terça-feira, 20 de maio de 2008

Na verdade sua boca


Você queria se largar
Deixar-se pelo frio da espinha
Amar, amar
Trair
Transar

Não arrefecer na hora H
Se entregar, consumar
Navegar no mar do amor
Cair sem lugar

Naufragar no afã de louca
No mar entregue, aberto
Na verdade sua boca
Água do meu deserto

Você quer possuir o meu corpo
Habitação da sua alma vadia
Angariar o torpor que promovo
Quando proporciono uma experiência sadia



Você quer enlouquecer
Nos meus lábios em seus lábios, sua carne
Seu sangue, meu sangue a beber
Sentir você em seu cerne

Você quer se largar
Se abandonar num minuto comigo
Mas sou eu quem vai te largar
por isso teme o perigo

Quero invadir com ímpeto sua vida
Penetrar-me em seus sonhos com força
Colocar-me na sua ferida
Habitar na verdade sua boca

2 comentários:

Anjinha disse...

Adorei
bjo

Alessandro Vargas disse...

Olá anjinha.
Obrigado pelo comentário e atenção ao meu blog.

Sobre o poema, como diz Santiago Nazarian "Todos os prazeres são orais."

Concordo.