segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os lábios são sábios


Incita-me à contenda
Cicia-me desejos burlescos
Mostre-me a recompensa
Que realizo seus pensamentos

Dê-me o sabor latente
Que sirvo-te da melhor vivenda
Sabes ainda lactente
Sei que não és fazenda

Desvele-me como beata
Revele-se como queira
Mostre-me a maçã intacta
Que sugo-lhe até a seiva

Sinta o amor pulsante
A paranóia, o frenesi
Promovo-lhe uma dor pungente
Que nem mesmo algum dia senti

Descubra a protuberância maior
Cálice dos meus desejos, rotundo
Uma sobremesa após o jantar
Ágape dos deuses do mundo

E agora estamos deitados
Apartados e unidos no mesmo afã
Cada um para o seu lado
Lados contrários, mas causa irmã

O deleite é alvo e pinta os lábios
Os lábios são sábios e o sabem sadios
Os ânimos aquecem, minutos mágicos
O sangue efervesce e recomeça o delírio

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Aroma


É um aroma de aventura
Olente como certos fluidos
Não como esses que por aí se apura
Mas de uns que vem seguidos de risos

É um torpor de torcer sentidos
É um odor que me agrada infante
Uma alegria que extrai gemidos
Uma sensação de prazer constante

Impulsiona e pula aqui no meu peito
Com seu sorriso pueril me enlaça
Nas adversidades dá-se um jeito
E como ela não há quem faça

Se suamos é de peripécia
Se amamos é da cabeça aos pés
Se jogamos? Sim só jogamos
Mas nosso jogo é bem mais que dez

Tão leve que adorno em uma mão
Capaz de todas as ilicitudes pra sua idade
Tão breve mas não em vão
Capaz de todas as virtudes que aqui se sabe

Não sei se sabe que tem o aroma das aventuras
Só sei que sabe que não apostei quando devia
Não sei se sabe como adorei as nossas loucuras
Só sei que não cabe mais em seus olhos o que antes via.

O ontem, o hoje...



Tão calmo quanto um cemitério
Tão estável quanto posso...
O tempo é deletério
O tempo é amigo nosso

O ontem na tumba
O hoje é a vida
Ainda não assombra
A vinda da ida

Menos fracasso que antes
Instável feito terremoto
Já não é como era antes
Mas não me importo

Não sou inerte ao fator do tempo
Nem tento mais ou menos que antes
Não sei a quanto está o motor do tempo
Nem sei agora o que virá adiante

Às vezes, alheio, de soslaio olho
As águas passadas do meu barco a vela
Digo não posso, mas enfim me molho
Pois as venturas se fizeram belas

O ontem não vive
O retrovisor
O hoje é quem vive
Mas se bem que retrô.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Uma nova gente, um novo dia...


Nada como um dia novo
Nada como uma pá de terra
Nada como um dia o novo
Nada como uma nova era

E um balde de água fria
E um sol bem quente
E um novo dia
E uma nova gente

Quebrar a cara
Murro em ponta de faca
Entortar a vara
Muros com pontas de facas

Ilusões debalde
Um balde de água fria
Uma nova gente
E um novo dia

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

LHC - The End Of Times


A máquina do fim do mundo já está ligada
Pode causar tumulto
Como pode causar nada

Não estou aflito com a novidade
Continuo aqui com meus livros
E ansiedade

Disseram que não é como ligar
A batedeira na tomada
É a maior máquina que existe
A maior máquina pra nada

Como se deu o Big Bang?
É o que queremos saber
Criaremos o nosso também
Estaremos lá para ver?

Agora sim vão dizer que enlouqueci
Que virei um fundamentalista
Ou então que me converti
A algo não provado que exista

Mas tudo bem sou acostumado com isso
Continuo na minha batalha
Julgado, mas não por omisso
Maluco ou coisa que o valha

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Provas de Amor


É fácil exigir provas de amor,
Difícil é se submeter...
É fácil trocar momentos de dor,
Difícil é se comprometer...

É fácil tirar a roupa,
Difícil é tirar a máscara...
É fácil viver uma vida outra,
Difícil é mostrar a cara...

A felicidade não está nos dias atípicos...
Nem na fugacidade da saudade...
A verdade encontra-se nos momentos críticos...
Aí se encontra a verdade.

Se quiser fazer algo de má vontade, não faça.
Se quer viver algo pela metade, não viva.
Se quer algo de qualidade, então faça.
Se quiser me contar a verdade, me liga.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Antecipação


Há que extravasar
Senão estoura
Não é nada demais
Você que exagera

As preocupações
As aflições
As boas lições
As perturbações

Tudo na mesma panela
Entupido até a tampa
Nem vai à fresca janela
Já nem janta

O exemplo
O momento
O tormento
O intento

E virá
Você que nem sabe
Talvez que nem leu
E talvez nunca o saiba

terça-feira, 2 de setembro de 2008

No Meio de Um Coração

(Dedicado a R. S. O. G.)

Escreveu o meu nome no meio de um coração
Irá se apagar, logo vai se apagar...
O vento sopra, o vento é vilão,
Escreveu o meu nome na beira do mar...

Escreveu o meu nome na areia da praia,
Escreveu o meu nome na caneta do dedo,
Escreveu o meu nome porque vai se apagar,
Escreveu o meu nome porque não tinha medo.

Tinha solidão, mas companhia do mar,
Fazia tempo que assim se sentia,
O vento, vilão, a cantar, a cantar,
Por isso escreveu-me na beira mar.

Deixou-se sozinha um minuto a pensar,
Enquanto isso, a maresia;
Escreveu o meu nome, sem ver, nem pensar,
Escreveu o meu nome porque a mim só sentia.

Deixou-me sozinho, quer dizer, o meu nome,
E logo após isso, pôs-se a caminhar,
Na areia da praia tudo se consome,
por isso escreveu-me na areia do mar.

sábado, 30 de agosto de 2008

Essa noite


Essa noite fiquei no meio da rua
Olhando para o céu, pra ver se era abduzido;
Essa noite mergulhei num copo d'água
Porque as outras águas já não tem me seduzido

Essa noite sentei-me na calçada
Como senta um engraxate ou como senta um bom mendigo;
Essa noite senti o vento, o nada
Batendo na minha cara sem violência e sem perigo

Essa noite era eu as folhas secas, rodopiando com o vento
Esse vento de setembro,
Mesmo assim não me contento, muito menos me lamento,
É agosto, sim, me lembro

A dor bate pungente, mesmo assim a festa adentro,
Mesmo assim o peito queima;
O amor bate na gente, uma dor que vai lá dentro,
Um amor que tosco, teima.

Essa noite não quero dormir, mesmo assim há o cansaço,
Mesmo assim existe o sofrer;
Sei que não vão me abduzir, pois não se interessam pelo que faço,
Assim como você

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A Devassidão

(Letra/ Música: Alessandro Vargas)

Dedicado a Michael Herbert


Se não há remédio pra sua dor
arrume outro amor
Se em sua vida só há problemas,
finja que não há

Se ela ligar no meio da noite
não atenda o telefone;
Se ela falar que lembra de ti,
você diz que nem lembra o seu nome

Para evitar de se lembrar das noites perdidas, da dor de cabeça
que ela um dia tanto lhe causou...

"Diga que vai viajar,
Diga que nunca mais vai voltar,
Diga que arrumou um emprego
E que agora sim, está tudo bem..."

Se ela falar de amizade, você não fale não,
Se ela falar sobre amor de verdade, você fale em traição...

Pois como pode tanta beleza desprezar romance e pureza e só pensar...
... Em devassidão...

"Diga que vai viajar,
Diga que nunca mais vai voltar,
Diga que arrumou um emprego
Que agora sim, está tudo bem...

Diga que vai viajar,
Diga que nunca mais vai voltar,
Diga que arrumou um emprego
E que agora sim, está tudo bem..."

A verdade e o desejo


Há que bebê-la
Mas não só com o intuito de saciar-se
Há que sorvê-la
Sem preocupar de embriagar-se

O desejo não se oculta
A verdade não se omite
A verdade é nua e crua
Senão ela não existe

A satisfação não se disfarça
Ela vem em forma de fluidos
Ela escorre desvairada
Ela vem com seus distúrbios

Repare bem nos traços
Repare o frêmito grave
Segure-a bem nos braços
Apalpe-a bem suave

Libere a válvula de escape
Senão um dia desaba
Agarre-a antes que escape
E agora senão se acaba

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Atravessar o Mar Vermelho


Amo-te mesmo quando não posso
Amo-te mesmo quando não podes
Atravessamos o mar vermelho
Por um contato mais próximo

És a minha presa indefesa
Receba a reprimenda que trago
Fé na minha fortaleza
A fumaça de ti toda trago

Sacrifico-a em prol do desejo
E pode haver de ter sangue
Sou seu mau benfazejo
Sou seu sacrificante
Atravessamos o mar vermelho
Por um desejo maior, esgarçante

Recebe o afeto de que falo
Receba-o com agrado
Escorre pela boca o mel de fato
O leite alvo sagrado

Abro-te mesmo em meio a óbices
Abro-te mesmo com muitos esforços
Amo-te sempre que posso
Ama-me sempre que podes

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Preço da Inocência

(Letra/ música: Alessandro Vargas)

Quem diria que seus olhos diziam mais que eu via,
Quem diria que seus lábios desejavam aquilo que eu tanto queria,
Mas há um abismo entre nós dois que se chama amizade
E amizade é o preço da convivência...

Mas o preço da inocência é o silêncio
E o silêncio só aumenta esse desejo,
E com seus beijos eu sonho a cada dia
E quando abro os meus olhos eu não a vejo

Entretanto, há uma ponte depois do abismo,
Mas o tempo é o contratempo do meu cinismo, do meu cinismo...
Esse mesmo que deixa-me insistir em coisas vis,
Mas agora o amor que sinto é verdadeiro...

Mas o preço da inocência é o silêncio
E o silêncio só aumenta esse desejo,
E com seus beijos eu sonho a cada dia
E quando abro os meus olhos eu não a vejo...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cansaço


O coração partido
Como se houvesse sentido pra isso
O chão perdido
Como se nada fizesse sentido.

Um choro preso
Um sonho de lágrimas que precisam sair
Um ser indefeso
Um alguém que tem medo de que possa cair.

É tão duro sentir-se assim
Obrigado a ser duro para tentar viver
Uma tristeza sem fim
Obrigado ao menos por tentar compreender.

Um cara dividida
Em uma, duas ou três inconstâncias
Uma vida iludida
Uma preocupação absurda com as circunstâncias.

Ainda nada posso fazer
Embriagado, trôpego de medo
Andando sob meus percalços
Atropelando todos os meus desejos.

Mesmo assim existem caminhos
Qual será o segredo?
Estou só, mesmo não, mas sozinho
Quem me libertará desse medo?

Anseio um calor, um abraço
Anseio uma mão pra me acolher
É muita loucura, cansaço
Às vezes até de viver.

sábado, 16 de agosto de 2008

O Concerto do Mundo


Uma bela ventura
Uma garrafa de cerveja para o sol escaldante
Uma bela aventura
A dignidade é poder comprar uma cerveja contra o sol escaldante.

As pequenas coisas valem muito
Mesmo que pareça que outras coisas valham mais
Na verdade não sinto muito
A verdade não aparece mais...

O que aparece de quando em vez é o desassossego;
O que aparece não é tão visível;
O que aparece é sempre o mesmo;
O que aparece é tão ridículo.

Tudo é tão volúvel...
Ora pútrido, ora inodoro;
Nada que saudável.
Nada que adoro.

Decerto o mundo tem conserto.
Mesmo com tantos defeitos.
Mesmo como um concerto desafinado.
Mesmo com tantos erros.

Uma bela vida.
Uma bela garrafa de cerveja na esquina.
Uma bela vista...
Uma bela vista daqui de cima.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Não há nada na minha mão


Não há nada na minha mão que eu não controle,
Não há nada na minha mão que eu não contorne,
Não há nada na minha mão que eu não sufoque,
Não há nada na minha mão que eu não retoque.

Há bem mais na minha mão do que a sorte,
Há bem mais na minha mão do que a vida,
Há bem mais na minha mão do que a morte,
Há bem mais na minha mão que ferida.

Não há nada na minha mão,
Não há nada na minha cabeça,
Não há nada, não é nada não,
Não é nada que me enlouqueça.

Não há nada na minha mão que não sonhos,
Não há nada além de ilusão aquilo que somos,
Não há nada além da visão que capturemos,
Não há nada na minha mão que antes não vimos.

Antes em minhas mãos havia mãos dadas,
Antes, nas minhas mãos haviam abraços,
Ante à minhas mãos existe trabalho,
Antes houvesse aquilo que já não é nada.

As minhas mãos já sentiram a pele sua,
As minhas mãos já seguraram tantos percalços,
As minhas mãos já aqueceram no inverno as suas,
As minhas mãos já aprenderam o que gosto e faço.

Não há nada na minha mão que outrora houvesse,
Não há nada na minha mão que eu não precisasse,
Não há nada na minha mão que eu não fizesse,
Não há nada na minha mão que eu não amasse.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sensinstabilidade


Uma sensibilidade quase que anormal
Uma instabilidade emocional
Os dias andam tão secos...
E coisa e tal

As paredes reverberam ecos
...E nada sabemos
Ou quase sabemos
Mas nada fazemos
Até por que não podemos...

Hoje o dia vai normal
Mas a gente não
Uma instabilidade anormal
Pense bem

Nada reluz
O que reluz não é nada
Nada produz
Nem ouro, nem prata
O dia sem luz
Mas não é nada

Quero encerrar por aqui
Estou sem assunto
Não sei o que senti
Me pergunto

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Velhos invernos e dias de diamantes


Quanta falta faz a conversa vaga, a certeza do nada, a poeira da estrada, a monotonia.
Quero o tempo parado, a volta ao passado, num presente esperado de noite ou de dia.

Nem sonhos, nem nada, só uma tarde azulada, uma noite encantada, minutos eternos,
Deixo a dor abandonada no vento que me leva sozinho, mais nada, para velhos invernos.

Quero ouvir minha alma e violão, com calma, com coração,
Ouvir toda a gente cantando sonhos,
Espero tocar a toada da vida para que esta seja restituída e não haja mais dias estranhos.

Amigos estão distantes, mas ainda é como antes, dias de diamantes e a vida colorida,
Só o tempo é contratempo, arrasta-se lento e lento vai adiando a minha ida.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Um Túnel



Entrar no túnel
É fácil demais
Engendrar loucuras
Jamais, jamais...

Um sonâmbulo perene
E fuga vã
Com torpor que assombra
A loucura irmã...

Um corpo, um túnel
Quero voltar
Não há retorno
Será que há?

Tão fácil quando dormir
E não consigo
Vejo seu corpo o tempo todo
Perigo

Na batida da festa
Muitos rostos
Não o seu
Desgosto

Ritmo
Frenético
Crítico
Sexo

Audaz
Intenso
Voraz
Tão denso

Uma nuvem em minha cabeça
Uma névoa nas ruas
Uma loucura a explodir
Em cada ausência sua

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ótimo e próximo


É tão ótimo!
Teve lua linda
Tinha violão
Ainda tinha...

Teve banho de rio
Teve comer bastante
Teve dormir no banco
Por alguns instantes...

Teve amigos ótimos
Sempre tem!
Teve neuroses passageiras
Ainda bem!

E fogueira constante
Sem queimar o pavio
Como tripulantes
De um invisível navio

E tão duradouro
O sol escaldante
Pôr-do-sol de ouro
Delirante!

É tão ótimo!
Teve lua linda...
É tão próximo!
É mais ainda...

terça-feira, 22 de julho de 2008

O Cordeiro



A ovelha fofinha
Desgarrada, berrando
A centelha divina
O pastor vem chegando...

O cordeiro alvo e medroso
O cordeiro amarrado
O lobo quer pêlo todo
O lobo quer almofada...

A ovelha é pega nos braços
O pastor vai levando
Ainda olha pros lados
O temor vai passando...

Tem medo dos lobos...
Mas o arqueiro vem vindo...
O cordeiro medroso...
O cordeiro sozinho...

Não queria sujar o lago
Em que o lobo bebia
Queria só um gole
De água bem fria

Nao tinha irmãos, nem companhia
Nem falaria mal de quem é mais forte
Mas para um lobo não existem desculpas vazias
Ao cordeiro restava esperar sua morte.



[Baseado na Fábula de La Fontaine "O Cordeiro e o Lobo"]

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Missão Demente


Estou pronto.
Finquei pé no chão.
Adliguei-me a mim mesmo.
Sem digressão.

Ganhei os pontos.
Sobrevivi à gestação.
A espera é sempre árdua.
Mas não é em vão.

Dizem-me oportunista.
Mas só estou lá.
Podem imitar-me.
Não é tão bom.

Corri no encalço.
Desatinado.
Ferido e descalço.
Desolado.

Na escuridão.
Não estava em mim mesmo.
Mas em companhia.
A alma sem medo.
Jazia.

Bebida quente.
Pra subir pra cabeça.
Para aliviar.
Pra que não enlouqueça.

Empreendi Fuga.
Não queria outras bocas.
Em meio aos carros.
Sou só um corpo.

Na rodovia.
desnorteado e a pé.
Em busca desatada.
Desatada fé.

Com um corvo negro.
Sobre os fios de cobre.
Com as asas molhadas.
Sob a noite fria.

Sonâmbulo vivo.
Um só segundo.
Mundo soturno.
Um morto vivo.

Hoje sei.
Coração doente.
Psicológico destroçado.
Missão demente.

domingo, 20 de julho de 2008

A Cura


A quero para curar-me... Se ela me amasse
Se de fato houvesse razão para o alarme
Se não fosse tarde

Em meio ao alarde ela me cura
Daquela sensação de que ninguém me procura
À tarde fico em meu quarto
De noite às escuras.

Do outro lado do abismo invisível ela me escuta
Do meu lado não sei que “raios” me perturbam
Do seu lado seria mais árdua a minha luta
Isolado não sei até onde esses sonhos chegam.

Queria-te, dona da cura
Dos problemas cardíacos que você causou
Ser-me-ia dona da lua
Onde homem jamais pisou.

A cura que você me afere
Vem dos seus lábios de beijos desconhecidos
Do seu olhar que ao me olhar me fere
Do seu corpo envolto em tecidos.

A quero para curar-me
Se ela viesse
Se de fato houvesse razão para o amor que por ela só cresce

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Um Desejo de Fé


Te tenho um desejo de fé
Pode crer, creia já
Um desejo que não será
Um desejo que sim já é

Te tenho nas mãos borboleta
De tão frágil e prematura
E tão verde de não madura
Te tenho até obsoleta

Promovo-lhe um olhar pesado
Pra desejares mais que tudo
Pra sentires um amor rotundo
Pra sentires o amor roubado

Assinta com meus planos
Assim desse modo imoral
Assassine toda a moral
Assine por baixo do pano

Te tenho um desejo de fé
Mas não posso consumar
Nem tampouco te contar
E nem sei se você quer

A fuga amiga é
Te deixo de volta prometo
Te trago pra casa não minto
Pois te tenho um desejo de fé

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sensações


Um copinho de café pra aumentar a dopamina
Um momentinho só de fé pra aumentar minha auto-estima

Um pouquinho só de sexo pra aumentar a endorfina
Um poquinho aqui, sem nexo, só pra dar adrenalina

Entre um meio tempo e outro curta as sensações
Entregue-se de corpo todo a curtas sensações
Entre o tempo todo de corpo às sensações
Entregue seu corpo todo, curta essas sensações

Banhe-se de uma vez nas águas da insensatez
Banhe a sua tez mas faça-o de uma vez

Corra no encalço de aventuras violetas
Corra assim descalço pois venturas são violentas

Violentas e tão belas as venturas audazes
Violetas e bromélias e alegrias lilases

terça-feira, 8 de julho de 2008

Incensos


A noite clara e sopra um vento quente,
Balança as cortinas do quarto no alto,
Tem luz acesa, é sinal de gente,
E sinto sua vida daqui do asfalto.

No corpo um calor louco que desperta tudo,
Paixões, segredos, fantasias...
Um corpo esguio estremece no escuro,
E por baixo das sedas as mãos minhas.

As cortinas parecem querer voar além da janela,
De carona com a brisa no calor tão intenso,
A noite é tão longa, a noite é tão bela,
E as ruas vazias cheirando a incenso.

Se pudesse chamá-la queimaríamos como incensos,
Olentes, na noite quente e corpos esguios,
Suaríamos na cama e lençóis brancos e lenços
Amarrados na cama, nas janelas, ao vento.

Queria um só momento de impulso, de ímpeto, frêmito,
Sequioso dos seus lábios, levá-la para o meu templo,
Na floresta negra da vida levá-la até meu momento,
E chegarmos ao topo do amor, do torpor que é tão denso.

domingo, 6 de julho de 2008

Luxúria


Você é a luxúria que me sufoca
Você é um sufoco no céu da boca
Eu sou o imperador de suas costas
Eu te guio na dança louca

Eu a controlo pelos cabelos
Prefiro que você esteja em minha frente
Adoro a balbúrdia, os desmazelos
Prefiro assim mesmo, insano, demente

A tempestade no furacão
O sexo sem nexo, a paixão
A fúria lasciva, a opressão
Os corpos fazendo pressão

Não sinto nada que não o desatino
Não vejo nada que não o momento
Da sua boca só quero o absinto
Em sua boca só quero estar dentro

De joelhos pra mim, clemente
Descontrolada no afã, infante
Sorve o néctar da fonte à frente
Engole a essência de seu amante

Quero que proves do mel sagrado
Quero o cálice de teu sangue
Quero algo jamais provado
Mesmo que esse algo derrame

Vou desvendar cada curva tua
Destroçar todos os seus sentidos
Na noite turva, na rua, nua
Não conterá mais os seus gritos

Enfim chega o fim
Com torpor que assombra
Esperarei-te bem ali
Na próxima sombra

(***)

sábado, 5 de julho de 2008

Os bóias-frias da modernidade


Entre um expediente e outro
Entre a troca do terceiro trampo
Uma pausa para o almoço
Umas três e tanto

Uma digestão eficaz
Senão já era
Querer um minuto de paz?
Quimera

Um olhar de soslaio pro sol
Da janelinha do banheiro
Uma volta no meu quintal
De uns dois por três metros e meio

Acorda às quatro à força
Mas já não é pau-de-arara
Sobe no "rasga-roupa"
Pra ir pra batalha

Geralmente é rotina
De quando em quando um incidente
Às sete da matina
Só se for acidente

Sacia a sede de sangue
Dos transeuntes passantes
Parecem sanguessugas de mangue
Na lama, mas esgarçantes

Mas a gente merece lazer
A gente se diverte com tudo
A gente sabe que vai morrer
Mesmo assim não razão para o luto

Chega em casa, seu reduto de paz
Onde lá tem alguém que o espera
Se arma, se prepara, e refaz
Porque amanha é dia de guerra

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Sais de Lítio


Fico perdido e confuso
Num sobe e desce difícil
Preciso de um parafuso
Preciso de sais de lítio...

Navego pelo universo
Montado num lindo míssil
Acredito já estar bem perto
Da terra dos sais de lítio...

Caminharei satisfeito
Em meio aos cristais
Lá tudo é perfeito
E os caminhos de sais...

Já não sei escolher
Entre o bem e o mal
Mas só deve ser
A ausência de sal...

Confuso e estranho
Perdido e complexo
Sais de lítio no sangue
Excesso de sexo...

Esquizofrenia, comportamento
Nada está nítido
Meu Medicamento
Meus sais de lítio!

Abro os olhos pro mundo
De um azul bem atípico
Mesmo assim me pergunto:
_ E meus sais de lítio?

terça-feira, 1 de julho de 2008

O Caminheiro


O caminheiro vai contente com o seu cajado na mão;
Não, não é deficiente,
Mas faz parte da missão.

O caminheiro vai alegre e cantando quando pode,
Na estrada de poeira,
Mas poeira se sacode.

Ele leva uma mochila bem pesada nos trieiros,
Ele vai feliz da vida
Sem tristeza e sem dinheiro.

Pára pra comer e conversar com os caminheiros,
A lua é seu teto
E sua casa o mundo inteiro.

Não arruma namorada, até porque não sobra tempo,
É dificil uma amada
Que queira dormir ao relento.

Sabe que seu caminho é ora flores, ora espinhos,
Mesmo assim segue andando
Pois não gosta de desvios.

Gosta mesmo da vida, desatinos, destinos, percalços,
E não reclama das feridas
Que ostenta por pés descalços

O caminheiro vai sozinho, com seu cajado a cantar,
Segue por novos caminhos,
Não sabe onde vai chegar.

sábado, 28 de junho de 2008

A Corte


Sou plebeu.
Mas ainda sou eu.
Omito quem de fato sou.
Mas admito que ainda sou.

Vivo na corte.
Mas se se vive na corte podem haver cortes.
Viva a corte!
Se bem que se se vive na corte é questão de sorte.

Mas não sou o bobo.
Sou plebe, mas não acomodada.
Sou até louco.
Mas plebe não deslumbrada.

Essa ascensão não me agrada.
Prefiro meu posto.
Não admito usar essa farda.
Não coloco a tapa meu rosto.

O banquete está servido!
Caem migalhas de migalhas...
Mas me sirvo com os serviçais.
Não me agrado de palhaçadas.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Por que estilistas se vestem tão mal?



Detesto a rotina.
O que faço não muda o mundo.
Modelos, padrões, sabatina.
Sou vagabundo.

Formulários, mandados, intimações.
Todo mundo faz as mesmas coisas.
Até os crimes são iguais.
Por isso há razão de padrões.

E os padrões estão aí.
Hão de ser seguidos.
E os patrões estão aqui.
Periga sermos seguidos.

Manipula-nos tal qual onanistas.
Por hábito, sem ânimo, só gozo.
Por isso onanizo-me aqui.
Pois estou entediado e acho gostoso.

Felizes os perseguidos,
Porque herdarão a terra;
Em que terra seremos acolhidos?
E quem é que nos enterra?

Todos condicionados e mudos
E o ar condicionado
Todos acomodados e surdos
Todos calados

Detesto a monotonia.
O que faço não muda o mundo.
Mas não sei se isso queria.
E não sei se alguém mudaria.

Tem gente que acha que muda.
Mesmo que pela moda.
Tem gente que se acostuma.
Quem se importa?

sábado, 21 de junho de 2008

Avante!


Enfrente.
Em frente!
Enfrente de frente.
Diferente.

Avante!
Avance!
À frente.
Afronte!

De frente.
De fronte.
De costas.
Dê as costas.

Num átimo.
Que ótimo!
Até a proxima!
Até aproxima.

Sinta.
Não pense.
Não minta.
Indecente.

Transe.
Em transe.
No trânsito.
No trance.

Na pista.
Na batida.
Na levada.
Na saída.

No levante.
Se levante.
Não adianta.
Se adiante.

Não esmoreça.
Não amoleça.
Não endureça.
Nunca se esqueça.

Navegue.
Naufrague.
Namore.
No flagra.

Enfrente!
Avante!
Em frente!
Avance!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Dois mais dois é igual a dois


Dois mais dois é igual a dois
Se for dividido entre nós dois,
Tudo o que é meu é seu,
E tudo o que se faz por nós é dividido.

Um mais um é um,
Porque a tenho, mas nem sequer a vejo,
Um mais um é um,
Pois sem sua boca não há beijo.

Dois mais dois são dois,
Não importa o seu, não importa a minha,
Importa sim o que vem depois,
Se eu ou você não ficar sozinha.

Um mais um agora é um,
Porque você para mim é algo irreal,
Isso tudo é muito comum,
Entretanto para mim não é natural.

Nesse momento restarão só nós dois,
Você, uma de lá e eu aqui, um,
Antes dois e dois eram dois,
Agora um e um só dá um.

domingo, 15 de junho de 2008

O Segredo


Um dia tive o segredo do mundo nas mãos
Mesmo que por poucos segundos
Foi o tempo de querer contar
Que acabou-se o efeito

Tem gente que já o teve também
Mesmo que por um ataque
Mesmo que por uma crise
Mesmo que por um achaque

O cérebro funcionando
Quase que totalmente
O segredo revelado
Esquecido de repente

Queria contar, abri a boca
Queria falar, mas euforia
Depois tristeza
Depois nostalgia

terça-feira, 10 de junho de 2008

Tristeza...



Bate pungente no meio da madrugada...
Corre desvairado em sua cavalgada...
Em seu galope um ronco metálico...
O vento frio golpeia sua cara...

Nem paciência pra um livro, pra nada...
Nem vontade de viajar para longe...
Nem vontade de chorar, não há lágrima...
Nem vontade de voltar para casa...

A tristeza desponta de longe...
A solidão destoa no peito...
A incerteza é meu rumo, é o horizonte...
Que eu uso pra entender o meu jeito

Eu grito por sua alma na noite turva...
Procuro encantos há tanto tempo já esquecidos...
Eu minto pra ter minha calma mesmo na chuva...
Eu fujo dos meus tormentos que cães famintos...

No meu cavalo de metal não sou cavaleiro...
Estou só fugindo e fugindo dos meus algozes...
Sou em quem falo e mal e mal estou me ouvindo...
E em meus ouvidos pareço ouvir um milhão de vozes...

Só vim pra abraçar, beijar, sem mais o que...
Vim sem pensar só vendo as luzes através de meus olhos úmidos...
Sim sem pensar mas com o afã de não mais sofrer...
Sim pra falar que não mais terás dias estúpidos...

Encontrei então o afeto que há tempos procuro em mim mesmo...
Quando saí do meu egoísmo e fui à busca desatinada...
Queria mostrar que não sou por acaso, não sou a esmo...
Queria mostrar que um dia comigo poderás ser amada...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Uma caneta sempre em mãos...



Uma caneta sempre em mãos
Uma caneta pra escrever um recado
Uma caneta pra dizer uns nãos
Uma caneta pra ganhar um trocado

Uma caneta pra não ficar sem
Uma caneta pra depositar um dinheiro
Uma caneta pra furar alguém
Uma caneta tinteiro

Uma caneta pra prender cabelo
Uma caneta pra aprender letras
Uma caneta pra apreenderem meus bens
Uma caneta pra largar de ser besta

Uma caneta pra estourar no bolso
Uma caneta pra manchar sua camisa
Uma caneta pra durar pouco
Uma caneta pra quem precisa

Uma caneta pra traqueostomia
Uma caneta pra cheirar cocaína
Uma caneta pra ansiedade e agonia
Uma caneta pra salvar uma vida

Uma caneta pra escrever palavrão
No dinheiro ou na parede
Uma caneta "La Modernista Diamonds"
Uma caneta bic verde

Uma caneta pra assinar casamento
Uma caneta pra bancar o otário
Uma caneta pro testamento
Uma caneta pra ficar milionário

Um dia atípico...


Ontem foi um dia atípico. Pra começar comecei normalmente. Acordei (quase) cedo. Fui trabalhar na minha repartição. Cumpri minha meta, como sempre não almoçei (até porque nunca tenho tempo) e me concedem, de quando em vez, de quinze a vinte minutos para o almoço. Comemoro.

Contudo, eu disse atípico, não é mesmo? Ok.
Mudei de setor ao meio-dia e meia. Cumpri outra meta, aliás, meta não, cumpri o que tinha que cumprir e o que sabia, por conseguinte.

Saí às 15:00 horas. Fiquei esperando meu pai vir me buscar. O sol brilhava num azul fosco do céu, quase azul-celeste. Meu pai demorava e muito (pra variar também). Observava as pessoas vulgares em seus comentários cotidianos, e outros atípicos, afinal estávamos, todos, na frente de um fórum, ou seja, entre marginais e endividados para com a justiça. Talvez todos no mesmo charco, inclusive eu. Uns chupando picolés de ambulantes com seus carrinhos de cara dúbia por sua vez (mil perdões!), outros apenas sentados nas soleiras de qualquer canto.

O atípico dessa cena trivial em dia atípico para os triviais, foi que olhava para o céu, sabe lá por que razão, aliás, tenho reparado que tenho olhado muito para o céu ultimamente, seja por um tique nervoso, seja por sabe lá o que... Prosseguindo, eu olhava para o céu através de meus óculos (Oakley, caro que só vendo!rsrsrs), quando senti um reflexo demasiado forte em meus olhos, olhei de relance e vi uma esfera, que parecia metálica, não me atentei muito a este fato, contudo mantí-me mirando fixamente aquele objeto, que seguia em linha reta, ainda, a princípio, pensei ser uma sacola plástica, dessas que voam no vento, ao léu, contudo, de repente o sol deve ter se refletido em alguma parte mais lisa do objeto e aí sim projetou-se grande clarão, devido ao objeto ser realmente metálico. Constatei.

Nesse instante retirei meus óculos e observei a esfera metálica, que agora, se fazia maior, tal qual uma bolinha de gude no céu, não resisti, chamei a atenção de uma pessoa que estava à minha frente e indaguei a ele se estaria vendo aquilo no céu, ocasião em que o mesmo disse: "deve ser um avião", que continuava em linha reta, de fato, podia ser um avião, mas um avião redondo?

Dito isso, o sujeito vulgar que antes estava acompanhado de uma mulher ordinária que havia ido comprar um picolé e demorava, também fixou-se no objeto, nesse instante a esfera parou. Ao parar, foi diminuindo, decrescendo, e até, evaporando-se, pode ser que pelas nunvens tênues e parcas que haviam no céu, até sumir. O sujeito ficou com cara de idiota, talvez que nem a minha estava, não a vi. Que avião é esse redondo que desaparece no meio de seu trajeto às três da tarde e no céu haviam pouquíssimas nuvens como já dito?

De inopino, a mulher ordinária apareceu com os picolés, já escorrendo nogentos, e o sujeito retornou às suas conversas tão ordinárias quanto ambos e talvez até quanto eu, quanto as pessoas apenas sentadas nas soleiras, o céu azul, o dia chato, meu pai atrasado, os endividados judiciais, todo o charco etc. Penso que de atípico e invulgar apenas o objeto metálico, quem o sabe.

Ah, pra finalizar não estava bêbado, nem tampouco sou louco. (talvez louco eu seja...)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sem Foco


Cansado.
Enfadado de fatos.
Lendo tanto absurdo.
E absurdos em fotos.

Violência em foco.
Mesmo que sem foco a digital.
As digitais na folha branca.
E dias iguais.

Muda de sala, mas não muda o desastre.
A vida humana é algo a pensar-se.
O colapso existe por toda parte.
O ser humano é um disparate.

Cansado até de piscar os olhos.
E nada fere mais que a rotina.
Ainda bem que não me incomodam os sonhos.
Não há mais novidade nas minhas retinas.