quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Não há nada na minha mão


Não há nada na minha mão que eu não controle,
Não há nada na minha mão que eu não contorne,
Não há nada na minha mão que eu não sufoque,
Não há nada na minha mão que eu não retoque.

Há bem mais na minha mão do que a sorte,
Há bem mais na minha mão do que a vida,
Há bem mais na minha mão do que a morte,
Há bem mais na minha mão que ferida.

Não há nada na minha mão,
Não há nada na minha cabeça,
Não há nada, não é nada não,
Não é nada que me enlouqueça.

Não há nada na minha mão que não sonhos,
Não há nada além de ilusão aquilo que somos,
Não há nada além da visão que capturemos,
Não há nada na minha mão que antes não vimos.

Antes em minhas mãos havia mãos dadas,
Antes, nas minhas mãos haviam abraços,
Ante à minhas mãos existe trabalho,
Antes houvesse aquilo que já não é nada.

As minhas mãos já sentiram a pele sua,
As minhas mãos já seguraram tantos percalços,
As minhas mãos já aqueceram no inverno as suas,
As minhas mãos já aprenderam o que gosto e faço.

Não há nada na minha mão que outrora houvesse,
Não há nada na minha mão que eu não precisasse,
Não há nada na minha mão que eu não fizesse,
Não há nada na minha mão que eu não amasse.

2 comentários:

Alessandra disse...

Algo sutil, porém de uma tal intensidade surpreendente...

luccy oliveira disse...

Realmente,Profundo!!!