
A noite clara e sopra um vento quente,
Balança as cortinas do quarto no alto,
Tem luz acesa, é sinal de gente,
E sinto sua vida daqui do asfalto.
No corpo um calor louco que desperta tudo,
Paixões, segredos, fantasias...
Um corpo esguio estremece no escuro,
E por baixo das sedas as mãos minhas.
As cortinas parecem querer voar além da janela,
De carona com a brisa no calor tão intenso,
A noite é tão longa, a noite é tão bela,
E as ruas vazias cheirando a incenso.
Se pudesse chamá-la queimaríamos como incensos,
Olentes, na noite quente e corpos esguios,
Suaríamos na cama e lençóis brancos e lenços
Amarrados na cama, nas janelas, ao vento.
Queria um só momento de impulso, de ímpeto, frêmito,
Sequioso dos seus lábios, levá-la para o meu templo,
Na floresta negra da vida levá-la até meu momento,
E chegarmos ao topo do amor, do torpor que é tão denso.