Hoje carrego sorriso nos lábios
Mas ainda penso nela
Mesmo nos dias cálidos
Impossível esquecê-la.
Mesmo que nade por outras águas
Mesmo carregando vitórias
Sumiram de todo minhas mágoas
Ficou só o bom da história.
E sou feliz tendo você
Em meu dia a dia em meu mundo
Mesmo sem poder te ver
Te vejo a todo segundo.
(O conteúdo deste blog é de autoria inviolável de Alessandro Vargas, sendo parte consubstancial de sua idiossincrasia) (contém partes da obra "Velhos Invernos e Dias de Diamantes")
sábado, 6 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
Confusões
Era um emaranhado de confusões
E profusões de sensações
Até que tudo inundou-se.
Um mar de paixões.
E nada mais era que mera quimera
E o mundo aturdido na cabeça de um vagabundo
Um segundo já era o que sabia de tudo
E tudo não mais como foi absurdo.
E profusões de sensações
Até que tudo inundou-se.
Um mar de paixões.
E nada mais era que mera quimera
E o mundo aturdido na cabeça de um vagabundo
Um segundo já era o que sabia de tudo
E tudo não mais como foi absurdo.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Previsões
Existe amor platônico e correspondido
Se não cruzasse o oceano pra estar contigo
Não seria aquele Alessandro por ti conhecido.
Não conheceria lugares por ter te esquecido
Não mentiria pra ser menos iludido
Não viveria um minuto o perigo
Não seria nem mais seu amigo.
Não posso abdicar se não amei completamente
Nao posso protelar, será que me entende?
Quero seu corpo, passado e presente
Posso prever o futuro recente.
Se não cruzasse o oceano pra estar contigo
Não seria aquele Alessandro por ti conhecido.
Não conheceria lugares por ter te esquecido
Não mentiria pra ser menos iludido
Não viveria um minuto o perigo
Não seria nem mais seu amigo.
Não posso abdicar se não amei completamente
Nao posso protelar, será que me entende?
Quero seu corpo, passado e presente
Posso prever o futuro recente.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Magias
Tenho engendrado magias e tecendo venturas
A caixa está vazia mas cabe almas ainda
Talvez não seja aquilo que tu procuras
Mas tenho poções e porções de afã e loucura.
Num átimo está ótimo e faço a bel prazer o que sonha no íntimo
É ínfimo mas sinto que contigo posso ir mais além e não minto.
Já sabia da insanidade mas não levarei sorriso no nosso encontro
Posso ser mesmo aquele de sempre que resolve tudo de bate pronto.
Tenho feito planos que me deixam zonzo, me deixam tonto
E pensar em rever parece a meu ver certo contraponto.
A caixa está vazia mas cabe almas ainda
Talvez não seja aquilo que tu procuras
Mas tenho poções e porções de afã e loucura.
Num átimo está ótimo e faço a bel prazer o que sonha no íntimo
É ínfimo mas sinto que contigo posso ir mais além e não minto.
Já sabia da insanidade mas não levarei sorriso no nosso encontro
Posso ser mesmo aquele de sempre que resolve tudo de bate pronto.
Tenho feito planos que me deixam zonzo, me deixam tonto
E pensar em rever parece a meu ver certo contraponto.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Palhaços
Enquanto os espinhos não tocam meus pés
Sigo do jeito que sou, tal como era
Não carrego falsos status,
Não mantenho falsa alegria,
Nada mais seria que pura quimera.
Não precisaria acreditar no que não sou
Não subjulgaria quem certamente é mais que eu
Não comemoraria falsa vitória minha
Não riria de quem já perdeu.
E de que te adiantou esse estardalhaço?
Hoje sei bem que não é esse auge todo
Hoje nada mais vejo que um infeliz palhaço
E ainda quero ver pessoalmente sua cara de bobo.
Não, nenhum espinho chegou a meus pés
E hoje sei realmente o que tu não és
Talvez realmente acreditei na supremacia
Hoje vejo que nada podes, que nada és.
Gostei até das caricaturas, ri-me todo, ri alto
Felicidades não são estampadas daquela maneira
Acordou do pesadelo, de sobressalto
Valeu, palhaço, a brincadeira.
Sigo do jeito que sou, tal como era
Não carrego falsos status,
Não mantenho falsa alegria,
Nada mais seria que pura quimera.
Não precisaria acreditar no que não sou
Não subjulgaria quem certamente é mais que eu
Não comemoraria falsa vitória minha
Não riria de quem já perdeu.
E de que te adiantou esse estardalhaço?
Hoje sei bem que não é esse auge todo
Hoje nada mais vejo que um infeliz palhaço
E ainda quero ver pessoalmente sua cara de bobo.
Não, nenhum espinho chegou a meus pés
E hoje sei realmente o que tu não és
Talvez realmente acreditei na supremacia
Hoje vejo que nada podes, que nada és.
Gostei até das caricaturas, ri-me todo, ri alto
Felicidades não são estampadas daquela maneira
Acordou do pesadelo, de sobressalto
Valeu, palhaço, a brincadeira.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Condicionado
Faça tudo quanto queira fazer
Diga tudo o que queira falar
Faça nada pra se arrepender
Só não tente me obliterar.
É assim mesmo desconexo, errado
É do lado que quero
E mesmo assim, perplexo, isolado
É do jeito que espero.
Sopra um ar condicionado
No escuro da viagem noturna
Tem ninguém do meu lado
Só paisagem soturna.
Enquanto passam as horas
Pensamentos ecoam aturdidos
O mundo voa lá fora
O mundo dos seres perdidos.
Diga tudo o que queira falar
Faça nada pra se arrepender
Só não tente me obliterar.
É assim mesmo desconexo, errado
É do lado que quero
E mesmo assim, perplexo, isolado
É do jeito que espero.
Sopra um ar condicionado
No escuro da viagem noturna
Tem ninguém do meu lado
Só paisagem soturna.
Enquanto passam as horas
Pensamentos ecoam aturdidos
O mundo voa lá fora
O mundo dos seres perdidos.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Estátuas
Poderia eu acelerar a rotação da Terra?
Poderia eu controlar a fúria das águas?
Como posso sentir desprazer na espera
Se entre as expectativas reside a cura das mágoas.
Tem quem pensa que o aguardo é derrota
Mas quem espera sempre alcança
Um dia o mundo nota
E logo a vida amansa.
Percebo cada qual em suas hostilidades
Mas pra mim são hospitalidades disfarçadas
Enquanto consomem tempo em iniquidades
Pra mim nada mais são que estátuas defasadas.
Borboletas sem casulo
Obsoletas reféns do consumo
No futuro pode que um bom adubo
Por enquanto um razoáel produto.
Nem guardo suas máculas como lembranças
Tampouco vestígios de intemperança
São apenas estátuas, são apenas crianças
Já não fazem mais nada que não irrelevâncias.
Poderia eu controlar a fúria das águas?
Como posso sentir desprazer na espera
Se entre as expectativas reside a cura das mágoas.
Tem quem pensa que o aguardo é derrota
Mas quem espera sempre alcança
Um dia o mundo nota
E logo a vida amansa.
Percebo cada qual em suas hostilidades
Mas pra mim são hospitalidades disfarçadas
Enquanto consomem tempo em iniquidades
Pra mim nada mais são que estátuas defasadas.
Borboletas sem casulo
Obsoletas reféns do consumo
No futuro pode que um bom adubo
Por enquanto um razoáel produto.
Nem guardo suas máculas como lembranças
Tampouco vestígios de intemperança
São apenas estátuas, são apenas crianças
Já não fazem mais nada que não irrelevâncias.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Acertos

Não é que tudo mude
Ou acabe...
E nada que acabe que não possa ser restaurado.
O fim é nítido mesmo que um horizonte o esconda
O fim está na curva
E o recomeço bem na próxima...
O mundo com suas voltas
Sempre nos envolvendo
Fazendo-nos enganar
E achar que estamos certos.
Hoje vejo o erro
Mas aprendi como os acertos
Nada muda mesmo
Só muda o jeito de fazermos.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Ainda cruzo o oceano...

Um dia sem arrumar a cama
Mas não desfaço meus planos
Não vivo e revivo esse drama
Ainda cruzo o oceano...
Talvez não veja bem certo
O rumo que estou tomando
Talvez não chegue nem perto
Daquilo que estou pensando.
Não é devaneio, tolo, não
Não é perspicácia descomedida
Não é vida levada em vão
Não é isso que chamo de vida.
Tenho parado o frenesi e sigo pensando
Aproveitando o bom vento soprando
Ainda concluo meu plano
Mesmo que cruze o oceano.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Frívola
domingo, 3 de janeiro de 2010
O Outro

Ele estava ficando louco
Nesse íntimo de querer ser o outro
Ia aumentando pouco e pouco
E tanto foi que virou muito.
Queria sê-lo e sabia
Tomou namorada experimentou as ex
Como ele vestia
Bronzeou pra igualar a tez.
Já não era pudico era igual
Já era popular nas redondezas
Já falava como tal
Vangloriava espertezas.
O outro dizia-se mito
Ele disfarçava o que podia
Uma cópia de um desconhecido
Mas o desconhecido.
Estudou o elemento a ser copiado
As frases feitas que o outro criou
Estava ficando um sujeito perigoso
Mas no seu íntimo, vitorioso.
E tudo que sabia do outro era fascinante
Mesmo sendo um facínora
Sua vida tosca ficou mais vibrante
Já não é mais o mesmo de antes...
Contemporâneos

Queria escrever algo pra você e pra mim
Mas algo não tão singelo e abstrato
Mas algo tátil e verossímil.
Só queria que você soubesse
De como é feliz sermos contemporâneos
Podia ter nascido no tempo de Dom Pedro
Mas não, dividimos os mesmos tempos
Respiramos os mesmos ventos.
Mesmo errando e sendo humano
Mesmo que faleceremos e seremos esquecidos
Ainda não te esqueci
E somos contemporâneos.
Entra ano e sai ano
As gerações vão mudando
E nós cada vez mais mundanos
Mas não mudam-se os planos
Somos retrógrados
Somos nossos fotógrafos
Pra quem sabe um segundo plano.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Cúmplices
Gosto por não haver vilipêndio
E nada é tão comedido
Em nós dois reside um incêndio
Não existe impulso contido.
Ora, me odeia, destesta
Ora pra esquecer-se de mim
Ora, diz-me não presta!
Ora, que quer então de mim?
E qualquer lugar é um bom lugar
Existe disposição e ânimos comuns
O espião secreto é o luar
A desvendar nossos corpos nus.
Somos cúmplices leais, criminosos
No nosso afã desvairado, secreto
Planos pecaminosos
Executar sempre muito discreto.
Muitos nos julgam, vis
Ela louca, ele insano, ardiloso
Nossos atos sempre muito sutis
Mas o resultado para nós vantajoso.
E nada é tão comedido
Em nós dois reside um incêndio
Não existe impulso contido.
Ora, me odeia, destesta
Ora pra esquecer-se de mim
Ora, diz-me não presta!
Ora, que quer então de mim?
E qualquer lugar é um bom lugar
Existe disposição e ânimos comuns
O espião secreto é o luar
A desvendar nossos corpos nus.
Somos cúmplices leais, criminosos
No nosso afã desvairado, secreto
Planos pecaminosos
Executar sempre muito discreto.
Muitos nos julgam, vis
Ela louca, ele insano, ardiloso
Nossos atos sempre muito sutis
Mas o resultado para nós vantajoso.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Imutável

Sem um pesar para trás
A paz transborda de forma suave
A alegria é a gente que faz
E a minha voa como uma ave.
O ano vem com conquistas reais
O dia começa reluzente infinito
Os dias há tempos não são iguais
Os dias há tempos me nascem bonitos.
Sinto a alma inundada por cachoeiras renovadoras
Nada mais muda o imutável de mim
Estou consciente das alegrias vindouras
Feliz do que fiz e sou bem assim.
Não é nem o início do que me propus a ser
Totalmente satisfeito com minha biografia
Feliz por saber o que é vencer
Mais feliz por não viver em apatia.
Mil conquistas, amores, batalhas
As mãos firmes para dardos certeiros
Enquanto venço uns comem migalhas
Tenho a vida dos grandes guerreiros!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Minimalismos
Não precisa gastar vocabulário pra ficar à minha altura,
Não precisa revelar-te, mostrar descompostura,
Sei que sou combativo, entendo suas agruras
Mas saiba que é ilusão, mentira nua e crua.
Olha, intimidei-me tanto que até fui à sua cidade
O boi de segunda importância se incomoda ainda, verdade
Detentor do poder? Não sabia, agora o sei, rei, majestade
Prometo subjulgar-me e submeter-me à sua potestade.
Gastou um texto considerável com um rival já vencido?
Não entendo esse minimalismo, não sei como pode ser isso
Há tempos não ri desse jeito, há tempos, meu inimigo
Gostei, oh, bobo da corte! Adorei, oh ser submisso!
E uma coisa é certa isso ninguém discorda,
Ninguém tem só a cara, o jeito de ser idiota,
Um nerd como você, tapado como uma porta,
Não creio chegar mais longe que a segunda, mas a mim não importa.
Imagino como deve ser triste saber da minha armadura
Quero que use seus artifícios, use sua força, gordura
Já que és acostumado com as estantes mofadas e escuras
Já que no fundo sabes não ser o que ela procura.
Mas subestimei meus próprios talentos e conquistas e vivo
Vivo tanto que às vezes perigo
Espero que dure pra sempre meu "amigo"
Pra que sintas futuramente o inferno contigo.
Acho que tens o dom, tens o poder, é adivinho
Posso chegar a oficial, se esse for o caminho
Não tenho medo de nada, tampouco de ti, nem um pouquinho
Mas quanto a você tenho minhas dúvidas, nobre proletário boizinho.
Sinto alegria ao acordar a cada dia
Pois vejo ataques como razões de só ser mais eu
Sinto alegria ao conquistar o que eu bem queria
E goze o presente usado que o amigo um dia te deu.
Não precisa revelar-te, mostrar descompostura,
Sei que sou combativo, entendo suas agruras
Mas saiba que é ilusão, mentira nua e crua.
Olha, intimidei-me tanto que até fui à sua cidade
O boi de segunda importância se incomoda ainda, verdade
Detentor do poder? Não sabia, agora o sei, rei, majestade
Prometo subjulgar-me e submeter-me à sua potestade.
Gastou um texto considerável com um rival já vencido?
Não entendo esse minimalismo, não sei como pode ser isso
Há tempos não ri desse jeito, há tempos, meu inimigo
Gostei, oh, bobo da corte! Adorei, oh ser submisso!
E uma coisa é certa isso ninguém discorda,
Ninguém tem só a cara, o jeito de ser idiota,
Um nerd como você, tapado como uma porta,
Não creio chegar mais longe que a segunda, mas a mim não importa.
Imagino como deve ser triste saber da minha armadura
Quero que use seus artifícios, use sua força, gordura
Já que és acostumado com as estantes mofadas e escuras
Já que no fundo sabes não ser o que ela procura.
Mas subestimei meus próprios talentos e conquistas e vivo
Vivo tanto que às vezes perigo
Espero que dure pra sempre meu "amigo"
Pra que sintas futuramente o inferno contigo.
Acho que tens o dom, tens o poder, é adivinho
Posso chegar a oficial, se esse for o caminho
Não tenho medo de nada, tampouco de ti, nem um pouquinho
Mas quanto a você tenho minhas dúvidas, nobre proletário boizinho.
Sinto alegria ao acordar a cada dia
Pois vejo ataques como razões de só ser mais eu
Sinto alegria ao conquistar o que eu bem queria
E goze o presente usado que o amigo um dia te deu.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Ave da Mente

Quando olhas para mim vê uma figura deprimente?
Solta gritos por aí que sou um fraco, inconsequente?
Mas acredite que sou mais que uma postura surpreendente
Sou aquilo que procuras de uma forma complacente.
Viajo dia e noite nas loucuras mais dementes
As pessoas mais sadias são aquelas tidas doentes
Sigo a trilha da vida e a persigo avidamente
Pra fazer voar de repente e cantar a ave da mente.
Consigo tudo que quero e o faço arduamente
Habito seu pensamento, resido sua alma, sua mente
Revisitei nossos lugares, passado, futuro e presente
Hoje controlo minha calma, pois tenho vitórias à frente.
Assumi meu posto e não vi empecilhos na minha frente
Achei que haveria barreiras que quebraria com minha torrente
Achei que seria mais firme, mais viva, combativa, mais quente
Nem ao menos prendeu em correntes a ave da minha mente.
Você já me sabia astuto e inteligente
Conseguia o que não podia resoluto e intransigente
Fiz por merecer e o fiz avidamente
Mas acho que não conhecia, apresento-te a ave da mente.
Saiba que o ser combativo e bélico é inerente
Perguntei-te mil e cem vezes mesmo assim você não entende
Se achavas que um dia seria só calmaria, condescendente
Perdeu o fio da meada, perdeu-se avidamente.
E jamais quis seu presente, processos, papéis. Deprimente.
Não entendo seu riso forçado, viveria amargamente
Sou mais que um dia trancado, sou o pôr do sol, se me entende
Jamais sentirás o que sinto pois não tens uma ávida mente.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Rotundo...
Tela: O nascimento do mundo - Salvador Dali - 1943

Às vezes sou complacente
Às vezes condescendente
Às vezes um cara decente
Mas só às vezes, entende?
Um dia implico com o mundo
Um dia de ser vagabundo
Um dia de ir lá no fundo
Um dia dou a volta por tudo.
E quase insano e vilão
E quase quebrei o violão
E quase voei de avião
E quase ganhei um coração.
Às vezes ganho a partida
Às vezes choro a partida
Às vezes a vida é partida
Às vezes a vida não é vida.
A vida é uma corrida intransigente
A vida é uma partida indecente
A vida é entupida de gente
A vida é insana e demente.
Lúgubre e lamaçal
Fúnebre e nada mal
Profundo e tudo igual
Rotundo e mal e mal...

Às vezes sou complacente
Às vezes condescendente
Às vezes um cara decente
Mas só às vezes, entende?
Um dia implico com o mundo
Um dia de ser vagabundo
Um dia de ir lá no fundo
Um dia dou a volta por tudo.
E quase insano e vilão
E quase quebrei o violão
E quase voei de avião
E quase ganhei um coração.
Às vezes ganho a partida
Às vezes choro a partida
Às vezes a vida é partida
Às vezes a vida não é vida.
A vida é uma corrida intransigente
A vida é uma partida indecente
A vida é entupida de gente
A vida é insana e demente.
Lúgubre e lamaçal
Fúnebre e nada mal
Profundo e tudo igual
Rotundo e mal e mal...
domingo, 6 de dezembro de 2009
Constatações
O que houve amigo?
Onde está a soberba em mostrar-me seu retorno triunfante?
Parece que perdeu-se no caminho
Outra vez a mesquinharia, o vínculo, amante?
Parece que temos mais em comum que pensamos
Perdemos o que não tínhamos e erramos
Corremos, esperamos e alcançamos
Mais virá que não sabe sem engano.
É o preço de se tentar tirar da cabeça o que não sai do coração
Os tempos mudam, as venturas são outras
O outrora é por fora, conheça novas garotas!
Mas parece em vão...
Parece em vão.
E tudo vejo que constatações numa tarde fosca
Acha que me entristeço ao ver suas imagens felizes, belas?
Melhor é vê-la mesmo contigo pois felicito-me da sáude dela
Ver sua pele, seu sorriso, sua alegria tosca.
O que houve amigo?
Parou de exibir seu falso status, seu enlace bobo?
Até admiro sua vitória calcada em minha burrice, meu estardalhaço...
Mas parece um jogo, apesar de vitoriosos ficamos aqui com cara de palhaço.
Que pele tem ela né?
Engendrou uma trama ou te jogou da teia por não tratá-la como uma "dama"?
Siga com fé...
Apesar que esperanças nunca são muitas pra quem esperou e viveu tanto drama.
Onde está a soberba em mostrar-me seu retorno triunfante?
Parece que perdeu-se no caminho
Outra vez a mesquinharia, o vínculo, amante?
Parece que temos mais em comum que pensamos
Perdemos o que não tínhamos e erramos
Corremos, esperamos e alcançamos
Mais virá que não sabe sem engano.
É o preço de se tentar tirar da cabeça o que não sai do coração
Os tempos mudam, as venturas são outras
O outrora é por fora, conheça novas garotas!
Mas parece em vão...
Parece em vão.
E tudo vejo que constatações numa tarde fosca
Acha que me entristeço ao ver suas imagens felizes, belas?
Melhor é vê-la mesmo contigo pois felicito-me da sáude dela
Ver sua pele, seu sorriso, sua alegria tosca.
O que houve amigo?
Parou de exibir seu falso status, seu enlace bobo?
Até admiro sua vitória calcada em minha burrice, meu estardalhaço...
Mas parece um jogo, apesar de vitoriosos ficamos aqui com cara de palhaço.
Que pele tem ela né?
Engendrou uma trama ou te jogou da teia por não tratá-la como uma "dama"?
Siga com fé...
Apesar que esperanças nunca são muitas pra quem esperou e viveu tanto drama.
sábado, 28 de novembro de 2009
A Fonte (Metade de Mim)

O amor é clichê
Quem pintou os lábios teus?
Quem desenhou as tuas curvas?
Será obra de algum Deus?
Como são quentes suas coxas
Que me envolvem em noites frias
E são decentes essas moças
Na minha mente fantasias.
Sei do amor suave e intempestivo
Por isso vivo tenro e inflamado
Se penso em ti sinto lascivo
Se vivo em ti sei que amado.
Quero habitar a sua boca
Residir na sua carne
Desvendar a pele louca
Roubar-te até mais tarde.
Alimentar-te, seduzir
Engravidar-te de desejos
Sublimar, abduzir
Suforcar-te nos meus beijos.
Venha à minha fonte e beba
Sacie a vontade enfim
Peça, implore e receba
Quem sabe a metade de mim.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Agruras

O que foi feito das reminiscências?
Agora só restam excrescências
Todos já sabem nas adjacências
De todas as suas incongruências.
Lamentável, ponto final.
Segue-se sem reticências
Mas reticente afinal.
Adiantou toda mácula dirigida?
Que virtude logrou de fato?
Teve êxito no intento fraco?
Agora fica aí corrompida...
Órfã da bondade irmã,
Sem julgo, sem crime, nada.
Desejo de uma dor pagã;
Sem rumo, sem tino, estrada.
Fim das lamúrias de outrora e venturas
Finalizo aqui sem consciência de ti
Sorri ao me aperceber das agruras
E só agora finalmente me vi.
Aos arredores percorre
No meu encalço, desatinada
Por pormenores já morre
Mas não adianta de nada.
Cavou fundo seu poço, imatura,
Talvez a procura de água;
Seu esforço se tornou sepultura
Meu amor por ti virou mágoa.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Carta de Amor (...)

Os olhos distantes e intensos,
O aspecto infante de antes,
Os momentos parecem tão tensos,
O peito em chamas, arfante.
Vejo desejo nos olhos seus,
Um porto seguro na sua inconstância,
Você é perfeita, um presente de Deus,
Um brinde a doçura, ao amor, à infância.
Uma pureza que fiz votos de abolir,
Mesmo assim fico perdido se a encontro,
Um fascínio que me dá ao ver sorrir,
E ao lembrar da sua beleza fico tonto.
Mais feliz é saber do seu amor,
E quando diz que ainda me ama e quer amar,
E sem dormir enche meu peito de um calor,
E fico a noite toda em claro a delirar.
E quem viveu um amor que nos vivemos
Sabe bem o que é viver em sonhos lindos,
E se promessas um ao outro nós fizemos
Agora resta finalmente nos cumprirmos.
Viajo nos seus olhos, seus cabelos
Da sua pele, a maciez, uma delícia,
Seus encantos sei que em breve posso tê-los
Enfim te dar o meu amor, a ti, Patrícia.
Esse poema é dedicado ao seu sorriso,
É uma canção a sua beleza, sua ternura,
Pra que saibas o quanto amo e te preciso,
É uma carta de amor sincera e pura.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Expectativas distantes

Às vezes me detenho
Em expectativas distantes
Num promissor presente
Em algo como antes.
Vivenciar algo novo
Com pessoas do passado
Mas eu vejo é só um jogo
Um mosaico ultrapassado.
Tem rostos que não vejo
Desde quinze ou treze anos
Que sabores tem os beijos?
Quando foi que nos falamos?
E mesmo que já saiba
Que quero alguém pra mim
Talvez já não mais caiba
O amor que sinto enfim.
Sinto tanto amor no peito
São tantas elas e caminhos
Minha vida é desse jeito
Muitas flores muito espinho.
Um dia em minha vida decerto
E entenderia meu desatino
Sentiria no peito um deserto
Sentiria enfim o que sinto.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Vivacidade

Com as energias recarregadas
Não quero nada que venha de graça
Não quero nada que eu não conquistara
Sou o cara mais feliz da praça.
Um sorriso aberto de fotografia
Ela me dizia "dá um sorrisão!"
Havia tempos que eu já não sorria
"Ah, vida boa, mundão!"
E por mais que eu pulasse as etapas
Tem gosto melhor que a vitória tardia?
Dar cara ao embate dar cara aos tapas
Agora a luz em minha face irradia.
Eita amorzão que trago no peito
Uma paixão desenfreada pela vida sem freio
Mesmo mudado mas do mesmo jeito
O coração inundado e de amor todo cheio.
Sente a vivacidade em meu sorriso, meu rosto?
Trago o velho sorrisão armado e real
Acabaram-se as rusgas, o mal e o desgosto
Agora só resta o que vir afinal.
Pronto pra amores, sem dor, nem revolta
Sinto o calor do afeto e desejo
Sinto amores explodindo a minha volta
Antes não via mas agora já vejo.
Estou andando só mas comigo mesmo
Escolhendo como outrora quem segue meus passos
Continuo colhendo flores a esmo
Mas agora não deixo mas saberem o que faço.
Sinto-me vivo e vivo a cantar
Espalhando vivacidade por todo a parte
Prossigo andando e não me fazem parar
Com um sorriso estampado no rosto de tarde.
No auge de mim mesmo e vou mais além
Caminhando sempre com a alegria notória
Essa mesmo eu que não precisa de alguém
Pois sozinho comigo vou de encontro à vitória.
Mil perdões

O tempo vem como bom amigo
Hoje nada posso dizer-lhe que mil perdões
Aprendi sim muito contigo
De nada vale o jogo e vivendo vi mil lições.
Revejo hoje sorrisos sinceros
Estampados em fotografias digitalizadas
Relembro momentos eternos
Em algum lugar da memória datas gravadas.
Não posso reviver e creia fico feliz
Os dias melhores mesmo que antagônimos vieram
Não tem como se viver por um triz
E os sentimentos em suma não morrem
Esperam.
Quero que vivas mil venturas
Com quem quer que seja em qualquer lugar
Mesmo que a minha alma sempre à sua procura
Mesmo que a minha alma viva sempre a rodar.
Perdoe-me os desatinos e a desatenção
Perdoar não enseja um recomeço o amor
Só livre-me da detenção
Que causei a minha alma com tanto desamor.
Desculpe-me a dor e o flagelo tão intenso
Que causei à tua pele que eu tanto amei
Sei que o estrago que fiz foi imenso
Mas um dia ao matar nosso amor me matei.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A rua não é um bom lugar

Preciso um novo porto seguro
Até porque você não é o que procuro
Os momentos com você são doentes, doentios
E os caminhos que fazemos são oblíquos, obscuros.
E definitivamente a rua não é um bom lugar
E o amor que tem na mente logo vai se dissipar
E o ardor que tem na carne é como brasa a se acabar
Mas as cinzas que sobraram ainda queimam sem parar.
Os ventos sopram suaves mas os ares são estranhos
Faz anos que venho tentando mas o outro está ganhando
Um carro desgovernado por pouco não acerta meus planos
E o tempo mal acabado mostrando-se cruel e vilão.
Cansado de palavras nefastas e aturdidas e massantes
Os problemas passageiros as nostalgias são passantes
À mercê de corações alheios à mercê de uns bons calmantes
Essa é a vida de nós humanos transeuntes, incautos, infantes.
Na beira da estrada, uns com namoradas, ficantes
Na margem, na calçada, nós vagabundos e amantes
Uma fuga tresloucada na madrugada e em instantes
Um carro desgovernado amassado pelos corpos de antes.
Tiram cacos de vidro da boca da menina arrumadinha
Respiração boca a boca tirando sangue à reviria
Os cortes à mostra nos rostos da juventude insandecida
Mal sabiam o que viria, quem sabia o que viria?
Nem testemunha, nem nada, nem lua cheia, tumulto
Nem alma viva, fantasma, só correria e insulto
Por uma unha não estava estirado na rua de bruços
Com os cacos de vidro e estilhaços de carro, de gente, de tudo.
sábado, 14 de novembro de 2009
Mais uma noite em que a levo pra casa

Mais uma noite em que a levo pra casa,
No caminho conversas pausadas,
Fico sem graça, faltam palavras,
Sobra silêncio, faltam risadas.
Gosto de rir da sua fala engraçada,
Mas meu desejo era estar bem mais perto,
E bem mais longe desta calçada,
Com você um dia, decerto...
Consiga falar-te, inquietar-te na cama,
Quebrar todos os seus preconceitos,
Acabar de vez com meu drama,
Entender seu modo, seu rosto, trejeitos.
Mais uma noite em que a levo pra casa,
Sem carro, sem muita coisa a dizer,
Apesar de sentir o peito em brasa,
Sinto agonia, paixão e amor por você.
Mas de qualquer forma fi-la parar,
Para não deixar nenhum mal-entendido,
Não quero que saibas assim pelo ar,
De um amor platônico correspondido.
Quero que durmas suavemente
Com minhas palavras invadindo seus sonhos,
Meu rosto completando sua mente,
Mas infelizmente só sonhos.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Imperfeições

Não sou perfeito
Talvez um defeito que muitos queiram ser
Não sou um sujeito
Mas estou sujeito aos seus trejeitos que insiste em ter.
Não fui eleito
Nem homem feito pra ser do jeito que quer que eu seja
Mas tá desfeito todo encanto que um dia atribuí a ti, sua beleza.
Guardei suas afeições em odres de perfume e todas as suas imperfeições
Vibrei de emoções
E restaurei o que havia de podre e negrume nos dois corações.
Ganharia mil almas
Se restaurasse de todo os complexos, a vida, os sonhos e a calma
Uma salva de palmas
Se lavasse seus pés e regasse de flores, refrigerasse sua alma.
Mas já foi superado
O novo é sempre torpe e o que lhe trago é muito vago
Todo o resto é ultrapassado
Sei que tens um novo e meu lugar hoje é a gaveta lá do passado.
Sem conjeturações
Pois minha aparência é a de espectros noturnos e nauseabundos
Cem especulações
Do que é decadência, e aspectos soturnos que assombram seus mundos.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Só por você

Hoje o vento toca cuidadosamente seus cabelos,
Não há mais percepções de antigas maledicências,
Não é preciso ouvir mais as canções de romances perdidos,
Todos já sabem do amor no seu peito nas adjacências.
Uma orquestra reverberando a canção da sua vida,
Nossas vozes tornam uníssonos nossos desejos,
Ah, faz tanto tempo que foi reconstruída
A coisa mais linda que é nossa união consagrada por beijos.
E ouço violinos quando estamos juntos, sozinhos;
Construímos um ninho de confiança plena e perpétua,
Os caminhos que são trilhados já sem espinhos,
E as ruas em que nos amamos estão desertas.
Fizemos promessas de você ser minha por já ser seu,
Eu vi meu Deus ao olhar dentro de ti,
Vi que Deus existia nos olhos seus,
E por crer que era um anjo logo morri.
Guardo acordes de violão melódico em composições suas,
Passei a vida escrevendo um reencontro nosso,
Se lembro de ti vem recordações de duas almas nuas,
Só por você escrevo canções e faço o que posso.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Não é reviver

Os mesmos locais
Outras circunstâncias
Os dias anormais
As mesmas inconstâncias.
Creio que os mesmos lençóis
Outras cores de cabelo
Os dias talvez iguais
Na alma um frio, um gelo.
O mesmo número do quarto antigo
As mãos enlaçadas são outras
Parece um crime, um cinismo, um castigo
Nas calçadas estranhas pessoas.
As mesmas ações desencontradas
Os mesmos locais sem propósito de propósito
Talvez não mesmo as mesmas palavras
Talvez fosse notório demais o óbvio.
E o fogo talvez ameno e normal
Antes queimava o peito e o corpo todo
Mesmo assim há o pecado e capital
E ainda sinto vivo o extinto antigo jogo.
Não é isso que pensas, não é reviver
É reinventar o impossível, o morto
É tentar enxergar o que não soube ver
É tentar ser feliz usando um corpo outro.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Começar de novo

Reinventando o presente
Cultivando alegrias
Semeando as sementes
De bons novos dias.
Afinando a vida
Diapasões de cristal
Reconstruída
De sorrisos e tal.
Planto flores no seu caminho
Pois és vencedora e merece
De cada rosa tirei o espinho
E sei que agora as me oferece.
Já destituída
De ressentimentos remotos
Reconstroi-se a vida
Sem velhos remorsos.
Erforço-me todo
Pra sem turbilhões
Pra sem mais engodo
Que tem aos milhões.
Retumba como águas incontroláveis
De devaneios velhos e quimeras tolas
As emoções se fizeram estáveis
E as perturbações se acabaram todas.
Começar de novo
Porque começar é para os fortes, os bons
Te desejo o dobro
Pois das canções de amor tu me deste os tons.
domingo, 1 de novembro de 2009
Respiração
Conte até dez, respire...
Se soubesse antes
Tudo diferente.
A pressão sanguínea insandecida
Só de saber da sua vida
Tudo fora de medida
Sem saber da sua vinda.
Conto até oito e suspiro...
Falta você e onde procuro
Não acho e me viro
De encontro com o muro.
Conto até cinco e prossigo...
Não consigo parar de sonhar
Sei que contigo é perigo
Mas por que divagar, divagar?
Se soubesse antes
Tudo diferente.
A pressão sanguínea insandecida
Só de saber da sua vida
Tudo fora de medida
Sem saber da sua vinda.
Conto até oito e suspiro...
Falta você e onde procuro
Não acho e me viro
De encontro com o muro.
Conto até cinco e prossigo...
Não consigo parar de sonhar
Sei que contigo é perigo
Mas por que divagar, divagar?
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O último ato

Preparado pra batalha
De espada e navalha
Um sorriso na cara
A idéia não falha.
Um escudo içado
O braço maior que o seu
Enfim restaurado
O fim será seu.
Soldado do meu ego
Luto com armas descomunais
Luto com armas de ferro
E com garras de animais.
Fujo tão rapidamente
Que você nem se apercebeu
Que controlo sua mente
E o jogo perdeu.
Ainda vou no seu encalço
Aguarde sem pressa e sem medo
Cuidado o passo em falso
Que sua cena termina mais cedo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Um doce dia para Ananda - O Dom de Ananda (Parte 3)

Enquanto Dom cada vez mais se enternecia da figura quase angelical de Ananda, e já quase superado o trauma daquele encontro mal sucedido, esta por sua vez lutava para controlar as sensações que seu corpo experimentava, queria compartilhar com ele, ela carrregava o desejo no olhar, como ele não percebia? E não percebia. Dom só vislumbrava aquele estar junto, saborear os beijos de Ananda, passear de mãos dadas, observar o pôr-do-sol irradiar-se sobre os cabelos da bela em um banco de uma praça qualquer. Hoje sabia que a palavra Ananda é um termo sânscrito que significa felicidade suprema, e a Ananda que ele amava, já na época, lhe proporcionava exatamente o que o nome sugeria. O dom de Ananda era dar felicidade suprema ao próprio Dom. Mas para ela esse estado de consciência ainda não era pleno, pois o que seria da felicidade da alma se o corpo estava insatisfeito?
Lembrou-se Dom de que certa noite estivera com Ananda na velha praça da cidade e a beijava carinhosamente em meio aos transeuntes e recostado a um banco, a tenra idade o impedia de lances maiores, mas num instinto que surgiu como um feiche de luz numa floresta fechada, este beijou calorosa e umidamente o pescoço da jovem e ainda mordiscou-lhe o lóbulo da orelha, pôde sentir os arrepios, os pêlos se eriçavam e era possível percebê-los, com os olhos entreabertos pôde ver Ananda de olhos fechados e lábios entreabertos como que sussurrando algo a si mesma, mas de súbito Dom interrompeu aquilo, não sei, sentiu-se incomodado, parecia estar violando um segredo que não podia, ou ao menos não estaria preparado para descobrir. Ela abriu os olhos lentamente como que despertada de um encanto feito fogo que mal começara a queimar-se de todo.
Havia duas coisas em Dom que realmente encantavam Ananda: O sorriso e os beijos. Ah, o sorriso de Dom, para ela era como se o mundo mudasse de todo quando ele abria o sorriso, parecia que todos apreciavam, pois era tão puro, verdadeiro e encantador. Ele poderia armar as maiores travessuras no colégio, mas para Ananda era impossível alguém irritar-se com aquele Dom de sorriso largo, sempre. Quanto aos beijos? As noites eram quentes naquela cidade em que um dia estaria a milhares de quilômetros de distância, aquela pequena cidade; nessas noites ao lembrar dos beijos úmidos, intensos e demorados de Dom, se revirava no lençol da cama, abraçava o travesseiro com força, o colocava entre as pernas, e os beijos de Dom, as mordidinhas nos lábios, suava o seio pequeno e perfeito, mordia os dedos dentro da boca, umedecia-os, ora ousava um toque mais íntimo quando ainda molhados, ora agia com mais vivacidade. O frenesi era intenso.
Não que não houvesse o mesmo desejo no rapaz, de modo algum, ela a tinha como uma peça rara, uma relíquia que conquistara, afinal foi nada fácil convencer as irmãs de Ananda a permitirem aquele romance. Ia arriscar uma ousadia e perder aquilo que lutou por três anos para conseguir? Jamais.
Aquilo da alça fora premeditadamente arquitetado por Ananda, não era possível que não. Tínhamos combinado nos ver segunda, quarta e sexta e nos fins de semana ficava a combinar, e assim ocorreu. Naquela semana, Ananda foi todos os dias da semana na casa de Dom e na sexta ocorreria o fato. Geralmente ela chegava, ouvíamos música, às vezes comíamos alguns petiscos, conversávamos, nos beijávamos e pronto, logo ela ia-se embora e eu ficava a observá-la a caminhar. Os quadris largos, o belo sorriso, e de quando em vez ela se virava apenas para mandar um beijinho. Ele sorria, sorria e retribuía. Felicidade suprema.
Na sexta, por algum motivo, já estava tenso, algo me dizia que o romance caminhava para um ponto crucial, o fogo de Ananda já lançava faíscas sobre o meu rosto; seu corpo era um vulcão prester a explodir, melhor, era uma granada pronta para querer detonar, mas o estopim estava em minhas mãos.
Alguém que estivesse na sala, naquele momento veria, que, quando Dom estava beijando Ananda, de olhos fechados, compenetrado, esta remexeu um dos ombros para frente e para trás com delicadeza, e, sutilmente, a fina alça da blusinha cor-de-rosa sedosa deslizou pelo braço, Dom já estava beijando seu pescoço, e, ao abrir os olhos, pôde ver com perfeição um dos seios de Ananda quase que completamente exposto. O que fazer? O que fazer? Tinha que dar uma resposta, melhor, tinha que agir como resposta àquele fatídico e maravilhoso acontecimento. O tempo urrava exigindo a resposta e, mais inconveniente seria aquela situação perdurar sem qualquer reação de Dom. Mas a resposta não vinha. Creio que mordi os lábios, umedeci-os, a vontade mais lógica e intensa era acolher aquele seio pequeno e perfeitamente rijo nos meus lábios, ia brincar com ele, deslizar a língua por aquele bico róseo e tentador, provavelmente desceria a outra alça teimosa, faria de Ananda o doce mais saboroso da face da terra, e deveria ser provado com suavidade e sem pressa nenhuma. Contudo, a moça parece que percebia essa vontade e, creio hoje, até ansiava por isso. Ela já parecia deitar-se sobre o sofá esperando algo que não fosse o que foi feito, ou seja, nada.
Com a cara mais desapontada e infantil possível, Dom, com muito carinho, fez a alça voltar ao lugar de onde caíra. Sentiu-se tonto, mais tonto ainda, quando da afeição nada satisfeita de Ananda com sua atitude, ou sua falta de atitude. Mas era tarde, o destino, só age uma vez, pelo menos cria ser o destino. Não era.
Não consegui levar Ananda ao seu estado de ananda, e o dom de Ananda era fazer-me sentir cada vez mais apaixonado, e ao mesmo tempo, cada vez mais sem noção do que era realmente o certo a se fazer. Hoje sei que o certo nunca agradou muito a Ananda, nem tampouco a Lascívia, ou a Virgínia ou a quem quer que eu tenha conhecido. Contudo, o que de fato sei é que ainda hoje ela pode se vangloriar em dizer que eu sou o Dom de Ananda. E ela a felicidade, minha e suprema.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Um doce dia para Ananda - Lascívia (Parte 2)

Lascívia era amiga de Ananda, e ela a influenciava de certo modo; e para muitos, Lascívia era algo mais que um encanto de menina. Não que esta fosse desatinada, não, de modo algum, apenas se levava pelos afãs de sua alma. Deixava galopar os cavalos da sua vontade própria sem as interferências do mundão rude lá fora. Ananda sonhava ser aquilo tudo, talvez fosse demais, talvez fosse muito pra sua alma ainda vazia, mal sabia o que se achegaria.
Lascívia enamorava-se de um rapaz, e quando do início do romance de Ananda com, vamos dar um nome ao outro, ou melhor, a mim mesmo... Não sei. Acho que "Dom" é um bom nome e eis que surge o nome, o meu nome. Pois bem, quando Lascívia teve envolvimento com um tal rapaz, e Ananda mal começara seu romance com Dom, a amiga sugeriu que fossem os quatro, a um campo de futebol, jogar bola? Errado. O campo era antigo e, de certo modo, até assustador; haviam eucaliptos que guarneciam a longa entrada que fazia chegar ao reles estádio, sem antes ter que passar por um terreno baldio, coberto de mato, com exceção do estreito trieiro que fazia a conexão ao recinto. A idéia, a princípio, era que nos conhecessemos melhor, até por que, segundo Ananda, Lascívia e o outro eram assíduos frequentadores desse bizarro local, contudo me privaram dos detalhes mais imprescindíveis.
O combinado era que Dom fosse primeiro, às três da tarde, e aguardasse a chegada dos demais, e como este era completamente apaixonado por Ananda, aceitou a proposta. Fez o tortuoso caminho a pé pelo trieiro obscuro, sentiu-se só ao chegar no velho estádio, pensava em Ananda, nos seus olhos, tão verdes; olhou para o lado e vislumbrou um lago de água marrom onde jaziam galhos secos em seu meio. Andou mais um pouco, sentou-se na arquibancada a contemplar o velho campo, agora cheio de ervas daninhas, inclusive algumas bem altas já pela falta de uso. De repente algo avassalador atingiu sua memória; lembrou-se de uma história, e sabia verdadeira, que num passado não muito recente, alguns meninos jogavam futebol naquele campo e que, já no fim do jogo, um dos garotos caíra morto no gramado, fatalmente acometido por um ataque cardíaco fulminante. A cena era triste, de fato. Contudo, neste momento o que mais fazia lembrar na mente de Dom era que os outros garotos diziam que às vezes, no fim da tarde, era possível ouvir um barulho como se alguém estivesse chutando uma bola no tal campo e o barulho da rede ao receber a bola, por sua vez, e pra piorar, quando era possível ouvir esses barulhos não havia uma só pessoa dentro do dito campo; segundo os garotos era típico do jovem finado ficar chutando ao gol, sem goleiro, quando em vida.
A idéia era assustadora, Dom não sabia o que fazer, se remexia no lugar, tapava os ouvidos, olhava para o lago, o que sabia era que não queria ouvir os tais barulhos, e ainda mais que saberia teria que correr por mais da metade do campo até chegar ao velho trieiro que dava acesso à rua. Se não fosse por Lascívia não estaria ali, tinha que culpar alguém, como era burro, pensava, culpava a si mesmo, burro e ainda por cima medroso, terrivelmente medroso. Mas e Ananda? Teria ela um pouco de culpa porque assentiu com a idéia de Lascívia? Jamais, Ananda jamais teria culpa. O pior era que a hora não passava, talvez porque viera sem relógio, mas não passava, e eles não chegavam. Será que me dariam o bolo? Estariam rindo de mim agora? Talvez me vendo de loge... E o fantasma, será que ia bater uma bola logo hoje que estou só aqui? E agora?
Não cairia mais em ciladas de mulher, estratagemas nefastos, aos quatorze anos e já sofrera uma enorme decepção, será que era preciso mais uma? Havia composto canções para Ananda ainda na escola, a vigiava na educação física desde uns três anos atrás, e à primeira vista choquei-me com seu encanto inexprimível. Colocava a mão nos ouvidos, não quero ouvir os sons, mas ainda ouvia os passarinhos e o vento nas folhas das árvores. Onde eles estão? Nas festas da cidade, eu corria atrás das irmãs de Ananda e sempre perguntava por ela, mas sempre diziam "Ananda é nova demais, espere mais um ano." E agora que consigo uma chance estou aqui sozinho, aflito, tenso, com medo... Traído? Num momento dissipou-se de todo o mal estar, ao longe vi três figuras conhecidas seguirem pelo estreito caminho; a silhueta de Ananda era inconfundível, possuía quadris superiores aos das meninas de sua idade e até mais velhas que ela, e cabelos cacheados e pele alva como uma atriz de uma minissérie que estava no ar. Perfeita!
O temor passara de todo, creio que nem lembrava mais da tal história assombrada. Mas mais tarde outro temor se achegaria, e se achegaria outras vezes, e por conseguinte o mataria, não a Dom, mas o romance que mal e mal começara.
Tão logo chegaram os três, após um breve cumprimento Lascívia e seu par saíram rapidamente e de mãos dadas para um canto do estádio, onde em breve, não pude mais vê-los; é, deviam conhecer mesmo o local, e deixaram-me a sós com Ananda. Era nosso primeiro encontro em um local assim. Não sabia como proceder, sentamo-nos na velha arquibancada. Após minutos angustiantes de silêncio começamos a conversar, as conversas eram vagas e desencontradas, às vezes sorríamos. Dom não conhecia o âmago de Ananda, seus interesses ou desejos mais íntimos, nem sabia que os tinha!Por Deus! Se soubesse, quantas e quantas vezes as duas amigas dormiam juntas na casa de Lascívia e passavam a noite a dividir segredos e fantasias a respeito dos homens. Mesmo que virginal, Lascívia nutria uma admiração por Dom, uma vontade de tê-lo em sua cama, aconchegá-lo em suas pernas fartas, experimentar o que até então eram só palavras da experiente Lascívia. E a conversa transcorria monótona quanto o momento, a falta de movimento, as mãos atadas. Dom tinha uns cd's em mãos que pretendia emprestá-los a sua amada e assim o fez. Após algumas horas de inércia quase total, o desfecho. Uns beijos e já era dada a hora de ir-se embora.
Nunca mais vi meus cd's e tampouco Ananda, não nessa mesma ordem, ainda tive um ultimo encontro com ela, não tão menos cretino, aquele da alça traiçoeira. Ainda não acabou. Um dos artistas do cd cantava assim "Remember today, i've no respect for you... and I miss you love...", mas no meu caso foi exatamente o contrário. O respeito acabou comigo. Mas a música era boa, doída, mas boa.
Fico só pensando no desapontamento de Ananda naquela tarde. E o meu comigo mesmo? Esquece.
sábado, 24 de outubro de 2009
Um doce dia para Ananda - Pálida (Parte I)

A manhã feito um quadro da monotonia pintado a óleo e insensatez lúcida. Queria armar jogos de montar dos obstáculos adiante. Sempre adiante. Para entender é necessário saber que eu estou para a poesia como as folhas estão para uma árvore, bem como Ferreira Gullar para o poema sujo; apesar de haver árvores secas, mas estas são poucas.
A chuva grita sobre os telhados fazendo jorrar os pensamentos daqueles que a escutam em seus quartos, se imaginando sob a película úmida e tenra que a mesma proporciona a algum corpo cansado das letras nefastas. E o dia claro aqui.
Ainda é ainda. Daí o tempo não anda. Chora-se por que fui parar aqui, por que ir pra mais longe, buscar o horizonte. Caminhada tola sem nexo, busca-se a distância freneticamente para refugiar-se de si. Ainda está por vir, ainda está por vir. Queria vê-lo uma hora dessas, seria uma honra; pode fumar seu cigarro do tempo, que o deixa lento, lento... E você cansado. Eu deixo.
Ela não é mais ela, deixou de sê-la desde que parti. Traz consigo uma bolsa a tiracolo contendo batons e outros desmazelos. Em seus olhos leio a carta destinada a mim, o causador da sua intemperança. Tem expressões hostis. Uma música soa ao fundo em um quarto escuro contendo outras personificações de várias faces, e ainda a leio, e as faces se misturam, emaranham-se, se engolem todas, várias. Agora resta ler o resto. Sempre que pude tentei entendê-la, mas não de todo, não quero ficar louco. Ela é pálida feito as manhãs as quais teço, feito feixes de lua por entre galhos de árvores também soníferas, causam tanto frenesi quanto. Ela é, a propósito, o frenesi. Tem noites em que sai, desvairada, à procura daquilo que nem mesmo sabe. O vigor que torna rija suas carnes proporciona erupções de sentimentos sulfurosos e cálidos e passantes. Não se deixa de toda dominar apesar de ser presa fácil e saber disso. Não sei bem o que se passa no âmago das suas emoções, afinal, sou homem e só as mulheres o poderão saber e creio já o sabem ou imaginam ao menos.
Ele frente a ela sente-se um ser inerte como aquele que outrora fora subitamente acordado logo pela manhã e se deparara com aquela imensidão verde que o assaltou, aquele lago retínico e profundo e cheio de folhas secas subentendendo águas rasas. Geralmente águas assim matam aqueles que ousam mergulhar. Eu mergulhei. Não é que era vil ou vilã ou algo do tipo, creio agora que era uma mistura de tantas outras meninas da sua idade querendo crescer por conta própria, ignorando a coerência natural deste mundo. Quatorze ou quinze, quem o diria? Hoje penso que será que teria acontecido se tivesse aceitado ir tomar banho de rio, não de lago; aliás, nem sei o motivo que a levou a me fazer tal proposta. Por mais que reviva aquele ontem, o hoje é muito severo e me priva de detalhes imprescindíveis. Incrível.
Agora penso já não ser tão incapaz de saber seus sentimentos, pelo menos as emoções. Cria ser imaturo para essas inclinações, mas bem que tremi quando do escape da alça de seus ombros alvos por um movimento tão sutil que pensei fosse acidente. A queda desta mostrou-me as maçãs dos seios tão brancos quanto a face lunar, quase desvendando os bicos novos, rígidos, róseos, creio saborosos. Pensava naquele rosto tão simetricamente delicado misturando nuances entre mimo e rebeldia bem tênue, inexistência de lascívia que... Existia? O momento foi tão premeditadamente desprovido de conjeturações descabidas até a hora final em que o destino, o universo, sabe lá o quê, armou todos os estratagemas para aquele encontro fatídico às minhas costas. Fui joguete do acaso, marionete imberbe e tolo de algum ator sarcástico e perverso, e pornô também. Sujo, sujo!
Quando a presa chegara-me a casa, por alguma força qualquer, após um ou dois beijos dados, inocentes, pequenos, meus pais deram de ir à igreja naquela hora. Nem o vi. Estava tão compenetrado na visão daquele corpo lindo, fragrante, abalsamado, aromal, os sinônimos são pertinentes, toda redundância em se tratando dela será perdoada. Mas quanto aos meus pais? Não os vi saírem, aliás, vi, mas não percebi. Não vi, ora. Se soubessem o que passei, não vou dizer para tê-la ali, naquele rompante do improvável, mas para falar-lhe. Desde que a vi pela primeira vez, a via, como que ilusões crescentes às esquinas, várias, todas muito belas, multiplicavam-se em meus caminhos tão plúmbeos, e como por uma tentação deliciosa retribuía aos meus olhares tímidos, mas com fixação. Destemida.
Imaginava-me o durão, o inabalável, cruel até no trato com as meninas da minha idade que me escrutavam, perseguiam sobremaneira. Não gostava, mas via-me inúmeras vezes como o responsável de muitas lágrimas desperdiçadas nos corredores, salas, e muros do meu colégio. Sacrilégio.
Já fui autor de inúmeras peças sem pé nem cabeça encenadas por atrizezinhas de igual maneira excrescentes em seus papéis úmidos, lacrimosos. Não raro, ainda atuo, sem querer, mas atuo. O teatro é fascinante. Havia uma delas que ainda admitia sua constante atuação, vangloriava-se com a vida levada na dissimulação. Criança. Éramos crianças, disse-me ela há dias, agora adulta. (?)
Voltemos à minha sala de estar. Eu ao lado dela; meus pais saíram, beijos e, de repente, a alça traiçoeira da blusa caída do ombro macio, mostrando-me quase por completo a protuberância mais linda que já vi nesses meus vinte e um anos e oito meses de intensa existência, e o tempo parado. Coração parado, segundos, muitos segundos, muitos segundos, muitos segundos... Olhos nos olhos, respiração ofegante... Meus pais saíram, olhos verdes, castanhos... Ofegantes.
Vamos dar um nome a ela. Pensei em um, mas confesso já o tinha há muito e só aguardava o momento exato, ainda não sei se o é. Ananda, eis o nome. A-nan-da. O nome não me causa nada, aliás, causa nada; nunca conheci alguma Ananda, mas é esse o nome e pronto! Não me prenderei a nomes nessa narrativa, se é que isto pode ser considerado uma; podem julgar os críticos, que lerem, e se lerem, como qualquer viagem de um lunático ou até mesmo de um fingido que roteiriza aquilo que, na verdade, não vivenciou, não experienciou. Quer saber? Estou andando. Eu e Ananda.
Ananda era amiga de Lascívia que era irmã de Lavínia e de Virgínia. Lascívia ao contrário do que o nome apregoava era meiga, pura, não se fazia. Assim se dizia. Seus pais desconheciam o significado quando batizaram a menina, mas o que seria o significado senão convenções humanas aplicadas. Gostaram do nome, do substantivo e pronto.
(...)
AVISO AOS LEITORES!

Amigos leitores, venho informar-lhes que a partir de hoje desviarei o meu foco das poesias, mas apenas por um instante, uma vez que elas me perseguem, e publicarei crônicas e contos novos e antigos que agonizam em uma gaveta qualquer do meu tumultuado quarto.
Para não ficar enfadonho talvez, publicarei em etapas.
Espero que gostem.
Abraços fraternos.
(...)
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O Amanhã

Se não for pra mergulhar dentro do beijo
Melhor que deixe de ser feito
Gosto de sentir-me em sua boca o desejo
Só você me envolve de um jeito.
Beijar é entrar no outro através dos lábios
Mergulhar no lago opaco das sensações
Voar através de nuvens em sonhos plácidos
Sentir um ao outro nas mesmas respirações.
Sufocar-se na falta de ar dos beijos úmidos
Inebriar-se na lascívia do momento e o afã
Esquecer os preconceitos e trejeitos tímidos
E viver um sonho vívido esquecendo o amanhã.
Sugar sua língua sentindo seus movimentos
Provar cada milímetro da sua pele tão meiga
Os momentos contigo pressinto serão tão intensos
E ao mesmo tempo sinto derreterem como manteiga.
Mas o acaso e o destino me levarão para ti
Consumarei de todo meu plano minha meta e intento
Farei muito mais além do que prometi
E se faltar algo que queira pode crer que eu invento.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Meu Cais

Solidão já não me adianta
Procuro um porto seguro
Cada panela tem sua tampa
Agora é isso que procuro.
Vivi dias de tribulações
E não tinha o leme à mão
Naufraguei nas emoções
Afoguei meu coração.
Mas são comuns as turbulêncas
Águas turvas e selvagens da alma
As ondas vem com violência
Destruir os rochedos da calma.
Foi-se o tempo dos mergulhos
Nos seus beijos confortadores
Hoje à volta vejo entulhos
Do que sobrou dos meus amores.
Procuro um cais pra não cair
Pra ancorar enfim ancorar
Um lugar, não mais sumir
fazer meu lar, contigo um par.
E há razão de achar meu cais
Quero um amor pra vida toda
Que não sofra nunca mais
Que habite a minha boca.
Não mais o náufrago de antes
Mas aguardo ancioso minha flor
Viveremos amando e amantes
Carregando a verdade e o amor.
Sem mais resquícios de tristeza
Só a beleza despontando à volta
Deixar levar-se com a correnteza
Dissipar trauma e revolta.
Quero levar-te pro mar aberto
E viver como se fosse acabar
Inundar de ti o meu deserto
E viver só pra te amar.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Notas
Algazarras se seguiriam
Almofadas entre nós
Algo mais que não sabiam
Alguém cala a nossa voz.
O que se sabia era bem pouco
O que se disse não o bastante
O que se via era bem louco
O que se lia era inconstante.
Almofadas entre nós
Algo mais que não sabiam
Alguém cala a nossa voz.
O que se sabia era bem pouco
O que se disse não o bastante
O que se via era bem louco
O que se lia era inconstante.
Truques

Ela se faz de menos inteligente
Só pra ver se me surpreende
Ela gosta dessas coisas
Será que você entende?
Ela é vitoriosa é um vulcão
Perto de mim deixa-me aceso
Mas sou tornado sou tufão
E nos seus braços sempre preso.
Tem conhecimento é culta e bela
Ela está sempre me espreitando
Quero sentir a língua dela
Quero sentir você me amando.
Dentro dela sou mais eu
Fora dela inexistência
O passado se perdeu
Mas já era decadência.
Tenho truques novos de amor
Preparados só pra ti
Ela é fogo é o meu calor
Foi por ela que caí.
Não conhecia nem metade
Do que você podia ser
Hoje em dia só saudade
Sem você nem sei viver.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Nosso amor

Na repartição tudo calmo
Um café pra pensar de soslaio
O coração partido ao meio
Foi o tempo do esperar desvairado.
Ele não voltará nunca mais
A certeza é gélida e pungente
Mas agora também tanto faz
O dia todo mexendo com gente.
Nem aquele dar saudade por estar longe
Nem ponte futura para aproximações
Seu coração sempre me esconde
Você não vive de passado e ilusões.
Mas lembro de na dor ter-me dito
Se for-se embora me ligue me avise
Mas como procederia se nem acredito?
É preciso que viva mas um dia analise.
Enquanto eu andei corri desnorteado
Sem o gozo das festas e ágapes de antes
Ao contrário fui oprimido e testado
Carrego o fardo pesado dos amantes.
Em frente aos prédios sentados falávamos
De um futuro juntos de planos
Não sei em que plano estávamos
Mas será que nos enganamos?
Sei de um que só espreitava à distância
Talvez esperando o desfecho final
Não importa é-me insignificância
Mesmo que hoje contigo afinal.
Nosso amor teve cheiro de presente novo
Aroma de festas, passeios e amor
Cheiro de carros, paixão, muito fogo
Lençóis bagunçados, hotéis e calor...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Aquele Tempo

Acredita que tinha um aroma?
Vê-la era uma expectativa tão boa
A viagem toda se passava num coma
Como num passeio de barco ou canoa.
E preparava-me no quarto marcado
Geralmente no mesmo hotel simples
Esperava ancioso estar logo do seu lado
Nada importava se temos mais que vinte.
Lembro-me da noite quente a primeira visita
E saímos afoitos atrás de um lar um leito
Você feliz como quem não acredita
E lembro tudo quando à noite deito.
Lembro do banho aguardando a ti
Pensava nos meios de você sentir-se amada
Você falava dormindo, ao lembrar sorri
E as mãos nas minhas sempre entrelaçadas.
Suas mãos brancas destoando as minhas
Minhas lembranças recocheteando todas
O medo e a dor sempre me avizinha
Quando aquele tempo insiste vir à tona.
Hoje guardo luminosidades e sombras
Naquele tempo estava estranho e confuso
Hoje sei bem que sua falta me assombra
Mas recomeço esquecendo esse passado obtuso.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Vodca, Diazepam e Nietzsche

Meu jogo é insólito
Mas não insosso
Sinto seu hálito
De menta em meu rosto.
O fogo é hiperbólico
E faço o que posso
Não me sinto bucólico
Do resto destroço.
E a posso em minhas mãos
E contenho segredos
Compus a canção
Quando a tive em meus dedos.
Desejo contido num átimo
Sinto-me ótimo e realizado
Ao te ouvir senti-me estático
Mas o corpo sabe o seu fardo.
E responde ao que faria de pronto
Consumo-te os fluidos todos
Não deixa-se fora de ponto
Consumo-te de todos os modos.
Até sua respiração aspiro forte
Pra captar e sufocar-te do jogo
A fé e a sensação conspira a sorte
Mas não vai desvendar-me de novo.
O sexo é desconexo mas não desconsertado
O resto é sempre o resto mas não desconcentrado.
O corpo é imune a moral e aos bons costumes
Sou amoral de todo e assumo
Mas vou ser sempre mal pra que não acostumes
Do resto me viro me garanto e me arrumo.
Do corpo é o sal e o doce do desejo
O frenesi o tremor é normal
Ao toque o sabor e o seu beijo.
Antes que acabe por inacabado
Um copo com vodca diazepam e um bom Nietzsche
O cansaço do corpo acabado
E faria de novo acredite.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O Precursor

O que ouvem ouvem por que ouvi
O que cantam cantam por que cantei
O que sentem o fazem por que senti
O que doam somente dão por que eu dei.
O que vestem vestirão por que eu vesti
O que penso pensarão por que existi
A alegria deles só há por que eu sorri
E morreram todos logo que eu morri.
Sim são mentiras por que a verdade eu omiti
O que era puro bom e sério guardei pra mim
Em meio a guerras e estilhaços sobrevivi
Agora não vem você falar que é o fim.
O que inventam acham que fazem por que eu fiz
As artimanhas e os trejeitos me viram fazer
E quando faz justo o que eu faço aí é feliz
Mas as façanhas e o meu espaço nunca vais ter.
O transgressor o disjuntor e o precursor claro sou eu
Não sinto dor não sinto amor não percebeu?
Aquela flor que um dia nasceu por ti já morreu.
O gerador das transgressões e o transgressor das gerações
Repetidor como uma dor tamanha nos corações
Um fardo pra ti obcecado por emoções.
Mando mais um dardo envenenado de ilusões.
sábado, 3 de outubro de 2009
Imagino

Imagino como tenha sofrido
As mãos brancas sobre o rosto molhado
Talvez tenha emagrecido
O quadro, as fotos, a ilusão, pálida.
Quem me dera ter crescido
Junto a ti os olhares sobre nossa casa
Hoje vejo destruído
Os pilares, os frutos, o coração dispara.
Não para o pensamento
Em ti cada momento, os segundos parecem horas
Não cessa o sofrimento
Lamento cada momento e sei que você chora.
As amigas, o deboche, as fantasias
O ultimo dia, a paixão e a histeria?
Onde foi parar tanto amor perdido em passagens
Hoje vejo que nada mais era da minha parte que meras viagens.
Sim, eu chorei e lastimei encostado num canto
Meu pranto foi mudo, nem um sussuro aliado ao fracasso
Eu viajei sim por você fui fraco fui tolo
E hoje eu sonhei que tinha você aninhada em meus braços.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lágrimas

Um sonho atípico numa noite morna
Via-se de tudo mulheres estranhas e intenções duvidosas
Sonhava com correria, arbustos e demais estranhezas.
Acordei às onze até porque dormi cedo.
O medo envolvia sim, de forma inocente, incoerente, mas entendo.
Corria ora no seu encalço, ora descalço afastando-me de ti. Lamaçal... Sujeira.
Era tal e qual como nunca quisera ter visto, uma loira, outra morena, um terceiro à espreita o olho firme.
Entre penumbras e brumas que me envolviam havia muito de ti que se apercebia.
Parecia haver um pacto de finalizar com a obra minha.
A obra da minha vida.
Era como se o ódio e o amor estivessem abraçados numa amizade conveniente e conivente com o fato.
Por fim a vi se esgueirar dentro de um ônibus lotado, e uma lágrima sua caiu de soslaio, e você, forte, disfarçava e de lado pude ler em seus lábios:
_"Bichinhu..."
Lágrimas rolaram das duas faces.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Canções

Um soneto de cordas matinal
Um passaredo solene musical
É assim que soa orquestral
É o fim que sobrevoa e tal.
E antes que acabe uns beijos cedo
Infantes no vale que vale um medo
Instantes que sabe não caber no dedo
Amantes de ares que não há passaredo.
Foi logo cedo que te amei e vi
Fui bobo e o medo de amar perdi
Um lobo cego pra caçar morri
Esnobo e nego de dizer de ti.
Outrora era como é aqui
Agora é brega mas sobrevivi
Afora a regra de já me esqueci
Lá fora emprega o que sequer vivi.
Contudo se toca muito o soneto da sorte
Fortuito e gratuito é o sorteio da morte
O intuito é estúpido mas se sabe o corte
Por tudo que é volúvel não se mede o porte.
Volta-se ao soneto do passaredo
Corta-se ao meio a dor bem cedo
Importa-se o medo do amor do credo
Pergunte-se ao feio qual é o seu segredo.
Sem mais infantes ou vale ou nós
Em mais instantes estaremos sós
Mas os barbantes estão feito nós
E as estantes não são mais que pó.
Guardo um céu azul de tarde pra ti
Armo um sol que arde canto "let it be"
O fardo é bem pesado mas levarei daqui
Desarmo as armadilhas que ao ver sorri.
É a natureza olha meiga e bela
É a lei da presa agarre e mate ela
É uma beleza a chama o fogo a fera
É a canção perfeita é a canção da Terra.
domingo, 20 de setembro de 2009
Metas
Eu vou galgar
Pode esperar
Meu nome vais ler
Pode apostar.
Serei mais que a quimera
Que um dia tu pensaste
O passado enfim já era
O que foi que tu arrumaste?
Eu vou chegar
Sem seu apoio
Sem nem esperar
Como um comboio.
As metas estão traçadas
E você a mesma lide?
As retas estão trancadas
Quer que eu decide?
O gosto do seu céu na minha boca
Renovo-me a cada embate da vida
O rosto seu é véu da noite toda
Ainda nem deu-se a partida.
O tiro de largada, o sinal
Pare-me se puder então
Acredite não sou mais igual
Fica assim por mim, por que não?
Pode esperar
Meu nome vais ler
Pode apostar.
Serei mais que a quimera
Que um dia tu pensaste
O passado enfim já era
O que foi que tu arrumaste?
Eu vou chegar
Sem seu apoio
Sem nem esperar
Como um comboio.
As metas estão traçadas
E você a mesma lide?
As retas estão trancadas
Quer que eu decide?
O gosto do seu céu na minha boca
Renovo-me a cada embate da vida
O rosto seu é véu da noite toda
Ainda nem deu-se a partida.
O tiro de largada, o sinal
Pare-me se puder então
Acredite não sou mais igual
Fica assim por mim, por que não?
sábado, 12 de setembro de 2009
A Resposta

Hoje olho os horizontes
A encruzilhada decisiva
De longe vejo pontes
Mas são ciladas, carne viva.
O dia exato, o fim do ano
Um amigo que falece
Não estava no meu plano
Quem apanha nunca esquece.
A rispidez, a insensatez
A grosseria ao telefone
Ainda chega a minha vez
Atina bem para esse nome.
O que tenho guardado no peito
É tudo aquilo que construímos
Sei que um dia faltou o respeito
Mas será o motivo por que caímos?
Alinhavado na alma lacerada
Está seu nome pra todo sempre
Sei que achas que não, está errada
Sei que alguém nesse mundo me entende.
Foram forjadas as provas, são falsas
Como foram as amigas que tens
Mas minhas palavras flutuam esparsas
Se puder entender parabéns.
Até sua família tudo corrompe
Faz sucumbir o amor que aqui zelo
O concreto do ódio se rompe
O amor renasce como ti, meigo e belo.
No seu nome tens a resposta
Por que não dá uma chance pra ti?
Renasça, redobre a aposta
Pois hoje sei amar, aprendi.
Só os fortes tem o dom do perdão
Eu não guardo mágoas, ressentimentos
Mas estou fraco, sem tom, nem canção
Sem você, só palavras aos ventos.
Não vou te esquecer, mas posso omitir
Infelizmente esquecer eu não posso
Os caminhos pelos quais vou seguir
Serão diferentes de um dia, eu aposto.
Guardo horizontes utópicos pra nós
Tentei te achegar fui pra ti deprimente
Não só queria escutar a sua voz
Queria te amar, te sentir novamente.
Vou seguir a trajetória convicto
Abri mão das guerras lacerantes
Estou aqui ileso e invicto
Nada mais como era, ou foi antes...
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