terça-feira, 22 de abril de 2025

Sinto

 Sinto falta do sopro da solidão.

Aquele que vem com folhas secas ao vento no chão. 

Aquele das ruas pretas de asfalto na escuridão. 

De uma cidade pequena, e seus seres pacatos e sem emoção. 

Sinto falta da dor de sentir. E seja lá o que for.

Amar nem sei o que é sentir, mas sinto morrer. E estar sozinho nesse momento é tão sobre viver.  

Sou acostumado com idas e vindas. E despedidas. As vezes nem foram havidas. 

Sou acostumado a tantas partidas. Mas nem tanto sobre vidas perdidas. 

Sou dado a amores deixados de lado. Sem dor, nem chorar. nem afago. 

Sou muito de colecionar... amores abandonados. 

Porém mesmo sem tino pra isso. Eu sinto tanto e sinto faz tempo. 

Contudo sinto falta da dor de sentir e de me sentir como as folhas ao vento. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Capítulo 1 - O Livro das Decepções

 Nada mais teria ocorrido

Antes tivesse resolvido

Pobre moça noiva das prisões

Mais uma de suas anotações.


Naquele país distante e um sonho iminente

O coração pungente de vida inquietante

Querendo voltar para os braços de seu pretendente

Mal o sabia um tolo, um inconsequente.


Os anos se passariam de qualquer maneira

Mas por quê me trataste daquela maneira?

Tu sonhavas sorrindo plena tarde inteira

Mas quem diria que seria daquela maneira.


(...)


terça-feira, 5 de maio de 2020

O fio da meada

Tenho andado muito morno
Depois de andado entre cães e lobos
Talvez sabido só um pouco.
Talvez vivido muito pouco.

Mormente mais inteligente
O vigor ainda mais proeminente
O brilho ainda mais recrudescente
Maquinações aguçam a mente.

Tinha me escapado o fio da meada
Mesmo que perder-se seja o afã da estrada
Quem procura algo não procurada nada
Até porque é longa a jornada.

Se por ventura mente quem ignora e sente
Se faz latente o desejo ardente
Aos poucos vai se recobrando a mente
E o corpo morno se redobrando quente. 

O que é incorpóreo e te doi nos ossos?
E mesmo etéreo te lateja a carne?
Um dor no corpo que lhe tira os "possos"
Um desiderato intenso que te falta e parte. 

Bem no fim do mundo nos covis profundo
Onde o fio da meada esconde o fio da navalha
Onde choras por fora e sorris no fundo
Onde a escada é uma escalada de dentro pra fora.




 
 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

“Quando achei que não estava mais lá, eu ainda estava lá. Talvez não seja uma questão de espaço, mas sim de lugar.”

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Viverá

Só te garanto não ter garantia. Por vezes insanidade, o restante felicidade. Confesso, não tem calmaria, mas prometo aventura e alegria. Dos dias amenos, esqueça, mas fogo e dor de cabeça. Tempestades de emoções, furações, temporais; dias normais nunca mais. E a trilha sonora constante, enérgica, visceral e vibrante. Viverá com intensidade constante, e nada mais como antes.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Era Preciso

Era preciso...
Um ombro amigo.
Um momento contigo.
Um final decisivo.

Era preciso...
Um dia alegre
Uma paz consigo
Um sorriso breve
Um estar contigo.

Era preciso...
Enfrentar de vez
O remorso antigo
Correr perigo
Só mais um mês.

Era preciso...
Conversar direito
Falar a respeito
Tirar do peito
Como é preciso.

É o que mais preciso
Encontrar abrigo
Uma fortaleza
Em sua beleza
Ter confiança
Fazer mudança...
Era preciso.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Imagens Suas

Pensei em você hoje a noite inteira
Pensei, revirei, e até sonhei
Não é que seja coisa que não queira
Mas é algo que sempre que pude eu evitei.

Ficar sem dormir já não é problema
O problema todo é ali ter você
Ou não ter é que é o problema
E o dilema é ter que esquecer.

O tempo passa e isso não acaba
Isso me acaba e não tem jeito
O momento vem e tudo desaba
E o mundo acaba quando me deito.

Deixei de ver imagens suas
Percorro as ruas num novo rumo
Mas ainda assim vem coisas tuas
A me atormentar e então não durmo.

As lembranças são tão mais doces, ternas
E mesmo não querendo revivo tudo isso
Me vejo envolto de novo em sua pernas
E acordo do sonho e já não passa disso.

(...)

terça-feira, 15 de março de 2016

Até Mais, adeus...

Ainda tem muita lenha pra queimar
Já não se sabe, nem de se ouvir falar
O protesto é em vão e irrelevante
E já nem mais tão beligerante.

A fumaça aduz o fogo
Nem tudo reluz, nem ouro
A tormenta já não mais enfrenta
Talvez nem chuvisco aguenta.

Alegria ora fugidia
Ora como nunca como bem fazia
E tanta quimera tanta nostalgia
Ah, meu bem, já era. Já se foi o dia...

Os pensamentos claros sob a luz de vela
Uma centelha parca, bem sutil, singela
Navega pelos mares da emoção atroz
Já ficou pra trás e como foi veloz.

Seu nome já não causa tanto sofrimento
Já posso ouvir o vento e enfrentar novembro
Um dia ia passar, mas não passou de todo
Um dia ia ganhar, mas acabou-se o jogo.

Talvez nos sonhos a gente se encontra
Se não houver amor, a gente faz de conta
Talvez meus sonhos não sejam mais os seus
E se não for eu finjo. Até mais. Adeus.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Você é Meu Fantasma

Não dá pra te esquecer
O que mais posso fazer?
Entra ano e sai ano sempre a enlouquecer
Mas não mais como antes e não mais junto a você.

O que fazer se a procuro
Se vem o escuro e me leva para as trevas
De que adianta tantos muros
Se quando durmo é você quem me desperta.

Gostaria de estar perto
Sou maduro já sei lidar com uma mulher
Queria agora estar desperto
E decerto ter ao certo a certeza que me quer.

O tempo não está ajudando
Entra ano e sai ano e eu ainda com esses planos
Até esqueço de vez em quando
Mas num repente vem o passado a descobrir-se como um pano.

E você mais linda ainda
Quisera eu saber agora se estás casada ou sozinha
Sem você sou trem fora da linha
Turbulento barulhento a se estilhaçar em sua partida.

O que fiz pra merecer?
Sei que foram muitas coisas mas será que as levo até morrer?
Não dá pra te esquecer
Entra ano e sai ano e meu fantasma é só você.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mais Uma Vez a Insensatez

É, não foi dessa vez
Mas foi como que premeditado
Foi como tem que ser
Mais uma vez acabado.

Outra vez
Olha só quem é a bola da vez
Mais uma vez a insensatez
E à tona o passado.

Só um passo em falso
Ao despenhadeiro
Sobre um cadafalso
E um algoz certeiro.

É, mais uma vez
Foi mal compreendido
Mais um mal entendido
Sem qualquer sentido.

A presença grave
O aspecto hostil 
O que foi suave
Agora vão e vil.

O fim esperado
Como antes foi
Como no passado
E o que vem depois?




quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Egos & Infernos

* Deuteronômio – 28-26. "E o teu cadáver servirá de comida a todas as aves dos céus, e aos animais da terra; e ninguém os espantará."

A porta do inferno
A hecatombe profunda
O demônio de terno
Eclodindo da tumba.

As mulheres despidas
São partidas ao meio
Depois de tanta investida
Agora são carne e recheio.

Camas feitas de cédulas
E o sangue como cobertor
Sente a dor em cada célula
Contudo não tem mais valor.

O narcisismo morto enterrado
Os defuntos de todos os egos
O nazismo antes disfarçado
Crucificado com muitos pregos.

O flagelo da alma
Um terror maquinal
Dissipa-se a acalma
Num calor infernal.

O fim dos disfarces
Das alegorias pecaminosas
Das ervas daninhas
Cruéis, perigosas.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Holocausto de Amantes






Tenho as mãos afiadas e o punho cerrado
Faíscas nos olhos lacrimejados
Um dia de luta uma noite ao seu lado.

Faço jogos de morte quase sempre que posso
Tenho desvios que levam ao fundo do poço
Em minha alma um frio que congelaria seus ossos.

Dentro de ti nada mesmo só um gelo aterrador
Com planícies inteiras de frio e de dor
Qual foi mesmo o momento em que acabou-se o calor?

Um local perfeito pra um holocausto de amantes
Nada mais como antes nem sonhos infantes
Aspereza e rudeza e gritos beligerantes.

Observa o sangue a escorrer pela neve
Sem mágoas remorso ou algo que a moleste
Seu corpo é febril mas sua alma está leve.

Sombras de espíritos malévolos claudicantes
Sonhos tão insípidos decrépitos nauseantes
Assombram dia e noite mas nada mais como antes.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Um Filme

Tenho apostado pago pra ver e vou firme
Mesmo que isso custe-me caro
Talvez a convide pra vermos um filme
E durma aqui se acabar muito tarde.

No fim é só nostalgia de tempo e aromas
Um frescor revigorante na alma
Ratificando os velhos axiomas
Trazendo à tona o passado sem traumas.

E despeço-me de mim mesmo deixando tudo pra trás
Deixo meu carro, minha casa, meus livros
Vou sozinho, mas sinto-me em paz
Atrás de sonhos que os cria perdidos.

E se ao descer você estiver à minha espera
Minha quimera viraria um presente
Poder rever seus sorrisos, quem dera!
Poder te abraçar e te amar eternamente.



sábado, 1 de agosto de 2015

Nada Mais




Aquele aspecto elegante
Seus passos incertos infantes
Aquele cheiro de cidade grande
Mas nada mais como antes.

Aquele sorriso estampado na cara
A apatia que não se dissipara
O coração que não mais dispara
Fantasia já coisa tão rara.

Os bons e velhos minimalismos
A bipolaridade os mesmos sentidos
No pulso quase que um acrotismo
No amor um tenaz ceticismo.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Um Simples Segredo

Eu daria tudo por um segundo
Eu faria tudo pra mudar seu mundo
Eu voltaria hoje àquele sono profundo
Onde você e eu éramos um só em tudo.

Lembro de acordar bem cedo em meio às suas pernas
Lembro daquelas noites etéreas e eternas
Envolto em seus cabelos lençóis e cobertas
E nossos segredos juntos e carícias ternas.

Na escuridão da noite igual os seus cabelos
Nossas peripécias e tantos desmazelos
Um arrepio agudo a eriçar os pelos
E acabou-se tudo num estalar de dedos.

E éramos mais que um simples segredo
Éramos mais que uma aliança no dedo
Éramos a esperança de vencermos o medo
Éramos o fim começando mais cedo.



sexta-feira, 19 de junho de 2015

A Inundação



















O vento frio de junho a nos sufocar
Um arrepio soturno a nos flagelar
Um onda aterradora fazendo naufragar
Tudo de todo fazendo tudo mar.

As lembranças tristes todas submersas
As lembranças boas todas bem dispersas
Um passado fresco na memória aberta
E a alma tosca quase que descoberta.

A água cobre tudo os móveis, a estante
Tudo nunca mais como fora antes
Lá fora a calmaria que antes sempre estanque
Hoje jaz no mundo inundado como um tanque.

O momento é incerteza como antes fora
Lá fora a correnteza de ondas aterradoras
Vem como uma serpente de presas desafiadoras
A destruir o mundo tão frágil lá fora.




sexta-feira, 17 de abril de 2015

Quando Acordo

Não acordo pra ser sensato
Não acordo pra fazer sentido
Acordo pra não ser exato
Acordo por estar vivo.

Não levanto pra ser a esmo
Levanto pra ser eu mesmo
Acordo e me despeço da cama
Mas às vezes volto se ela me chama.

E ser melhor a cada dia
Não para os outros mas para mim
Dançar a vida com alegria
Saber que a estrada nunca tem fim.

E se tem cansaço, volto e me aconchego
No seu peito, envolto em seus abraços
Seu braço sempre aberto quando chego
Nosso amor sem medo preenche todo espaço.

Não acordo sempre para ser só eu
Mas o pensamento é sempre sobre ti
Se tu for minha passo a ser só seu
E só de ser possível já me faz sorrir.

terça-feira, 31 de março de 2015

Pessoa Imaginária



Às vezes me perco, ora me encontro
Ora me desfaço, mas me visto e pronto.
Ora etéreo, e subliminar
De quando em vez sublime
Outra vez sem ar.

Ora me despedaço, e me desintegro
Vez ou outra faço, mas não aconteço.
Vou partir-me em cacos pra ver se reconheço
No vazio espaço em que permaneço.

Pessoa imaginária que permeia o mundo
Em um bilhão de vozes que sinalizam tudo.
O mundo em minha mente é sombrio e soturno.
Mergulho em mim mesmo, naufragado ao fundo.

Um homem soterrado por tantos pensamentos
Quase que invisível, quase completamente
Um homem sem sombra, quase sem sentimentos
E as lembranças vivas a invadir-lhe a mente.

Vou ver se despedaço pra fugir da existência
De tantos estilhaços da fútil demência
Da superficialidade que sufoca a gente
Da frivolidade que me afoga a mente.

Às vezes, sem notar, eu sumo, quase desapareço
Apareço aqui e ali, quase nem me apercebo
Vejo o sol e a lua juntos quando eu acordo cedo
Estou eclipsado e nublado e todo envolto em medo.

Ora eu sou visível mas não meu pranto
Ora descomedido e perdido um tanto
A locomotiva ensandecida chamada minha vida
Como um trem fantasma segue transtornando.




quarta-feira, 4 de março de 2015

07 Anos de Blog do Ale Vargas!





É com muito prazer que gostaria de comemorar com todos meus amigos leitores esses sete anos que escrevo nesse blog, compartilhando com todos meus devaneios, meus amores, minhas dúvidas e inquietações. No início não imaginava que algo tão singelo e particular, pudesse me prender por tanto tempo, acreditava até que fosse algo momentâneo. Apesar de escrever poemas desde os oito anos de idade não imaginava que esse hábito, ou melhor essa paixão, pudesse ser algo para mim ainda tão revigorante, prazeroso e necessário.

Agradeço imensamente a Deus e todas as forças do universo que me motivam tanto e me motivaram a escrever as mais de quinhentas postagens, todas autorais e viscerais, contidas nesse blog. Sei que cada leitor atento pode ver o quanto de mim mesmo que há inserido em cada frase, em cada ironia ou metáfora dentro de cada poema. Agradeço também a todos os meus amores, os que já se foram e os que ainda persistem, por serem para mim, sempre fonte de imensa inspiração, e os mantenho vivos em cada uma de minhas palavras, independente do desfecho que cada um teve ou terá.

A única intenção desse blog foi levar um pouco das sensações, das emoções e experiências deste singelo escritor, ou dou-me ao luxo de chamar, poeta, a cada pessoa que aqui aportasse. Não existe nenhuma intenção comercial ou de fama, visto que não uso de linguagem apelativa ou propaganda para atingir tal intento.

Enfim, sem mais delongas, sou imensamente grato a todos que leram, analisaram, comentaram, ou de alguma forma serviram de fonte de inspiração para meus poemas. Saiba que cada um de vocês, mesmo eu não os sabendo, ou vocês não sabendo de mim, fazem parte da confecção deste compêndio de relatos da alma humana, e são, sobremaneira, energia propulsora para que eu possa prosseguir escrevendo. Muito obrigado a todos. São todos mais que especiais.





segunda-feira, 2 de março de 2015

É Tudo Culpa da Culpa


















É tudo culpa da culpa
Acordo assustado e me pego lembrando
Seu rosto me vem e a saudade machuca
A passagem do tempo não está adiantando.

É tudo culpa minha
Fico observando sua linda vida de longe
Sei que jamais estarás sozinha
Sei que meu sentimento não acaba se esconde.

Quando sonho contigo passo o dia distante
Perdido nos pensamentos sua voz sua imagem
É bom é ruim é inquietante
Sempre um dia de muita saudade.

O passado vem à tona num segundo
E de um futuro que nunca vai ser
Eu poderia ser seu marido seu mundo
Mas isso não vai acontecer.

Minha cabeça cria viagens contigo
Cria luas-de-mel ilusórias
Fiz de suas lembranças abrigo
Outras pessoas já me são irrisórias.

Minha alma quando durmo viaja
Em meio a prédios e ruas vai até sua casa
E quando a encontra vela teu sono te abraça
Beija-lhe o rosto os lábios e se afasta.

Quando retorna vem de súbito e me acorda
Com o sabor dos seus lábios seu perfume sua tez
Meu corpo todo de amor se transborda
Então durmo de novo pra sonhar outra vez.