É, a coisa vai mal, como antes, igual
Cadê o troféu na algibeira?
E agora, Pereira?
Nem fatos nem nada,
Nem fotos, roubada, nem truques, nem mangas
Como vai sua amada?
Adiantou o disparate?
A espera aviltante, a disputa aflitante,
Quase chegou-se à cegueira
E agora, Pereira?
Mais uma vez vou dizer,
você nasceu pra perder
E o que vai dizer lá na repartição?
É, vai perdendo o respeito
Já não bate no peito, nem sequer emoção
Afinal foi eleito, mais uma vez para um pleito
De segunda opção.
____________________________________________
(O conteúdo deste blog é de autoria inviolável de Alessandro Vargas, sendo parte consubstancial de sua idiossincrasia) (contém partes da obra "Velhos Invernos e Dias de Diamantes")
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
O Beijo
Digam o que disserem
Em vão ou sem importância
Sou seu mal necessário
O vento da mudança
Arraigado, embrionário.
Como um furacão, um tornado
Depois que passa tudo é mudado
Nada mais como antes
Como ferro em fogo forjado.
Sei que podes ter sofrido
Mas sou o beijo de Judas
Vê o quanto tens crescido
Ainda esnoba minhas ajudas?
Você é uma peça do tabuleiro
Não vês que esse mundo inteiro
Se ri quando se desfacela,
Entende a contenda, a mazela?
E ainda despreza meu zelo?
Não escolhi-te a esmo
E sou eu seu algoz, sou eu mesmo
Um amante, um perigo, sobrepeso
mas nunca disse que era fácil, não é mesmo?
___________________________
Em vão ou sem importância
Sou seu mal necessário
O vento da mudança
Arraigado, embrionário.
Como um furacão, um tornado
Depois que passa tudo é mudado
Nada mais como antes
Como ferro em fogo forjado.
Sei que podes ter sofrido
Mas sou o beijo de Judas
Vê o quanto tens crescido
Ainda esnoba minhas ajudas?
Você é uma peça do tabuleiro
Não vês que esse mundo inteiro
Se ri quando se desfacela,
Entende a contenda, a mazela?
E ainda despreza meu zelo?
Não escolhi-te a esmo
E sou eu seu algoz, sou eu mesmo
Um amante, um perigo, sobrepeso
mas nunca disse que era fácil, não é mesmo?
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Amor Visceral
Não posso negar
Mas não dá pra falar como é estar
Intimamente ligado a ela de forma visceral
Alinhavado de maneira tal que impossibilita
O dialogar de maneira mais lúcida.
É ódio e amor
Tanto é que não bastam os toques beijos carícias
E as porções de delícias misturadas a sangue
Cortes e dor.
É bem mais que carnal
É a linguagem das unhas a violentar a alinhavar
Sua pele na minha como a cimentar
Um romance anormal.
Está perto a conquista!
E num golpe de vista esquivei do seu ódio
Expus minhas feridas e subi no meu pódio
Como um crime perfeito sem rastros nem pista.
Enfim a vitória
Escapei dos falsários angariarei minhas glórias
Trancafiei em armários o pavor do passado
E o presente esperado me espera dourado
Em alegrias notórias.
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Mas não dá pra falar como é estar
Intimamente ligado a ela de forma visceral
Alinhavado de maneira tal que impossibilita
O dialogar de maneira mais lúcida.
É ódio e amor
Tanto é que não bastam os toques beijos carícias
E as porções de delícias misturadas a sangue
Cortes e dor.
É bem mais que carnal
É a linguagem das unhas a violentar a alinhavar
Sua pele na minha como a cimentar
Um romance anormal.
Está perto a conquista!
E num golpe de vista esquivei do seu ódio
Expus minhas feridas e subi no meu pódio
Como um crime perfeito sem rastros nem pista.
Enfim a vitória
Escapei dos falsários angariarei minhas glórias
Trancafiei em armários o pavor do passado
E o presente esperado me espera dourado
Em alegrias notórias.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Uma passagem
Hoje o dia nasce novo
Até a lua brilha nova
O sol que queima o rosto
É o mesmo que me acorda.
No balanço da viagem
Admirando a bela lua
Ora um livro, e a paisagem,
Em um momento a face tua.
E quando pensas que estais forte
Os seus pés são seus amigos
Eu sozinho sou meu norte
E enfrento a dor sozinho.
Mas quando seus pés já se cansarem
De ti e a dor vier
Eu serei a fortaleza
E você só uma mulher.
Tudo isso uma passagem
Mas não será como antes fora,
Quando acabar sua coragem,
Não espere que a socorra.
Enfim, a dor é forte
Mas amanhã restabeleço
A lua é bela, o sol é forte
Enquanto dormes, reapareço.
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Até a lua brilha nova
O sol que queima o rosto
É o mesmo que me acorda.
No balanço da viagem
Admirando a bela lua
Ora um livro, e a paisagem,
Em um momento a face tua.
E quando pensas que estais forte
Os seus pés são seus amigos
Eu sozinho sou meu norte
E enfrento a dor sozinho.
Mas quando seus pés já se cansarem
De ti e a dor vier
Eu serei a fortaleza
E você só uma mulher.
Tudo isso uma passagem
Mas não será como antes fora,
Quando acabar sua coragem,
Não espere que a socorra.
Enfim, a dor é forte
Mas amanhã restabeleço
A lua é bela, o sol é forte
Enquanto dormes, reapareço.
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Sem óbices
Tem dia que a gente acorda para perder
Mas de fato ninguém pediu pra nascer
E se o fato é pedir pra perder
Certamente sabe-se o por quê de fazer.
Mas entregue-se ao amor assim de peito, de pronto
Faz tanto bem amar, que amor deixa-me tonto;
E não sei o que é cansar, e não sei já faz muito tempo,
E deito-me a descansar e sonho contigo e me encontro.
Sem óbices pra te esquecer, aliás, nem um pouco;
O problema será me entreter, parece crer que estou louco,
Mas vou mudar pra melhor e feliz feito cão solto,
Acabam-se enfim as barreiras, e o mundo feliz, claro e novo.
Mas de fato ninguém pediu pra nascer
E se o fato é pedir pra perder
Certamente sabe-se o por quê de fazer.
Mas entregue-se ao amor assim de peito, de pronto
Faz tanto bem amar, que amor deixa-me tonto;
E não sei o que é cansar, e não sei já faz muito tempo,
E deito-me a descansar e sonho contigo e me encontro.
Sem óbices pra te esquecer, aliás, nem um pouco;
O problema será me entreter, parece crer que estou louco,
Mas vou mudar pra melhor e feliz feito cão solto,
Acabam-se enfim as barreiras, e o mundo feliz, claro e novo.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Não Critique O Que Não Consegue Entender
Poema extraído da obra "Velhos Invernos e Dias de Diamantes".

Não critico, pois não entendo,
Não posso ver atrás dos seus olhos,
Não sei o que vês, não sei se está vendo...
Seu mundo caindo, seu mundo descendo.
Repreensão, repressão, reprimenda,
E ainda mais, tudo o que dizem de ti,
Sem ação, reação, reticências...
Você não vive, não come ou sorri.
Mas você bebe, e o cigarro te consome,
E você some como fumaça no ar,
Não come, não vive, não dorme,
Por falta de amor e de um lar.
Indecente, inerte, inexistente?
Não critico, pois não entendo,
Não posso ver atrás de seus olhos,
Nem tampouco seu mundo descendo.

Não critico, pois não entendo,
Não posso ver atrás dos seus olhos,
Não sei o que vês, não sei se está vendo...
Seu mundo caindo, seu mundo descendo.
Repreensão, repressão, reprimenda,
E ainda mais, tudo o que dizem de ti,
Sem ação, reação, reticências...
Você não vive, não come ou sorri.
Mas você bebe, e o cigarro te consome,
E você some como fumaça no ar,
Não come, não vive, não dorme,
Por falta de amor e de um lar.
Indecente, inerte, inexistente?
Não critico, pois não entendo,
Não posso ver atrás de seus olhos,
Nem tampouco seu mundo descendo.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Leve
É, meu amor, o que escrevo tem dor, dor de verdade,
Por isso, amor, aonde for, leve um pouco, aliás, leve à vontade.
Por isso, amor, aonde for, leve um pouco, aliás, leve à vontade.
Espero
Das bilhões de pessoas na Terra
Podia ter errado com qualquer menos ela;
Já sofrera o quinhão e há sequela.
Podia ter tido compaixão, mas supera.
Sei que hoje seria perfeito
Estou bem mais perto e esmerado
Faríamos quase tudo do mesmo jeito
Aquele presente por nós tanto esperado.
Sonho ouvir sua voz rouca e doce
De madrugada em meu telefone
Mesmo que palavras doces não fossem
Mas suspiraria se ouvisse meu nome.
Lembro que marcamos um reencontro
Num campo verde de sonho e de flores,
Infelizmente houve dano, confronto,
Mas já faz tempo, e calaram-se as dores.
E a distância nunca teve importância,
Mesmo distante mais que antes espero;
Não vejo do esperar decadência,
Não quando é aquilo que quero.
Podia ter errado com qualquer menos ela;
Já sofrera o quinhão e há sequela.
Podia ter tido compaixão, mas supera.
Sei que hoje seria perfeito
Estou bem mais perto e esmerado
Faríamos quase tudo do mesmo jeito
Aquele presente por nós tanto esperado.
Sonho ouvir sua voz rouca e doce
De madrugada em meu telefone
Mesmo que palavras doces não fossem
Mas suspiraria se ouvisse meu nome.
Lembro que marcamos um reencontro
Num campo verde de sonho e de flores,
Infelizmente houve dano, confronto,
Mas já faz tempo, e calaram-se as dores.
E a distância nunca teve importância,
Mesmo distante mais que antes espero;
Não vejo do esperar decadência,
Não quando é aquilo que quero.
sábado, 26 de junho de 2010
Loucos
E como são meus cabelos revoltos
Onde estão meus parafusos já soltos?
O frenesi achegando-se aos poucos
Porque o mundo é o covil desses loucos.
O paraíso aqui é pra poucos
Tanto gritam aqui e ali que até roucos
Afugentam-se as almas feito cães loucos
Falando-se em loucos sei que estão soltos.
Acordo absorto no chão feito morto
Nem colchão, nem lençol, nem um pouco
O abrigo faz parte do engodo
O inimigo tece as regras do jogo.
Feito Nero por que brinca com fogo
A depressão cai feito um mundo ruidoso
Ninguém escuta ou perscruta, sem rogo
O mundo louco aqui jaz, perigoso.
E pra fugir disso tudo, seu corpo,
Onde mergulho num afago estrondoso,
Não me afogo é um lugar tão gostoso,
É o lagar do vinho mais poderoso.
E recebes em sua boca o mel todo
Faz-me esquecer o mundo dos loucos
Em meu universo só nós em meu jogo
Fora do jugo dos cruéis homens soltos.
(...)
Onde estão meus parafusos já soltos?
O frenesi achegando-se aos poucos
Porque o mundo é o covil desses loucos.
O paraíso aqui é pra poucos
Tanto gritam aqui e ali que até roucos
Afugentam-se as almas feito cães loucos
Falando-se em loucos sei que estão soltos.
Acordo absorto no chão feito morto
Nem colchão, nem lençol, nem um pouco
O abrigo faz parte do engodo
O inimigo tece as regras do jogo.
Feito Nero por que brinca com fogo
A depressão cai feito um mundo ruidoso
Ninguém escuta ou perscruta, sem rogo
O mundo louco aqui jaz, perigoso.
E pra fugir disso tudo, seu corpo,
Onde mergulho num afago estrondoso,
Não me afogo é um lugar tão gostoso,
É o lagar do vinho mais poderoso.
E recebes em sua boca o mel todo
Faz-me esquecer o mundo dos loucos
Em meu universo só nós em meu jogo
Fora do jugo dos cruéis homens soltos.
(...)
domingo, 20 de junho de 2010
Torto
Não sei que diabos mas o queriam internado
O queriam bem longe, pra lá...
Ele comprou discos do Caetano, usados
E uma tela regionalista em Cuiabá.
Gastava dinheiro, ousava.
Fazia amigos só por afinidade.
Nem drogas mais usava.
Por isso mal visto na cidade.
O diziam torto, se bem que por isso, natimorto.
Não ligava, ao invés disso, cantava João Bosco, absorto!
Remendando sequelas antigas
Já não existem mais aquelas feridas
Pode sentar já no cais sem partidas
E pensar como faz bem a vida...
O queriam bem longe, pra lá...
Ele comprou discos do Caetano, usados
E uma tela regionalista em Cuiabá.
Gastava dinheiro, ousava.
Fazia amigos só por afinidade.
Nem drogas mais usava.
Por isso mal visto na cidade.
O diziam torto, se bem que por isso, natimorto.
Não ligava, ao invés disso, cantava João Bosco, absorto!
Remendando sequelas antigas
Já não existem mais aquelas feridas
Pode sentar já no cais sem partidas
E pensar como faz bem a vida...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Esses e Aqueles

Amo o amigo que faz complô,
Amo o amigo que não é robô.
Amo aquele das controvérsias,
Amo aquele que me prega peças.
Gosto daquele das desavenças,
Melhor é-me ainda o fujão das crenças.
Não aprecio tanto o que me defende,
Mas mais ainda o que, enfim, compreende.
Não sou dado a esses dos elogios,
Mas mais daqueles de olhar sombrio.
Não me agrada aquele que da briga foge,
Me alegro desse que mata ou morre.
Sou mais esses de escudo e espada,
Do que o afago de hostis palavras.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Vidas em Jogo (Quase um soneto)
Quando a conheci já era insana,
Mas muito bem a mim fazia;
Não compreendia toda a trama,
Enquanto eu já enlouquecia.
E entre mimos, risos e choros,
Ao mesmo tempo, embaraçados;
Entre lágrimas, suspiros e gozos
Acordávamos, enfim, abraçados.
Sorriso infante, andar mais ainda,
Não sabia o risco que a mim despertava,
Talvez da minha vida, a moça mais linda,
Melhor se acordasse enquanto ainda sonhava.
Presentes, passados, vidas em jogo,
E vidas duplas de um lado e de outro;
Traição, depressão, mentiras e fogo,
E muita culpa aliada ao pecado.
Um soneto imperfeito de amor e de ódio,
Infelizmente são essas palavras,
Hoje inexiste qualquer dor ou imbróglio,
Mas ainda persiste o som das suas risadas.
Mas muito bem a mim fazia;
Não compreendia toda a trama,
Enquanto eu já enlouquecia.
E entre mimos, risos e choros,
Ao mesmo tempo, embaraçados;
Entre lágrimas, suspiros e gozos
Acordávamos, enfim, abraçados.
Sorriso infante, andar mais ainda,
Não sabia o risco que a mim despertava,
Talvez da minha vida, a moça mais linda,
Melhor se acordasse enquanto ainda sonhava.
Presentes, passados, vidas em jogo,
E vidas duplas de um lado e de outro;
Traição, depressão, mentiras e fogo,
E muita culpa aliada ao pecado.
Um soneto imperfeito de amor e de ódio,
Infelizmente são essas palavras,
Hoje inexiste qualquer dor ou imbróglio,
Mas ainda persiste o som das suas risadas.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O Jugo

O Senhor dos exércitos livrou-me
Do cárcere e das grades aterradoras,
Dos pareceres poupou-me,
E das masmorras perturbadoras.
Quebrou os grilhões invisíveis da alma,
Curou as enfermidades do coração,
Apagou do passado o trauma,
Apacentou o cordeiro fujão (vilão).
Todas as noites fizeram-se dia,
Todas as lendas fizeram-se tolas,
Todas as contendas submergiram
Em águas purificadoras.
Outros provarão os desgostos
Do jugo impreciso, antecipado,
Mostrar-me-á o Senhor os seus rostos,
Como prova e presente ao passado.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Simbiose

E as pessoas dizem por aí:
_ Olha, ele ainda vive!
E botam seu nome no Google...
Um sonho que nunca tive.
E lembra-se de brincadeiras,
Entre praças e bem-me-quer,
Toques em dormideiras,
Esconde-esconde em canto qualquer.
Entre castelos andam ainda,
E dizem meu nome em vitupérios,
Mesmo que tarde da noite se finda,
Meus perjúrios são deletérios.
E há acromanias por toda a parte,
Nas retinas, em nós, simbiose,
Ignora-se a chama que arde,
E na válvula cardíaca, necrose.
Uns dizem dele hipérbole,
Outros o veem cataclisma,
Uns temem dele overdose,
Outros pra isso nem ligam.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Incógnitas

Até quando verei meu rosto no espelho?
Até quando serei pele, ossos, cabelo?
Sou mesmo feliz por tê-la visto em meu mundo
A vida só é bela por saber que vives ainda.
Mesmo sabendo que a senda é curta, imprevisível
Atalha pelos caminhos um perigo invisível
Nada que detenha-me, não enquanto ainda respiro
E paro, e detenho-me, dou uma olhado, prossigo e suspiro.
Todos conhecem-me, aqui e ali, nas adjacências,
Tudo que sobra e falam de mim, nada são que excrescências;
E tudo que sobra, se não incomoda é ardil e profanações,
Mas não vivo de cobras, nem de covis, ou escorpiões.
Até quando verei meu rosto íntegro no espelho?
Mesmo não sendo Dorian Gray possuo segredos,
Mesmo não sendo Narciso, preciso afogar-me em meus medos,
Pra poder descobrir-me e que sou mais que pele e cabelos.
E as incógnitas me boicotam todo o tempo,
Já não quero crer que viver é só uma perda de tempo,
E quando vejo que o tempo perdido é só um contratempo
Tento reviver e pensar que é só uma passagem, ou melhor, passatempo.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O Lodo

Não mais mergulho naquele engodo todo
Enlameado, de medo e lodo
Sinto respirar com esforço improbo
E acordo afoito com desgosto e bobo.
Não mais pertenço a esses ares outros
Já faz-me mal tanto inútil povo
Já não é mal acordar-se morto
Pelo menos isso faço crer que é novo.
Sinto falta do som do seu choro tolo
E sem decoro me preparo todo
E quando lembro desse desaforo
Vejo-me todo enlameado em lodo...
Uma noite afoita como a de um vil cachorro
Faz-me falta tanto aquele som de choro
Que era a trilha de um romance improbo
Que hoje vejo como um tremendo engodo.
Cães violentos ladram o dia todo
E o meu dia mal começa um novo
E se tardia já me sinto bobo
Melhor que antes todo envolto em lodo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O bobo da corte

E então como vai você?
Batendo sempre na mesma tecla
Andando sempre na mesma vereda
Dá até pena de ver.
E bate na mesma tecla
Parece o bobo da corte
Parece um lobo na flecha
Periga ser o noivo da morte.
Ele corre por aí com alarde
Ela sempre chega mais tarde
O amor já não queima nem arde
Ela é fria, vilã e covarde.
Mergulhou-se na mais fria quimera
E o amor servidor, enfim, já era
Batendo sempre na mesma tecla
valeu a pena o esforço, a espera?
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Um Doce Dia para Ananda - Parte IV - "Ananda, A flor da Vida"
Ela havia desistido da vida. Por quê? Em breve explicarei, mas sem delongas por agora, ou melhor por ora.
Ele consentia do fato de que nada era mais impossível que Dom e Ananda, unidos.
Naquela tarde sombria, mesquinha, para ela vazia, era somente ela, tão-somente-ela, e quatro caixas de comprimidos coloridos na estante. E nada mais seria como antes. A dor pungente, o seio arfante, aquele mesmo que Dom amante, tanto ousara em seus sonhos, na verdade infante.
O brilho do sol se dissipara de tanta mágoa estampada na cara, o rosto sobreposto em lágrimas salínicas, demasiadas salgadas. Ninguém dissera que a fuga nada mais era que o suicídio lento que em breve achegaria.
Mas suicídio não lhe convinha, tinha aquilo como um refúgio daquilo que o mundo todo a expunha sobremaneira e que lhe oferecera com gosto de mel, e na verdade era mistura de fel e sangue coagulado.
Jogou de lado o travesseiro molhado, e o sentimento exposto, lembrou do gosto da noite de ontem, "quem a seguira?" "quem a espreitava?"...
(...)
Ele consentia do fato de que nada era mais impossível que Dom e Ananda, unidos.
Naquela tarde sombria, mesquinha, para ela vazia, era somente ela, tão-somente-ela, e quatro caixas de comprimidos coloridos na estante. E nada mais seria como antes. A dor pungente, o seio arfante, aquele mesmo que Dom amante, tanto ousara em seus sonhos, na verdade infante.
O brilho do sol se dissipara de tanta mágoa estampada na cara, o rosto sobreposto em lágrimas salínicas, demasiadas salgadas. Ninguém dissera que a fuga nada mais era que o suicídio lento que em breve achegaria.
Mas suicídio não lhe convinha, tinha aquilo como um refúgio daquilo que o mundo todo a expunha sobremaneira e que lhe oferecera com gosto de mel, e na verdade era mistura de fel e sangue coagulado.
Jogou de lado o travesseiro molhado, e o sentimento exposto, lembrou do gosto da noite de ontem, "quem a seguira?" "quem a espreitava?"...
(...)
sexta-feira, 26 de março de 2010
Ritos
Há sentimentos que se nutrem de longe
Senão perde o sentido.
Melhor ser subentendido
Que por vezes incompreendido.
Felicito-me em outros ritos
Mas não mais como era outrora
Não preciso mais sair aos gritos
Pelo menos não agora.
Antes via a vida como se pudesse ser repetida
Hoje sei que a hora é agora
E melhora a cada decaída.
Nada imutável, mas sempre muda, acontece
Parece de novo mas é outro, esquece
Quem pensa assim, não dura, perece
Assim como fiz um dia, tardio, amadurece.
Senão perde o sentido.
Melhor ser subentendido
Que por vezes incompreendido.
Felicito-me em outros ritos
Mas não mais como era outrora
Não preciso mais sair aos gritos
Pelo menos não agora.
Antes via a vida como se pudesse ser repetida
Hoje sei que a hora é agora
E melhora a cada decaída.
Nada imutável, mas sempre muda, acontece
Parece de novo mas é outro, esquece
Quem pensa assim, não dura, perece
Assim como fiz um dia, tardio, amadurece.
terça-feira, 23 de março de 2010
Bata à minha porta
Sinto falta de ser seu amigo
Faz falta os momentos contigo
O jeito estranho que batia à minha porta
Hoje a noite é mais do que morta.
Persigo visões aturdido se bebo
Alucinações se acordo bem cedo
Perigo encontrar-te por aí, eis o medo
E se divago em ti nem percebo.
E espero mesmo assim ouvir de repente
Aquele bater à porta irreverente
E ao abrir a vir sorridente
E voltar a pensarmos na gente.
E mesmo na noite já morta
Espero que bata à minha porta
Não quero explicar nada, concorda?
Afinal isso já não importa.
E dizer que sem ti não há nada
Nem poesia, alegria ou estrada
Nem um ponto obscuro, nem escada
Nem razão pra sequer uma risada.
Faz falta os momentos contigo
O jeito estranho que batia à minha porta
Hoje a noite é mais do que morta.
Persigo visões aturdido se bebo
Alucinações se acordo bem cedo
Perigo encontrar-te por aí, eis o medo
E se divago em ti nem percebo.
E espero mesmo assim ouvir de repente
Aquele bater à porta irreverente
E ao abrir a vir sorridente
E voltar a pensarmos na gente.
E mesmo na noite já morta
Espero que bata à minha porta
Não quero explicar nada, concorda?
Afinal isso já não importa.
E dizer que sem ti não há nada
Nem poesia, alegria ou estrada
Nem um ponto obscuro, nem escada
Nem razão pra sequer uma risada.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Obliterações
Sinto falta dos seus cabelos
Sem sombra de desmazelos
Mesmo que sei não vou tê-los
Mas há saudade de vê-los.
E à noite na cama é o mesmo
Sempre relembro surpreso
Pensamentos vagueiam a esmo
E por isso sei que estou preso.
Sinto a textura da pele
Mesmo que não se revele
Um sentimento que arde, que fere
Mesmo assim quem o repele?
Sem sombra de desmazelos
Mesmo que sei não vou tê-los
Mas há saudade de vê-los.
E à noite na cama é o mesmo
Sempre relembro surpreso
Pensamentos vagueiam a esmo
E por isso sei que estou preso.
Sinto a textura da pele
Mesmo que não se revele
Um sentimento que arde, que fere
Mesmo assim quem o repele?
segunda-feira, 15 de março de 2010
Constatações
O fio de barba que rasga o rosto
O sentimento tosco como ferimento exposto
O momento exige um tremendo esforço
O vento lento que me lembra agosto.
Até porque o amor não se exige
Ele acontece ou desvanece
Mas se é amor então que existe
Será que assim desaparece?
O sentimento tosco como ferimento exposto
O momento exige um tremendo esforço
O vento lento que me lembra agosto.
Até porque o amor não se exige
Ele acontece ou desvanece
Mas se é amor então que existe
Será que assim desaparece?
quinta-feira, 11 de março de 2010
Não é tão fácil assim
Não é tão fácil assim
A gente carrega a alegria nos ombros
Mesmo com a bateria no fim.
Tenta esquivar-se dos vidros
Que se fizeram cacos no chão
Os dias se fazem compridos
Os dias que ainda nem viram.
E não põe-se um ponto final
Ah, se fosse assim
Mas não é tão fácil pra mim
E não é só um dia ruim.
E desventuras da mente insana
E nostalgias que nascem por si
Nem cabem na mente humana
Nem sabem por que eu nasci.
A gente carrega a alegria nos ombros
Mesmo com a bateria no fim.
Tenta esquivar-se dos vidros
Que se fizeram cacos no chão
Os dias se fazem compridos
Os dias que ainda nem viram.
E não põe-se um ponto final
Ah, se fosse assim
Mas não é tão fácil pra mim
E não é só um dia ruim.
E desventuras da mente insana
E nostalgias que nascem por si
Nem cabem na mente humana
Nem sabem por que eu nasci.
sábado, 6 de março de 2010
Ainda
Hoje carrego sorriso nos lábios
Mas ainda penso nela
Mesmo nos dias cálidos
Impossível esquecê-la.
Mesmo que nade por outras águas
Mesmo carregando vitórias
Sumiram de todo minhas mágoas
Ficou só o bom da história.
E sou feliz tendo você
Em meu dia a dia em meu mundo
Mesmo sem poder te ver
Te vejo a todo segundo.
Mas ainda penso nela
Mesmo nos dias cálidos
Impossível esquecê-la.
Mesmo que nade por outras águas
Mesmo carregando vitórias
Sumiram de todo minhas mágoas
Ficou só o bom da história.
E sou feliz tendo você
Em meu dia a dia em meu mundo
Mesmo sem poder te ver
Te vejo a todo segundo.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Confusões
Era um emaranhado de confusões
E profusões de sensações
Até que tudo inundou-se.
Um mar de paixões.
E nada mais era que mera quimera
E o mundo aturdido na cabeça de um vagabundo
Um segundo já era o que sabia de tudo
E tudo não mais como foi absurdo.
E profusões de sensações
Até que tudo inundou-se.
Um mar de paixões.
E nada mais era que mera quimera
E o mundo aturdido na cabeça de um vagabundo
Um segundo já era o que sabia de tudo
E tudo não mais como foi absurdo.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Previsões
Existe amor platônico e correspondido
Se não cruzasse o oceano pra estar contigo
Não seria aquele Alessandro por ti conhecido.
Não conheceria lugares por ter te esquecido
Não mentiria pra ser menos iludido
Não viveria um minuto o perigo
Não seria nem mais seu amigo.
Não posso abdicar se não amei completamente
Nao posso protelar, será que me entende?
Quero seu corpo, passado e presente
Posso prever o futuro recente.
Se não cruzasse o oceano pra estar contigo
Não seria aquele Alessandro por ti conhecido.
Não conheceria lugares por ter te esquecido
Não mentiria pra ser menos iludido
Não viveria um minuto o perigo
Não seria nem mais seu amigo.
Não posso abdicar se não amei completamente
Nao posso protelar, será que me entende?
Quero seu corpo, passado e presente
Posso prever o futuro recente.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Magias
Tenho engendrado magias e tecendo venturas
A caixa está vazia mas cabe almas ainda
Talvez não seja aquilo que tu procuras
Mas tenho poções e porções de afã e loucura.
Num átimo está ótimo e faço a bel prazer o que sonha no íntimo
É ínfimo mas sinto que contigo posso ir mais além e não minto.
Já sabia da insanidade mas não levarei sorriso no nosso encontro
Posso ser mesmo aquele de sempre que resolve tudo de bate pronto.
Tenho feito planos que me deixam zonzo, me deixam tonto
E pensar em rever parece a meu ver certo contraponto.
A caixa está vazia mas cabe almas ainda
Talvez não seja aquilo que tu procuras
Mas tenho poções e porções de afã e loucura.
Num átimo está ótimo e faço a bel prazer o que sonha no íntimo
É ínfimo mas sinto que contigo posso ir mais além e não minto.
Já sabia da insanidade mas não levarei sorriso no nosso encontro
Posso ser mesmo aquele de sempre que resolve tudo de bate pronto.
Tenho feito planos que me deixam zonzo, me deixam tonto
E pensar em rever parece a meu ver certo contraponto.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Palhaços
Enquanto os espinhos não tocam meus pés
Sigo do jeito que sou, tal como era
Não carrego falsos status,
Não mantenho falsa alegria,
Nada mais seria que pura quimera.
Não precisaria acreditar no que não sou
Não subjulgaria quem certamente é mais que eu
Não comemoraria falsa vitória minha
Não riria de quem já perdeu.
E de que te adiantou esse estardalhaço?
Hoje sei bem que não é esse auge todo
Hoje nada mais vejo que um infeliz palhaço
E ainda quero ver pessoalmente sua cara de bobo.
Não, nenhum espinho chegou a meus pés
E hoje sei realmente o que tu não és
Talvez realmente acreditei na supremacia
Hoje vejo que nada podes, que nada és.
Gostei até das caricaturas, ri-me todo, ri alto
Felicidades não são estampadas daquela maneira
Acordou do pesadelo, de sobressalto
Valeu, palhaço, a brincadeira.
Sigo do jeito que sou, tal como era
Não carrego falsos status,
Não mantenho falsa alegria,
Nada mais seria que pura quimera.
Não precisaria acreditar no que não sou
Não subjulgaria quem certamente é mais que eu
Não comemoraria falsa vitória minha
Não riria de quem já perdeu.
E de que te adiantou esse estardalhaço?
Hoje sei bem que não é esse auge todo
Hoje nada mais vejo que um infeliz palhaço
E ainda quero ver pessoalmente sua cara de bobo.
Não, nenhum espinho chegou a meus pés
E hoje sei realmente o que tu não és
Talvez realmente acreditei na supremacia
Hoje vejo que nada podes, que nada és.
Gostei até das caricaturas, ri-me todo, ri alto
Felicidades não são estampadas daquela maneira
Acordou do pesadelo, de sobressalto
Valeu, palhaço, a brincadeira.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Condicionado
Faça tudo quanto queira fazer
Diga tudo o que queira falar
Faça nada pra se arrepender
Só não tente me obliterar.
É assim mesmo desconexo, errado
É do lado que quero
E mesmo assim, perplexo, isolado
É do jeito que espero.
Sopra um ar condicionado
No escuro da viagem noturna
Tem ninguém do meu lado
Só paisagem soturna.
Enquanto passam as horas
Pensamentos ecoam aturdidos
O mundo voa lá fora
O mundo dos seres perdidos.
Diga tudo o que queira falar
Faça nada pra se arrepender
Só não tente me obliterar.
É assim mesmo desconexo, errado
É do lado que quero
E mesmo assim, perplexo, isolado
É do jeito que espero.
Sopra um ar condicionado
No escuro da viagem noturna
Tem ninguém do meu lado
Só paisagem soturna.
Enquanto passam as horas
Pensamentos ecoam aturdidos
O mundo voa lá fora
O mundo dos seres perdidos.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Estátuas
Poderia eu acelerar a rotação da Terra?
Poderia eu controlar a fúria das águas?
Como posso sentir desprazer na espera
Se entre as expectativas reside a cura das mágoas.
Tem quem pensa que o aguardo é derrota
Mas quem espera sempre alcança
Um dia o mundo nota
E logo a vida amansa.
Percebo cada qual em suas hostilidades
Mas pra mim são hospitalidades disfarçadas
Enquanto consomem tempo em iniquidades
Pra mim nada mais são que estátuas defasadas.
Borboletas sem casulo
Obsoletas reféns do consumo
No futuro pode que um bom adubo
Por enquanto um razoáel produto.
Nem guardo suas máculas como lembranças
Tampouco vestígios de intemperança
São apenas estátuas, são apenas crianças
Já não fazem mais nada que não irrelevâncias.
Poderia eu controlar a fúria das águas?
Como posso sentir desprazer na espera
Se entre as expectativas reside a cura das mágoas.
Tem quem pensa que o aguardo é derrota
Mas quem espera sempre alcança
Um dia o mundo nota
E logo a vida amansa.
Percebo cada qual em suas hostilidades
Mas pra mim são hospitalidades disfarçadas
Enquanto consomem tempo em iniquidades
Pra mim nada mais são que estátuas defasadas.
Borboletas sem casulo
Obsoletas reféns do consumo
No futuro pode que um bom adubo
Por enquanto um razoáel produto.
Nem guardo suas máculas como lembranças
Tampouco vestígios de intemperança
São apenas estátuas, são apenas crianças
Já não fazem mais nada que não irrelevâncias.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Acertos

Não é que tudo mude
Ou acabe...
E nada que acabe que não possa ser restaurado.
O fim é nítido mesmo que um horizonte o esconda
O fim está na curva
E o recomeço bem na próxima...
O mundo com suas voltas
Sempre nos envolvendo
Fazendo-nos enganar
E achar que estamos certos.
Hoje vejo o erro
Mas aprendi como os acertos
Nada muda mesmo
Só muda o jeito de fazermos.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Ainda cruzo o oceano...

Um dia sem arrumar a cama
Mas não desfaço meus planos
Não vivo e revivo esse drama
Ainda cruzo o oceano...
Talvez não veja bem certo
O rumo que estou tomando
Talvez não chegue nem perto
Daquilo que estou pensando.
Não é devaneio, tolo, não
Não é perspicácia descomedida
Não é vida levada em vão
Não é isso que chamo de vida.
Tenho parado o frenesi e sigo pensando
Aproveitando o bom vento soprando
Ainda concluo meu plano
Mesmo que cruze o oceano.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Frívola
domingo, 3 de janeiro de 2010
O Outro

Ele estava ficando louco
Nesse íntimo de querer ser o outro
Ia aumentando pouco e pouco
E tanto foi que virou muito.
Queria sê-lo e sabia
Tomou namorada experimentou as ex
Como ele vestia
Bronzeou pra igualar a tez.
Já não era pudico era igual
Já era popular nas redondezas
Já falava como tal
Vangloriava espertezas.
O outro dizia-se mito
Ele disfarçava o que podia
Uma cópia de um desconhecido
Mas o desconhecido.
Estudou o elemento a ser copiado
As frases feitas que o outro criou
Estava ficando um sujeito perigoso
Mas no seu íntimo, vitorioso.
E tudo que sabia do outro era fascinante
Mesmo sendo um facínora
Sua vida tosca ficou mais vibrante
Já não é mais o mesmo de antes...
Contemporâneos

Queria escrever algo pra você e pra mim
Mas algo não tão singelo e abstrato
Mas algo tátil e verossímil.
Só queria que você soubesse
De como é feliz sermos contemporâneos
Podia ter nascido no tempo de Dom Pedro
Mas não, dividimos os mesmos tempos
Respiramos os mesmos ventos.
Mesmo errando e sendo humano
Mesmo que faleceremos e seremos esquecidos
Ainda não te esqueci
E somos contemporâneos.
Entra ano e sai ano
As gerações vão mudando
E nós cada vez mais mundanos
Mas não mudam-se os planos
Somos retrógrados
Somos nossos fotógrafos
Pra quem sabe um segundo plano.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Cúmplices
Gosto por não haver vilipêndio
E nada é tão comedido
Em nós dois reside um incêndio
Não existe impulso contido.
Ora, me odeia, destesta
Ora pra esquecer-se de mim
Ora, diz-me não presta!
Ora, que quer então de mim?
E qualquer lugar é um bom lugar
Existe disposição e ânimos comuns
O espião secreto é o luar
A desvendar nossos corpos nus.
Somos cúmplices leais, criminosos
No nosso afã desvairado, secreto
Planos pecaminosos
Executar sempre muito discreto.
Muitos nos julgam, vis
Ela louca, ele insano, ardiloso
Nossos atos sempre muito sutis
Mas o resultado para nós vantajoso.
E nada é tão comedido
Em nós dois reside um incêndio
Não existe impulso contido.
Ora, me odeia, destesta
Ora pra esquecer-se de mim
Ora, diz-me não presta!
Ora, que quer então de mim?
E qualquer lugar é um bom lugar
Existe disposição e ânimos comuns
O espião secreto é o luar
A desvendar nossos corpos nus.
Somos cúmplices leais, criminosos
No nosso afã desvairado, secreto
Planos pecaminosos
Executar sempre muito discreto.
Muitos nos julgam, vis
Ela louca, ele insano, ardiloso
Nossos atos sempre muito sutis
Mas o resultado para nós vantajoso.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Imutável

Sem um pesar para trás
A paz transborda de forma suave
A alegria é a gente que faz
E a minha voa como uma ave.
O ano vem com conquistas reais
O dia começa reluzente infinito
Os dias há tempos não são iguais
Os dias há tempos me nascem bonitos.
Sinto a alma inundada por cachoeiras renovadoras
Nada mais muda o imutável de mim
Estou consciente das alegrias vindouras
Feliz do que fiz e sou bem assim.
Não é nem o início do que me propus a ser
Totalmente satisfeito com minha biografia
Feliz por saber o que é vencer
Mais feliz por não viver em apatia.
Mil conquistas, amores, batalhas
As mãos firmes para dardos certeiros
Enquanto venço uns comem migalhas
Tenho a vida dos grandes guerreiros!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Minimalismos
Não precisa gastar vocabulário pra ficar à minha altura,
Não precisa revelar-te, mostrar descompostura,
Sei que sou combativo, entendo suas agruras
Mas saiba que é ilusão, mentira nua e crua.
Olha, intimidei-me tanto que até fui à sua cidade
O boi de segunda importância se incomoda ainda, verdade
Detentor do poder? Não sabia, agora o sei, rei, majestade
Prometo subjulgar-me e submeter-me à sua potestade.
Gastou um texto considerável com um rival já vencido?
Não entendo esse minimalismo, não sei como pode ser isso
Há tempos não ri desse jeito, há tempos, meu inimigo
Gostei, oh, bobo da corte! Adorei, oh ser submisso!
E uma coisa é certa isso ninguém discorda,
Ninguém tem só a cara, o jeito de ser idiota,
Um nerd como você, tapado como uma porta,
Não creio chegar mais longe que a segunda, mas a mim não importa.
Imagino como deve ser triste saber da minha armadura
Quero que use seus artifícios, use sua força, gordura
Já que és acostumado com as estantes mofadas e escuras
Já que no fundo sabes não ser o que ela procura.
Mas subestimei meus próprios talentos e conquistas e vivo
Vivo tanto que às vezes perigo
Espero que dure pra sempre meu "amigo"
Pra que sintas futuramente o inferno contigo.
Acho que tens o dom, tens o poder, é adivinho
Posso chegar a oficial, se esse for o caminho
Não tenho medo de nada, tampouco de ti, nem um pouquinho
Mas quanto a você tenho minhas dúvidas, nobre proletário boizinho.
Sinto alegria ao acordar a cada dia
Pois vejo ataques como razões de só ser mais eu
Sinto alegria ao conquistar o que eu bem queria
E goze o presente usado que o amigo um dia te deu.
Não precisa revelar-te, mostrar descompostura,
Sei que sou combativo, entendo suas agruras
Mas saiba que é ilusão, mentira nua e crua.
Olha, intimidei-me tanto que até fui à sua cidade
O boi de segunda importância se incomoda ainda, verdade
Detentor do poder? Não sabia, agora o sei, rei, majestade
Prometo subjulgar-me e submeter-me à sua potestade.
Gastou um texto considerável com um rival já vencido?
Não entendo esse minimalismo, não sei como pode ser isso
Há tempos não ri desse jeito, há tempos, meu inimigo
Gostei, oh, bobo da corte! Adorei, oh ser submisso!
E uma coisa é certa isso ninguém discorda,
Ninguém tem só a cara, o jeito de ser idiota,
Um nerd como você, tapado como uma porta,
Não creio chegar mais longe que a segunda, mas a mim não importa.
Imagino como deve ser triste saber da minha armadura
Quero que use seus artifícios, use sua força, gordura
Já que és acostumado com as estantes mofadas e escuras
Já que no fundo sabes não ser o que ela procura.
Mas subestimei meus próprios talentos e conquistas e vivo
Vivo tanto que às vezes perigo
Espero que dure pra sempre meu "amigo"
Pra que sintas futuramente o inferno contigo.
Acho que tens o dom, tens o poder, é adivinho
Posso chegar a oficial, se esse for o caminho
Não tenho medo de nada, tampouco de ti, nem um pouquinho
Mas quanto a você tenho minhas dúvidas, nobre proletário boizinho.
Sinto alegria ao acordar a cada dia
Pois vejo ataques como razões de só ser mais eu
Sinto alegria ao conquistar o que eu bem queria
E goze o presente usado que o amigo um dia te deu.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Ave da Mente

Quando olhas para mim vê uma figura deprimente?
Solta gritos por aí que sou um fraco, inconsequente?
Mas acredite que sou mais que uma postura surpreendente
Sou aquilo que procuras de uma forma complacente.
Viajo dia e noite nas loucuras mais dementes
As pessoas mais sadias são aquelas tidas doentes
Sigo a trilha da vida e a persigo avidamente
Pra fazer voar de repente e cantar a ave da mente.
Consigo tudo que quero e o faço arduamente
Habito seu pensamento, resido sua alma, sua mente
Revisitei nossos lugares, passado, futuro e presente
Hoje controlo minha calma, pois tenho vitórias à frente.
Assumi meu posto e não vi empecilhos na minha frente
Achei que haveria barreiras que quebraria com minha torrente
Achei que seria mais firme, mais viva, combativa, mais quente
Nem ao menos prendeu em correntes a ave da minha mente.
Você já me sabia astuto e inteligente
Conseguia o que não podia resoluto e intransigente
Fiz por merecer e o fiz avidamente
Mas acho que não conhecia, apresento-te a ave da mente.
Saiba que o ser combativo e bélico é inerente
Perguntei-te mil e cem vezes mesmo assim você não entende
Se achavas que um dia seria só calmaria, condescendente
Perdeu o fio da meada, perdeu-se avidamente.
E jamais quis seu presente, processos, papéis. Deprimente.
Não entendo seu riso forçado, viveria amargamente
Sou mais que um dia trancado, sou o pôr do sol, se me entende
Jamais sentirás o que sinto pois não tens uma ávida mente.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Rotundo...
Tela: O nascimento do mundo - Salvador Dali - 1943

Às vezes sou complacente
Às vezes condescendente
Às vezes um cara decente
Mas só às vezes, entende?
Um dia implico com o mundo
Um dia de ser vagabundo
Um dia de ir lá no fundo
Um dia dou a volta por tudo.
E quase insano e vilão
E quase quebrei o violão
E quase voei de avião
E quase ganhei um coração.
Às vezes ganho a partida
Às vezes choro a partida
Às vezes a vida é partida
Às vezes a vida não é vida.
A vida é uma corrida intransigente
A vida é uma partida indecente
A vida é entupida de gente
A vida é insana e demente.
Lúgubre e lamaçal
Fúnebre e nada mal
Profundo e tudo igual
Rotundo e mal e mal...

Às vezes sou complacente
Às vezes condescendente
Às vezes um cara decente
Mas só às vezes, entende?
Um dia implico com o mundo
Um dia de ser vagabundo
Um dia de ir lá no fundo
Um dia dou a volta por tudo.
E quase insano e vilão
E quase quebrei o violão
E quase voei de avião
E quase ganhei um coração.
Às vezes ganho a partida
Às vezes choro a partida
Às vezes a vida é partida
Às vezes a vida não é vida.
A vida é uma corrida intransigente
A vida é uma partida indecente
A vida é entupida de gente
A vida é insana e demente.
Lúgubre e lamaçal
Fúnebre e nada mal
Profundo e tudo igual
Rotundo e mal e mal...
domingo, 6 de dezembro de 2009
Constatações
O que houve amigo?
Onde está a soberba em mostrar-me seu retorno triunfante?
Parece que perdeu-se no caminho
Outra vez a mesquinharia, o vínculo, amante?
Parece que temos mais em comum que pensamos
Perdemos o que não tínhamos e erramos
Corremos, esperamos e alcançamos
Mais virá que não sabe sem engano.
É o preço de se tentar tirar da cabeça o que não sai do coração
Os tempos mudam, as venturas são outras
O outrora é por fora, conheça novas garotas!
Mas parece em vão...
Parece em vão.
E tudo vejo que constatações numa tarde fosca
Acha que me entristeço ao ver suas imagens felizes, belas?
Melhor é vê-la mesmo contigo pois felicito-me da sáude dela
Ver sua pele, seu sorriso, sua alegria tosca.
O que houve amigo?
Parou de exibir seu falso status, seu enlace bobo?
Até admiro sua vitória calcada em minha burrice, meu estardalhaço...
Mas parece um jogo, apesar de vitoriosos ficamos aqui com cara de palhaço.
Que pele tem ela né?
Engendrou uma trama ou te jogou da teia por não tratá-la como uma "dama"?
Siga com fé...
Apesar que esperanças nunca são muitas pra quem esperou e viveu tanto drama.
Onde está a soberba em mostrar-me seu retorno triunfante?
Parece que perdeu-se no caminho
Outra vez a mesquinharia, o vínculo, amante?
Parece que temos mais em comum que pensamos
Perdemos o que não tínhamos e erramos
Corremos, esperamos e alcançamos
Mais virá que não sabe sem engano.
É o preço de se tentar tirar da cabeça o que não sai do coração
Os tempos mudam, as venturas são outras
O outrora é por fora, conheça novas garotas!
Mas parece em vão...
Parece em vão.
E tudo vejo que constatações numa tarde fosca
Acha que me entristeço ao ver suas imagens felizes, belas?
Melhor é vê-la mesmo contigo pois felicito-me da sáude dela
Ver sua pele, seu sorriso, sua alegria tosca.
O que houve amigo?
Parou de exibir seu falso status, seu enlace bobo?
Até admiro sua vitória calcada em minha burrice, meu estardalhaço...
Mas parece um jogo, apesar de vitoriosos ficamos aqui com cara de palhaço.
Que pele tem ela né?
Engendrou uma trama ou te jogou da teia por não tratá-la como uma "dama"?
Siga com fé...
Apesar que esperanças nunca são muitas pra quem esperou e viveu tanto drama.
sábado, 28 de novembro de 2009
A Fonte (Metade de Mim)

O amor é clichê
Quem pintou os lábios teus?
Quem desenhou as tuas curvas?
Será obra de algum Deus?
Como são quentes suas coxas
Que me envolvem em noites frias
E são decentes essas moças
Na minha mente fantasias.
Sei do amor suave e intempestivo
Por isso vivo tenro e inflamado
Se penso em ti sinto lascivo
Se vivo em ti sei que amado.
Quero habitar a sua boca
Residir na sua carne
Desvendar a pele louca
Roubar-te até mais tarde.
Alimentar-te, seduzir
Engravidar-te de desejos
Sublimar, abduzir
Suforcar-te nos meus beijos.
Venha à minha fonte e beba
Sacie a vontade enfim
Peça, implore e receba
Quem sabe a metade de mim.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Agruras

O que foi feito das reminiscências?
Agora só restam excrescências
Todos já sabem nas adjacências
De todas as suas incongruências.
Lamentável, ponto final.
Segue-se sem reticências
Mas reticente afinal.
Adiantou toda mácula dirigida?
Que virtude logrou de fato?
Teve êxito no intento fraco?
Agora fica aí corrompida...
Órfã da bondade irmã,
Sem julgo, sem crime, nada.
Desejo de uma dor pagã;
Sem rumo, sem tino, estrada.
Fim das lamúrias de outrora e venturas
Finalizo aqui sem consciência de ti
Sorri ao me aperceber das agruras
E só agora finalmente me vi.
Aos arredores percorre
No meu encalço, desatinada
Por pormenores já morre
Mas não adianta de nada.
Cavou fundo seu poço, imatura,
Talvez a procura de água;
Seu esforço se tornou sepultura
Meu amor por ti virou mágoa.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Carta de Amor (...)

Os olhos distantes e intensos,
O aspecto infante de antes,
Os momentos parecem tão tensos,
O peito em chamas, arfante.
Vejo desejo nos olhos seus,
Um porto seguro na sua inconstância,
Você é perfeita, um presente de Deus,
Um brinde a doçura, ao amor, à infância.
Uma pureza que fiz votos de abolir,
Mesmo assim fico perdido se a encontro,
Um fascínio que me dá ao ver sorrir,
E ao lembrar da sua beleza fico tonto.
Mais feliz é saber do seu amor,
E quando diz que ainda me ama e quer amar,
E sem dormir enche meu peito de um calor,
E fico a noite toda em claro a delirar.
E quem viveu um amor que nos vivemos
Sabe bem o que é viver em sonhos lindos,
E se promessas um ao outro nós fizemos
Agora resta finalmente nos cumprirmos.
Viajo nos seus olhos, seus cabelos
Da sua pele, a maciez, uma delícia,
Seus encantos sei que em breve posso tê-los
Enfim te dar o meu amor, a ti, Patrícia.
Esse poema é dedicado ao seu sorriso,
É uma canção a sua beleza, sua ternura,
Pra que saibas o quanto amo e te preciso,
É uma carta de amor sincera e pura.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Expectativas distantes

Às vezes me detenho
Em expectativas distantes
Num promissor presente
Em algo como antes.
Vivenciar algo novo
Com pessoas do passado
Mas eu vejo é só um jogo
Um mosaico ultrapassado.
Tem rostos que não vejo
Desde quinze ou treze anos
Que sabores tem os beijos?
Quando foi que nos falamos?
E mesmo que já saiba
Que quero alguém pra mim
Talvez já não mais caiba
O amor que sinto enfim.
Sinto tanto amor no peito
São tantas elas e caminhos
Minha vida é desse jeito
Muitas flores muito espinho.
Um dia em minha vida decerto
E entenderia meu desatino
Sentiria no peito um deserto
Sentiria enfim o que sinto.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Vivacidade

Com as energias recarregadas
Não quero nada que venha de graça
Não quero nada que eu não conquistara
Sou o cara mais feliz da praça.
Um sorriso aberto de fotografia
Ela me dizia "dá um sorrisão!"
Havia tempos que eu já não sorria
"Ah, vida boa, mundão!"
E por mais que eu pulasse as etapas
Tem gosto melhor que a vitória tardia?
Dar cara ao embate dar cara aos tapas
Agora a luz em minha face irradia.
Eita amorzão que trago no peito
Uma paixão desenfreada pela vida sem freio
Mesmo mudado mas do mesmo jeito
O coração inundado e de amor todo cheio.
Sente a vivacidade em meu sorriso, meu rosto?
Trago o velho sorrisão armado e real
Acabaram-se as rusgas, o mal e o desgosto
Agora só resta o que vir afinal.
Pronto pra amores, sem dor, nem revolta
Sinto o calor do afeto e desejo
Sinto amores explodindo a minha volta
Antes não via mas agora já vejo.
Estou andando só mas comigo mesmo
Escolhendo como outrora quem segue meus passos
Continuo colhendo flores a esmo
Mas agora não deixo mas saberem o que faço.
Sinto-me vivo e vivo a cantar
Espalhando vivacidade por todo a parte
Prossigo andando e não me fazem parar
Com um sorriso estampado no rosto de tarde.
No auge de mim mesmo e vou mais além
Caminhando sempre com a alegria notória
Essa mesmo eu que não precisa de alguém
Pois sozinho comigo vou de encontro à vitória.
Mil perdões

O tempo vem como bom amigo
Hoje nada posso dizer-lhe que mil perdões
Aprendi sim muito contigo
De nada vale o jogo e vivendo vi mil lições.
Revejo hoje sorrisos sinceros
Estampados em fotografias digitalizadas
Relembro momentos eternos
Em algum lugar da memória datas gravadas.
Não posso reviver e creia fico feliz
Os dias melhores mesmo que antagônimos vieram
Não tem como se viver por um triz
E os sentimentos em suma não morrem
Esperam.
Quero que vivas mil venturas
Com quem quer que seja em qualquer lugar
Mesmo que a minha alma sempre à sua procura
Mesmo que a minha alma viva sempre a rodar.
Perdoe-me os desatinos e a desatenção
Perdoar não enseja um recomeço o amor
Só livre-me da detenção
Que causei a minha alma com tanto desamor.
Desculpe-me a dor e o flagelo tão intenso
Que causei à tua pele que eu tanto amei
Sei que o estrago que fiz foi imenso
Mas um dia ao matar nosso amor me matei.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A rua não é um bom lugar

Preciso um novo porto seguro
Até porque você não é o que procuro
Os momentos com você são doentes, doentios
E os caminhos que fazemos são oblíquos, obscuros.
E definitivamente a rua não é um bom lugar
E o amor que tem na mente logo vai se dissipar
E o ardor que tem na carne é como brasa a se acabar
Mas as cinzas que sobraram ainda queimam sem parar.
Os ventos sopram suaves mas os ares são estranhos
Faz anos que venho tentando mas o outro está ganhando
Um carro desgovernado por pouco não acerta meus planos
E o tempo mal acabado mostrando-se cruel e vilão.
Cansado de palavras nefastas e aturdidas e massantes
Os problemas passageiros as nostalgias são passantes
À mercê de corações alheios à mercê de uns bons calmantes
Essa é a vida de nós humanos transeuntes, incautos, infantes.
Na beira da estrada, uns com namoradas, ficantes
Na margem, na calçada, nós vagabundos e amantes
Uma fuga tresloucada na madrugada e em instantes
Um carro desgovernado amassado pelos corpos de antes.
Tiram cacos de vidro da boca da menina arrumadinha
Respiração boca a boca tirando sangue à reviria
Os cortes à mostra nos rostos da juventude insandecida
Mal sabiam o que viria, quem sabia o que viria?
Nem testemunha, nem nada, nem lua cheia, tumulto
Nem alma viva, fantasma, só correria e insulto
Por uma unha não estava estirado na rua de bruços
Com os cacos de vidro e estilhaços de carro, de gente, de tudo.
sábado, 14 de novembro de 2009
Mais uma noite em que a levo pra casa

Mais uma noite em que a levo pra casa,
No caminho conversas pausadas,
Fico sem graça, faltam palavras,
Sobra silêncio, faltam risadas.
Gosto de rir da sua fala engraçada,
Mas meu desejo era estar bem mais perto,
E bem mais longe desta calçada,
Com você um dia, decerto...
Consiga falar-te, inquietar-te na cama,
Quebrar todos os seus preconceitos,
Acabar de vez com meu drama,
Entender seu modo, seu rosto, trejeitos.
Mais uma noite em que a levo pra casa,
Sem carro, sem muita coisa a dizer,
Apesar de sentir o peito em brasa,
Sinto agonia, paixão e amor por você.
Mas de qualquer forma fi-la parar,
Para não deixar nenhum mal-entendido,
Não quero que saibas assim pelo ar,
De um amor platônico correspondido.
Quero que durmas suavemente
Com minhas palavras invadindo seus sonhos,
Meu rosto completando sua mente,
Mas infelizmente só sonhos.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Imperfeições

Não sou perfeito
Talvez um defeito que muitos queiram ser
Não sou um sujeito
Mas estou sujeito aos seus trejeitos que insiste em ter.
Não fui eleito
Nem homem feito pra ser do jeito que quer que eu seja
Mas tá desfeito todo encanto que um dia atribuí a ti, sua beleza.
Guardei suas afeições em odres de perfume e todas as suas imperfeições
Vibrei de emoções
E restaurei o que havia de podre e negrume nos dois corações.
Ganharia mil almas
Se restaurasse de todo os complexos, a vida, os sonhos e a calma
Uma salva de palmas
Se lavasse seus pés e regasse de flores, refrigerasse sua alma.
Mas já foi superado
O novo é sempre torpe e o que lhe trago é muito vago
Todo o resto é ultrapassado
Sei que tens um novo e meu lugar hoje é a gaveta lá do passado.
Sem conjeturações
Pois minha aparência é a de espectros noturnos e nauseabundos
Cem especulações
Do que é decadência, e aspectos soturnos que assombram seus mundos.
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