terça-feira, 8 de julho de 2008

Incensos


A noite clara e sopra um vento quente,
Balança as cortinas do quarto no alto,
Tem luz acesa, é sinal de gente,
E sinto sua vida daqui do asfalto.

No corpo um calor louco que desperta tudo,
Paixões, segredos, fantasias...
Um corpo esguio estremece no escuro,
E por baixo das sedas as mãos minhas.

As cortinas parecem querer voar além da janela,
De carona com a brisa no calor tão intenso,
A noite é tão longa, a noite é tão bela,
E as ruas vazias cheirando a incenso.

Se pudesse chamá-la queimaríamos como incensos,
Olentes, na noite quente e corpos esguios,
Suaríamos na cama e lençóis brancos e lenços
Amarrados na cama, nas janelas, ao vento.

Queria um só momento de impulso, de ímpeto, frêmito,
Sequioso dos seus lábios, levá-la para o meu templo,
Na floresta negra da vida levá-la até meu momento,
E chegarmos ao topo do amor, do torpor que é tão denso.

3 comentários:

Mariza Resplandes disse...

E sentir assim, de longe, a vida (daqui do asfalto)... pra quê, né?
Bom mesmo é estar perto.

Você é o cara, Ale!!
Te adooorooo muitão!
Bjos!
Sucesso!

Alessandro Vargas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alessandro Vargas disse...

Oi, Mariza, muito obrigado pelo comentário, ocorre que, às vezes, queremos estar perto, mas as pessoas parecem estar no topo de um prédio, inatingíveis. Também te adoro muitão mesmo, mesmo não sendo "o cara", rsrsrs... beijos