terça-feira, 2 de agosto de 2011

Heresias

Não posso hesitar e dizer que não foi bom
Até por que sem o que inexiste confusão
Onde estiver o imbróglio o disparate e a emoção
Lá estaremos a entoar nossa canção.

E não vem dizer que não lhe apraz tais iguarias
E não me julgue entre os seus má companhia
Não faço parte desta pura vilania
E o que disser a partir de agora é heresia.

E posso dizer das cicatrizes em meu coração
E tinha o seu nome mas raspei com meu velho facão
Como se faz num pé de carvalho com o nome de amantes
Mas já não mais somos os adolescentes que éramos antes.



(...)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A cereja do bolo


A dor que lhe promovo tem a cor do meu consolo
O dolo da reprimenda é a benesse de meu esforço
Os açoites que acredita receber são parte do bônus
E o choro de todas as noites é nada mais
Que a cereja do bolo.

E lancei todos meus fardos como dardos envenenados
E rolam por todos os lados meus dados que foram jogados
Acredito que o perigo de tudo é o fascínio que tenho ao seu lado
E não acredito nesse clichê dos malditos cristais quebrados.

(...)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Bem mais que a verdade

Nem sempre a atitude traduz a verdade
Nem sempre é verdade aquilo que ilude
À luz da verdade há coisa que mude
E há muita mentira que deixa saudade.

Por mais ledo engano que se deixe envolver
Mais vale um bom plano que um concreto viver
Todo o cotidiano é melhor com você
E agradeço as mentiras que tão bem faz crescer.

E quanta felicidade veio daqueles momentos
Mesmo a frivolidade não matou sentimentos
Hoje faz falta, mesmo assim sem lamentos
E as palavras já ditas foram lançadas ao vento.

E o que foi vivido é bem mais que verdade
E passa-se o tempo e não passa a vontade
Mesmo as mentiras de felicidade
Só trouxeram a certeza que deixou saudade.

Mas cuide que acabe antes que acabe-se tudo
E periga acabar antes do fim do jogo
E mesmo a verdade que deixa-me mudo
Se torna mentira antes do fim do mundo.



. . .

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Nem sempre estamos à altura daquilo que somos"


Nem sempre estamos à altura daquilo que somos
Nem sempre homens, nem sempre humanos
Nem sempre metas, nem sempre planos.

E às vezes a beleza desgasta mais que enfeita
Ora devasta, ora perfeita
Ora devassa, agora deleita.

E a vida se trata que nem prostituta
Quando paga, se deita
Se vacila, te expulsa.

E o que tenho por ela é bem mais que ojeriza
É horror, é aversão
Mas diversão se precisa.

E quando penso na vida, é que nem meretriz
Parece uma louca, se finge de atriz
E é por um triz, como sempre se quis.


*

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Você é uma unanimidade?

O ataque é a melhor defesa
E não se faça de indefesa
Predador se fazendo de presa
Aprendi contigo não esqueça.

E percorre por toda a cidade
Exalando sua toxicidade
Você é uma unanimidade?
Nem todo mundo é unanimidade.

E já perguntaram pra mim
Cadê sua humanidade?
Tão longe tão perto do fim
Pra quê simular sanidade?

E não há tempo pra sobras
Ou sensações só carnívoras
Isso aqui é um criame de cobras
Não é de hoje que lido com víboras.

E sei por onde elas andam
E saem de soslaio sorrateiras
Algumas ainda rastejam
Sempre serão traiçoeiras.

E falando em realidade
Sem misturar amor com paixão
Pergunto, És unanimidade?
Respondo, acredito que não.



. . .

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mística

O amor essa criatura mística
Não se sabe se por convivência ou conivência
Ou por alguma destreza artística
Da falta de consciência.

Um sonho que ataca no sono
Dos incautos, dos desvalidos
Uma corda no pescoço do dono
Um joguete dos vis, dos perdidos.

Manifesta-se avidamente
Tente entender isso se podes
Acaba-se lentamente
Como aqueles espíritos pobres.

Venha falar-me de amor
Esse mesmo dito à exaustão
Uma torrente de dissabor
Que dispara em seu coração.

Sente a mística da inconsciência?
Sentiu o medo, dor, desespero?
Valeu a experiência
Chora quem riu primeiro.


* * *

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não mais

Se me perguntassem como passei ou andei desde anteontem
Direi que já não sei ou já não sou uma hecatombe
E toda a nostalgia é tão clichê, é tão post-mortem,
Mas não é o epitáfio ou um pedido a que se importem.

É melhor ser neutro, plúmbeo, inoperante como agora
Do que aquela rispidez e sensação desoladora
Tudo ainda sob o efeito daquela mazela de outrora
E hoje uivam como os ventos na minha janela lá fora.

Todas as palavras que faltavam encontrei na garrafa de vodca
E há quem aquiesceu mas não esqueceu e não mais importa
E ainda há quem se aqueceu com meu calor e isso conforta
O que antes era só eu hoje reflete uma paixão natimorta.

Não mais completo um sentimento sem o saber
Não mais repito um só alento sem sequer o prever
Nada mais nasce sem minha ordens é o que mais sei fazer
Pois com as ervas daninhas do meu jardim aprendi conviver.

. . .

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bem antes

"...E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro, sozinhos."


Inviável a luta constante
E num instante escapa de todo
Nem lua, nem nada de antes
É notório que foi mais um jogo.

Tingia o chão de uma luz ofuscante
E cintilante por onde passava
Mas é inviável a luta constante
A paixão enfim declinava.

Como não pude aprender
E há anos aquela face esbranquiçada
Quando um farol veio nos surpreender
Era só maquiagem, mais nada.


*Trecho entre aspas - (Resposta ao Tempo - Nana Caymmi)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Viva Positivamente

Nem as doses de cocaína que a Coca-cola me dá semanalmente
Nem as alegrias que proporciona a Tela-quente
Nem a dopamina anestesiando toda a mente
Nem o Stand-up sem platéia lá na frente.

Nem a pujança provinciana que sobre a gente emana
E o orgulho estapafúrdio da reles insana
A filosofia delinquente de uma prostituta em coma
É tudo aquilo que nesse feudo a plebe clama.

Ter um renome ou sobrenome conhecido entre uns cem
É muito mais que desprezo, meu amor, é o pior que tem
Ser o melhor entre mil apedeutas não te cai assim tão bem
Mas não espero muito mais de quem se acha alguém.

-

sábado, 28 de maio de 2011

Relíquias

E lá vai aquele Alessandro
Tão parnasiano,
enfocado em seus planos,
Mesclando-se em panos,
Emaranhando-se em seus meandros,
Nem mais tão malandro...

E vai encontrando oligofrênicos
Outros neurastênicos como ele
Em seus chapéus de neoprene
Sem mais frêmito cômico
Ora uma ânsia de vômito
Mas nem isso ele teme.

E a mídia criando jograis
A cultura ficando pra trás
Nem tocar violão eu sei mais
E tão-pouco os artistas atuais.

E lá vão aqueles palhaços
Se vestindo de retalhos, uns trapos
Nem são chiques, nem hippies, um saco!
Resgatando o pior que há de fato.

E referem-se à velha guarda
Que já está muito mais que acabada
Como se fosse uma relíquia enterrada
E um clichê que nada mais é do que nada.


...

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Voz


Aos solavancos de um trem matreiro
Sem devaneios de algum apedeuta
Sinto vindo do mato um bom cheiro
O ninho de fato é o melhor terapeuta.

O trem ele mesmo não existe
É o balanço de ninar tão sonhado
O sono é real e persiste
É o mundo dos olhos fechados.

E mistura-se ao som da chuva
E dos trovões e dos sons de vozes
A voz da minha mãe ainda tão jovem
Que reverbera por deitado em seu colo.

E o aconchego é quente e relaxante
As conversas são o pano de fundo
Quem me dera a calma de antes
Quem me dera aquele sono profundo.

A viagem é longa e a infância disfarça
A lembrança existe mesmo que pouca
E não há tormenta que isso desfaça
Da voz em meus sonhos tão jovem tão rouca.


(***)

domingo, 22 de maio de 2011

Nem sempre

Tenho culpado você por tudo
E merece sinceras desculpas
Nem sempre é fácil suportar o mundo
Nem sempre é fácil suportar as culpas.

Tenho soltado palavras como dardos envenenados
Disparados a esmo contra mim mesmo
Não posso culpar a você por meus fardos
Afinal sobrecarreguei e muito esse peso.

E a alma parecendo um trapo esfarrapado
A percorrer pelas madrugadas
O mundo não é tão encantado
Mas ninguém também disse nada.


***

segunda-feira, 16 de maio de 2011

De novo as velhas amarras
É preciso distância de mim
Esse romance é fogo de palha
E termina sempre assim.

Eu tenho espinhos nas mãos
E um coração semi-blindado
Os afagos causam cortes profundos
Não tente estar do meu lado.

(...)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cães e Lobos

O coração bate na cabeça
O que vem então a ser o amor?
Uma química previsível e bem engendrada
E mesmo assim quando por fim e dor se esqueça
O que foi avassalador já não é nada.

Armam suas teias às minhas costas
Tecem engodos em frias quimeras
Tentam lograr-me em suas apostas
Mas eu fui criado num covil de feras.

Convivendo numa alcatéia de lobos
E o que tenho comigo é herança de poucos
O meu silêncio é o castigo dos bobos
E em minhas palavras bradam cães loucos.

E que ninguém ouse ou a mim vocifere
Pois como disse sou da alcatéia de lobos
Sou da aldeia dos que matam e ferem
Sou mais um dos cinquenta cães loucos.

E todo castigo ainda pode ser pouco
Porque minha paciência é um cão amarrado
Que de tanto latir e rosnar já está rouco
Mas não ouse passar do seu lado.

E ora vez fogem meus cães, lobos, todos
A caçarem pela madrugada
Ora outra a morder feito loucos
Quem por má sorte encontra-los na estrada.

sábado, 23 de abril de 2011

(...)

Nunca esqueço sua primeira aparição
Jamais pensei envolver-me em seus cabelos
Eu um jovem revoltado e você não
Envolvido em meus mais francos pesadelos.

E mal sabia estar de fronte a minha cura
Mas não podia somente vê-la se afastar
Não conseguia suportar uma dor tão crua
E sem minha guia meu mundo tosco ia desabar.

Não imaginava encontrar tanta beleza
Mais que aparência a inteligência a completar
Infelizmente eu estava preso eu era a presa
E simplesmente você não pode suportar.



(...)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sem lamento.

Não gosto que abusem da paciência
A consciência é algo a perder em segundos
Sei viver muito bem com a ausência
Portanto não destrua isso tudo.

Sei que seu mundo é perdido e sem rumo
Contudo meus rumos são mais amplos que os seus
Sei o que é bom e só o bom eu consumo
E não tenho a empáfia dos seus amigos ateus.

E o pior é que você não conhece meu eu
Nem os desejos que me consumiriam por dentro
E se você não sabe explorar-me perdeu
E se você me perder não lamento.

E sem alarde será tarde demais
Parece clichê mas nunca quis não parecer
O sentimento aliado é fugaz
É um sentimento a desvanecer.

E não há raciocínio que não destrua esse engodo
E não há infortúnio que não se abra mão
Não há pantomima que não pareça-me jogo
E não há pessoa que não mereça meu não.




[...]

sexta-feira, 8 de abril de 2011

07 de Abril

Ontem pela manhã resolvi acordar mais cedo
Mas assim que liguei a TV só via pânico e medo
Eram muitas garotinhas com sangue no cabelo
Num zoom desses da Globo vi espalhar no corpo inteiro.

Meu Deus o que está havendo com nosso Rio de Janeiro?
As nossas crianças não vão brincar mais no recreio
Sempre tive orgulho do nosso povo brasileiro
E só via uma coisa dessas ocorrer lá no estrangeiro.

Cada tiro desses atingiu a nós, certeiro
E estávamos de costas pra um problema corriqueiro
E a noite quando ponho a cabeça ao travesseiro
Só ouço as sirenes das polícias e bombeiros.

Só peço a Deus por cada mãe desses ingênuos cordeiros
E só fica meu lamento de impotência, desespero
Só vejam os seus filhos, mães, como bravos guerreiros
Que não temem a própria morte como no Hino Brasileiro.

sábado, 26 de março de 2011

O que move moinhos


Não são mágoas que movem moinhos
E as amizades são temporárias
O que fica é o que foi carinho
E as noites são solitárias.

A diversão é um milésimo de segundo
Depois como fica o mundo?
Quando se apagam as luzes ao fundo
E o telefone também fica mudo.

Felicidade não se disfarça
O que dirá então a tristeza
Não importa enfim o que faça
Sobrevirá do amor a beleza.

Porque mágoas não movem o que sinto
Nem o lamento toma conta de mim
Também não acredito em destino
Mas acredito na força de um sim.


_ _ _

segunda-feira, 21 de março de 2011

Amores Usados

É a mesma história de novo
Tentando vivenciar um outro
Criando expectativas de ouro
Mas cairá por terra seu jogo.

Vou me afastar como fiz outrora
Vou viver como antes e agora
Enamorar-se quem não enamora?
Mas vai chorar, afinal quem não chora.

Cairás de joelhos ao chão
Leva tempo afinal é ilusão
Mas aproveite não veja a razão
Um momento vale mais que um perdão.

Como sempre não assume o que faz
Mas dessa vez não há volta jamais
Só espero que assim tenha paz
Da minha parte o passado aqui jaz.

Sem lágrima nenhuma a escorrer
Sem sentimento nenhum de perder
O tempo ainda vai transcorrer
Mas o futuro já não posso prever.

Não sou de testes ou amores usados
Ou é pra mim ou fica de lado
Mas não vou ficar seguindo seus passos
O que é meu é meu, o que é seu está guardado.


***

sexta-feira, 18 de março de 2011

Delírio

Sou da pele, do prazer
O lazer alucinado
Vamos nos satisfazer
Com o poder que nos foi dado.

Quero a língua nos seus seios
Sua pele junto a minha
Entorpecer em devaneios
Enquanto existe ainda.

Preciso ardentemente
Encaixar-me em suas coxas
Desligar então a mente
Agarrar-me em suas costas.

Sentir o delírio acordado
Em seu movimento suave
Aos poucos alucinado
Num ritmo íntimo e grave.

Totalmente inserido em seu meio
Num sentimento de entrega total
Bebê-la sem perigo ou receio
Ser bebido como alimento vital.

Acariciar-te como a última vez
Devorá-la como fruta escolhida
Repetiremos isso? Talvez
Mas melhor não pensar nisso ainda.




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quinta-feira, 17 de março de 2011

Ciprestes


Lembra da noite em que eu te sepultei?
Aquela noite em que a chuva espalhava barro pelos canteiros
Aquela noite em que a deitei debaixo dos ciprestes negros?
Quando te dei um beijo de desterro antes mesmo do próprio enterro?

E deitada na relva sentia os pingos grossos de chuva
E mesmo morta há muito não se sentia tão viva...
E dessa forma a gente chora ainda mais a perda da vida
Será que era mesmo ela tão rude e sofrida?

E na sua última noite nem estrelas nem lua
Só o barulho da escavação no lamaçal ao seu lado
Uma música aparece ao longe a relembrar seu passado
Mas nesse momento só pensa que logo tudo terá terminado.

E de cima pra baixo tudo é mais encantado
O vento balança os galhos de eucaliptos no alto
Um aroma gostoso vem com a brisa e um frio em seus pés descalços
E agora lembra como podia pensar em percalços.

O corpo mole sobre os ombros de um outro forte
E lança-te na profundeza aconchegante da cova
Em breve haverá vida nova
Em breve haverá vida nova.



(***)

terça-feira, 15 de março de 2011

Denso

Estou precisando de um beijo intenso
Desses que envolve o queixo
Para livrar-me desse momento tenso
Inebriar-me de encanto e desejo.

Um beijo como aqueles de outrora
Para livrar-me da angústia de agora
E sei que se chamar não tem hora
E preciso antes que vá embora.

Com gosto de pecado, ilicitude, paixão
Um gosto que não sai da minha boca
Sempre teve, atitude, tesão...
Essa é a razão da atração densa e louca.

E quando no passado tirava sua roupa
E zombavas dos meus desejos expostos
Eu passava gelo em suas costas
E havia infância nos rostos.

E pulava em meu peito com vigor
Entrelaçando as pernas em meu corpo
Girávamos sem preocupação ou temor
Até porque nosso mundo era outro.




(***)

segunda-feira, 14 de março de 2011

(***)

Amei meu passado com vivacidade
Como flores na janela de um violeta vivo
Enfrentei os temores com virilidade
Mesmo assim veio a vida com violentas verdades.

É difícil porque já perdeu-se a decência e o tino
E mentem até porque não sabem encarar um olhar
Mas não sentem que aqui já não há um menino
Infelizmente nada vai perdurar.

Há mais fortaleza em mim que insensatez aparente
Não tente desvirtuar o que criei em aço forjado
Nunca vai descobrir o que se passa em minha mente
Mas não é assim que se dispensa o passado.



(***)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Emblemas

No fio da navalha da barba de Nietzsche
Em cada sílaba dita por Marx
Era ela mesmo meu calcanhar de Aquiles
E mesmo assim angariando uma paz.

O suspiro da fuga de Judas
O fundo onde encontra-se Atlântis
O Triângulo das Bermudas
O momento perdido de antes...

O mais indispensável pra ele
Aquilo que é estupendo
Como o encontro de Jean-Paul e Simone
Tal e qual Ruth encobriu Fernando.

No fio de baba da raiva do cão
Sou bem mais que este bem mais feroz
Lá do seu inferno já grita perdão
Mas esta é a saga e é sagaz o algoz.

Sou o tiro que circunda Vargas
Sou o meio do cerne do seu coração
Espatifado antes mesmo das armas
Antes do verme a decomposição.

O emblema na farda verde-oliva
O problema de carregar essa cruz
Um dilema que ninguém mais se livra
Um assunto para mil anos-luz.


***

quinta-feira, 3 de março de 2011

Razões

Às vezes a razão diz que não
Mas o coração é teimoso feito um cão
Afungenta as expectativas como galinhas pelo chão
Trata as pantomimas como pura e desmedida diversão.

Um dia ele se aquieta, ah, se não...
Lembra daquelas festas e folias, São João?
Pegar na mão das menininhas, que emoção...
E quantos beijos sob a lua e quantos rostos, por que não?

E vai sumindo a candura e a ternura da feição
Onde estão as jovens tardes, aquelas ditas na canção?
Aquelas tardes de domingo, os meus amigos, violão...
Penso já não haver motivo e ainda vivo sem razão.

Nos meus planos estava a vida, mas a vida com emoção
E não tão decadente, deprimente, que ilusão
Mas a gente enfim nem sente, e passa rente à depressão
E se não for assim mais quente melhor que viva em solidão.



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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Uma Volta Pelo Mundo...


Quero uma noite no hemisfério norte
Quero sentir a brisa da fria Islândia
Quero uma viagem sem passaporte
Quero uma tarde na Groenlândia.

De barco a vela na Noruega
De Oslo a Stavanger, Bergen
De Budapeste até a Suécia
De Bratislava a Copenhagen...

Um pulo até Liege, Bruxellas, Amsterdam
E ver como Estocolmo está tão calmo
Embebedar-se no Debaser até a manhã
E saber que só em Veneza enfim me acalmo.

E de mãos dadas a desvendar Saint-Étienne
Em algum lugar com você pra dar o tom
O café da manhã amanhã será em Firenze...
E o jantar no litoral bom de Toulon.

Marinella di Selinunte ensolarada
Um belo passeio pelo mundo só nós dois
Outro dia em Dubrovnik, Croácia
E o outro lado a gente deixa pra depois...

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O que fazer?

Que fazer se ainda penso em ti
E se ao longe nem sequer sorri
Mas ao pensar no que eu já vivi
Só vejo em ti uma vida de delícia?

E quando lembro do que eu já sofri
Muito mais sei o quanto foi pra ti
E mesmo longe nunca te esqueci
Essa mistura de amor malícia...

Sei que eu posso te fazer sorrir
Enfim amar e não mais desistir
Não só tentar mas muito persistir
E te algemar de tanta carícia...

O amor é isso, se entregar, cair
Mas dos meus medos ajude-me a sair
Não quero ver isso se esvair
E só você, tem o dom, perícia...

Em seus cabelos já me envolvi
da cor do sol como nunca vi
Queria tê-la sempre bem aqui
Pois essa paixão não é fictícia.

O que fazer se ainda penso em ti
Se o que quero ainda nem vivi
Depois de tudo nunca te esqueci
E é só por ti, o que escrevi...



***

domingo, 16 de janeiro de 2011

Relembro


O beijo de sua boca é mais saboroso
Porque lembro das suas doces risadas
O beijo da sua boca é mais gostoso
Quando lembro das suas meigas palavras.

Seu corpo é meigo e intenso e nele vivo pleno
Em seu corpo me sinto inteiro como num dia azul e sereno
Em seus passos longínquos me vejo e vejo o que acabei perdendo
Não sabes o quanto faz falta e só por ti estou escrevendo.

Em várias madrugadas me vi febril relembrando
Não sabe como me dói e amadurecer assim é tão duro
Em tantas manhãs de repente acordei e peguei-me chorando
E quantas tardes adormeci em meu quarto com lágrimas no escuro.

Relembro cada momento e me vem seus olhos escuros
Relendo nosso passado imagino se houvesse um futuro
Em nossas aventuras, planos, carinhos, sussurros
E vendo assim desse jeito parecia ser tão imaturo.

E a devagar assim desse jeito vejo o quanto preciso descansar
O mundo é tão duro e nos concretizamos junto com ele
Sei o quanto mereces ser feliz e ainda será
E só de lembrar me vem uma brasa a incrustar profundo na pele.

Não sou como muitos, de sonhos, de filhos, de apaziguar
A minha tormenta é constante e você nem pode notar
Enquanto isso me finjo, divirto e ainda te ajudo a sonhar
Mas quem colhe, quem planta, o joio e o trigo também pode ceifar.




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domingo, 2 de janeiro de 2011

A Chegada

Antes mesmo da vinda de Apófis
Já conhecemos o QQ47
parece estranho aqui falar nessas hipóteses
Mas tem coisa realmente que acontece...

E antes mesmo da chegada inesquecível
Já pararam de falar por que será?
E se QQ47 é nada crível
Creia Apófis certamente voltará...

Foi bonito ver passar o Hale-Bopp
Lembro bem daquela cauda luminosa
Com certeza ambos trarão maior ibope
Só não sei se a experiência é prazerosa.

E a temível serpente que vem do reino das sombras
Desafiando o reino do Sol de nós sub-humanos
Vem com sua cauda desafiadora como grandes ondas
Vem alterar definitivamente todos nossos planos.

QQ47 é um sinal desafiador
Passa por pouco mas só quem é louco o crê perigoso
Depois vem Apófis dar seu rasante causando temor
Mas um desses dois vem bem confiante engendrar o seu pouso.



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(Em construção...)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Considerações

Entrelaçados num infame desejo
Espalhados na cama como num céu estrelado
Estilhaços de ti que se traduzem em beijos
Estardalhaços assim costumam causar certo impacto.

Se não fosse o desatino o destino esse jogo
Estaríamos contemplando o belo de novo
Com certeza viveríamos um para o outro
E consumiríamos a paixão em nós feito fogo.

Mas é como profecia e necessária se fazia
Se não fosse a tormenta não agradeceria a calmaria
E quem se lamenta perde o brilho do dia
E a gente tenta mesmo acabando a energia.

E essas são só considerações vãs vis ou inúteis
Mas quem disse que o que vivemos não foi deletado?
Hoje imagino você crer os diálogos fúteis
Hoje imagino você me crer antiquado.

Contudo o jugo é sempre duro pesado
Mas cada qual carrega seu fardo
Lamento mas passado é passado
Mesmo que ainda caminhe ao meu lado.


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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Resplandecer.

Tão franco é o meu saber
Quanto meu amor há de nascer
Não surdo como outrora agora
Até então resplandecer...

Estou na vindima dos teus beijos
Esperando pelo vinho que preparas
Enfim vítimas dos nossos desejos
Sentido o frenesi estampado na cara.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Outra dimensão

Estava sentindo-me no meio termo
Num universo paralelo
Estava vivendo num campo ermo
Uma nau perdida em meio ao mar aberto.

Mas meu maior jogo é o mundo todo
E a vida em si o supra sumo do jogo
E fase a fase vencendo o engodo
E se passa a fase, um desafio novo.

É difícil saber o factível
Vencer o invisível
Entender o incrível
Ser o invencível.

Invisível como em outra dimensão
Insensível como em outra estação
Mas ainda abrasam-se mil corações
Contudo, aceito isso... não, não.

E agora mais que antes, dono do meu eu
Senhor das minhas decisões
E se alguém antes perdeu
Já não passam mais que digressões.




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domingo, 19 de dezembro de 2010

Renata

Perder você não foi como perder um relógio ou um objeto qualquer.
Perder você foi perder conteúdo, foi perder tudo. Uma mulher.

Aquela de beleza ímpar,
Doçura inata.
Aquela de surpresas lindas
Enfim, Renata.





__________
Poema escrito em 06/07/2009.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vivo

Nada na vista no últimos tempos
Mas de tempos em tempos uma bela conquista
Não sigo sua pista mas bem que querendo
Se bem que persista já segue perdendo.

E ver o seu corpo já trêmulo todo
Foi louco, foi bobo, mas êxtase, jogo
Entrei no banheiro, lavei o meu rosto
Senti-me lascivo, e vivo de novo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Crença


O frenesi é rítmico e louco
O temor existe bem pouco
Na verdade talvez do seu corpo
Mas quando achegar já estarei absorto.

Ela acopla-se em meu corpo de todo
Remexe-se como queimar-se no fogo
E meu corpo envolto é seu jogo
Faz dele o que quer até morto.

Ela tem a beleza da renascença
Em volume, textura, e sabores
Faz da lascívia que sai dela minha crença
Traz-me paz seu perfume de flores.

Aprisiona-me em seu quadril feito cão
E febril excito-me na pantomima
Anima-se e engole a mim feito pão
Abasteço-te de tesão, proteína.

Não foge à dança tresloucada
Entende o nexo do meu despudor?
Se escolhes a mim todas as madrugadas
É que Precisamos de sexo, energia, calor.

Na nossa mente ninguém sabe o que passa
Somos o vício um do outro, a luxúria
Amo você desse jeito, devassa
Amo seu corpo, seu poder, fogo e fúria.


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sábado, 6 de novembro de 2010

Mágoas...

A noite é feita de sons graves
E ladram trovões ao longe
Babam gotas de chuva esparsa
Da boca do cão que se esconde.

E quando ladrões se veem aos montes
Roubando nações, horizontes
Multidões retiram-se em montes
Mas na volta não existem pontes.

E os sentidos lancinantes
Como pontadas sentidas ao longe
O algoz se esconde, se esconde
Enquanto a dor essa se expande.

Brados do céu desabam
E desaguam mágoas que parecem eternas...
E quando as águas todas se acabam
Ficam lembranças passadas e ternas.


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Carta de Amor



Os olhos distantes e intensos,
O aspecto infante de antes,
Os momentos parecem tão tensos,
O peito em chamas, arfante.

Vejo desejo nos olhos seus,
Um porto seguro na sua inconstância,
Você é perfeita, um presente de Deus,
Um brinde a doçura, ao amor, à infância.

Uma pureza que fiz votos de abolir,
Mesmo assim fico perdido se a encontro,
Um fascínio que me dá ao ver sorrir,
E ao lembrar da sua beleza fico tonto.

Mais feliz é saber do seu amor,
E quando diz que ainda me ama e quer amar,
E sem dormir enche meu peito de um calor,
E fico a noite toda em claro a delirar.

E quem viveu um amor que nos vivemos
Sabe bem o que é viver em sonhos lindos,
E se promessas um ao outro nós fizemos
Agora resta finalmente nós cumprirmos.

Viajo nos seus olhos, seus cabelos
Da sua pele, a maciez, uma delícia,
Seus encantos sei que em breve posso tê-los
Enfim te dar o meu amor, a ti, Patrícia.

Esse poema é dedicado ao seu sorriso,
É uma canção a sua beleza, sua ternura,
Pra que saibas o quanto amo e te preciso,
É uma carta de amor sincera e pura.





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sábado, 23 de outubro de 2010

Em jogo

Sou todo eu
Sou todo mesmo
Sou todo seu
Sou assim a esmo.

O tempo todo
Inconstante jogo
Do mesmo modo
Herói reprobo.

Às vezes morno
Mas não de todo
Inferno é fogo
E a vida é o jogo.

Ora me jogo
E machuco todo
É sabido o jogo
Morrem mil a rodo.

Em ti me envolvo
E me coloco todo
Em ti sou novo
Sou inferno e fogo.

sábado, 4 de setembro de 2010

Meus eus

Teço diálogos com meu eu pequeno e digo:
_ Não tenhas medo!

E adolescente com cara de soldado, difícil:
_ É só o início.

E meu cãozinho que perdi, onde anda?
Amigo Panda.

Tantos sofrimentos que envergaram tudo...
E sentimentos de mudar o mundo...
Tentei gritar mas me encontrava mudo...
Tentei lutar mas não havia escudo.

Forjei sorriso na máscara de ferro
Soltei um berro quando menino tímido
E hoje é único esse meu jeito tépido
E antes lépido me diziam cínico.

E o menininho de terninho aos seis
E a ternura sempre ali presente
Mal sabia ter aos dezesseis
Um desafio de seguir em frente.

E uma vontade de pular o muro
Os arrepios a correr na espinha
O mundo meu era tão obscuro
E o meu outro eu era o que tudo tinha.



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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fúria e Pecado


Uns dizem de nós predestinados
Outros chamariam adrenalina!
Somos amantes mais que antes tresloucados
Tal qual na música feito fogo e gasolina.

Somos luxúria, fúria, vento, dor, pecado;
Somos tornado, violência, fim, início,
Somos o corpo a se esgarçar pelo imediato,
Somos um só corpo a se atirar num precipício.

E em sua pele, sem querer, me envolvo todo
Livro do medo, aquele mesmo,tanto faz.
Se pensar bem irás julgar o amor um jogo,
Mas nesse lodo e engodo todo sinto paz.

Em sua boca meu refúgio, meu abrigo
Livro de todos os ataques e granadas
De ódio em chamas que me lançam o inimigo
E em ti sou guerra, mil guerreiros, força armada.

És meu algoz, minha aliada, fogo amigo,
Tenho em ti mais que perigo e atração;
Somos bomba nuclear, enfim perigo,
Mas tenho abrigo e meu refém é o coração.

Lembro dos beijos em meio à guerra, tantos mortos
Estilhaços de pecado, sangue e gozo,
Enfim dormimos abraçados, nossos corpos
Alinhavados num romance perigoso.

domingo, 15 de agosto de 2010

E agora, Pereira?

É, a coisa vai mal, como antes, igual
Cadê o troféu na algibeira?
E agora, Pereira?

Nem fatos nem nada,
Nem fotos, roubada, nem truques, nem mangas
Como vai sua amada?

Adiantou o disparate?
A espera aviltante, a disputa aflitante,
Quase chegou-se à cegueira
E agora, Pereira?

Mais uma vez vou dizer,
você nasceu pra perder
E o que vai dizer lá na repartição?

É, vai perdendo o respeito
Já não bate no peito, nem sequer emoção
Afinal foi eleito, mais uma vez para um pleito
De segunda opção.


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sábado, 7 de agosto de 2010

O Beijo

Digam o que disserem
Em vão ou sem importância
Sou seu mal necessário
O vento da mudança
Arraigado, embrionário.

Como um furacão, um tornado
Depois que passa tudo é mudado
Nada mais como antes
Como ferro em fogo forjado.

Sei que podes ter sofrido
Mas sou o beijo de Judas
Vê o quanto tens crescido
Ainda esnoba minhas ajudas?

Você é uma peça do tabuleiro
Não vês que esse mundo inteiro
Se ri quando se desfacela,
Entende a contenda, a mazela?
E ainda despreza meu zelo?

Não escolhi-te a esmo
E sou eu seu algoz, sou eu mesmo
Um amante, um perigo, sobrepeso
mas nunca disse que era fácil, não é mesmo?



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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Amor Visceral

Não posso negar
Mas não dá pra falar como é estar
Intimamente ligado a ela de forma visceral
Alinhavado de maneira tal que impossibilita
O dialogar de maneira mais lúcida.

É ódio e amor
Tanto é que não bastam os toques beijos carícias
E as porções de delícias misturadas a sangue
Cortes e dor.

É bem mais que carnal
É a linguagem das unhas a violentar a alinhavar
Sua pele na minha como a cimentar
Um romance anormal.

Está perto a conquista!
E num golpe de vista esquivei do seu ódio
Expus minhas feridas e subi no meu pódio
Como um crime perfeito sem rastros nem pista.

Enfim a vitória
Escapei dos falsários angariarei minhas glórias
Trancafiei em armários o pavor do passado
E o presente esperado me espera dourado
Em alegrias notórias.




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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Uma passagem

Hoje o dia nasce novo
Até a lua brilha nova
O sol que queima o rosto
É o mesmo que me acorda.

No balanço da viagem
Admirando a bela lua
Ora um livro, e a paisagem,
Em um momento a face tua.

E quando pensas que estais forte
Os seus pés são seus amigos
Eu sozinho sou meu norte
E enfrento a dor sozinho.

Mas quando seus pés já se cansarem
De ti e a dor vier
Eu serei a fortaleza
E você só uma mulher.

Tudo isso uma passagem
Mas não será como antes fora,
Quando acabar sua coragem,
Não espere que a socorra.

Enfim, a dor é forte
Mas amanhã restabeleço
A lua é bela, o sol é forte
Enquanto dormes, reapareço.




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terça-feira, 20 de julho de 2010

Sem óbices

Tem dia que a gente acorda para perder
Mas de fato ninguém pediu pra nascer
E se o fato é pedir pra perder
Certamente sabe-se o por quê de fazer.

Mas entregue-se ao amor assim de peito, de pronto
Faz tanto bem amar, que amor deixa-me tonto;
E não sei o que é cansar, e não sei já faz muito tempo,
E deito-me a descansar e sonho contigo e me encontro.

Sem óbices pra te esquecer, aliás, nem um pouco;
O problema será me entreter, parece crer que estou louco,
Mas vou mudar pra melhor e feliz feito cão solto,
Acabam-se enfim as barreiras, e o mundo feliz, claro e novo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não Critique O Que Não Consegue Entender

Poema extraído da obra "Velhos Invernos e Dias de Diamantes".



Não critico, pois não entendo,
Não posso ver atrás dos seus olhos,
Não sei o que vês, não sei se está vendo...
Seu mundo caindo, seu mundo descendo.

Repreensão, repressão, reprimenda,
E ainda mais, tudo o que dizem de ti,
Sem ação, reação, reticências...
Você não vive, não come ou sorri.

Mas você bebe, e o cigarro te consome,
E você some como fumaça no ar,
Não come, não vive, não dorme,
Por falta de amor e de um lar.

Indecente, inerte, inexistente?
Não critico, pois não entendo,
Não posso ver atrás de seus olhos,
Nem tampouco seu mundo descendo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Leve

É, meu amor, o que escrevo tem dor, dor de verdade,
Por isso, amor, aonde for, leve um pouco, aliás, leve à vontade.

Espero

Das bilhões de pessoas na Terra
Podia ter errado com qualquer menos ela;
Já sofrera o quinhão e há sequela.
Podia ter tido compaixão, mas supera.

Sei que hoje seria perfeito
Estou bem mais perto e esmerado
Faríamos quase tudo do mesmo jeito
Aquele presente por nós tanto esperado.

Sonho ouvir sua voz rouca e doce
De madrugada em meu telefone
Mesmo que palavras doces não fossem
Mas suspiraria se ouvisse meu nome.

Lembro que marcamos um reencontro
Num campo verde de sonho e de flores,
Infelizmente houve dano, confronto,
Mas já faz tempo, e calaram-se as dores.

E a distância nunca teve importância,
Mesmo distante mais que antes espero;
Não vejo do esperar decadência,
Não quando é aquilo que quero.

sábado, 26 de junho de 2010

Loucos

E como são meus cabelos revoltos
Onde estão meus parafusos já soltos?
O frenesi achegando-se aos poucos
Porque o mundo é o covil desses loucos.

O paraíso aqui é pra poucos
Tanto gritam aqui e ali que até roucos
Afugentam-se as almas feito cães loucos
Falando-se em loucos sei que estão soltos.

Acordo absorto no chão feito morto
Nem colchão, nem lençol, nem um pouco
O abrigo faz parte do engodo
O inimigo tece as regras do jogo.

Feito Nero por que brinca com fogo
A depressão cai feito um mundo ruidoso
Ninguém escuta ou perscruta, sem rogo
O mundo louco aqui jaz, perigoso.

E pra fugir disso tudo, seu corpo,
Onde mergulho num afago estrondoso,
Não me afogo é um lugar tão gostoso,
É o lagar do vinho mais poderoso.

E recebes em sua boca o mel todo
Faz-me esquecer o mundo dos loucos
Em meu universo só nós em meu jogo
Fora do jugo dos cruéis homens soltos.

(...)

domingo, 20 de junho de 2010

Torto

Não sei que diabos mas o queriam internado
O queriam bem longe, pra lá...
Ele comprou discos do Caetano, usados
E uma tela regionalista em Cuiabá.

Gastava dinheiro, ousava.
Fazia amigos só por afinidade.
Nem drogas mais usava.
Por isso mal visto na cidade.

O diziam torto, se bem que por isso, natimorto.
Não ligava, ao invés disso, cantava João Bosco, absorto!

Remendando sequelas antigas
Já não existem mais aquelas feridas
Pode sentar já no cais sem partidas
E pensar como faz bem a vida...