sábado, 5 de setembro de 2009

Anjos (Ode a Nero)


Sou o escudeiro armado
A armada em front de guerra
Estou voltando renovado
Não sei quem me espera.

O vilão o instinto cruel
O fogo nos olhos e mãos
O poder o embate o meu mel
O destruidor de corações.

Lembro-me clara e nitidamente
Do ardor e clareira armada
Venha se quiser tente
Esperam-te na retaguarda.

Tenho ojeriza e asco de ti
Sei onde andas e aonde vais
Pode crer que na hora sorri
Ao ver os castelos caírem de sais.

Mas volto com reforço armado
Com chamas nos olhos e mãos
Sou o guardião de escudo içado
E você a lama a corja o chão.

Tenho emboscadas e estratagemas
Tenho planos que sempre esmero
Tenho você em invisíveis algemas
Tenho medo como teve Nero.

Tão admirável quanto Narciso*
E impreciso quanto Goldmund*
Sei muito bem o que agora preciso
Tenho meu barco antes que afunde.

O poder tenho a hora que quero
Tenho a mídia as atenções
Pra você um pedaço de ferro
Isso soa-me como lindas canções.

Seu anjo não vai te proteger
Aliás meu arpão sabe bem como lidar
Com seres que me querem deter
Com seres que se dizem voar.

Somos amigos somos anjos
Mas sou seu anjo exterminador
A ode final tocada com banjos
Aos gritos de desespero e dor.

Um comentário:

Alessandro Vargas disse...

(**) Do livro "Narciso e Goldmund" de Herman Hesse.