro olhar perdido enquanto pensa.

Espero que não goste tanto assim de ursos
Nem de rosas de chocolate, frio ou vinho
Que não vocalize uma canção que está em curso
Mas que principalmente não me deixe aqui sozinho.

Nunca mais eu quero alguém como você
Nem uma réplica, imitação, cópia, escultura
Mesmo que tenhas me deixado aqui à merce
É com certeza, minha princesa meiga e pura.

Nunca mais eu quero alguém como você
Nem uma história assim tão louca, verdadeira
Mas se eu pudesse escolher não te perder
Eu escolheria beijar sua boca a vida inteira.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Tranquilo

Fotografia por Danilo Xavier 
(http://daniloxavier.wordpress.com)

















Pouca dinamite pra abalar as estruturas
Pôs-se abaixo toda a velha conjuntura
As instituições já fracassadas desde o início
É como uma pedra que se atira ao precipício.

Sem consciência plena disso creio eu
Não se mata o que há muito tempo já morreu
Posso dormir com a cabeça ao travesseiro
Posso dormir a bem de tudo o dia inteiro.

Tranquilo como o desabar de um edifício
Ou como um carro a naufragar num precipício
Dos caminhos a escolher o mais difícil
É só um caminho ou morrer logo no início. 

Primeiro se destrói o alicerce
Depois tem a sociedade que intercede
A seguir vem a família que interpela
E a religião que esconde tudo, esfacela.


Lanço um míssil nas bases quase sólidas
E quebro as barreiras dessa fase vil e mórbida
Mergulha-se nas geleiras tão inóspitas
Para viver alegrias novas insólitas.


Vou derrubar um a um com estardalhaço
Vou pintar a cara de mil como palhaços
Pode chamar minha atuação vão disparate
Mas prefiro chamar só de extinção ou cheque-mate.

Vou desmascarar tudo que for preciso agora
E desmontar todos os jogos de armar lá fora
Não são jogos de amar são sentimentos
Mas vou tranquilo feito um cão latindo ao vento.




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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dois Rios

"Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço."

Immanuel Kant

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Dois rios que correm lado a lado,
Mesmo assim exaltações intermitentes;
Um oceano logo adiante é desejado
Onde, tão logo, misturar-se-ão às suas correntes.

 Malgrado o desejo, existe a ponderação,
Como se se colocasse no caminho um óbice proposital;
Existe o limite, a moderação,
Mesmo assim só privar-se é um pecado mortal.

Nos ósculos profundos cada dia inovados,
Nas delícias dos toques, nas pontas dos dedos.
Imergidos num mundo de amores provados
E vividos nos bosques, nas pontes. Sem medo.

E nas correntezas dos seus beijos posso navegar
E a certeza desse amor o passado dissolveu
Nas belezas do desejo quero naufragar
E provar que nosso mundo é só você e eu.

Porque sabemos que a vida não está lá fora
E a que por lá aparece nós não gostamos
O amor brota em nós aqui e agora
E de dentro pra fora vem o amor que respiramos.

Finalmente quero em ti adormecer
E nos seus sonhos toda noite ressurgir
Acordar para o amor, enfim, nascer
E em nossas almas, nossos rios, submergir.



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terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Filosofia dos Beijos

Uma ventania insana no peito
Um turbilhão de venturas à frente
Aventuras pra te amar, é o jeito
Não há situação que a gente não enfrente.

A força, a coragem, o vigor
O desejo de amar vai além
Amanhã, o seu beijo, o calor
Ninguém vai falar. Mais ninguém.

A exatidão. A emoção. A reciprocidade.
Enfim um par ideal.
Colocamos fogo em toda a cidade
Somos prova do amor surreal.

Em um mundo de névoas moramos
Dentro um do outro vivemos
Somos tudo que nós criamos
E longe um do outro morremos.

Como quis seu sorriso em meus lábios
Hoje só quero a filosofia dos beijos
Horas de dialética muda. Quão sábios.
Temos a convicção da razão dos desejos.

E como nossa alma se comunica
Ninguém nunca irá entender
E a nossa história enfim como fica...
Só fica. O resto não sabemos dizer...



terça-feira, 30 de outubro de 2012

O rito

Que os risos saiam espontâneos
E os beijos sejam desejados
Que o amor não seja instantâneo
E os riscos nunca calculados.

Que o desejo possa fluir
E correr como um rio em suas veias
Que possa dentro de ti já sentir
O prazer a envolver em suas teias.

Nada pior que viver reprimido
É sem sentido obliterar o vivido
O sentimento jamais esquecido
É ir-se como nunca ter ido.

Deixar o vulcão transcender
E incendiar tudo que envolva o amor
Respirar e inebriar-se com ardor
E nas chamas do prazer se aquecer.

Num turbilhão de um milhão de desejos
Como em transe num mundo complexo
Labaredas de tesão num segundo de beijo
Labirintos de paixão fogo e sexo.

Ver escorrer em sua pele o prazer
Em seus seios, seus lábios, seu rosto
Engendrar o mel que amas beber
Sentindo a essência em sua língua o meu gosto.

No altar dos sacrifícios da carne
Elevar-se ao auge do desejo infinito
Habitar seu corpo penetrar em seu cerne
É o mistério que sela o amor. Nosso rito.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dona de Castelo



















Amor perfeito...
Amor quase perfeito...
 

Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora.
 

Vou-me embora...
Embromadora,
Você pra mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa...


Diga que perdi a cabeça
Se eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo.
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora...


Vou-me embora, embromadora...
E quando, quando eu saltar de banda
E quando, quando eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas...
E tramas variadas...
 

Sim.
 

Seu castelo de baralho vai se desmanchar...
Desmantelado...
Decifrado...
Sobre o borralho da sarjeta.
 

Chegou o inverno...


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(Adriana Calcanhoto - Dona de Castelo)
(Letra: Waly Salomão , Jards Macalé)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Rotina

Vou amanhecer na sua rua pra você notar
Vou dormir na sua porta pra te ver chegar
Cansado da rotina de não mais te ter
Mas um dia viro o jogo e começo a ganhar...

Tenho tudo nas mãos, mas se me falta o teu coração
A rotina não interessa, e meu beijo só tem pressa de encontrar o seu...

Não durmo mais, não como mais
E eu já sofri bastante mas não é o suficiente pra você notar...
Não fujo mais, eu corro atrás
Pois somente eu sei o quanto eu andei por todo canto só para te encontrar...

Vou escrever mais mil poemas só pra você ler
Não me canso nunca da rotina de esperar te ter
Acordo toda noite com o celular na mão, mas sem nenhum sinal
E eu mando uma mensagem mesmo sendo uma viagem "quero ver você!"

Se o fim valer a pena o caminho já não interessa mais
Mas agora o meu dilema é resolver nosso problema de viver em paz...

Não durmo mais, não como mais
Já emagreci com o sofrimento mas pra ti não é o momento pra você me amar...
Não fujo mais, eu corro atrás
Pois somente eu sei o quanto eu andei por todo canto só para te encontrar...


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* Letra composta nesta data, porém em breve será feita a melodia.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Inexiste

Onde está o sorriso franco e aberto
E as noites perfumadas, madrugada?
Hoje no peito solidão, pleno deserto
Igual um cão na chuva fria na calçada.

Onde está o amor que juravas ter por mim?
Sem despedida, sem beijo, sem afeto
Algo inacabado, desprezado, nada enfim
Somos o que? Fomos o que?  Só objetos?

Ninguém pode perder o que não teve
Mesmo assim a dor existe é insistente
Quem não sabe amar não aprenderia em poucos meses
Muito menos quando o amor é inexistente.

E o pior é a contradição, que coisa triste!
Muita gente se acostuma até com o inferno
Tentar crer ver algo lindo o que inexiste
E fazer do sofrimento um ciclo eterno.

Que moral tem quem tanto dá ouvidos?
Qual o parâmetro tem quem tanto ouves
Não faz diferença o que vês ou tens sentido?
Fala de amor como quem nunca disso soube.

O pior sentimento de si é o desvalor
E querer se sujeitar a mil desprezos
Afastar de si, tão cegamente,o puro amor
É suportar de sua escolha um enorme peso.

Não posso ter mais do que vi, indignação
Isso não é fraqueza, brio, orgulho, nada
Só sei do que senti em meu coração
Só saiba que tentei fazer sentir-se amada.


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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Essência

O início sempre com o seu sorriso
O indício breve de seu peito arfante
Contigo vou logo ao paraíso
Nos desejos graves de seu jeito infante.

Na escultura bela de seu corpo todo
As minhas mãos como a modelar-te
A desenvoltura leve sobre mim seu jogo
Transpiração e fogo, vira pura arte.

Morro cem vezes quando estou em ti
O desejo é intenso é maior que tudo
Passaram meses e eu quase nem vi
Mas vivi contigo o sonho mais profundo.

Em sua pele branca de maciez e encanto
Que ampara bem a calidez de nós
Sinto a alma branda e o prazer é tanto
Entramos em transe sempre quando a sós.

E quantas vezes minha sofreguidão
De vontade enorme de sua boca em mim
Na língua os dentes, a respiração
E o sabor ardente que sobra no fim.

E a minha essência em ti disperdiçar
Fazer sobrar mais que do desejo o gosto
E com inocência enfim poder te amar
E vislumbrar o amor a iluminar seu rosto.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Expectador











Eu sou o expectador
Um espectro sempre a mercê
À expectativa do fim do torpor
Tanto quanto você.

O enigmático voyeur
De tudo que ocorre em sua vida
De uma janela qualquer
Na luneta de uma carabina.

O sniper, o arqueiro certeiro
O indivíduo de preto no escuro
Pescruta seus passos ligeiros
O que pretende fazer, o futuro.

Eu sou expectador
Aquele que persegue sombras
O que faz tão aterrador
O anoitecer, a escuridão, as penumbras.

Aquele no fim do cinema
Rindo com a pipoca na mão
Que nem está olhando pra tela
Mas se ri da vil multidão.

O encenador, o vigia, o gari
De madrugado com sacos de lixo
Olha ele ali, bem ali...
Das trevas um monstro, um bicho.

Qualquer hora ele aparece
O teatro está quase no fim
A coxia se abre a cortina desce
Resta aplaudir tudo enfim.



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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Em Seus Braços
























Em seus braços frágeis sinto a força do amor
Em sua boca cálida perco a noção de tudo
Nossos abraços mágicos fazem-nos esquecer do mundo
E nosso corpo junto é fogo e calor.

Em seus braços frágeis sinto a força do mundo
E penso comigo que é sobre-humano
O amor que sinto é maior que tudo
É tudo de puro, não é mundano.

É uma parte de mim que parte contigo
E parte de tudo ainda persiste
Comigo ficou o que é invisível
Mas quem sempre luta, um dia desiste.

Uma torrente sem fim de sentimentos atrozes
Uma corrente infindável de desejos, afãs
Na mente insiste um barulho de vozes
Que não diz uma palavra de um possível amanhã.

Em seus braços frágeis a proteção esperada
Um dia melhor, um mundo mais pleno
São dias e noites, manhãs, madrugadas
A esperar sua chegada no relento, sereno.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tatuagem

















Se pudesse dizer algo a ti
De todas as coisas que eu ja vivi
Se tive inferno ou se eu tive paz
Ou se em algum momento sorri
Posso dizer bem aqui
Que não sei dizer, tanto faz.

E de todas as coisas que faço
Ora rabisco de novo, refaço
Tudo novo de novo, melhor.
Sinto-me livre, solto no espaço
Saio da reta, da linha, do traço
Vejo e sinto que era pior.

E hoje vejo meus planos
São os mesmos? São outros, são tantos
E sempre a busca incessante.
E a gente vai caminhando
Se possível vai se encontrando
Mas hoje bem melhor do que antes.

O perdão é amigo dos tolos
A vingança é a cereja do bolo
Mas posso dizer estou saciado.
Desemaranhado daqueles rolos
Deixo o troféu para qualquer bobo
O passado morto, enterrado.

Vai observando a paisagem
Enfim vai sumindo sua imagem
Ao longe ficou para trás.
Mas eu sempre tive coragem
Pra lembrar de ti farei tatuagem
Em meu braço assim: Nunca mais!



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Avalanche

Alegria incessante
Virá como tempestade
Euforia pulsante
Vem e invade.

Abruptamente
Como uma avalanche
Abre-se a mente
Na alma um desmanche.

O afã soterrado
Mas é bom revigora
Se se enterra o passado
O novo lhe aflora.

A vida é assim
E a gente acredita
Ignora-se o fim
Retoma-se a lida.

Se antes um aperto
No peito secreto
Faz- se um acerto
Selado em concreto.

Não é sonho só meta
Não sonho acordado
Então pego essa reta
E está concretizado.

Alegria incessante
Espera por mim
Vem como avalanche
Imergir tudo enfim.


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Libélula

Ficou uma fragrância nas mãos
Da sua pele meiga e doce
Ficou o avesso a contradição
Como se nunca antes fosse.

Falta o ar, falta respiração
Um pedaço maior de mim
Se falar adiantasse a razão
E evitasse de fato esse fim.

Tem muito de amor bem aqui
Mesmo que sempre descrédula
Mas é suave e deixou-me. Morri
E pousou-me tal qual uma libélula.

Um amor que só paira e não para
Como se precisasse voar novos ares
Uma flor de beleza tão rara
Que sempre renasce em outros lugares.

Voe pra mim de volta eu imploro
Pouse em meus ombros meus braços meu peito
Nesse momento sozinho aqui choro
E lembro de tudo cada vez que me deito.




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Pítia (A serpente)



É o que se cicia por aí nos arredores
No átrio, no saguão, nos corredores
Não se sabe a razão ou pormenores
Contudo há profusão de bolodórios.

Nada mais é como antes nada mesmo.
A bem da verdade a verdade já se fora
O seu amante principesco é cego é vesgo
Que não vê nenhum viés do que há lá fora.

E talvez a pintem por aí qual Monalisa
E hoje provo dessa sina o pior fel
Mesmo que aches uma princesa uma pitonisa
Eu te pinto com teu sangue Jezabel.

E qualquer hora eu conquisto o mundo todo
E vou revelar sua podridão sua vileza
E vou apagar com meu sorriso todo o engodo
E inserir em seu coração dor e tristeza.

Cada pilastra da sua casa irá ruir
Até porque não tens sequer lastro moral
A sua casta não poderá subsistir
E à fogueira oferecida ao deus Baal.

O que me tens é uma oferenda suja e negra
E suas adivinhações são senão meros joguetes
Não preciso de seu perdão nenhuma nesga 
Seu coração está cravado de alfinetes.

Junte às suas da sua estirpe sua espécie
Tão usufruídas nesse mundo vil celeiro
Vai achar um rufião como merece
E enfim mostrar sua podridão ao povo inteiro.

E mais profanações, pitonisa, ora, diria
Quer enganar a si mesma, é o seu jogo
Sempre tentando cozinhar em "banho maria"
Mas o seu corpo é iguaria as presas dos cachorros.




 (666999)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Meu Armistício

"Conforto alucinante, tranquilidade na clareira do caos. O ponteiro, ele rodou mais rápido no mesmo relógio de ontem..."

Otto























Pintura: A Cabeça da Guerra - Salvador Dali

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Uma solidão acolhedora
Sem grilhões nos tornozelos
Sem lembranças da masmorra
Sem quinhão dos desmazelos.

Nem herança do seu nada
Só uma alegria sufocante
Que nem passa da garganta
Com um grito lancinante.

A alforria dos cativos
Um armistício para a alma
Já despi de meu cilício
E a euforia vem com calma.

Dando vivas à Anarquia
Longe disso as algazarras
Soltando rojões pirotecnias
Das suas orgias fracassadas.

Do seu êxito parco seu par ideal
Escondidos de todos como covardes
Eu no meu frêmito vasto como nunca antes igual
E vocês se acostando como cães em seu quarto.

Uma sensação indescritível
Sentir-se amado, algo incomum
Ao meu lado uma dama incrível
Do seu lado, qualquer um.



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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Devoluta

"Está nas fantasias dos infelizes, está no dia a dia das meretrizes; no plano dos bandidos, dos desvalidos, em todos os sentidos, Será? Que será? O que não tem decência, Nem nunca terá! O que não tem censura nem nunca terá! O que não faz sentido..."

(Chico Buarque)
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Não possui nenhum pundonor
Não merece poema nenhum
Não possui um viés de pudor
É esquema para qualquer um.

Corre em todos os cantos
Sua fama sua glória apagada
Nem tempo tem para os prantos
E lamúria de saber que é usada.

É superficial como espumas do mar
Tal e qual sua estabilidade
É volúvel como brumas no ar
Tanto igual é sua felicidade.

Vai virando troça de todos
É passada de mão em mão pelos tolos
Enlameando-se de tudo e de lodo
Emaranhada entre os fios de seus rolos.

Sua boca não é lugar de um só falo
É onde expelem as tensões os amigos
Vai se igualar a um fosso ou a um ralo
Não merece ósculo nenhum só atrito.

Por onde passa as pilhérias frequentes
Nas mesas dos botecos na praça na rua
É o assunto do momento dos deliquentes
Tem graça até o momento de vê-la nua.

Não é digna sequer de apreço
Desconheço sequer o seu nome
É futil, sem valor, baixo preço
Facilidade é o seu sobrenome.

É ávida em trapacear
É Fasianídea, não é mulher
Tem a arte de negacear
É presa fácil pra quem quiser.

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"O seu corpo é dos errantes,
Dos cegos, dos retirantes;
É de quem não tem mais nada."


(Chico Buarque)



terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Caixa Preta

É hora de dar um basta ao antigo
A partir de ontem estou vivendo o novo
E basta a mim já saber-me vivo
E cada dia em ti é que eu me renovo.

Não estou revendo conceito algum
Criei um mundo a partir do nada
É um sentimento pleno é tão incomum
E juntos somos um a percorrer a estrada.

Tanta força em ti que não imaginava
E o improvável já se faz verdade
Cada segundo junto o amor aumentava
Que hoje já não cabe mais nessa cidade.

E às vezes é preciso a escuridão
Para ao longe ver a luz que entra mansa
Para apaziguar a dor do coração
E nossa alma em sonho vibra ama e dança.

Porque a nossa boca guarda nossos beijos
E sempre estamos juntos mesmo que o mundo contra
Em uma caixa preta os nossos segredos
E tudo é bem maior do que por aí se conta.

Não sei se acreditava tanto em empatia
E amor platônico me deixava tonto
Mas quando sua alma encontrou a minha
Mudou minha vida para sempre e ponto.


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