segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A rua não é um bom lugar


Preciso um novo porto seguro
Até porque você não é o que procuro
Os momentos com você são doentes, doentios
E os caminhos que fazemos são oblíquos, obscuros.

E definitivamente a rua não é um bom lugar
E o amor que tem na mente logo vai se dissipar
E o ardor que tem na carne é como brasa a se acabar
Mas as cinzas que sobraram ainda queimam sem parar.

Os ventos sopram suaves mas os ares são estranhos
Faz anos que venho tentando mas o outro está ganhando
Um carro desgovernado por pouco não acerta meus planos
E o tempo mal acabado mostrando-se cruel e vilão.

Cansado de palavras nefastas e aturdidas e massantes
Os problemas passageiros as nostalgias são passantes
À mercê de corações alheios à mercê de uns bons calmantes
Essa é a vida de nós humanos transeuntes, incautos, infantes.

Na beira da estrada, uns com namoradas, ficantes
Na margem, na calçada, nós vagabundos e amantes
Uma fuga tresloucada na madrugada e em instantes
Um carro desgovernado amassado pelos corpos de antes.

Tiram cacos de vidro da boca da menina arrumadinha
Respiração boca a boca tirando sangue à reviria
Os cortes à mostra nos rostos da juventude insandecida
Mal sabiam o que viria, quem sabia o que viria?

Nem testemunha, nem nada, nem lua cheia, tumulto
Nem alma viva, fantasma, só correria e insulto
Por uma unha não estava estirado na rua de bruços
Com os cacos de vidro e estilhaços de carro, de gente, de tudo.

2 comentários:

Luz Imaginária disse...

E definitivamente a rua não é um bom lugar
E o amor que tem na mente logo vai se dissipar
E o ardor que tem na carne é como brasa a se acabar
Mas as cinzas que sobraram ainda queimam sem parar.

essa parte é a melhor
=D

Alessandro Vargas disse...

Obrigado grande amiga.
Nada melhor que escrever sobre a realidade, creio.