sexta-feira, 17 de abril de 2015

Quando Acordo

Não acordo pra ser sensato
Não acordo pra fazer sentido
Acordo pra não ser exato
Acordo por estar vivo.

Não levanto pra ser a esmo
Levanto pra ser eu mesmo
Acordo e me despeço da cama
Mas às vezes volto se ela me chama.

E ser melhor a cada dia
Não para os outros mas para mim
Dançar a vida com alegria
Saber que a estrada nunca tem fim.

E se tem cansaço, volto e me aconchego
No seu peito, envolto em seus abraços
Seu braço sempre aberto quando chego
Nosso amor sem medo preenche todo espaço.

Não acordo sempre para ser só eu
Mas o pensamento é sempre sobre ti
Se tu for minha passo a ser só seu
E só de ser possível já me faz sorrir.

terça-feira, 31 de março de 2015

Pessoa Imaginária



Às vezes me perco, ora me encontro
Ora me desfaço, mas me visto e pronto.
Ora etéreo, e subliminar
De quando em vez sublime
Outra vez sem ar.

Ora me despedaço, e me desintegro
Vez ou outra faço, mas não aconteço.
Vou partir-me em cacos pra ver se reconheço
No vazio espaço em que permaneço.

Pessoa imaginária que permeia o mundo
Em um bilhão de vozes que sinalizam tudo.
O mundo em minha mente é sombrio e soturno.
Mergulho em mim mesmo, naufragado ao fundo.

Um homem soterrado por tantos pensamentos
Quase que invisível, quase completamente
Um homem sem sombra, quase sem sentimentos
E as lembranças vivas a invadir-lhe a mente.

Vou ver se despedaço pra fugir da existência
De tantos estilhaços da fútil demência
Da superficialidade que sufoca a gente
Da frivolidade que me afoga a mente.

Às vezes, sem notar, eu sumo, quase desapareço
Apareço aqui e ali, quase nem me apercebo
Vejo o sol e a lua juntos quando eu acordo cedo
Estou eclipsado e nublado e todo envolto em medo.

Ora eu sou visível mas não meu pranto
Ora descomedido e perdido um tanto
A locomotiva ensandecida chamada minha vida
Como um trem fantasma segue transtornando.




quarta-feira, 4 de março de 2015

07 Anos de Blog do Ale Vargas!





É com muito prazer que gostaria de comemorar com todos meus amigos leitores esses sete anos que escrevo nesse blog, compartilhando com todos meus devaneios, meus amores, minhas dúvidas e inquietações. No início não imaginava que algo tão singelo e particular, pudesse me prender por tanto tempo, acreditava até que fosse algo momentâneo. Apesar de escrever poemas desde os oito anos de idade não imaginava que esse hábito, ou melhor essa paixão, pudesse ser algo para mim ainda tão revigorante, prazeroso e necessário.

Agradeço imensamente a Deus e todas as forças do universo que me motivam tanto e me motivaram a escrever as mais de quinhentas postagens, todas autorais e viscerais, contidas nesse blog. Sei que cada leitor atento pode ver o quanto de mim mesmo que há inserido em cada frase, em cada ironia ou metáfora dentro de cada poema. Agradeço também a todos os meus amores, os que já se foram e os que ainda persistem, por serem para mim, sempre fonte de imensa inspiração, e os mantenho vivos em cada uma de minhas palavras, independente do desfecho que cada um teve ou terá.

A única intenção desse blog foi levar um pouco das sensações, das emoções e experiências deste singelo escritor, ou dou-me ao luxo de chamar, poeta, a cada pessoa que aqui aportasse. Não existe nenhuma intenção comercial ou de fama, visto que não uso de linguagem apelativa ou propaganda para atingir tal intento.

Enfim, sem mais delongas, sou imensamente grato a todos que leram, analisaram, comentaram, ou de alguma forma serviram de fonte de inspiração para meus poemas. Saiba que cada um de vocês, mesmo eu não os sabendo, ou vocês não sabendo de mim, fazem parte da confecção deste compêndio de relatos da alma humana, e são, sobremaneira, energia propulsora para que eu possa prosseguir escrevendo. Muito obrigado a todos. São todos mais que especiais.





segunda-feira, 2 de março de 2015

É Tudo Culpa da Culpa


















É tudo culpa da culpa
Acordo assustado e me pego lembrando
Seu rosto me vem e a saudade machuca
A passagem do tempo não está adiantando.

É tudo culpa minha
Fico observando sua linda vida de longe
Sei que jamais estarás sozinha
Sei que meu sentimento não acaba se esconde.

Quando sonho contigo passo o dia distante
Perdido nos pensamentos sua voz sua imagem
É bom é ruim é inquietante
Sempre um dia de muita saudade.

O passado vem à tona num segundo
E de um futuro que nunca vai ser
Eu poderia ser seu marido seu mundo
Mas isso não vai acontecer.

Minha cabeça cria viagens contigo
Cria luas-de-mel ilusórias
Fiz de suas lembranças abrigo
Outras pessoas já me são irrisórias.

Minha alma quando durmo viaja
Em meio a prédios e ruas vai até sua casa
E quando a encontra vela teu sono te abraça
Beija-lhe o rosto os lábios e se afasta.

Quando retorna vem de súbito e me acorda
Com o sabor dos seus lábios seu perfume sua tez
Meu corpo todo de amor se transborda
Então durmo de novo pra sonhar outra vez.




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A Raça dos Tolos

Certa feita se pôs a andar com tolos.
E o que seria dos espertos não fosse a tolice dos outros.

Não saberia dizer ao certo não fosse o passado remoto.
Qualquer proposição não levaria a um resultado tão óbvio.

O que quer de mim o que quer que seja não irá conseguir.
Não acredito no amor e no eterno e infelizmente não vou mentir.

Existem tantas perguntas no ar sem respostas e porquê de existir
Não existe fórmula do amor e por conseguinte não existe elixir.

Dentro da sala de aula com um cem números de imbecis
E quadrúpedes apedeutas e acéfalos encontram-se aqui e ali.

Ostentam o parco êxito como se fosse o troféu dos boçais
Alimentam-se de muitas certezas, são joguetes, são todos iguais
Não absorvem o que foi transmitido, são sequazes, são animais.
Batem sempre na mesma tecla, são asseclas, são anormais.

Se em mãos um látego, azorrague, escadraçaria o couro dos tolos.
Sem ouro para ostentar mais vale o sangue vindouro.
A ignorância a moléstia dos homens é tratada como tesouro.
A panaceia para o fim desses males a extinção de um após outro.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Quarto


Às vezes da minha cama em meu quarto branco olho para o forro de mesma cor, e sem nenhum espanto fico no aguardo de um estrondo profundo, como um cataclismo a explodir o mundo.

É à morte a que se entregam os jovens?
É a morte quem espera os nobres?
O que aguarda os pobres de espírito? 
Pra quê bibliotecas se não existem livros?

Uma explosão a levar um quarto do mundo todo pelos ares, nem foi um segundo e não se tem mais mundo. Um barulho imenso, grave, frio, rotundo. Acabou-se tudo. Adeus, velho mundo.

A cavalaria sem nenhum templário.
Nas ruas cães ladram feito como loucos.
Cabeças de fogos sobre seus cavalos.
Gritos abafados, parcos, poucos, roucos.

No quarto, armado, madrugada, às quatro. Tudo transformado, transtornado e tonto.
Não se tem amor, não se tem retrato. Está tudo quebrado, inclusive o quadro.

O mundo lá fora é seguro? O mundo?
O ponteiro marca segundo por segundo
O momento exato em que se acabara tudo
O cataclismo súbito, agudo e rotundo.

Ninguém apareceu na tela ou na sua janela no momento exato.
Nem sequer um deus daqueles seus pra lhes dizer adeus.
Nem o firmamento pareceu tão firme naquele momento.
E era crucial, acabar com tudo, de todo, e todos e ponto final.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sinto Tanto.

Eu ainda penso em te ligar
Mesmo sem saber o que dizer
Eu já pensei em te procurar
Mesmo sem saber o que fazer.

Eu não imaginava o quanto te amava
Eu não tinha a noção quando estava contigo
Acho que não tinha a noção de mais nada
A não ser minha loucura e o perigo.

Completamente arrependido
E os lamentos de tê-la magoado
Mesmo que não estejas comigo
Sinto necessidade de ser perdoado.

Seu semblante de anjo em minha mente
Dia e noite tão taciturnos
Perco o sono completamente
Saiba sempre que eu sinto muito.

Ficou para sempre em minha alma
De você em mim o encanto
A angústia que tira-me a calma
E o quanto eu sinto tanto.

Eu sinto tanto.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Diário Das Desvantagens

Tudo quanto houve na vida
Entre pequenas e grandes passagens
Toda a estrada já percorrida
Escrita no diário das desvantagens.

Alegra-se enquanto há vida
Mas no fim já não crê tão risonha
Andou em círculos numa rota perdida
Achava-se viva porém ainda sonha.

Perdas de tempo entre contratempos
Entretanto não foi questão só de sorte
Vive sim de alguns bons momentos
Entrementes, achegando-se a morte.

Tantas pontes as quais atravessou
No entanto o levaram para um istmo
Nesse ínterim um abalo sísmico arroubou
Como um cataclismo destruindo em seu íntimo.

Cada parte de ti naufragando nas margens
Cada momento refletido em imagens
Na lembrança os momentos, paisagens
Gravado no tempo e no diário das desvantagens.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Peças

Por quê você me atormenta?
Passam anos e não sai da cabeça
Nada acontece pra que eu te esqueça
Preciso esquecer antes que eu enlouqueça.

Algumas coisas a gente se livra
De outras não nos queremos livrar
É como querer pra sempre ser livre
E ao mesmo tempos nos aprisionar.

Vez ou outra me persegue nos sonhos
E aquele olhar distante e estranho
Como se estivesse sempre me cobrando
Como se estivesse sempre me julgando.

O tempo é mesmo relativo
Não a vejo mas posso senti-la
Mesmo que em outra cidade
Mesmo que mediocridade.

E pessoas são como peças
De um tabuleiro de um quebra-cabeças
De um jogo de xadrez sem final
De um jogo sujo e desleal.

Nossas almas já cheias de traumas
Nossos corpos já meio que mortos
Nossos corações já sem pulsações
Nossos ossos já todos expostos.

***

"Babe, don't leave me, please believe me, 'cause I'm so easy to know. Am I the only one you see? Raised from the path of revelry. Am I the only one you see?

(Violet Rays - The Smashing Pumpkins)



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Convites

Claramente fatigado da métrica
E a retórica fugidia e escassa
Um pouco aliviado da estética
Mais brando a medida que passa.

Navegando por mares tranquilos
Esquece-se as lástimas passadas
Nunca mais vive-se aquilo
Contudo não sobram risadas.

O passado já não transborda na taça
Mas resfria-se o espumante pra depois
O presente é latente de graça
No futuro já não existe um a dois.

Convites de alegria todo dia
Onde o mal não predomina ou germina
Sem dor existe a poesia?
Sem amor a poesia termina,

O fascinante é ver a vida lancinante
Onde o grito de euforia se reverbera
Pelas ruas o instinto de amante
Aprisionado o velho instinto de fera.

Uma estabilidade mordaz e aprazível
O paradoxo da contradição necessário
Um silêncio intenso terrível
Mesmo assim nunca fora do páreo.

Perguntam-me se vou parar
Mas quem para não encontra o caminho
Mesmo que pareça andar devagar
Mesmo sozinho sei onde estou indo.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A Fleuma

A fleuma no saguão vazio.
As luzes fluorescentes piscam incessantemente.
O paradigma das paredes vazias.
A pachorra invade o ambiente.

Nada que não soturno ecoa no todo
O caos faz parte do jogo.
Quisera sair bem mais cedo.
Mas não há perdão no relógio de ponto.

O cheiro de álcool por sobre os móveis
E emana das mãos de um servidor padrão
O asco, a apatia, a aversão
Por tudo aquilo que não traz emoção.

Invade as telas sem graça, sem arte
É parte da mobília funcional, disparate
É um móbile estanque, inerte, apartado
É a relíquia sem valor do Estado.

Muitos olhos em muitas telas
Poucos sonhos, no geral, quimeras
E piscam luzes pelos corredores
Ecoam vozes, quase que vociferam...

Deve ter almas por aí, tão calmas
Rondando mansas, afinal, sem descanso
A cafeína traz uma certa sobrevida
A fleuma branda. A eterna pachorra.

Quer morrer? Descansa.
Quer descanso... Morra.


***


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Um Quadro

A pintura abaixo é do renomado pintor Vincent Van Gogh.





















Quanta besteira se faz na vida
Até perceber que está errado
Quanta história destruída
E desperdício de passado.

Hoje percebo erros tão tolos
Que não servem de consolo
Perdi amizades verdadeiras
Por arrogância e orgulhos bobos.

Com tanta gente quis falar
Ser amigo e nada a mais
Mas vi o passado naufragar
Como um navio longe do cais.

Tantas palavras desperdiçadas
Como flechas lançadas e envenenadas
Quantas flores despedaçadas
Quantos espinhos nas mãos cortadas.

Olho o passado como se olha um quadro
Que jaz sombrio mas tem beleza e cor
Tem pessoas vivas mesmo que mortas-vivas
Tem sofrimento sangue ódio paixão e amor.

Um quadro pintado por meus atos falhos
Mas com intensidade com loucura e arte
Se sou o culpado de tê-lo maculado
Tem em minha obra torta você em toda parte.




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Flebotomia


















Nas suas veias
Corre o mal
Envolto em teias
Abissal.

Lacera e corta
Flor de cactus
É natimorta
Como num pacto.

Veias azuis
Fez-se a sangria
Feixes  de luz
Flebotomia.

O cataclismo
A catacrese
Seu aforismo
Sua catequese.

Como uma aranha
Em suas teias
Garganta arranha
Barganha feita.

Na sua lápide
Nenhuma lágrima
Frio de mármore
Póstumas lástimas.

Nas suas veias
Sangria desatada
Esvaindo em gretas
Alma ensanguentada
Nas suas gavetas
Sortes não lançadas
Foi como um cometa
Passou, brilhou, mais nada.


***

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Coisas Suas


















Suas coxas são como colchas
De ternura, carinho e afago
Suas pernas são sempre ternas
E em meio a elas me sinto abrigado.

Seus cabelos são sempre belos
Mesmo quando não os tenho por perto
Seus braços são mais que abraços
São o aconchego do mundo decerto.

Sua face é sempre tão afável
E sempre branca como a lua rainha
Seu amor é sempre tão amável
Mesmo que não meu, e tu não mais minha.

Saudade sua é sempre saudável
Pois vejo que um dia fui feliz e agradeço
Sua graça é sempre muito agradável
E sei que me amas mesmo se não mereço.

Seu corpo é da cor do desejo
E envolvo meus beijos por ele todo
Nossos lábios estão por todos os lados
Tem nossos segredos nossos sonhos e medos.

Suas costas nuas; são só coisas suas
E nada se muda, no fundo, não mesmo
Tem nossos beijos no clarão da lua
E vejo por dentro ainda aceso o desejo.

O que não é banal nunca é igual
E o que é tosco cansa, enjoa, perde a graça
Um amor só existe se for descomunal
E um amor não morre não importa o que faça.

...


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Gosto de Ti

Gosto da forma como me olha
Gosto da maneira como se porta
Gosto da forma como me toca
Gosto da maneira com que se importa.

Gosto quando parece desinteressada
Gosto da forma como diz nada
Gosto por ser fiel, dedicada
Gosto da sua fala sempre pausada.

Gosto da nossa total discrição
Gosto de ti, mesmo parecendo que não.
Gosto da sua ternura sem fim...
Gosto da forma como gosta de mim.

Gosto do gosto quando me beija com gosto
Gosto do torpor que causa em meu corpo
Gosto da maneira que diz que me adora
Gosto por esperar por mim toda hora.





(...)

"You're not right in the head, and nor am I, and this why...
This is why I like you... I like you... I like you..."

(Morrissey)



Um ou Outro Dia...

Um dia está na festa
Outro dia nada resta.
Um dia de conquista
Outro dia sai da pista.
Um dia tu socorres
Outro dia tu quem morres.

Tem noites de consolo
Tem noites só de choro.
Tem noites de abandono
Tem noites só de sono.
Tem noites de prazer
Tem noites de morrer.

Vou levar pra ti as flores
Mesmo quando tu te fores
Vou guardar por ti o amor
Não importa aonde for
Passe o tempo que passar
Por ti sempre vou esperar.



***

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Arquivado




















Contra todos e contra ninguém...
Um por todos e todos contra mim.
Correndo e vivendo a bem mais de cem.
Mas não vão me alcançar. Não verão o meu fim.

Meu crime é perfeito, meu plano infalível
Tente achar um defeito no meu jeito incomum
Tenho cartas na manga, e uma astúcia incrível
Não sou nenhum apedeuta, não sou lugar-comum.

Sempre terei a carta do jogo.
Tenho um cheque-mate, muito bem engendrado.
Tenho mais que artimanhas, em minhas mãos tenho fogo.
E tudo ao final, sempre morto e arquivado.

Tenho minha biografia ao alcance das mãos
Sem mancha, sem mácula, e os dias normais
Vou caminhando com minha sombra e a razão
Sou blindado a perseguição e lides judiciais.

Estou no encalço do topo e já falta tão pouco
E lá de cima minha mira é certeira
Qualquer um temeria um cão louco e solto
Que não pouparia suas balas pra uma presa ligeira.

E vou te caçar como animal leviano
Que leve mil anos mas esse é meu plano
Seu tempo é bem curto, e o tempo passando
E vai se aperceber o quanto isso é insano.

Um inferno achegando
Um inferno achegando
Tudo preparado como sempre mereceu
Tem carruagem de fogo já te esperando
Mas dessa vez não vai levá-la pro céu.


<<>>



"...alguém sempre levanta e me faz essa pergunta: Por que você escolheu escrever sobre assuntos tão medonhos? Eu geralmente respondo essa com uma outra pergunta: Por que você acha que eu tenho escolha?"


(Stephen King)


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ossos do Ofício

Você está caminhando
Na linha do precipício
No início parece difícil
Mas não há saída pra isso.
Basta esperar. Ossos do ofício.

Você desmontou aquele jogo todo
Alguém acreditou no seu engodo?
Alguém engoliu o seu choro?

Por vezes pareceu tão menina
Mas na verdade é apenas cretina
Quando foi que a puseram lá em cima?
Seu lugar não é lá em cima.

A qual casta acha que pertences?
Mistura-se aos bichos mais peçonhentos
Qual seu nicho que não um covil fedorento
És um animal vil e violento.

Sei que há criaturas das trevas
Que se encarregam das almas malévolas
Estão no seu encalço por mágoas decrépitas
Mesmo que em seu mundo são todas indébitas.

Acha que tens o posto de elite
Enquanto caminha sobre dinamites
Com salto agulha e passos de fogo
Não sabe mesmo jogar esse jogo.

Acha mesmo que no fim teve sorte?
De que adiante essa pose, esse porte.
Deixa de ser idiota.
No fim para todos é morte.
No fim é só ossos e morte.



terça-feira, 27 de agosto de 2013

Axiomas

Toda a necrose dos seus tabus.
Fede. É fétido. Tem urubus.

Não vale metade do mundo seu sonho imundo
Seu mundo nem existe a olho nu.

Chegue mais perto e vê que decerto já é lamaçal
Mas é nada mais que espelho e o que há dentro dele é sua alma mortal.

Seus axiomas já não refletem o que não seja imoral
O que sobra de ti, senão um ser abjeto vil e carnal.

Suas rugas já se mostram todas e seu aspecto já não é mais pueril
Sinto dentro de ti só as rusgas, e aquela podridão purulenta e hostil.

Nada mais sobra senão seu aspecto asqueroso de cobra
E de sobra ainda leva a afamada má índole grave e sonora.

Sei que você vale somente os carros, e roupas e brincos que sempre te compram
Sei que és trivial e estás na boca da sociedade toda
Mas quem por dentro já é podre, almas iguais um dia se encontram
E de ti, tens por aí, a fama de meretriz, adúltera e louca.



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quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Dia Em Que Eles Não Se Conheceram

No dia em que eles não se conheceram, ele pareceu tímido, ela pareceu metida.

Olharam até de soslaio, não se casaram, nem se apaixonaram.

E cada um seguiu com sua vida.

Fim.


***

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Enredo

Aproveite uma tarde ensolarada.
Inebrie-se com a brisa amena e amistosa.
Nada é tão importante. Mais nada...
Que uma gargalhada franca e gostosa.

A filosofia de um picolé de fruta está mais correta que muita literatura.

Mergulhe na água gelada. Refrigere sua alma enclausurada
No corpo e na vida cansada... Nada melhor que alma lavada.

Fuja de lavar roupa suja.
Muito da água que sai é inútil e impura.
Revista-se do novo e assuma... Uma nova bandeira e uma nova postura!

Pra quê se armar se a guerra acabou...
Por quê maremoto se é só água de aquário.
Troque suas fechaduras, não existe mais monstro debaixo da cama ou dentro do armário.

Fuja! Mas de ousadia e não mais de medo
Mostre ao remorso, dor, covardia
Que da sua vida és protagonista e autor do enredo.


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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Balada do Amor Covarde - Apenas Mais Uma (Das suas)

"Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, deixo assim ficar subentendido."
Nunca foi amor e nunca será
Se é amar não precisa ocultar
As mesmas frases tolas que alguém vai acreditar
E mais uma vez não vai parar em algum lugar.

Essa é a balada do amor covarde
E quando se der conta será tarde
Não houve razão de tanto alarde
Contudo não sei viver assim pela metade.

"Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby, a beleza é mesmo tão fugaz!"

É mesmo assim tão bela quanto sagaz
Tem uma beleza secreta em desmazelos
Tem segredos mas são ocultos, é tenaz
 E volta sempre a acreditar no mesmo enredo.

Não seria fácil voltar a olhar nos mesmos olhos
Tantos sonhos e promessas falsas
Sonhos falsos e promessas lindas
E escondidas sob um fundo falso.

Lembro ainda das manhãs felizes
E felicidade é sempre por um triz
E felicidades deixam cicatrizes
Mas serei feliz, ainda serei feliz.

<>

terça-feira, 9 de julho de 2013

Não Foi De Todo Mal

Hoje acordei recordando
Sem melancolia, mágoa ou rancor
Dos momentos bons que passamos
Sem nostalgia e sem dor.

Lembrei do sabor dos seus beijos
Com chocolate envolvendo meus lábios
Lembrei do calor, dos desejos
Lembrei do que foi necessário.

Sei que fez a sua parte
Ninguém assume um risco sozinho
Como também sei do meu disparate
Mas não se explica do amor, o desalinho.

Sei o quanto insistiu
Fez acontecer, fez valer a pena
Foi intensa e se permitiu
E soube o momento de sair de cena.

Guardo as melhores lembranças
Do seu sorriso, da sua amizade
Dos encontros, da nossa esperança
Da sua coragem, sua cumplicidade
Vejo em ti uma eterna criança
Que está em busca da felicidade.

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terça-feira, 18 de junho de 2013

Bullet In The Butterfly

Pensamentos não mudam o mundo
Se não saem da sua cabeça
Movimente-se a cada segundo
Antes que enlouqueça!

Comande o seu relógio
Pare o tempo antes que morra
Distúrbio é muito lógico
Ainda há tempo, enfrente, corra!

E é tão bom já não sentir mais nada
É como se fosse uma visão passada
Passa a minha frente disfarçada
E vejo o quanta estás mal e acabada.

Pensamentos não mudam o mundo
Se não saem da sua cabeça
Confie sempre desconfiando de tudo
Antes que pereça.

Hoje olho pra trás e o passado não diz nada
E tudo quanto acontece a volta é mero fruto do acaso
Estou bem com a consciência, muito limpo, não fiz nada
E sei muito bem que o tempo é generoso, mas não no seu caso.



(...)


sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Bala da Vez

Ele podia matar um de vocês
Com sorte mataria até os dois
Provar quem é a bola da vez
E resolveria os detalhes só depois.

Mostrar que também tem sangue na veia
Mostrar que não se faz isso com um ser humano
Provar que não se brinca com a dor alheia
Afinal já sabe bem o que estou falando.

Passaria horas com a bala entre os dedos
Observando o brilho fosco que ela tem
A mesma bala pra perfurar tantos segredos
E aniquilar de uma vez por todas o mal também.

Vai por um fim nos sorrisinhos falsos todos
E calar a zombaria desses tolos
Põe uma bala na cabeça desse amor
Não espere que apodreça os seus miolos.

Tem o seu nome gravado na bala fosca
Tem um endereço pra você de chama e dores
Você será uma iguaria para moscas
E um inferno reservado aonde fores.

Cansado da traição, sua prostituta!
E quanta luta pra manter, não se respeita
Também morre quem debate, quem reluta
A bala da vez agora é sua, aproveita!



***


domingo, 9 de junho de 2013

Ao Seu Lado

Sua voz me afaga mesmo quando diz nada
Sinto-me amado mesmo não estando ao seu lado
Preciso do seu apreço ainda mais quando não mereço
E em todo e qualquer abraço o seu é o mais confortável.

Perco-me na sua beleza e tanto maior é o seu caráter
Não somos iguais e aí está a certeza de querer sempre mais
É muito mais que desejo mas sinto sua vida quando inserido em seu beijo
E entramos na alma um do outro e somos o espelho que reflete essa paz.


(...)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lida

A vida é linda mas também é lida.
O tempo corre, ele nem sempre para.
Posso dizer que estou melhor ainda
Enfrentei mau tempo e chuva na cara.

Não sei por que caminhos tu andavas

Não sei por que me demorei em seu encalço
Não sei por que me perdi em desalinhos
E em muito espinho foi que corri descalço.



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Perfume

“Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.” 

―Gabriel García Marquez



O perfume que paira no ar
Certamente vai trazer lembrança
Isso demora pra se dissipar
Demora mais que a esperança.

E as lembranças são motivadoras
Como uma luz na face num quarto escuro
Com memórias aterradoras
Logo enterradas num iminente futuro.

Se pensa em mim, logo existo em você
Não se sai da mente assim só por querer
Eu era uma dúvida, então fazer o quê
Hoje a certeza de nunca mais ser.

Não é questão de jogar a toalha
A bem da verdade não há nem questão
Chegada a hora de lançar mão à navalha
Afinal sem sangue, sem revolução.

E quando disseres diante do espelho
Sou bela como uma tela em uma moldura velha num antiquário
Nunca se esqueça que esse mesmo espelho
A realidade reflete sempre ao contrário.


<<>>

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fora do Jogo

"Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer; aquela aliança, você pode empenhar ou derreter..."  (Chico Buarque)


Ela não é de verdade, ela é de plástico
Amores de verdade não a satisfaz
Amores usados saem mais barato
Mas quem paga é ele, então tanto faz.

Está exposta nas vitrines todas
Quis sair bem na foto, faz as sociais
Mas o seu estilo é tão fora de moda
Suas notícias fúteis não interessam mais.

Está fora do jogo, há porém o jugo
E todos aqui sabem muito bem de tudo
Ninguém poderá nunca salvar o seu mundo
Que está naufragando, vai chegar ao fundo.

Manipuladora, as mesmas frases falsas
Usa como um joguete quem cair na teia
Já sabem traidora e vilã sem causa
É marionete, suja, impura, feia.

Mas quis assim o destino fazê-la sem sentido
Sem prumo, nem rumo, condenada ao fogo
Sem tino, largada, usada e sem marido
Qual será o desfecho do seu sujo jogo?

E de tudo aquilo que foi dito um dia
Posso dizer sem trauma e nenhum receio
Desejo o dobro de toda a hipocrisia
E do fundo da alma pra sempre te odeio!


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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Epifania

Gosto quando vem com gosto
Gosto quando faz esforço
Gosto tanto do seu rosto
Que brilha mais que o sol de agosto.

Mais feliz que o céu azul de maio
Mais intenso que esse azul profundo
Sua beleza tem o furor de um raio
E os seus olhos portal de um novo mundo.

E esse amor vem como epifania
E apesar que ainda somos bons amigos
Veio amenizar minha sociopatia
Sem pesar ou dores de traumas antigos.

...



terça-feira, 30 de abril de 2013

Positivamente

E a vida sempre dará um jeito de surpreender positivamente
Basta empreender bastante
Tem gente sincera adiante
Tem gente melhor que antes.

E as energias já renovadas
As pilhas velhas trocadas
No caminho sobram risadas
Não estamos nem na metade da estrada.

Nosso caminho é de sombras ao sol
Nosso caminho é o caminho do riso
Nosso caminho é o luar o farol
Nosso caminho é o caminho onde piso.

Vamos amanhecer mil vezes sorrindo
Um nos braços do outro felizes
Observar o dia esvaindo
E o pôr do sol em todas suas matizes.

Vamos fazer da chuva a canção
E aproveitar as nuanças das estações
Vou tocar pra você violão
E unir de vez nossos dois corações.



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terça-feira, 23 de abril de 2013

Diferente

Tão maravilhosamente intelectual
Tão visceral
A consolidação de um idealismo anormal
Atemporal.

Adveio de todos os séculos
Sobrevive do ar fresco ao intelecto
De Saint-Germain tem o vigor, o aspecto
Ignora o burlesco, o infecto.

A inteligência sobre-humana à frente
A decência, a consciência inerente
A prudência, e saber-se prudente
Maravilhosamente, por Deus, diferente.

Não confunde-se entre tantos iguais
Sobrepuja sobre os outros, normais
Um teórico e pragmático sagaz
Taciturno nesse mundo fugaz.


(...)


quinta-feira, 21 de março de 2013

Os Cães

“Não há dúvida, o cão é fiel. E por isso devemos tomá-lo como exemplo. No fundo, é fiel ao homem, não ao cão.” 

(Karl Kraus)



Ladram os cães porém sorridentes
Basta um aceno e esconde-se os dentes
Não é tão ameno o perigo latente
Porém é volúvel tal e qual a sua mente.

Diz-se do cão que ladra, não morde
Tente a sorte, descubra-o então
O cão silente é perigo de morte
E o cão que ladra é o ladrão.

Então o perigo é latente 
E o cão é nada mais que ladrão
O cão do ladrão é silente
Senão entrega o vilão.

E o cão que arma-se os dentes
Rosna amarrado ao ladrão
Periga aproximar-se imprudente
E acostar-se do fogo do cão.

E o diabo esse cão amarrado
Ora em pele de cordeiro, porém lobo vilão
Só ataca quem esteja ao seu lado
Mas é sorrateiro, não é bobo, não é não.

Enfim vem o cão solto e sem dono
Amigo dos homens, inimigo dos seus
Sempre à mercê de um provável abandono
Dos homens, dos cães, do diabo e de Deus.


***



segunda-feira, 11 de março de 2013

Sua Presença

"A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído."

(Santo Agostinho)



Posso sentir sua presença
Nos departamentos, nas filas de bancos
Posso senti-la mesmo na ausência
Os passos lentos em seus tamancos.

Ainda me pego pensando na gente
Eu sei, é bem diferente
Mas no fundo a gente se entende
No fundo, a gente bem que se entende.

Mas não tem nada de saudosismo
Conheço bem esses seus afãs
Tem muito de conformismo
És diversa como seus Scarpins
.
Não é nenhuma sentença
Nem nenhum tipo de conformismo
Porém sei que sua presença
Passa por mim bem perto do abismo.

(...)


domingo, 10 de março de 2013

Pode Vir

Sim.
A polícia está atrás de mim.
Sim.
Afinal não é tão ruim assim
Tem gente que engendra de algum modo seu fim.

Mas pode vir.
Põe cinquenta cães armados no meu encalço
Vou ressurgir
Como um ladrão sem passado no seu armário.

E não há nada que me prenda
Nada que me isole
Nada que me renda
Nada que me molde.

Prefiro o alvo em movimento
Não ataco pelas costas
Sou o arauto do tormento
Mas eu sei que disso gostas.

A vida inteira perseguida
Trancafiada na masmorra
O que foi a sua vida?
É melhor então que morra.

As sirenes na persiana
Pintam meu rosto de azul e vermelho
Não tenho medo, ninguém me chama
Olho meu rosto apático no espelho.

Como um gato lépido no teto
Que despenca do alto ao chão
Caio sempre firme e ereto
E saio disposto à missão.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ervas Daninhas

É incrível a facilidade como ele se esquiva
São anos e anos livre das flechas que tanto nos crivam
Ainda caminha no caminho de ervas daninhas que sempre cultivas
Mas mal sabem eles que a cada tentativa só nos deixam mais vivo.

Malgrado o desejo, o intento e a sina de estar sempre acima
E meus olhos já fartos não cansam de ver o que fica pra trás
E são tantas coisas que vão se afastando atrás na neblina
E eu nunca paro, pois sei que adiante é bem melhor que lá atrás.

Porém, precisava aprender enquanto vivo que nem sempre o fim é o fim de tudo
Precisava acreditar, esperar mais, vivenciar as voltas do mundo
E quem sabe um dia possa crer bem lá no fundo
Que ainda posso viver o que pareceu um sonho de um sono profundo.


(...)


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Repartição

"Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome." 

Salmos 23:3




Cada um de nós imersos em uma solidão necessária
Sozinhos numa sala clara e refrigerada
Uma alegria precária.
Um sentimento de nada.

Dentro da repartição sem emoção no coração
Talvez como se se colasse as partes fragmentadas
Com durex, com cola, com pauta, com reunião...
Com café na copa, com falsas risadas.

Um momento ameno, isso é paz? Já faz tanto tempo
Essa calmaria infernal vai apaziguando meus nervos
Vamos crescendo, mais ou menos, sofrendo por dentro
No fundo, no fundo é o descontentamento.

Nem o ar condicionado refrigera minha alma
E alma na verdade é um anagrama de lama
A loucura vai saindo com calma
Vou num minuto da maca pra cama.

Dentro da repartição só o coração partido colado com adesivo
Mas é pra sofrer, não é por isso que vivo?
Não é esse o sentido de tudo?
Calados, falados, parados à mercê no mundo.

O dia é ameno, pachorrento, está entendendo?
Procuro ainda aquela adrenalina por dentro
Mesmo que o ano já nasça morrendo
Senti falta do seu doce veneno.




sábado, 19 de janeiro de 2013

O Senhor da Guerra

"Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz." 

Eclesiastes 3:8


Dentro da beligerância a sutileza
Em meus lençóis mil carícias guardadas
Enfrento a arrogância com bastante aspereza
Mas em cima da cama somos almas grudadas.

Não tem nexo suas palavras afoitas
Mesmo assim sua boca é abrigo
O sexo quando aqui tu pernoitas
Somente é a prova de que somos amigos.

Quer mais afago que nossas noites tão ternas
Quer mais prova que esvair-me por ti (e em ti)
Sou um mago quando em meio a suas pernas
Sou um fraco quando a vejo sorrir.

E me conheceste de forma tão outra
Hoje sou o maestro, o senhor, sim, da guerra
Me e se revelaste de maneira tão louca
E cobriu nossos corpos com lama, com terra.

Arrasto-te pro meu covil longínquo, mas nobre
E devoro cada milimetro da sua pele com fome
Sinto em ti um sentimento tão pobre
Mesmo assim só preciso de ti. Sou um homem.

Quero morrer, esgotar-me em seu corpo
Quero perder sem saber sequer como
Quero beber de ti e alimentar-te de mim
Quero possuir sua alma, sem precisar ser seu dono.


"Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora."
 

Eclesiastes 3:5-6


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Estará Vivo

"Portanto darei suas mulheres a outros, e os seus campos a novos possuidores; porque desde o menor até ao maior, cada um deles se dá à avareza; desde o profeta até ao sacerdote, cada um deles usa de falsidade." 


Jeremias 8:10

Pode se achar na segurança do seu castelo
E nos arredores da sua morada
Vem como sombras por sobre os muros
Vem como chuva pela calçada.

Provará do engano que tanto proveu

Provará o sentido de estar cativo
O desejo em ti que ainda não morreu
Provo com sangue que estará vivo.


"Porventura envergonham-se de cometerem abominação? Não; de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo em que eu os visitar, diz o SENHOR."


Espalharei por todos o seu lamaçal

Ou se era amor, ou se era nada
É seu nome enfim que vai bem mal e mal
E não tem troféu nem sequer espada.

Não existe essa de que venha o próximo

Não somos destes que se deixa assim
Se prefere a guerra, para mim está ótimo
Quem sabe enfim só se adianta o fim.

"Espera-se a paz, mas não há bem; o tempo da cura, e eis o terror."



"E encurvam a língua como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em malícia..."

(...) 




 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Iguais

Sinto falta de você
As noites quentes que passamos
Nossas conversas nada a ver
Os bons momentos, nossos planos.

Rodamos a cidade sem parar
E vimos as luzes no horizonte
Nunca paramos de beijar
Provamos do amor mesmo de longe.

Fico pensando como estás
Se pensa em mim em algum momento
Sei que já ficou pra trás
Mas sentimento é sentimento.

Toda vez que ia embora
Sei que seguia meus caminhos
Até sumir na noite afora
Naquela estrada, tão sozinho.

Podia ter lutado um pouco mais
Ter seguido seus conselhos
Ter viajado, ido atrás
Afinal éramos iguais.

...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Amar é o inferno!

Amar ou armar?
Seja só o brinquedo e fica a dica
Passatempo pro tempo passar
Não é mentira. Só é bobo quem acredita.

Jogos de armar em noites frias
E muitas palavras pelo ar
Corpos envoltos na magia
Como neblina a dissipar.

E aventuras, adrenalina
Um jogo de pega-esconde sem parar
E quando abaixa a dopamina
Logo a febre vai passar.



(...)




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Viva o Momento!

"A melhor forma de esquecer é dar tempo ao tempo. A melhor forma de curar o vício é no início."

Titãs.

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Um algo de disparate no ar
Uma lágrima que não quer rolar
Presa às margens dos olhos
A cidade ficando pra trás.

O que mais ficou para trás?
Lembranças insistem assombrar
Essa solidão nem um pouco me apraz
Vontade de fugir, te abraçar.

E o bom mesmo de apaixonar-se
É só a boa fase, o início
Por isso viva o momento
Antes que se torne difícil.

(...)



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Adeus, Velho Mundo

Vem aí uma bateria de ondas desafiadoras
Uma tal seta que voa de dia e serpentes manipuladoras
Uma torrente de sonos profundos com clarão da luz a explodir
Um levante como nascente na mente que virá a eclodir.

Dois mundos nauseabundos à iminência de se chocar
Um alarido oculto, rotundo, como se ninguém pudesse falar
"Acenda uma vela aos pecadores, e lance o mundo às chamas" *
O farol quebrado para os navegadores desafiadores no lodo e na lama.

Assustará os terrores noturnos, e os tremores da beligerância
Nada aplaca os servidores soturnos sob o mando da ignorância
Enquanto multidões rastejam por ímpeto, como insetos, pelo descalabro
Inflama a corrente dos tolos insuflados, ineptos, para o candelabro.

É um preço irrelevante a ser pago pela voluntária disfunção cerebral
É o mesmo instante que se encerra, como a extinção de qualquer animal
"Nada é tão fatigante como a indecisão e nada é tão fútil." **
Fora deixado mil livros na estante, mas agora são livres. É inútil.

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Citações:

* Bryan Warner
** Bertrand Russel


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Catalepsia

Obra em pintura: "Cavaleiro da Morte" de Guilherme de Faria 
http://pinturadeguilhermedefaria.blogspot.com.br


























Vou convidá-la para uma catalepsia
Para sentir-se como eu. Estrangeiro
Para sentir a catarse. A aplasia.
Que faço sentir o ano inteiro.

Fiz da pena um bisturi afiado
E uso sangue morto no meu tinteiro
Sou o profeta que fala calado
Agora escrevo no seu corpo inteiro.

Sua insatisfação é vil, tumoral
E com meu pacto, meu afã, meu ardil é que jogo.
O coração e o sistema nervoso central
É o post factum, post mortem, é o diabo Ipsis litteris, réprobo.

E hoje é dia de letargia animada
À base daquele velho som setentista
Hoje é dia de anestesia localizada
Hoje é dia de ir ao dentista.

Quando adentra pela porta da sala
Está ali no sãguão, só, fumando
O seu conviva, tal e qual mestre-sala
Como anfitrião não o deixe esperando.

E terão uma conversa afiada
Que vai durar uma cara
Temos a eternidade a gastá-la
Mas a fumaça não se dissipara
Mas é como armadilha montada:
Um passo em falso e dispara.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Nunca Mais Eu Quero Alguém Como Você



















Nunca mais eu quero alguém como você
Não quero cópias, nem parecidas ou substitutas
Não quero nada que não sei se posso ter

Não quero dias de agonia, espera e luta.

Quero arquivar o seu sorriso na memória
E os seus abraços que me deixaram assim cativo
Nunca mais beijarei alguém na minha história
Como da forma que a beijei enquanto vivo.

Nem mais entrega como aquela, corpo e alma
Só pra sentir nós dois afoitos, surreal
Quero a brisa da rotina, mansa e calma
Nada será depois de ti, jamais igual.

Não mais o beijos de frescor, belas manhãs
Não mais a cor do entardecer a recordá-los
A vontade imensa e o sonhos de amanhãs
Começa agora como uma aurora a esfacelá-los.

Nunca mais quero alguém assim tão encantadora
De querer falar por muitas horas ao telefone
Nem mais espero promessas loucas, sonhadora
E só não quero porque não quero que me abandone.

Não quero presentes, nem lembranças de ninguém
Se por ventura trazer resquícios de algo seu
Nem perfumes, nem amores, vivo bem.
De aventuras, sonhos, dores. Enfim já deu.

Não quero outros trejeitos de ajeitar cabelos
Nem que tire um pé do calçado quando tensa
Não quero ver segurar as mãos, os finos dedos
E nem ver um outro olhar perdido enquanto pensa.

Espero que não goste tanto assim de ursos
Nem de rosas de chocolate, frio ou vinho
Que não vocalize uma canção que está em curso
Mas que principalmente não me deixe aqui sozinho.

Nunca mais eu quero alguém como você
Nem uma réplica, imitação, cópia, escultura
Mesmo que tenhas me deixado aqui à merce
É com certeza, minha princesa meiga e pura.

Nunca mais eu quero alguém como você
Nem uma história assim tão louca, verdadeira
Mas se eu pudesse escolher não te perder
Eu escolheria beijar sua boca a vida inteira.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Tranquilo

Fotografia por Danilo Xavier 
(http://daniloxavier.wordpress.com)

















Pouca dinamite pra abalar as estruturas
Pôs-se abaixo toda a velha conjuntura
As instituições já fracassadas desde o início
É como uma pedra que se atira ao precipício.

Sem consciência plena disso creio eu
Não se mata o que há muito tempo já morreu
Posso dormir com a cabeça ao travesseiro
Posso dormir a bem de tudo o dia inteiro.

Tranquilo como o desabar de um edifício
Ou como um carro a naufragar num precipício
Dos caminhos a escolher o mais difícil
É só um caminho ou morrer logo no início. 

Primeiro se destrói o alicerce
Depois tem a sociedade que intercede
A seguir vem a família que interpela
E a religião que esconde tudo, esfacela.


Lanço um míssil nas bases quase sólidas
E quebro as barreiras dessa fase vil e mórbida
Mergulha-se nas geleiras tão inóspitas
Para viver alegrias novas insólitas.


Vou derrubar um a um com estardalhaço
Vou pintar a cara de mil como palhaços
Pode chamar minha atuação vão disparate
Mas prefiro chamar só de extinção ou cheque-mate.

Vou desmascarar tudo que for preciso agora
E desmontar todos os jogos de armar lá fora
Não são jogos de amar são sentimentos
Mas vou tranquilo feito um cão latindo ao vento.




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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dois Rios

"Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço."

Immanuel Kant

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Dois rios que correm lado a lado,
Mesmo assim exaltações intermitentes;
Um oceano logo adiante é desejado
Onde, tão logo, misturar-se-ão às suas correntes.

 Malgrado o desejo, existe a ponderação,
Como se se colocasse no caminho um óbice proposital;
Existe o limite, a moderação,
Mesmo assim só privar-se é um pecado mortal.

Nos ósculos profundos cada dia inovados,
Nas delícias dos toques, nas pontas dos dedos.
Imergidos num mundo de amores provados
E vividos nos bosques, nas pontes. Sem medo.

E nas correntezas dos seus beijos posso navegar
E a certeza desse amor o passado dissolveu
Nas belezas do desejo quero naufragar
E provar que nosso mundo é só você e eu.

Porque sabemos que a vida não está lá fora
E a que por lá aparece nós não gostamos
O amor brota em nós aqui e agora
E de dentro pra fora vem o amor que respiramos.

Finalmente quero em ti adormecer
E nos seus sonhos toda noite ressurgir
Acordar para o amor, enfim, nascer
E em nossas almas, nossos rios, submergir.



***

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Filosofia dos Beijos

Uma ventania insana no peito
Um turbilhão de venturas à frente
Aventuras pra te amar, é o jeito
Não há situação que a gente não enfrente.

A força, a coragem, o vigor
O desejo de amar vai além
Amanhã, o seu beijo, o calor
Ninguém vai falar. Mais ninguém.

A exatidão. A emoção. A reciprocidade.
Enfim um par ideal.
Colocamos fogo em toda a cidade
Somos prova do amor surreal.

Em um mundo de névoas moramos
Dentro um do outro vivemos
Somos tudo que nós criamos
E longe um do outro morremos.

Como quis seu sorriso em meus lábios
Hoje só quero a filosofia dos beijos
Horas de dialética muda. Quão sábios.
Temos a convicção da razão dos desejos.

E como nossa alma se comunica
Ninguém nunca irá entender
E a nossa história enfim como fica...
Só fica. O resto não sabemos dizer...



terça-feira, 30 de outubro de 2012

O rito

Que os risos saiam espontâneos
E os beijos sejam desejados
Que o amor não seja instantâneo
E os riscos nunca calculados.

Que o desejo possa fluir
E correr como um rio em suas veias
Que possa dentro de ti já sentir
O prazer a envolver em suas teias.

Nada pior que viver reprimido
É sem sentido obliterar o vivido
O sentimento jamais esquecido
É ir-se como nunca ter ido.

Deixar o vulcão transcender
E incendiar tudo que envolva o amor
Respirar e inebriar-se com ardor
E nas chamas do prazer se aquecer.

Num turbilhão de um milhão de desejos
Como em transe num mundo complexo
Labaredas de tesão num segundo de beijo
Labirintos de paixão fogo e sexo.

Ver escorrer em sua pele o prazer
Em seus seios, seus lábios, seu rosto
Engendrar o mel que amas beber
Sentindo a essência em sua língua o meu gosto.

No altar dos sacrifícios da carne
Elevar-se ao auge do desejo infinito
Habitar seu corpo penetrar em seu cerne
É o mistério que sela o amor. Nosso rito.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dona de Castelo



















Amor perfeito...
Amor quase perfeito...
 

Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora.
 

Vou-me embora...
Embromadora,
Você pra mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa...


Diga que perdi a cabeça
Se eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo.
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora...


Vou-me embora, embromadora...
E quando, quando eu saltar de banda
E quando, quando eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas...
E tramas variadas...
 

Sim.
 

Seu castelo de baralho vai se desmanchar...
Desmantelado...
Decifrado...
Sobre o borralho da sarjeta.
 

Chegou o inverno...


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(Adriana Calcanhoto - Dona de Castelo)
(Letra: Waly Salomão , Jards Macalé)